Balé da Cidade de São Paulo

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O Balé da Cidade de São Paulo é uma companhia de balé contemporâneo existente na cidade de São Paulo e um dos corpos estáveis do Theatro Municipal de São Paulo. Atualmente sob direção de Ismael Ivo, o grupo é formado por 34 bailarinos de sólida formação artística e atua na programação do Theatro Municipal. Apresenta-se muitas vezes ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Coro Lírico Municipal de São Paulo, Coral Paulistano Mário de Andrade, Orquestra Experimental de Repertório e do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo.[1][2]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A companhia de balé foi criada em 7 de Fevereiro de 1968 na gestão do prefeito Faria Lima, no auge da ditadura militar. Inicialmente o grupo chamava-se Corpo de Baile Municipal e foi formado por muitos bailarinos oriundos da Escola Municipal de Bailado. Seu primeiro diretor foi Johnny Franklin e na época a companhia seguia o estilo europeu, com coreografias clássicas que acompanhavam as óperas encenadas no Theatro Municipal de São Paulo.[1][3]

A partir de 1974, sob direção de Antonio Carlos Cardoso, Iracity Cardoso e Marilena Ansaldi, o grupo deixou o clássico e adotou o perfil de dança contemporânea e tornou-se presença destacada no cenário da dança da América do Sul.

Em 25 de setembro de 1981 a companhia passou a se chamar Balé da Cidade de São Paulo e Klauss Vianna assumiu a direção do grupo em 1982. Esta década foi marcada pelo experimentalismo e os bailarinos eram encorajados a contribuir com suas próprias idéias coreográficas. Ler jornais, exercitar a expressão verbal, discutir assuntos relacionados à realidade pessoal, social ou da própria classe artística, tornaram-se parte do dia-a-dia do elenco. Klauss Vianna acreditava que dançar é conseqüência de uma busca interna e dizia: “Ninguém chega ao universal sem encontrar a sua própria identidade”.

Por estar ligado a Prefeitura Municipal de São Paulo, o BSCP sofre interferências a cada troca de mandato. Na gestão de Jânio Quadros, na década de 80, todos os corpos artísticos do Theatro Municipal de São Paulo – incluindo a companhia de balé – foram proibidos de apresentar-se fora da cidade de São Paulo e de contratar homossexuais. Jânio Quadros também extinguiu o curso noturno de balé para homens da Escola Municipal de Bailado, proibindo também a entrada de homossexuais na instituição. Após criticar a medida do prefeito, Klauss Vianna foi agredido em frente à sua casa.[4]

Em 1999, à procura de novas tendências da dança, o Balé da Cidade renova seu grupo de bailarinos, entretanto mantêm seu elenco inicial com bailarinos experientes para compor um novo grupo, Companhia 2. Essa nova companhia busca até hoje a prática de questões atuais que envolvem o universo da dança, como a troca de experiência com artistas do Brasil e exterior visando abrir novos horizontes para a dança brasileira. Junto com a Cia 2, o BCSP renova-se, desenvolve trabalhos paralelos, gratuitos e abertos ao público em geral, como: oficinas, cursos, debates, encontros com personalidades, ações sociais, intercâmbio com universidades, mostras de coreografia, fotografia, vídeo, dinamizando seu espaço e partilhando seu patrimônio pessoal e cultural com a população da cidade.

Com quase 50 anos de existência, o Balé da Cidade de São Paulo possui em seu repertório obras de coreógrafos conceituados, com sucesso de crítica e público. A companhia tem em seu currículo 58 prêmios e 17 turnês internacionais em cidades da Europa, Ásia, Oriente Médio, América do Sul e América do Norte.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Balé da Cidade de São Paulo - História». Theatro Municipal de São Paulo. Consultado em 22 de abril de 2017 
  2. Seragusa, Fabiana (20 de março de 2016). «Após turnê na Europa, Balé da Cidade leva três coreografias ao Municipal». Folha de S.Paulo. Consultado em 22 de abril de 2017 
  3. «Escola de Dança de São Paulo - História». Theatro Municipal de São Paulo. Consultado em 5 de fevereiro de 2016 
  4. Biderman, Iara (22 de novembro de 2015). «Única pública do gênero na cidade, Escola de Dança de SP faz 75 anos». Folha de S.Paulo. Consultado em 22 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]