António Cabreira

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António Cabreira.jpg

António Tomás da Guarda Cabreira de Faria e Alvelos Drago da Ponte (Tavira, 30 de Outubro de 1868 - Lisboa, 21 de Novembro de 1953), matemático, astrónomo e publicista. Foi ainda representante dos Títulos Miguelistas de Conde de Lagos e de Visconde do Vale da Mata.

Infância e estudos[editar | editar código-fonte]

Nasceu a 30 de Outubro de 1868, na casa da sua família materna, à altura sita na Rua Borda de Água de Aguiar e no Rua da Alegria, tendo a toponímia sido alterada (em 1917) para Rua Jaques Pessoa e Rua Dr. António Cabreira.

Em criança frequentou a Escola do Padre Francisco de Paula da Fonseca Neves, prior da Freguesia do Lumiar, Lisboa, tendo abandonado os estudos aos 12 anos e acompanhado o pai enquanto este servia como Tenente Coronel no Porto e em Lagos. Em 1885, já com 17 anos, matriculou-se no Liceu Nacional de Faro, tendo posteriormente prosseguido os estudos em Lisboa, de 1887 a 1889.

Com 21 anos tornou-se aluno da Escola Politécnica no Curso de Engenheiro Construtor Naval por ter sido dado como incapaz na junta médica, impedindo-o de seguir uma carreira militar como o seu pai e avô. Nesta altura, intensifica a sua actividade política na Comissão Executiva Central do Partido Legitimista, tendo ainda chegado a Redactor Político do jornal A Nação, de Lisboa, em 1891, tendo desistido dos estudos mais uma vez. Apenas voltaria neles a ingressar em 1894 como regente das cadeiras de Mecânica Racional e de Filosofia das Matemáticas no Instituto 19 de Setembro, que havia fundado.[1]

Academia[editar | editar código-fonte]

A 18 de Março de 1897 foi simultaneamente eleito, por unanimidade, Sócio Correspondente da Academia Real de Ciências de Lisboa, assim como Associado Correspondente estrangeiro da Academia das Ciências, Inscrições e Belas Letras de Toulouse, instituição fundada em 1746 por carta patente de Luiz XV.

António Cabreira tornou-se também Membro Correspondente das Academias das Ciências e Letras de Montpellier (29 de Março de 1898), da Academia das Ciências, Artes e Belas Letras de Dijon (3 de Março de 1897), da Academia das Ciências Sociais e Políticas de Venezuela (7 de Março de 1922), Académico Correspondente da Academia Real das Ciências e Artes de Barcelona (31 de Março de 1909) e Académico Efectivo Correspondente da Academia Internacional de Letras e Ciências de Nápoles (6 de Abril de 1921).

Foi agraciado com a distinção de Doutor "Honoris Causa" em Matemáticas, pela Universidade do Arizona, segundo Diploma de 18 de Junho de 1912 e com a Medalha de Honra pelo III Centenário da Universidade de Amesterdão, de 23 de Dezembro de 1933.

Foi Presidente do Primeiro Congresso Arqueológico Nacional, em 1920 em Tavira, que viria a Eleger a Junta Arqueológica Nacional. Apesar da fraca adesão por parte dos arqueólogos portugueses, o Congresso que ficou conhecido por defender o princípio das explorações arqueológicas pelo país e a conservação e salvaguarda do património arqueológico, questionando as práticas instituídas do Museu Arqueológico de Belém.[2]

Publicou obras sobre assuntos variados (como sejam, por exemplo Sobre Alguns Factores da Expressão Fisionómica e as Características Anatómicas e Psicológicas, de 1915, Júlio Verne, Educador e Pedagogo, de 1925, Determinação Exacta da Data da Morte de Cristo, de 1936, Teoria e Solução da Quadratura do Círculo e da Circulatura do Quadrado, de 1941 e Teoria e Solução da Cubatura da Esfera e da Esferatura do Cubo, de 1945).

Terá impulsionado a criação de diversas instituições como a Academia das Ciências de Portugal e o Instituto Histórico da Marinha, entre outras. Colaborou no boletim da Universidade Livre [3] publicado entre 1914 e 1916.

