Ambrosius Lobwasser

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Ambrosius Lobwasser
(1515-1585)
humanista Germanicus
Nascimento 4 de abril de 1515
Schneeberg,  Alemanha
Morte 27 de novembro de 1585
Königsberg,  Alemanha
Alma mater Universidade de Königsberg
Universidade de Leipzig
Universidade de Bolonha

Ambrosius Lobwasser (* Schneeberg, 4 de Abril de 1515Königsberg 27 de Novembro de 1585), foi humanista, jurista, poeta, tradutor e reitor da Universidade de Königsberg.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Lobwasser estudou direito em Leipzig quando seu irmão Paul Lobwasser [1] [2] ainda dava aulas na universidade, e terminou o Mestrado em 1535, aos 20 anos de idade, e foi professor até 1550. Viveu durante sete anos na França e na Itália. Em 1550 tornou-se professor em Leipzig. A partir de 1557 atuou como Conselheiro Imperial e Chanceler de Meißen. Em 1562, em Bolonha, recebeu o diploma de Doutor em Direito. De 1563 a 1585 foi professor de Direito em Königsberg. Ele foi um erudito completo e versátil, e mais de uma vez ocupou a cadeira de reitor da universidade.

O Psaltério de Davi[editar | editar código-fonte]

Desde 1565, dedicou-se ao trabalho de tradução dos Salmos de Davi, obra publicada em 1573 sob o título de Der Psalter des Königlichen Propheten David (O Psaltério de Davi, o profeta imperial). Ele não se baseou no texto original hebraico, nem na tradução de Martinho Lutero, mas no psaltério francês de reformadores tais como: Guillaume Franc (1505-1571) [3] [4], Loys Bourgeois (1510/1515-1561) [5], Mestre Pierre Davantès (1525-1561) [6] e no psaltério de Genebra de Clément Marot (1496-1544) [7] e Théodore de Bèze (1519-1605) [8].

Na verdade, seu objetivo era popularizar na Alemanha as melodias do psaltério francês, e espelhar a beleza que presenciara durante a sua longa estadia em Berry, e desse modo, ele se utilizou dos textos que lhe serviram de canais para expressar as melodias, de modo que a métrica e a versificação estivessem de acordo com o estilo francês. Na realidade, a sua obra foi projetada inicialmente para seu entretenimento pessoal.

Gaurier, um nobre francês, deu-lhe todo o apoio, e desse modo, o Psaltério foi totalmente traduzido para o alemão em 1562. Alberto, o duque da Prússia (1490-1568), que era seu patrocinador, morreu em 1568, e portanto, a publicação foi possível somente em 1573. A sua obra teve mais de 100 edições e a Igreja Reformada fez uso de suas canções até o século XVIII. As tentativas de melhorar e expandir o Psaltério de Lobwasser acabaram concorrendo para o seu desaparecimento.

O apêndice, que à princípio incluía somente o Hino ao Decálogo ("Erheb' dein Herz, thu' auf dein Ohren ") e a Canção de Simeão, e tinha então sido aumentada com adições de hinos alemães, muitos deles luteranos, cresceram cada vez mais robustos e pesados, até que no final o "apêndice" inchou o Psaltério, e novos hinos foram surgindo dentro dos quais somente os salmos selecionados permaneceram. Com o passar dos tempos, essas canções foram perdendo seus encantos e novos hinos ganharam supremacia.

Além do Psaltério, Lobwasser também publicou uma coleção de hinos chamados: Hymni patrum und anderer gottseliger Manner, welche durchs ganze Jahr in den Kirchen gesungen werden, aus dem Latein ins Deutsch mit gleichen Reimen gebracht (Leipsig, 1578-79). Algumas destas traduções tiveram boa aceitação dentro da Igreja Luterana. Alguns dos seus poemas também foram utilizados nos cânticos dos hinários protestantes.

Família[editar | editar código-fonte]

Seu pai se chamava Fabian Lobwasser (c1480-1545), e foi também jurista, arquiteto e empresário na área de mineração. Seu irmão Paul Lobwasser (1516-1566), foi Doutor em Direito, Professor na Universidade de Leipzig, Reitor da Universidade em 1533-1534, e Deão da Faculdade de Filosofia em 1542, tendo-se casado em 1541 com Anna Stromer (1522-1588), filha do médico alemão Heinrich Stromer (1476-1542) [9].

Obras[editar | editar código-fonte]

  • "Hymni Patrum", Übersetzung, 1578
  • "Tragödia von der Enthauptung Johannis", Übersetzung des Werkes von George Buchanan [10], 1583
  • "Deutsche zierliche Epigrammata", 1612

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Paul Lobwasser (* 1513 - † 22 de Setembro de 1566), jurista e Professor de Direito da Universidade de Leipzig.
  2. Correspondance por Julius Pflug - Paul Lobwasser.
  3. Guillaume Franc (1505-1571) (Rouen, 1505 - † Lausanne, 1571), foi músico e compositor francês ativo em Genebra. Foi um dos responsáveis pela elaboração do Psaltério de Genebra.
  4. Psaltério de Genebra, Coletânea de salmos métricos criados sob a supervisão de João Calvino.
  5. Loys Bourgeois (* Paris, c1510/1515 - Paris, c1561), foi compositor e teórico francês, tendo trabalho sobretudo durante o movimento Calvinista. Foi ativo em Paris, Lyons e Genebra.
  6. Pierre Davantès (1525-1561) (* Rabastane, 1525 - † Genebra, 31 de Agosto de 1561), foi humanista, filólogo clássico, librettista, e compositor de melodias do Psaltério de Genebra.
  7. Clément Marot (1496-1544) (* Cahors, 23 de Novembro de 1496 - † Turim, 12 de Setembro de 1544), foi poeta renascentista francês.
  8. Théodore de Bèze (1519-1605) (* Vézelay, 24 de Junho de 1519 - † Genebra, 13 de Outubro de 1605), foi reformador suíço de origem francesa.
  9. Heinrich Stromer (1476-1542) (* Auerbach in der Oberpfalz, 1476 - † 25 de Novembro de 1542), foi médico e Professor da Universidade de Leipzig.
  10. George Buchanan (* 1506 - † 28 de Setembro de 1582), foi filósofo humanista e historiador escocês.

Referências[editar | editar código-fonte]