Batalha de Veios (480 a.C.)

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Batalha de Veios
Guerras romano-etruscas
Fidènes VIe et IVe siècles avant JC.svg
Mapa das cidades vizinhas de Roma no século V a.C.. Veios está à esquerda.
Data 480 a.C.
Local Veios
Desfecho Vitória dos romanos[1]
Beligerantes
República Romana República Romana
  Liga Latina
  Hérnicos[2]
  Veios
  Etruscos
Comandantes
República Romana Marco Fábio Vibulano
República Romana Cneu Mânlio Cincinato
 
Forças
20 000 soldados e 1 200 cavaleiros[1]
Veios está localizado em: Itália
Veios
Localização de Veios que é hoje a Itália

A Batalha de Veios de 480 a.C. foi travada entre o exército romano, composto por quatro legiões reforçadas por destacamentos dos aliados latinos e hérnicos, comandado por Marco Fábio Vibulano e Cneu Mânlio Cincinato e o da cidade de Veios e seus aliados etruscos[2]. O resultado foi uma vitória romana.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Na época, os veios estavam realizando frequentes raides ao território romano. Os romanos, contudo, não estavam dispostos a oferecer uma batalha campal, tanto pela força do inimigo quanto por dissidências internas por causa da demora para aprovar a Lex Cassia agraria, proposta por Espúrio Cássio. Em 480 a.C., as condições finalmente se mostraram favoráveis para levar a guerra de volta a Veios.

Os dois cônsules formaram dois acampamentos separados em frente ao acampamento inimigo, disposto de forma a defender Veios e onde estavam não somente os habitantes da cidade, mas também etruscos provenientes de toda a Etrúria, uma força maior que a dos romanos[2].

Cincinato e Vibulano, apesar de escaramuças de pouca importância e das provocações do inimigo[3], adotaram uma tática defensiva, não deixando ao inimigo a escolha da ocasião para o início da batalha. Quando um raio atingiu a tenda de Cincinato, um presságio muito negativo, ele ordenou que todo o acampamento fosse abandonado e juntou suas forças às de Vibulano, formando um único acampamento fortificado. Seu antigo acampamento foi arrasado pelos veios[4]. Ainda assim, os dois não se decidiam pela batalha, tanto pela falta de confiança no espírito de luta dos soldados plebeus, que detestavam especialmente os Fábios por sua forte oposição à distribuição de terras entre os cidadãos romanos, e tentavam ignorar as provocações etruscas[5]. Porém, esta demora causou uma reação no próprio exército que, no final, como esperavam os cônsules, se voltou aos seus comandantes pedindo pela batalha[3][6].

Neste ponto, Vibulano expressou toda sua preocupação em relação às dissidências internas entre os romanos em um longo e vibrante discurso[7] em resposta a Marco Flavoleio[3], um primipilo plebeu muito conhecido por sua bravura, no qual jurou à causa dos romanos unidos contra o inimigo. Neste ponto, os cônsules deram a ordem de batalha[8].

Batalha[editar | editar código-fonte]

A ala direita romana foi comandada por Cneu Mânlio Cincinato, o centro por Marco Fábio Vibulano e a esquerda, pelo legado Quinto Fábio Vibulano, irmão de Marco Fábio e cônsul por duas vezes[9].

A situação imediatamente ficou difícil para a esquerda romana, seja pela inferioridade numérica, seja pela posição mais elevada na qual estava a direita inimiga à sua frente. Completamente cercado, Quinto Fábio morreu atravessado por uma lança inimiga (ou uma espada segundo Lívio[10]). Naquela altura, o cônsul e irmão de Quinto, Marco Fábio, com seu outro irmão, Cesão Fábio[10] tentaram ferozmente prestar socorro ao irmão, mas não conseguiram chegar a tempo. Porém, conseguiram mudar o destino da batalha, impedindo a direita inimiga de avançar[9].

Enquanto isso, o outro cônsul, Cneu Mânlio, foi ferido[11] no joelho e foi levado ao acampamento romano, o que foi interpretado pelos etruscos como o início de uma debandada. Foi somente a chegada dos Fábios que evitou que a batalha fosse perdida ali[9].

Neste momento, o acampamento romano, que não estava bem vigiado por causa da batalha, foi atacado pelos etruscos que haviam tomado o antigo acampamento abandonado pelos romanos. Na batalha, o cônsul Cneu Mânlio foi morto e, com ele, os soldados que guarneciam o acampamento. Um contingente romano liderado pelo legado Tito Sicío conseguiu expulsar os etruscos e reconquistar o acampamento[12].

A batalha continuou sangrenta até a noite, com diversos revezes de ambos lados, e somente o abandono do acampamento pelos veios é que permitiu que os romanos, no dia seguinte, se proclamassem vencedores[12].

Consequências[editar | editar código-fonte]

Os romanos, depois de terem saqueado o acampamento inimigo, enterraram seus mortos, voltaram para Roma. Fábio Vibulano recusou seu triunfo por causa da perda de seu colega e de seu irmão e renunciou à sua posição dois meses antes do final do mandato[12][11].

Referências

  1. a b Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 13
  2. a b c Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 5
  3. a b c Lívio, Ab Urbe Condita II, 45.
  4. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 6
  5. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 7
  6. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 8
  7. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 9
  8. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 10
  9. a b c Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 11
  10. a b Lívio, Ab Urbe Condita II, 46.
  11. a b Lívio, Ab Urbe Condita II, 47.
  12. a b c Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas IX, 12.