Antônio de Sampaio

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Antônio de Sampaio
O Brigadeiro Antônio de Sampaio distinguiu-se nas principais revoltas do século XIX (Balaiada, Guerra dos Farrapos e Revolução Praieira).
Nascimento 24 de maio de 1810
Tamboril, CE
Morte 6 de julho de 1866 (56 anos)
Buenos Aires, Argentina
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Militar
Serviço militar
Patente Brigadeiro
Patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro

Antônio de Sampaio (Tamboril, 24 de maio de 1810Buenos Aires, 6 de julho de 1866) foi um militar brasileiro, herói da Guerra da Tríplice Aliança. Considerado um dos maiores militares da história do Brasil independente, participou de muitas das principais guerras travadas pelo Exército Brasileiro ao longo do século XIX, vindo a falecer a bordo do navio Eponina, decorrente dos três ferimentos recebidos na Batalha de Tuiuti no dia 24 de maio de 1866. Pela sua bravura na Guerra, é o patrono da arma de Infantaria no Brasil.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu na Fazenda Vitor, em Tamboril, a 288 quilômetros de Fortaleza. Filho de Antônio Ferreira de Sampaio, ferreiro, e Antônia Xavier de Araújo. Teve uma juventude normal como todo jovem de interior, na aspereza dos sertões nordestinos. Aos 20 anos de idade, no dia 17 de julho de 1830, alistou-se como Praça voluntária nas fileiras do então 22.º Batalhão de Caçadores, sediado na Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção galgando todos os postos da carreira militar por mérito: Alferes comissionado (20 de maio de 1839), Alferes confirmado (2 de setembro de 1839), Tenente (2 de dezembro de 1839), Capitão (8 de setembro de 1843), Major (29 de julho de 1852), Tenente-coronel (2 de dezembro de 1855), Coronel (2 de dezembro de 1861), e Brigadeiro, atual General-de-brigada (18 de fevereiro de 1865). Alguns descendentes ainda residem em sua cidade natal Tamboril.[2]

Batalhas[editar | editar código-fonte]

General Antônio de Sampaio (1810-1866). Morto em combate, foi proclamado patrono da infantaria (1962).

Destacou-se na maioria das campanhas militares do Período Regencial e do Segundo Reinado (os anos referem-se aos períodos em que Sampaio esteve em combate):

Guerra da Tríplice Aliança[editar | editar código-fonte]

Busto de Antônio de Sampaio.

À frente da 3ª Divisão do Exército Imperial, apelidada de Divisão Encouraçada, composta pelos lendários batalhões Arranca-Toco, Vanguardeiro e Treme-Terra, lutou nas operações de transposição do rio Paraná, na Batalha da Confluência e na Batalha de Estero Bellaco. Na batalha de Tuiuti (24 de maio de 1866, ironicamente a data de seu aniversário), considerada a maior batalha campal já travada na América do Sul, Sampaio foi gravemente ferido três vezes, por estilhaços de granada, gangrenando-lhe a coxa direita, além de outras duas vezes, nas costas.

Evacuado do campo de batalha, faleceu a bordo do vapor Eponina, que o conduzia para Buenos Aires. Sepultado naquela capital, em 8 de julho de 1866, seus restos mortais foram repatriados em 1869, para o Rio de Janeiro, sendo depositados na Igreja do Bom Jesus da Coluna, no Asilo dos Inválidos da Pátria, onde permaneceram até 14 de novembro de 1871, quando foram novamente trasladados para sua terra natal - o Ceará. Até 25 de outubro de 1873, seus restos mortais foram depositados na atual Catedral de Fortaleza, sendo sepultados no Cemitério de São João Batista, em Fortaleza. Em 24 de maio de 1966, por ocasião do Centenário de sua morte e da Batalha de Tuiuti, seus restos mortais são removidos para um mausoléu na Avenida Bezerra de Menezes, em Fortaleza, onde permaneceram até 24 de maio de 1996, ocasião em que os seus restos mortais passaram a repousar em definitivo no Panteão Brigadeiro Sampaio, erguido na parte frontal da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, sede do Quartel-General da 10ª Região Militar.

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Foi condecorado por seis vezes, no período de 1852 a 1865, pelo imperador D. Pedro II. Também, recebeu a comenda da Imperial Ordem da Rosa.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Estátua de Antônio de Sampaio na Praça Brigadeiro Sampaio, em Porto Alegre (RS).
  • Em 1900, Inaugura-se solenemente sua estátua na Praça Castro Carreira em Fortaleza, Ceará.[3]
  • Em 1928, os alunos da Turma de Aspirantes da Escola Militar do Realengo, por inspiração do Primeiro-tenente Humberto de Alencar Castelo Branco, aclamam-no Patrono da Infantaria do Batalhão de Infantaria da referida Escola.[4]
  • Em 1940, o 1.º Regimento de Infantaria do Exército Brasileiro, herdeiro das tradições do Terço Velho de Mem de Sá, recebeu o nome de Regimento Sampaio, em sua homenagem.
  • Durante a Segunda Guerra Mundial, ao ser instituída a Medalha Sangue do Brasil, destinada a condecorar os feridos em ação, as três estrelas esmaltadas em vermelho simbolizam os ferimentos do Brigadeiro Sampaio, recebidos em Tuiuti.[5]
  • Foi consagrado Patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro, em 1962.
  • Em 1996, É inaugurado em Fortaleza o Panteão Brigadeiro Sampaio na parte frontal da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, com o traslado de seus restos mortais para o local. Foi incorporada ao Panteão a estátua erigida em 24 de maio de 1900, retornando Sampaio de forma simbólica ao aquartelamento no qual se alistara em 17 de julho de 1830.[6]
  • Pela lei 11.932, de 24 de abril de 2009, seu nome foi inscrito no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, recebendo, oficialmente, o status de Herói Nacional.[7]
  • Por ocasião do bicentenário de seu nascimento, foi homenageado pelo Exército Brasileiro ao batizar a turma de alunos formados na EsPCEx, no ano de 2010, sob a denominação Turma Bicentenário do Brigadeiro Sampaio. Tal turma fornecerá ao EB os aspirantes-a-oficial formados pela Academia Militar das Agulhas Negras no ano de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Moacyr Flores (2004). Dicionário de história do Brasil 3 ed. [S.l.]: EDIPUCRS. ISBN 9788574302096 
  • General Paulo de Queiroz Duarte. [S.l.]: Biblioteca do Exercito Editora. 1988 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Patronos do Exército Brasileiro». Exército Brasileiro. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. «Homenagem a Sampaio em Tamboril (CE) Abre Semana da Infantaria no Ceará». Legião da Infantaria do Ceará. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Azevedo, Miguel Angelo de (2005). «Inaugura-se, na Praça Castro Carreira». Portal da História do Ceará. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Giorgis, Luiz Ernani Caminha. «Patrono da Infantaria Brasileira - Brigadeiro Antônio de Sampaio». Academia de História Militar Terrestre do Brasil. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. Giorgis, Luiz Ernani Caminha. «Patrono da Infantaria Brasileira - Brigadeiro Antônio de Sampaio». Academia de História Militar Terrestre do Brasil. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. «Legião da Infantaria - Panteão Brigadeiro Sampaio». Legião da Infantaria do Ceará. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Lei nº 11.932, de 24 de Abril de 2009». Presidência da Republica, Casa Civil. Consultado em 07 de Maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)