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Imigração austríaca no Brasil

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Áustria Austro-brasileiros Brasil
População total
Não há dados
Regiões com população significativa
Línguas
Português. Minorias falam alemão.
Religiões
Catolicismo. Minorias seguem o judaísmo.
Grupos étnicos relacionados
brasileiros brancos e austríacos.

A imigração austríaca no Brasil foi o movimento migratório de imigrantes austríacos para diversas partes do Brasil nos séculos XIX e XX. Teve início em 1824, durante o Império Austríaco, e entre 1876 e 1910, mais de 60 mil imigrantes oriundos da Áustria-Hungria imigraram para o Brasil.[1]

Um austro-brasileiro é uma pessoa de nacionalidade brasileira e de ascendência total, parcial ou predominantemente austríaca, ou ainda um imigrante austríaco no Brasil.

História

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Até 1918, os imigrantes austríacos eram aqueles vindos de terras pertencentes ao Império Austríaco, falantes de diversos idiomas como o alemão, o italiano ou o polonês, pois o império era multiétnico. Em 1858 mais de 200 imigrantes austríacos do Tirol e Vorarlberg se instalaram na antiga Colônia Alemã, atualmente na cidade mineira de Juiz de Fora.

Demais imigrantes austríacos do Tirol se instalaram no Brasil, fundando a Colônia Tirol (1859) no Espírito Santo; a Expedição Tabachi que culminou com a fundação de Santa Teresa (1874), no Espírito Santo, a fundação das comunidades de Nova Trento, Rodeio e Rio dos Cedros (1875), em Santa Catarina, a Colônia Imperial de Santa Maria do Novo Tirol (1878) no Paraná, a Colônia Tirolesa de Piracicaba (1892), em São Paulo, além do grande número de austríacos que seguiu para as fazendas de café. No Rio Grande do Sul, imigrantes austríacos se instalaram nas cidades de Jaguari e Ijuí.[2]

Estima-se que 65 mil austríacos entraram no Brasil entre 1824 e 1938. Provavelmente os primeiros austríacos e desembarcar em terras brasileiras estavam no grupo que acompanhou a princesa austríaca (e futura imperatriz do Brasil), Leopoldina de Habsburgo-Lorena, esposa de Dom Pedro I. No grupo pioneiro de 1817 havia cientistas, botânicos, pintores, damas da corte e soldados.

Com a imigração de alemães vindos de diversas partes da atual Alemanha (país que ainda não existia à época), também vieram para o Brasil imigrantes oriundos das terras do Império da Áustria. O número de imigrantes austríacos cresceu após as iniciativas do governo imperial brasileiro em 1874, que buscava imigrantes nas terras do já estabelecido Império da Áustria-Hungria após as proibições do Reino da Prússia contra a migração de seus cidadãos. A união das coroas da Áustria e da Hungria em 1864 não mesclou as nacionalidades: os cidadãos do império austríaco não se tornaram austro-húngaros e vice-versa, pois as terras hereditárias da Áustria continuaram sob o governo de Viena, mantendo suas peculiaridades étnicas e culturais.

"Os imigrantes chegados até 1918 eram de diversas regiões do Império Austríaco, unido ao Reino da Hungria. Eles eram de diferentes etnias, falavam diversas línguas e professavam diferentes religiões. Mas eram de nacionalidade e identidade austríacas, porque “ser austríaco” não significava somente “ser de etnia alemã” ou “falar alemão”. A Áustria imperial era um mosaico rico de povos e culturas. E a nacionalidade austríaca dos imigrantes se comprova não apenas com dados presentes em seus passaportes, mas na cultura que eles manifestavam em fatos de seu cotidiano, registrados muitas vezes por jornais da época ou ainda presentes na memória dos descendentes". (Altmayer, 2017)[3]

Em algumas regiões de onde os imigrantes europeus partiram, como a Galícia na Europa Centro-Oriental, e que hoje faz parte da Polônia e da Ucrânia, estavam sob o domínio do Império Russo e do Império da Áustria-Hungria, não havendo uma distinção entre as nacionalidades e etnias na hora do embarque.[4] Muitos ucranianos e poloneses tiveram seus passaportes extraídos como russos ou austríacos, e em muitos casos foram classificados dessa forma, gerando uma confusão de identidade entre os descendentes quando da criação da Polônia como nação independente.[4]

De acordo com dados do censo redigido em 31 de dezembro de 1915, na Colônia Federal Ivay, no Paraná, viviam aproximadamente 2.560 austríacos, que conviviam com alemães e russos. Esses austríacos poderiam ser da Áustria propriamente dita, ou da região da Galícia.[4]

A contribuição austríaca é relevante para a história brasileira porém é muitas vezes desconsiderada , passando a ser considerada parte das imigrações alemã, italiana ou polonesa:

“Mas quais são os motivos pelos quais os emigrantes do Império Austro-Húngaro geralmente não são mencionados nas publicações sobre as migrações, embora esse império contasse entre as nações européias nas quais a emigração, entre 1880 e 1918, se transformou num ‘movimento de massas’? O que significava ‘Áustria’, antes de 1918, em termos de território e cultura? O Império Austro-Húngaro era multiétnico e multicultural. Essa heterogeneidade não significava uma “vizinhança” entre culturas nacionais; as fronteiras étnicas não correspondiam exatamente às linguísticas e às territoriais. Elas estavam entrelaçadas entre si, interpenetravam-se umas com as outras – mormente nos centros urbanos”.[5] (Prutsch, 2011)

A última experiência de imigração austríaca no Brasil é a Colônia Dreizehnlinden (1933), atual município de Treze Tílias, em Santa Catarina. Fundada quando a Áustria já era uma república, a colônia foi idealizada pelo ex-ministro da agricultura da Áustria, o tirolês Andreas Thaler. Atualmente, o município conhecido como "o Tirol brasileiro" ou "a cidade mais austríaca do Brasil" é aquele que mais preserva as características arquitetônicas da terra de origem.[6][7]

Referências

  1. A emigração de austríacos para o Brasil (1876-1938). Außenministerium Österreich, 2008. Consultado em 3 de janeiro de 2021
  2. Haiske, André. «AUSTRIAN IMMIGRANTS IN THE MUNICIPALITY OF IJUÍ: A REPORT ON THE IMMIGRATION BY LUDWIG STREICHER». Consultado em 7 de outubro de 2021 
  3. Altmayer, Everton (24 de abril de 2017). «Imigração austríaca no Brasil». Tiroleses no Brasil. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  4. a b c Lucimara Koss (2015). «O processo imigratório e a formação da Colônia Federal ivaí no início do século XX» (PDF). ANPUH. XXVII Simpósio Nacional de História. Consultado em 9 de janeiro de 2021 
  5. Prutsch, Ursula (2008). «A emigração de austríacos para o Brasil». Boletim da BMEIA. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  6. Descrição: 150 anos de um povoado austríaco no Brasil. Instituto Jones dos Santos Neves, 2007. Consultado em 3 de janeiro de 2021
  7. Treze Tílias comemora 86 anos de imigração austríaca em outubro. Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 28 de agosto de 2019. Consultado em 3 de janeiro de 2021