Imigração alemã no Rio de Janeiro

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Alemanha Teuto-brasileiros do Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Alice WegmannCarolina Dieckmann
Fiorella MathaisOtávio MüllerPedro II do Brasil
Martine GraelDaniele SuzukiJorge Gerdau Johannpeter
Fernando Collor de MelloKevin KurányiRenata Sorrah
D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e BragançaSamantha Schmütz
Notáveis teuto-brasileiros do Rio de Janeiro:
Alice Wegmann · Carolina Dieckmann · Fiorella Matheis ·
Otávio Müller · Pedro II do Brasil · Martine Grael
 · Daniele Suzuki · Jorge Gerdau Johannpeter · Fernando Collor de Mello ·
Kevin Kurányi · Renata Sorrah · D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança ·
Samantha Schmütz ·
População total
Regiões com população significativa
Línguas
Português brasileiro e Alemão
Religiões
Igreja Católica, Luteranismo e Judaísmo
Grupos étnicos relacionados
Brasileiros brancos, Alemães, Austríacos, Suíços, Dinamarqueses

Imigração Alemã[editar | editar código-fonte]

Na cidade do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Os primeiros alemães vistos como imigrantes se estabeleceram no Rio de Janeiro a partir de 1808, atuando no comércio de exportação e importação. Até 1822, vinham atraídos, principalmente, pela abertura dos portos, que viabilizou suas atividades comerciais. Eram negociantes, artistas, naturalistas e cônsules, além de mercenários aliciados para as forças armadas brasileiras. Os imigrantes germânicos, ou seja, dos muitos países que existiam naquela época na atual Alemanha e Áustria, foram predominantes durante a primeira fase da colonização, que durou até 1830. Um dos principais fatores que explicam essa preferência é o fato de a imperatriz D. Leopoldina, esposa de D. Pedro I, ser austríaca e, portanto, de origem germânica. Na cidade do Rio, a maioria dos alemães morava em regiões mais centrais e urbanas. Boa parte deles foi para Santa Teresa, por ser um local mais alto, mais fresco e, ao que se acreditava, distante do risco da malária. Naquela época, a doença era um grande problema sobretudo no centro da cidade, onde existiam mangues que atraíam o mosquito transmissor. Muitos alemães também foram para o Rio Comprido, visto como uma área residencial tranquila, mas não muito distante do centro. A abertura de novas paróquias nos subúrbios refletiu a dispersão das famílias alemãs e de seus descendentes pela cidade do Rio, expulsas das zonas nobres pela especulação imobiliária.[1]

Em Nova Friburgo[editar | editar código-fonte]

Os alemães chegaram em Silva Jardim com o intuito de revitalizar o município, que fora abandonado pelos suíços anos atrás. A imigração alemã em Nova Friburgo pode ser divida em duas etapas: o grupo de alemães luteranos vindos de Frankfurt, a principio para fundar a colônia no sul da Bahia, previamente selecionados, com profissões definidas: joalheiros, pedreiros, médicos, lavradores, sapateiros, marceneiros, funileiros, carroceiros, destiladores, mecânicos, arquitetos, mestreescola, parteiras, alfaiates e tecelões. Por serem mais organizados prosperaram em relação aos grupos anteriores que perseguidos, convertiam-se ao catolicismo. Passado o primeiro ano católicos e luteranos conviveram em harmonia. Apesar da lei católica que proibia a construção de igreja e cultos em locais públicos, que foram liberados somente em 1857. Em 1828 chegaram outros alemães com idéias inovadoras e montaram pequenas oficinas manufatureiras. A luz elétrica chegou em 1878. No início do século XX as oficinas transformarem-se nas três grandes indústrias: Fábrica Ypu, Rendas Arp e Filó no ramo têxtil; e mais três na metalurgia; Ferragens Haga, Hasenclever, Iwega. Também outras de variadas atividades contribuíram socioeconomicamente para o progresso do município de Nova Friburgo.Campus da UERJ em Nova Friburgo

Em Petrópolis[editar | editar código-fonte]

Em 1837, aportou no Rio de Janeiro o navio Justine com 238 imigrantes alemães em viagem para a Austrália. Devido aos maus tratos sofridos a bordo, eles resolveram não seguir viagem, permanecendo no Rio de Janeiro. O Mj Koeler soube da ocorrência e se entendeu com a Sociedade Colonizadora do Rio de Janeiro para trazer os imigrantes para trabalhar na abertura da Estrada Normal da Estrela, pagando uma indenização ao capitão do navio. Assim, foi dada permissão aos colonos de desembarcarem no Rio de Janeiro. Estes, sob as ordens de Koeler, estiveram primeiramente trabalhando no Meio da Serra, depois foram para o Itamarati.

