Isidoro Dias Lopes

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Marechal Isidoro Dias Lopes
Vida
Nascimento 30 de junho de 1865
Dom Pedrito,  Rio Grande do Sul,BrasilBrasil
Morte 27 de maio de 1949 (83 anos)
Rio de Janeiro,Rio de Janeiro1908.gifDistrito Federal,BrasilBrasil
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Dados pessoais
Alma mater Escola Militar de Porto Alegre
Profissão Militar
Serviço militar
Serviço/ramo Exército Brasileiro
Anos de serviço 18831937
Graduação Marechal.gif Marechal do Exército Brasileiro

Marechal Isidoro Dias Lopes (Dom Pedrito, 30 de junho de 1865Rio de Janeiro, 27 de maio de 1949) foi um militar e político brasileiro.[1]

Filho do vigário José Tavares Bastos Rios, casou com Jacinta Barros Lopes.[2] Entrou para o exército em 1883 na Escola Militar de Porto Alegre, fez o curso de artilharia e 1891 era promovido a tenente.[2] Apoiou o movimento que pôs fim ao Império. Em 1893, abandonou o exército e participou da Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, contra o governo de Floriano Peixoto. Após a derrota dos federalistas, em 1895, foi para o exílio em Paris. Em 1896 voltou ao Brasil, foi anistiado e retornou ao exército no Rio de Janeiro, continuando a carreira.[1]

De volta ao Brasil no ano seguinte, anistiado, retornou ao Exército e estabeleceu-se no Rio de Janeiro, dando seguimento à sua carreira militar. Em 1923, já como general reformado e residindo em São Paulo, deu início às articulações contra o governo de Artur Bernardes. No ano seguinte, escolhido pelos conspiradores como o líder do movimento, viajou pelos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul estabelecendo contatos nos meios militares e elaborou, junto com Joaquim Távora, um plano de ocupação da capital paulista, no que culminaria na Revolução de 1924.[1]

Após sucessivos adiamentos, o levante foi finalmente deflagrado no dia 5 de julho de 1924, data escolhida em homenagem ao levante ocorrido dois anos antes no forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, que dera início às rebeliões tenentistas no país. Em São Paulo, os insurretos prenderam os comandantes da Força Pública estadual e da 2ª Região Militar (2ª RM). Os rebeldes contaram, também, com a importante participação do major da Força Pública paulista, Miguel Costa. O presidente do Estado, Carlos de Campos, abandonou a cidade, que passou ao controle dos rebeldes. Tropas leais ao governo federal sitiaram, então, a capital paulista, que passou a sofrer violentos bombardeios que atingiram a população civil. Autoridades municipais e representantes da indústria e do comércio buscaram promover negociações entre os rebeldes e o governo federal, mas fracassaram. Nesse evento militar foi promovido pelos rebeldes a marechal da Revolução.[1][2]

No final de julho, Isidoro ordenou a retirada dos rebeldes da capital em direção ao Paraná, onde, meses depois, reuniram-se com as tropas rebeladas no interior gaúcho sob a liderança de Luís Carlos Prestes. Da junção dos dois grupos nasceu a Coluna Prestes, que durante cerca de dois anos percorreu o interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes. Por contar já nessa época com aproximadamente 60 anos, Isidoro não era o mais indicado para comandar um exército cuja estratégia fundamental de luta seria a guerra de movimento. Por isso, decidiu-se que ele se fixaria na Argentina, de onde organizaria a rede de apoio externo às operações.[1]

Em fevereiro de 1927, quando os efetivos da Coluna, já desgastados pelo longo período de marcha, internaram-se em território boliviano e encerraram aquela fase da luta, a maioria dos principais líderes do movimento juntou-se a Isidoro, em Paso de los Libres, na Argentina, onde estabeleceram o quartel-general revolucionário. Isidoro mantinha grande prestígio entre seus liderados, que, nessa ocasião lhe deram o título de "marechal da revolução". Na prática, porém, a marcha da Coluna havia feito de Prestes um nome reconhecido amplamente como o principal líder revolucionário, dado que nem mesmo Isidoro questionava.[1]

Em 1930, com a derrota eleitoral da Aliança Liberal, coligação oposicionista que havia lançado o nome de Getúlio Vargas para concorrer à sucessão do presidente Washington Luís, a questão da derrubada do governo federal pelas armas voltou à ordem do dia. Isidoro declarou, então, apoio a Revolução de 1930. Opondo-se à radicalização defendida por Prestes, declarou não acreditar na capacidade das massas populares de governarem o país. Seu nome foi cogitado para assumir a chefia militar da revolução, mas acabou preterido pelo do general Góes Monteiro. Com a deflagração do movimento, no mês de outubro, dirigiu-se a São Paulo para assumir o comando da 2ª Região Militar em nome dos revolucionários, já no posto de general-de-divisão.[1][2]

Logo nos primeiros meses do novo governo, porém, começou a se indispor com Vargas em torno da questão do comando político do Estado de São Paulo. Em janeiro de 1931 escreveu ao presidente criticando o interventor federal João Alberto e o comandante da Força Pública, Miguel Costa. Ainda em 1931, foi substituído do comando da 2ª Região Militar por Góes Monteiro e recusou convite de Vargas para assumir a interventoria federal no Estado do Rio. Passou a defender, então, a volta do país ao regime constitucional, participando das articulações da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Assumiu posição de destaque nesse movimento que, após a derrota militar, o fez ser preso e deportado para Portugal. Em 1935 é procurado pelos organizadores do levante comunista para auxiliá-los, mas recusa.[2] Voltou ao país em 1934, após a anistia. Em 1937, já afastado das disputas políticas, criticou o golpe de Vargas que instaurou a ditadura do Estado Novo.[1]

Faleceu, lúcido e fortes, com poucos bens, em 1949.[2][1]

Referências

  1. a b c d e f g h i «Isidoro Dias Lopes | CPDOC». cpdoc.fgv.br. Consultado em 30 de março de 2017 
  2. a b c d e f SPALDING, Walter. Construtores do Rio Grande. Livraria Sulina, Porto Alegre, 1969, 3 vol., 840pp.
  • OLIVEIRA, Nelson Tabajara de, 1924: A Revolução de Isidoro, Companhia Editora Nacional, 1956.
  • PRESTES DE ALBUQUERQUE, Júlio, 1924 - Um Depoimento, Imesp, 1981.
  • POLÍCIA DE SÃO PAULO, Movimento Subversivo de Julho, SP, Casa Garraux, 1925.

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