Raul de Souza

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Raul de Souza
Informação geral
Nome completo João José Pereira de Souza
Nascimento 23 de agosto de 1934
Local de nascimento Rio de Janeiro, RJ
Morte 13 de junho de 2021 (86 anos)[1]
Local de morte Paris, França
Nacionalidade brasileiro
Gênero(s) Jazz, MPB, funk[2]
Ocupação(ões) trombonista, saxofonista
Instrumento(s) trombone de pistos, trombone de válvula, saxofone, flugelhorn
Afiliação(ões) Sérgio Mendes, Turma da Gafieira, A Turma da Pilantragem, Flora Purim, Airto Moreira, Milton Nascimento, Sonny Rollins, Cal Tjader, Caldera

Raul de Souza ou Raulzinho do Trombone, nome artístico de João José Pereira de Souza (Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1934 - Paris, 13 de junho de 2021), foi um trombonista e saxofonista brasileiro.[3][4] Este nome artístico foi um "presente" de Ary Barroso, que disse que João não era nome de trombonista e sim Raul (fazendo referência ao grande trombonista Raul de Barros)[5].

Reconhecido pelo improviso suingado e pelo samba-jazz,[6] Raul de Souza é o inventor do "souzabone", um trombone de pistão com quatro válvulas, uma a mais do que no instrumento tradicional[7]. Não à toa, seus solos e improvisos são amplamente estudados por trombonistas das principais escolas de música popular do mundo[5].

Com a canção Sweet Lucy, que foi lançada em seu álbum de mesmo nome, obteve sucesso mundial no final da década de 1970.

Carreira[editar | editar código-fonte]

A ideia de Raul era tocar somente saxofone. Porém, por conta do curto orçamento familiar (sua família era pobre), ele foi obrigado a comprar um trombone de válvula.[6] E foi com este instrumento que se tornou um dos melhores do mundo.[6]

Raul trabalhou e/ou gravou com Sérgio Mendes, Flora Purim, Airto Moreira, Milton Nascimento, Sonny Rollins, Cal Tjader e a banda de jazz fusion Caldera,[8] além de ter participado em vários festivais internacionais de jazz.

Sua primeira gravação foi em 1957, com a "Turma da Gafieira", que continha, entre outros, os músicos Baden Powell e Sivuca. Neste mesmo ano foi eleito melhor músico de 1957, no programa Paulo Santos, pela rádio MEC do Rio[9].

"Ajudei a divulgar a imagem do músico que improvisava. Por isso, o pessoal tinha uma certa pinimba comigo. Depois de ganhar aquele prêmio fiquei sem trabalho."[9]
Raul de Souza, sobre o prêmio de melhor músico do ano de 1957.

No ano de 1958 entrou para a Banda da Força Aérea Brasileira, no CINDACTA II, em Curitiba, ficando até 1963.

Já pro final da década de 1950 trabalhou em Curitiba, numa boate instalada dentro do Passeio Público.

Em 1963, gravou o histórico LP "Você ainda não ouviu nada", com Sérgio Mendes e o grupo Bossa Rio, excursionando pela Europa e Estados Unidos

Em 1968, fez parte do grupo musical A Turma da Pilantragem. Foi nesta época que tocou na Orquestra Carioca na Rádio Mayrink Veiga, participando de programas televisivos e acompanhando os músicos que iam tocar nos programas.

Também viveu, por um longo período, nos Estados Unidos, porém voltou a morar e trabalhar no Brasil.[10] Foi neste período que seu nome foi incluído no "The Encyclopedia of Jazz in the Seventies", dos críticos Leonard Feather e Ira Gitler.

Em 1975 lançou o disco "Colors", que virou tópico de estudo na Berklee Music College[6], em Boston devido às variações rítmicas e melódicas que nele se apresentam. Este álbum está disponível em CD como parte da série Original Jazz Classics da Fantasy Records.

Em 1977 gravou o LP "Sweet Lucy", voltado para o funk americano e em 1978 o LP "Don't Ask My Neighbors".

No início da década de 1980, Raul sofre um acidente de carro, ficando acamado por alguns meses. Com a impossibilidade de tocar trombone, Raul se aperfeiçoou no saxofone tenor, instrumento com o qual gravou o LP "Viva Volta", de 1986.