A segunda leva de colonos foi planejada pelos presidentes da província João Caldas Viana e Aureliano Coutinho para trabalhar em obras na província, mas eles acabaram em Petrópolis, locando no terreno do plano urbanístico traçado por Koeler. Foram 600 casais de colonos alemães contratados em 1844, exigindo-se que fossem artífices e artesãos com experiência.

Treze navios deixaram Dunquerque com 2.338 imigrantes, o primeiro deles chegando ao porto de Niterói em 13 de junho e o último em 7 de novembro de 1845, sendo os imigrantes alojados em barracões ao lado da igreja matriz. Acertados os trâmites legais, eles foram transferidos para o Arsenal de Guerra do Rio, onde se acha hoje instalado o Museu Histórico Nacional, ficando por lá alguns dias e, então, seguiram viagem pela baía da Guanabara e pelo rio Inhomirim até o Porto da Estrela. De lá, para o Córrego Seco, foram a pé ou a cavalo, com escalas na Fábrica de Pólvora e no Meio da Serra, onde existiam ranchos para os viajantes.

Muitos dos colonos que deixaram Dunquerque não chegaram a Petrópolis em conseqüência do mau passadio a bordo e do surto de febres nos depósitos. Outros, especialmente crianças, não resistiram à penosa subida da serra e foram enterrados pelo caminho. O diplomata belga, Auguste Ponthoz, em seu livro “Avaliação sobre o Brasil”, afirma que 252 imigrantes morreram, sendo 56 nos portos ou na viagem para Petrópolis.

Vieram muito mais alemães católicos do que protestantes. No dia 19 de outubro de 1845, na praça Koblenz, dia de São Pedro de Alcântara, num altar ornamentado com flores silvestres, o Padre Luís Gonçalves Dias Correia celebrou uma missa para os católicos e o pastor Frederico Ave-Lallemant professou um culto para os protestantes. O Presidente da Província, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, compareceu a essa solenidade, tendo feito um grande elogio ao trabalho dos colonos.

Foram muitas as dificuldades iniciais. Logo que aqui chegaram, foi necessária a compra de 200 cabras para alimentar as crianças, já que suas mães não tinham leite, devido às agruras da viagem. Köeler planejou uma colônia agrícola em Petrópolis sem estudo prévio da geologia do terreno, o que resultou no fracasso do empreendimento. Os colonos abriram estradas, derrubaram matas para a construção de residências e semearam suas hortas para consumo e foram utilizados nas obras públicas, retificando os rios, drenando os lodaçais e construindo os prédios da povoação.

Para tornar mais fácil a adaptação dos colonos alemães à nova terra, Koeler nomeou os quarteirões de Petrópolis com o nome de suas regiões de origem, como Mosela, Palatinato, Renânia, Nassau, Bingen, Ingelheim, Simeria, Castelânia, Westphalia. Ele também homenageou a Família Imperial em dois quarteirões, Vila Imperial e Vila Teresa. Em 1854, Otto Reimarus, que continuou o trabalho de Koeler, criou os quarteirões de Darmstadt, Woerstadt, Worms e outros. Também prestou homenagem às várias nacionalidades de imigrantes de Petrópolis, nomeando outros quarteirões: Quarteirão Francês, Quarteirão Suíço, Quarteirão Inglês e mais tarde o Quarteirão Italiano. Para os brasileiros que ajudaram a construr Petrópolis, dedicou o Quarteirão Brasileiro e o Quarteirão Mineiro.

Hoje, os descendentes dos colonos estão por toda a cidade e seus nomes de família podem ser encontrados no Obelisco do centro da cidade, nos guias telefônicos e dão nomes a ruas e praças. O progresso dos colonos alemães dinamizou Petrópolis, contribuindo para o seu desenvolvimento. O seu trabalho e a sua lembrança fazem parte da cidade. Em Petrópolis também ocorre a Bauernfest, segunda maior festa de cultura alemã do Brasil, atrás apenas da Oktoberfest, realizada no sul do país.[2]

Colônias[editar | editar código-fonte]

Nova Friburgo - recebeu, em 1824, a primeira leva de imigrantes alemães contratados pelo imperador Dom Pedro I, foram levados para lá devido ao grande número de suíços (fundadores da cidade em 1818) que abandonaram seus lotes e se dispersaram por todo o estado do Rio de Janeiro.


Nome Fundação Fundador Categoria
Rio de Janeiro 1809 Urbana
Nova Friburgo 1820 Sébastien N. Gachet Rural
Nova Friburgo 1824 Pastor Friedrich Oswald Sauerbronn Rural
Petrópolis 1845 Júlio Frederico Koeler Rural
Santa Justa Rural
Independência Rural

Teuto-brasileiros nascidos no Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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