António Duarte

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António Duarte
Nascimento 1912
Caldas da Rainha
Morte 1998 (86 anos)
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Escultura

António Duarte Silva Santos (Caldas da Rainha, 1912 – 1998) foi um escultor português.[1]

Pertence à 2ª geração de artistas modernistas portugueses. Realizou uma "obra considerável de estatuário mas também de retratista", afirmando-se como um dos escultores de maior relevo da sua geração.[2]

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Retrato do poeta António de Navarro, 1930, barro cozido
António Navarro (ou Retrato de Poeta), c. 1942, mármore, altura 34 cm

Fez o curso de escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa, onde mais tarde seria professor (jubilado em 1984).

A sua obra – em que a pedra foi material de eleição –, afirma-se a partir da década de 1930, contribuindo para definir o sentido estético dessa fase da escultura nacional. "António Duarte é, na sua geração, o melhor retratista em escultura, renovando a obra notável de Francisco Franco dos anos 20"[3]. Datam do período inicial os bustos de Teixeira de Pascoaes e António de Navarro, que expôs na Exposição dos Independentes, SNBA, 1930; no segundo, hoje desaparecido, interpreta geometricamente os volumes, numa abordagem a que haveria regressar muitos anos mais tarde[4]. Voltaria a retratar Navarro em 1942, "numa cabeça de mármore esculpida com excelente sentido tátil que é, no seu género, uma das melhores obras de escultura nacional".[5]

Nas décadas de 1950-60 a sua obra evolui; esculpe nus de "formas estilizadas com notável pureza", onde assume uma ou outra "definição abstrata", adiantando-se assim aos seus contemporâneos, "num desejo mais formal do que estético" [6] (veja-se, por exemplo, a estátua no jardim do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian).

Na sua vasta obra no domínio da estatuária, espalhada por Portugal continental e ultramarino, podem destacar-se, por exemplo: Grupos de Cavalos Marinhos (Praça do Império, Belém, Lisboa, 1940); Virgem dos Pastores (Serra da Estrela); e ainda os monumentos a Camilo Castelo Branco (Lisboa, 1949), Diogo Cão (Luanda, 1948), D. Sancho I (1955), D. Pedro I (Cascais, 1965), S. António (Praça de Alvalade, Lisboa, 1972), etc.[7][8]

Em 1955-56 colaborou com o arquiteto Filipe Nobre de Figueiredo no concurso para o monumento ao Infante D. Henrique em Sagres.

Participou em inúmeras exposições, podendo destacar-se: Salão dos Independentes (1930); Exposição Internacional de Paris, 1935; Exposição do Mundo Português, 1940 (Grupos de Cavalos Marinhos, Praça do Império); Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I. (desde 1940); Bienal de S. Paulo, Brasil, 1951 e 1953; I, II e III Exposições de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1957, 1961 e 1986; Bienal de Veneza, 1954; Art Portugais, Bruxelas, Paris, Madrid, 1967-1968; etc.[9]

Recebeu os seguintes prémios: Prémio Mestre Manuel Pereira, S.P.N./S.N.I. (1942); Prémio Soares dos Reis, S.P.N./S.N.I. (1944, 1953); Prémio Domingos Sequeira, S.P.N./S.N.I. (1952); Medalha de Honra, Exposição Internacional de Bruxelas (1958). Foi ainda premiado com o 1º Prémio de escultura na I e II Exposições de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957, 1961).[10][11]

Após doação da coleção de arte do Mestre escultor à sua cidade natal, em 1985 foi inaugurado nas Caldas da Raínha o Atelier-Museu António Duarte.[12]

Está representado em coleções públicas e privadas, nomeadamente: Museu do Chiado, Lisboa; Museu José Malhoa, Caldas da Rainha; Museu Grão Vasco, Viseu; Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto [13]; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; etc.

Foi agraciado com a Ordem de Sant'Iago da Espada.[14]

Grupos de Cavalos Marinhos, 1940; Praça do Império, Lisboa[editar | editar código-fonte]

Camilo Castelo Branco, 1949; Lisboa[editar | editar código-fonte]

D. Afonso III, 1959; Faro[editar | editar código-fonte]

Lei, c. 1960; Palácio de Justiça, Guimarães[editar | editar código-fonte]

Nu Feminino, 1960, granito; jardim da sede da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa[editar | editar código-fonte]

D. Pedro I, c. 1964, bronze; Cascais[editar | editar código-fonte]

Santo António, 1972, bronze; Praça de Alvalade, Lisboa[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A.A.V.V. – III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1986
  2. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 260, 275.
  3. A.A.V.V. – Os Anos Quartenta na Arte Portuguesa (tomo 1). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 126
  4. Duarte, António – "Breves considerações em 1980 sobre «Independentes» de 1930". In: Belas Artes – Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas-Artes, 3ª série, nº 2, Lisboa, 1980, p. 79.
  5. França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX (1974). Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 275
  6. França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX (1974). Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 275, 276
  7. A.A.V.V – II Exposição de Artes Plásticas. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961.
  8. França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX (1974). Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 276
  9. A.A.V.V. – III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1986
  10. A.A.V.V. – III Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1986
  11. Catálogo da Exposição dos Prémios do SNI: literatura, artes plásticas, música, teatro, cinema. Lisboa: Secretariado Nacional de Informação, 1966
  12. «Câmara Municipal de Caldas da Raínha, Atelier-Museu António Duarte». Consultado em 21 de abril de 2013. Arquivado do original em 22 de março de 2014 
  13. A.A.V.V. – Exposição dos Artistas Premiados pelo SNI. Lisboa: Secretariado Nacional de Informação, 1949
  14. A.A.V.V. – Art Portugais: Peinture et Sculpture du Naturalisme à nos Jours. Lisbonne; Paris: Association Française d'Action Artistique; Secretariat National de l'Information du Portugal; Fondation Calouste Gulbenkian, 1968
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