Morte e sepultura[editar | editar código-fonte]

Faleceu em Lisboa, a 21 de Novembro de 1953. Encontra-se sepultado num jazigo de família, no Cemitério de Tavira, juntamente com os seus pais, General Tomaz Antonio da Guarda Cabreira e D. Francisca Emilia Cabreira, assim como com o seu irmão Coronel Tomaz Cabreira, Ministro de Estado. O jazigo, localizado na avenida central do cemitério, é decorado com o brasão atribuído aos Condes de Lagos, figuras de leões, esferas armilares e duas cruzes, alusivas às Ordens Militares de Avis e Sant'Iago da Espada, contendo ainda a inscrição:

EIS UM MOIMENTO DIGNO E QUE A SAUDADE ERGUEU
PARA REPÔR NA MORTE O MEU DESFEITO LAR
JULHO 5 DE 1928

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Foi o principal fundador, impulsionador e "Cavaleiro de Honra" - por ser descendente de D. Paio Peres Correia - da Ordem de Santa Maria do Castelo, tendo também estado presente na sua inauguração a 20 de Dezembro de 1921, na Igreja do mesmo nome, em Tavira, em representação do Chefe de Estado. A Ordem viu o seus estatutos aprovados pelo Governo, pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. António Mendes Bello e pelo bispo do Algarve. Pretendia exaltar a memória de D. Paio Peres Correia, preservar a Igreja de Santa Maria do Castelo e o património de Tavira, porém sabe-se que logo em 1947 já a ordem não é referida e o Estado proíbe mesmo o seu uso oficial.[5]

Família[editar | editar código-fonte]

Filho de Tomás António da Guarda Cabreira (Tavira, 1822 - Tavira, 10 de Novembro de 1886), Representante dos títulos dados por D. Miguel I de Portugal de Conde de Lagos e de Visconde do Vale da Mata, e de sua mulher (6 de Janeiro de 1864) Francisca Emília Pereira da Silva, de Ponta Delgada, irmão de Tomás Cabreira e neto de Tomás António da Guarda Cabreira (1.º Conde de Lagos e 1.º Visconde do Vale da Mata).

Casou em Lisboa a 19 de Outubro de 1937 com Gualdina de Lima, sem geração.


Legado[editar | editar código-fonte]

António Cabreira foi homenageado com um busto em Tavira, no Jardim do Coreto, da autoria de Raúl Maria Xavier, em comemoração das suas Bodas de Ouro Académicas. O busto foi oferecido pelo Instituto António Cabreira em 1944 e inaugurado na presença do próprio homenageado, no mesmo ano.

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Também a rua da casa onde nasceu passou, em 1917, de Rua da Alegria para Rua Dr. António Cabreira, nome que se mantém.

Em 1942 doou o palacete onde nascera, em Tavira, ao Município, para ai se instalar uma Biblioteca Municipal e Arquivo Histórico do Concelho. O edifício é actualmente ocupado pelo Arquivo Municipal.

Referências

  1. Instituto António Cabreira (1942). Bodas de Oiro Científicas de António Cabreira e VII Centenário da Tomada de Tavira: Dupla Celebração pelo Instituto António Cabreira. Lisboa: Instituto António Cabreira. pp. 5–59 
  2. Custódio, Jorge (2012–2013). «Tempos de esperança: A associação dos arqueólogos portugueses e a 1.ª república (1910‑1926): continuidades e mudanças» (PDF). Arqueologia & História 
  3. Rita Correia. «Universidade Livre : boletim mensal (1914-1916) – registo bibliográfico.» (PDF). Consultado em 28 de maio de 2020 
  4. «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "António Cabreira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 29 de julho de 2020 
  5. Salvé-Rainha, Rui Simão Pereira; Lopes, Délio Luís da Conceição (2013). Procissões, Romarias e Tradições de Tavira. Tavira: Edição dos Autores. pp. 271–273 

Fonte[editar | editar código-fonte]

  • Marreiros, Glória Maria. Quem Foi Quem? 200 Algarvios do Século XX (2ª ed., 2001). Edições Colibri, Lisboa, 2000.