Bertoldo Klinger

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Bertoldo Klinger
Dados pessoais
Nascimento 1 de janeiro de 1884
Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
Morte 31 de janeiro de 1969 (85 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Brasileiro
Alma mater Escola Militar da Praia Vermelha
Profissão Militar
Serviço militar
Serviço/ramo Exército Brasileiro
Anos de serviço 19011947
Graduação General do Exército.gif General de Exército

Bertoldo Klinger (Rio Grande, 1 de janeiro de 1884Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 1969) foi um general do Exército Brasileiro.[1][2][3][4]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Bertoldo Klinger, visando a carreira militar, em 1901 ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Em 1904, junto com outros companheiros militares, entre eles Euclides Figueiredo, participou da revolta contra a vacina obrigatória, no Rio de Janeiro, a então capital do país. Em função disso foi preso, só regressando ao Exército no ano seguinte, quando foi anistiado.[2]

Entre 1910 e 1912, esteve na Alemanha realizando estágio militar, quando tomou contato com as inovações técnicas e organizacionais então empreendidas no exército daquele país. Ao voltar ao Brasil, tomou parte na fundação da revista A Defesa Nacional, junto com outros militares que haviam realizado estágio semelhante ao seu. Por se mostrarem fortemente influenciados pela doutrina militar alemã, os incentivadores da revista receberam de seus adversários o apelido de "jovens turcos", numa referência ao jovens oficiais militares que, após terem tido contato com o exército germânico, voltaram à Turquia para promoverem reformas políticas e militares. Ocupou o posto de redator-chefe de A Defesa Nacional, e em suas páginas criticaria anos mais tarde, a indicação do nome de civis para os ministérios militares no governo de Epitácio Pessoa. A influência alemã fez também com que se opusesse à missão francesa contratada para reformular o Exército brasileiro no mesmo período.[2][3]

Em 1924, foi preso sob acusação de colaborar com a revolta tenentista deflagrada naquele ano em São Paulo. Sua participação é assunto controverso, pois durante o período em que esteve preso foi acusado de traidor pelos líderes do movimento. Nos anos seguintes, confirmou sua oposição ao tenentismo, comandando as tropas legalistas lançadas contra a Coluna Prestes, o exército guerrilheiro que percorreu o interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes, em Mato Grosso e Goiás.[2]

Em 1930, manteve contatos com elementos da Aliança Liberal que articulavam a deposição do presidente Washington Luís, mas não apoiou o movimento. Com o sucesso da insurreição deflagrada em outubro daquele ano, porém, participou ativamente do golpe promovido por altos oficiais das Forças Armadas lotados na capital federal, que se anteciparam aos revolucionários e afastaram o presidente da República. Nos poucos dias que durou o governo da junta militar que então se instalou no poder, Klinger foi designado chefe de polícia do Distrito Federal, tendo, então, proibido reuniões e comícios na capital do país. Manifestou-se, nessa ocasião, contrário à transferência do poder aos revolucionários. Contudo, quando Getúlio Vargas foi empossado na presidência, telegrafou ao novo ministro da Justiça, Osvaldo Aranha, para elogiar a revolução.[2]

Em maio de 1931 chegou ao generalato. Suas antigas desavenças com os tenentes, contudo, levaram ao seu afastamento do governo. Transferido para o Mato Grosso, proibiu que os oficiais sob sua autoridade naquele estado se filiassem ao Clube 3 de Outubro, agremiação que visava dar maior coesão política aos tenentes. Em abril de 1932, reprimiu rebeliões camponesas em território mato-grossense.[2]

General Klinger é recepcionado em sua chegada a São Paulo em julho de 1932.

Em 1932 uniu-se aos grupos dirigentes paulistas que preparavam uma revolução contra a ditadura imposta por Getúlio Vargas, chamada Revolução Constitucionalista de 1932.Escolhido para exercer a chefia militar do movimento, precipitou em 9 de julho de 1932 a deflagração do movimento armado ao enviar uma carta ofensiva ao recém-nomeado ministro da Guerra, general Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso, em julho daquele ano. Foi, então, recebido com festa em São Paulo e empossado no comando das forças constitucionalistas. Sua prometida adesão de efetivos militares aquartelados no estado do Mato Grosso, porém, não se confirmou. O esperado apoio de gaúchos e mineiros também não se efetivou, o que levou os paulistas a se manterem em posição defensiva. No mês de setembro, propôs o armistício ao governo federal visando negociações para o fim definitivo do conflito, ao perceber a inviabilidade da continuação da campanha militar.[2][3]

Preso após a rendição do exército paulista, foi em seguida enviado para exílio em Portugal. Em 1934, recebeu anistia e retornou ao Brasil.[2][3]

Foi readmitido pelo Exército Brasileiro em 1947, passando em seguida para a reserva.[2]

Anos depois, em 1964, apoiou o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e implantou o regime militar no país.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Biografia na página do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC)
  2. a b c d e f g h i j «Bertoldo Klinger | CPDOC». cpdoc.fgv.br. Consultado em 18 de março de 2017 
  3. a b c d Silva, Hélio (1969). 1932 - A Guerra Paulista. São Paulo: Civilização Brasileira. 398 páginas 
  4. KLINGER, Bertoldo na página do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Biografia