Alvites

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Disambig grey.svg Nota: Para a aldeia em Santiago da Ribeira de Alhariz, veja Alvites (Santiago).
Portugal Portugal Alvites 
  Freguesia  
Localização
Alvites está localizado em: Portugal Continental
Alvites
Localização de Alvites em Portugal
Coordenadas 41° 34' 09" N 7° 05' 01" O
Município MDL1.png Mirandela
Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente Edgar Alberto Pires (PPD/PSD)
Características geográficas
Área total 17,81 km²
População total (2011) 237 hab.
Densidade 13,3 hab./km²

Alvites é uma freguesia portuguesa do concelho de Mirandela, com 17,81 km² de área e 237 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 13,3 hab/km².

Situa-se esta freguesia no extremo Este do concelho e no seu limite com o de Macedo de Cavaleiros, a cerca de 7 quilómetros da margem esquerda do rio Tuela. Dista cerca de 15 quilómetros da cidade de Mirandela. Compreende as povoaçőes de Alvites, Açoreira, Lamas de Cavalo e Vale de Lagoa. No limite da Açoreira foi registada uma mina de antimónio em 1882.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Alvites [1]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
639 635 936 639 679 606 700 751 797 617 410 542 393 282 237

No ano de 1890 tinha anexada a freguesia de Avantos

História[editar | editar código-fonte]

Não se pode duvidar de que houve aqui remoto povoamento, desde épocas muito recuadas, visto que existem nas imediaçőes fortificados castrejos e outros vestígios de semelhante antiguidade. É o caso do monte Mel, que domina esta freguesia e assim aparece chamado já no século XI, num dos raros documentos que desta região restam anteriores à Nacionalidade.

Esse povoamento deve ter sido persistente e continuado como parece poder-se inferir do próprio topónimo Alvites que é, talvez, o único documento relativo à antiguidade local de cerca do século XII. Efectivamente, trata-se do patronímico Alvites, do nome pessoal Alvito, muito usado até ao século XIII. O seu significado histórico é inalterável: a propriedade rústica de um indivíduo daquele nome ou daquele patronímico. Quanto à antiguidade é de crer que seja anterior à Nacionalidade. Entre os topónimos locais que podem ligar-se a essa época devem contar-se Açoreira, derivado de açor (ave rapace que, por si, mostra o estado selvagem do local naquela altura) e Lamas de Cavalo, com o arcaico “lama” a significar propriedade rústica, talvez o lameiro de hoje.

Alvites teve um foral dado, em Julho de 1249, por Julião Gonçalves, juiz de Panóias, por mandado de D. Afonso III. Franklim registou-o no “Livro dos forais antigos de leitura nova”, mas sabe-se que a carta dada pelo juiz de Panóias não será propriamente um foral de instituição de vila ou concelho, mas um simples contrato enfitêutico com um único indivíduo e sua mulher.

Alvites deve ter tido origem num “villar” velho ou num novo fundado sobre um velho, entre o século X e o XIII, por um Alvito ou Alvites de nome. Paroquialmente parece ter sido, desde sempre, da paróquia de Santa Eugénia de Ala, como, administrativamente, repartida, inicialmente, em alguns julgados (Torre de Dona Chama, Lamas, Mirandela). Passou depois a ser, exclusivamente, do termo de Mirandela.

O padre Luís Cardoso, nos meados do século XVIII, diz desta localidade ser do arciprestado e termo da vila de Mirandela e “fundada em terra áspera e agreste, à vista da serra de Montemel, que lhe fica duas léguas distantes” e que “o pároco é cura apresentado pelo reitor de Ala, por ser esta igreja sua anexa. A Igreja de São Vicente de Alvites deve datar da época do repovoamento. Em primeira fundação como ermida ou mesmo igreja filial de Santa Eugénia de Ala: daí a filiação paroquial posterior e até a inclusão na comenda de Ala, passando no século XIX a reitoria independente.

Esta freguesia de Alvites foi berço de Cristóvão José de Frias Sarmento e de seus irmãos António e Estevão, todos agraciados com o título de fidalgos-cavaleiros por alvará de 11 de Abril de 1787. Suas irmãs Maria Joaquina e Maria Bárbara noviciaram no convento de Santa Clara de Vinhais.

O compositor português Eurico Carrapatoso, nascido em 1962, é natural desta freguesia.

Alvites tem três edifícios distintos e exemplos paradigmáticos da arquitectura solarenga transmontana: a casa Botelho, a casa Pereira Cabral e a casa Morais Carrapatoso. A casa paroquial é também um exemplo distinto dessa arquitectura, não tanto pelo seu volume, mas pela subtileza e graça de suas linhas. Em Vale de Lagoa, aldeia anexa da freguesia de Alvites, existe a casa armoriada dos Menezes Reimão de Vasconcelos.

A casa Botelho, atribuída ao arquitecto Nazoni, foi o solar dos Frias Sarmento, herdado por Afonso Sousa Botelho Correia Guedes do Amaral. Depois de ter sido herdado por Maria Isabel Adriana Sant'Iago de Sousa Botelho Correia Guedes do Amaral, casada com Miguel Vaz Pereira Pinto Guedes de Sousa Bacelar, e por morte destes sem descendência, o solar foi herdado pelos filhos de seus sobrinhos, o escritor e filósofo Afonso Botelho, e seu irmão, o pintor António Botelho. Maria Isabel Adriana Sant'Iago de Sousa Botelho Correia Guedes do Amaral teve 2 irmãos, Afonso e Maria da Conceição, que é bisavó de Isabel de Herédia, casada com Duarte Pio, duque de Bragança.

Neste mesmo solar, e desde 1984, viveu durante alguns anos o escritor holandês Gerrit Komrij, que veio a publicar um romance dedicado ao solar e à Família Botelho, romance intitulado "Over de Bergen"

Referências

  1. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes