Balança corrente

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Em contabilidade nacional, a balança corrente é uma das três balanças primárias que compõem a balança de pagamentos, juntamente com a balança de capital e a balança financeira. Por sua vez, a balança corrente é composta pela balança de bens, a balança de serviços, a balança de rendimentos e a balança de transferências correntes.[1] Portanto, esta balança inclui as transacções que têm um carácter regular com o resto do mundo como as exportações, as importações, os rendimentos dos factores produtivos e transferências unilaterais.[2]

A balança corrente é um dos principais indicadores sobre o comércio internacional de um país. Quando esta apresenta um saldo positivo, vulgo superavit externo, então indica que os seus activos no estrangeiro aumentaram, e vice-versa. Também é de notar que uma balança corrente negativa (deficit externo) implica que a economia do país está a ser financiada por poupança externa.[3]

Composição[editar | editar código-fonte]

Seguindo o SEC2010, as normas de contabilidade nacional que regem a produção de dados na União Europeia, a balança corrente decompõe-se em quatro contas:[4]

  • Balança comercial: resulta da agregação da balança de bens com a de serviços;
    • Balança de bens (ou de mercadorias): regista as exportações e as importações de mercadorias;
    • Balança de serviços: contabiliza as prestações de serviço, entre as quais turismo e transporte;
  • Balança de rendimentos: agrega as transacções que correspondem a rendimentos decorrentes de activos que residentes possuem no exterior e estrangeiros no território nacional;
  • Balança de transferências: regista as transferências unilaterais, ou seja, aquelas que não correspondem a rendimentos dos factores de produção ou destinam-se a pagamentos. Como exemplo temos as remessas dos emigrantes.[5]

Países[editar | editar código-fonte]

Portugal[editar | editar código-fonte]

Balança corrente portuguesa desde 1995 a 2011.

A economia portuguesa não regista um superavit externo desde 1993. Entre 1999, ano de adesão ao euro, e 2011, ano do regaste financeiro executado pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional, o saldo médio do período é de -9,7% do produto interno bruto.[6]

Economistas como Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia de 2008), e Paul de Grauwe argumentam que foi a combinação de défices externos persistentes e elevados e a adopção de uma moeda que não controlam, que criou uma situação propícia à crise europeia.[7]

Fontes[editar | editar código-fonte]

  1. «Estatísticas da balança de pagamentos». Banco de Portugal. Consultado em 8 de Abril de 2012 
  2. Santos, Susana (2011). Conceitos da contabilidade nacional. Uma aplicação a Portugal. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa. p. 11. ISSN 2182-1356. Consultado em 8 de Abril de 2012 
  3. Santos, J., A. Pina, J. Braga, M. St. Aubyn (2010). «1 - Contabilidade nacional». Macroeconomia 3ª ed. Lisboa: Escolar Editora. p. 13-14. ISBN 978-972-592-295-8 
  4. Santos, J., A. Pina, J. Braga, M. St. Aubyn (2010). «7 - Economia aberta com preços fixos: o modelo de Mundell-Flemming». Macroeconomia 3ª ed. Lisboa: Escolar Editora. p. 197-200. ISBN 978-972-592-295-8 
  5. «Manual de Procedimentos das Estatísticas de Operações com o Exterior» (PDF). Banco de Portugal. pp. 35–36 
  6. «World Economic Outlook Database: September 2011». Fundo Monetário Internacional. Consultado em 8 de Abril de 2012 
  7. de Grauwe, Paul (4 de Maio de 2011). «Governance of a Fragile Eurozone» (em inglês). Consultado em 9 de Abril de 2011 

Ver também[editar | editar código-fonte]