Souzabone[editar | editar código-fonte]

O souzabone é o instrumento que criei. É um trombone de pisto com um quarto pisto a mais e geralmente é usado com pedais de efeito (oitavador, delay, etc).[11]
Raul de Souza, sobre o souzabone.

Em 1975, em Los Angeles, Raul de Souza propôs este novo conceito do instrumento ao artesão Dominique Calicio e pediu-lhe para ajudá-lo a construir este instrumento.

Ele pode ser ouvido em seus doces registros Sweet Lucy e Don't Ask My Neighbours.

O instrumento, um trombone em dó, possui quatro válvulas cromáticas (em vez das tradicionais três), dois gatilhos de correção de ajuste e a capacidade de mudar a tessitura para mais notas graves. Ele também tem um microfone eletrônico e pedais que permitem vários efeitos como wah-wah, delay, refrão e oitava. Este cobre atípico é caracterizado por um som muito particular e afiado com clipes de papel acústico, bastante fino e nasal.

O pianista e produtor norte-americano George Duke descreveu o caráter sonoro do instrumento de latão idiossincrático como uma "mistura entre um trombone tenor e uma trompa".

Morte[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2020, Raul anunciou a aposentadoria por conta de um câncer na garganta.[12] As complicações desta doença o fizeram vir a óbito em junho de 2021.[6] Ele morreu na Paris, capital da França, país onde residia desde o fim dos anos 1990.[6][13]

Discografia[editar | editar código-fonte]

creditado como Raulzinho
creditado como Raul de Souza
Participação em trabalhos de outros artistas

Prêmios e Indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Trabalho Indicado Resultado Ref.
1957 Melhores do Ano - Programa de Paulo Santos (rádio MEC do Rio) Melhor músico do ano Turma da Gafieira Venceu [9]
1979 New York City Jazz Magazine Awards Melhor Trombonista de Jazz ’Til Tomorrow Comes Venceu
2013 Prêmio da Música Brasileira Melhor Solista DVD O Universo Musical de Raul de Souza Venceu [14]

Honrarias[editar | editar código-fonte]

  • 1978 - "Cidadão Honorário" da cidade de Atlanta, na Geórgia[5]
  • 2004 - Homenageado no Chivas Jazz Festival - Brasil

Referências

  1. «Morre Raul de Souza, trombonista brasileiro considerado um dos melhores do mundo». Site da CNN Brasil. Consultado em 12 de junho de 2021 
  2. Raul de Souza em noites de samba e jazz
  3. Raul de Souza, melhor trombonista do mundo, toca no festival de jazz de Ilhabela
  4. «Biografia no Cravo Albin». Consultado em 15 de julho de 2014 
  5. a b c The Brazilian Trombone Association Journal, vol 2, nº 2 Revista Científica da Associação Brasileira de Trombonistas
  6. a b c d e f Ferreira, Mauro. «Raul de Souza, o gigante brasileiro do trombone que tinha passe livre no mundo sem fronteiras do jazz». G1. Consultado em 14 de junho de 2021 
  7. C. Guimarães (junho de 2014). «O gênio do trombone». O Globo. Consultado em 25 de outubro de 2014 
  8. «"Raul de Souza "biografia"» (em inglês). allmusic. Consultado em 17 de fevereiro de 2014 
  9. a b c folha.uol.com.br/ "Catedrático" Raul de Souza dá aula-show
  10. Arnaldo DeSouteiro (1 de outubro de 2006). «raul de souza: à vontade mesmo». Clube de Jazz. Consultado em 15 de outubro de 2014 
  11. istoe.com.br/ Mestre, Raul de Souza foi além do trombone
  12. Galindo, Rogério (14 de novembro de 2020). «Com câncer, Raul de Souza anuncia aposentadoria». Jornal Plural. Consultado em 15 de junho de 2021 
  13. «Paris | Definition, Map, Population, Facts, & History». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2021 
  14. sescsp.org.br/ Raul de Souza recebe prêmio de melhor solista

Ligações externas[editar | editar código-fonte]