Imigração árabe no Brasil

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Árabe-brasileiros Brasil

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Notáveis Árabe-brasileiros::
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População total

número exato incerto

Regiões com população significativa
São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal [1]
Línguas
Português brasileiro, Árabe
Religiões
Cristianismo (a maioria sendo Católicos e Ortodoxos), Islã, com minorias Judias
Grupos étnicos relacionados
Outros Árabes, Brasileiros brancos

A imigração árabe no Brasil tem início com a chegada de imigrantes árabes que começaram a desembarcar no País em fins do século XIX. No início do século XX, esse fluxo imigratório cresceu e passou a se tornar importante.A maioria é de origem libanesa, enquanto o restante é, predominantemente, de origem síria. É notável, também, a presença de palestinos e jordanianos.

Os dados sobre o número de descendentes de árabes no Brasil são discrepantes. O censo nacional do IBGE não questiona a ancestralidade do povo brasileiro há várias décadas. No último censo a questionar a ancestralidade, o de 1940, 107.074 brasileiros disseram ser filhos de pai sírio, libanês, palestino, iraquiano ou árabe. Os árabes natos eram 46.105 e os naturalizados brasileiros, 5.447. O Brasil tinha 41.169.321 habitantes na época do censo, portanto árabes e filhos eram 0,38% da população do Brasil em 1940.[2] Atualmente, muitas fontes citam que milhões de brasileiros descendem de árabes. O Itamaraty afirma haver entre 7 e 10 milhões de descendentes de libaneses no Brasil.[3] Contudo, pesquisas independentes, baseadas na autodeclaração do entrevistado, encontraram números bem menores. Segundo pesquisa do IBGE de 2008, 0,9% dos brasileiros brancos entrevistados disseram ter origem familiar no Oriente Médio, o que daria cerca de um milhão de pessoas.[4] Segundo outra pesquisa, de 1999, do sociólogo, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Simon Schwartzman, somente 0,48% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter ancestralidade árabe, percentual que, numa população de cerca de 200 milhões de brasileiros, representaria em torno de 960 mil pessoas.[5]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O Imperador D. Pedro II, após efetuar uma viagem diplomática ao Oriente Médio, mostrou-se fascinado pela cultura local e pela cordialidade do povo árabe. Consta que, por meio do Imperador, as primeiras levas de imigrantes árabes foram atraídas para o Brasil.[6]

Há séculos dominados pelo Império Turco-Otomano, os árabes viram na emigração uma forma de fuga da violenta dominação turca. Os turcos, de fé islâmica, perseguiam as comunidades cristãs árabes. Em fins do século XIX os árabes cristãos, em sua maioria partindo da Síria e do Líbano, passaram a se espalhar pelo mundo: os destinos principais foram a América do Norte, América do Sul – em especial, o Brasil. Mas no Brasil há árabes da Palestina, Marrocos, Egito e Iraque que vieram em decorrência de conflitos naquela região.

O Brasil era um país quase desconhecido no mundo árabe. Os imigrantes apenas sabiam que estavam indo para a América e, por muitas vezes, imaginavam estarem indo para os Estados Unidos. Ao chegar ao Brasil, muitos árabes se chocaram ao descobrir que estavam, de fato, aportando na América do Sul.

As primeiras levas significativas de imigrantes árabes começou oficialmente no Brasil por volta de 1880, com uma leva de libaneses. Calcula-se que, até o ano de 1900, chegaram ao Brasil 5.400 árabes. Os problemas socioeconômicos agravados no Oriente Médio no início do século XX fizeram crescer a emigração em direção ao Brasil: no ano de 1920 viviam no País pouco mais de 50 mil árabes.

Diferentemente de outras correntes migratórias, os sírios-libaneses, não vieram para trabalhar em lavouras, começaram a vida, em sua maioria, como mascates e com o tempo se tornavam grandes varejistas e industriais. Espalhados por todo país,se concentram em maior parte na região Sudeste, onde estão ligados ao desenvolvimento econômico de todo o mundo. [carece de fontes?]

Centro-Oeste[editar | editar código-fonte]

Os "Turcos" como eram chamados os descendentes de árabes pela população, eram em sua maioria caixeiros-viajantes que penetravam no Centro Oeste para vender suas mercadorias. Vendiam em lombo de animais, desde tecidos, a até sapatos, botas e centenas de outros produtos, e representavam uma das fontes de informação mais confiável junto à população do Cerrado Goiano e Matogrossense, onde viviam milhares de famílias isoladas em pequenas vilas e tendo nos "Turcos" um dos únicos meios de saber "as novidades" da capital e do país. Durante as décadas de 1920 e 1930 os Sírio-Libaneses serviam região não só abastecendo de produtos, mas também proporcionavam a ela a atualização de fatos políticos relevantes, como o fora a Revolução de Trinta, a "Coluna Prestes", o Golpe de Vargas e uma coletânea de informações sobre fatos históricos que aconteciam no Brasil.

Em Goiás existe uma das mais prósperas comunidades de descendentes de Sírio-Libaneses. Anápolis, que atualmente é um dos mais importantes municípios do Centro Oeste, teve em seu progresso econômico e social também uma forte participação da colônia Sírio-Libanesa.

Em Mato Grosso do Sul cerca de 5% da população é composta de árabes ou árabe-descendentes, porcentagem alta em comparação a outras regiões do Brasil.[7] A partir de 1912, fugindo de conflitos no Oriente Médio, sírios e libaneses passaram a chegar ao porto de Santos. Dessa cidade, partiram para o porto de Corumbá, o portal de entrada para o Centro-Oeste e o polo comercial de Mato Grosso. De lá, dispersaram-se para outras cidades do estado. Muitos outros também chegaram através Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a qual ajudaram a construir. Mesmo antes de terminada a construção da estrada de ferro, no entanto, já passavam a se dedicar ao comércio, sua principal atividade.[8]

Ao pronunciar o português, os imigrantes acabavam utilizando a consoante "b" no lugar de "p", que é um fonema inexistente em árabe, por isso diziam "batrício" em vez de "patrício", dando origem à expressão usada popularmente para designar os imigrantes árabes na região.

Sul[editar | editar código-fonte]

Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu-PR, a cidade abriga a maior comunidade muçulmana do Brasil.

Os primeiros imigrantes árabes que chegaram na região vieram do Oriente Médio por volta de 1860. Tinham basicamente a nacionalidade sírio-libanesa, e em menor número os transjordanianos. Os registros oficiais apontam a chegada significativa desses imigrantes aos portos de Montevidéu, Buenos Aires, Rio de Janeiro e Santos. Posteriormente, nas décadas de 1870, 1880 e 1890 essa movimentação iria se acentuar, sendo que muitos desses imigrantes acabaram fixando residência na faixa de fronteira gaúcha, em especial na região de Santana do Livramento, Bagé e Chuí. Em termos proporcionais, Foz do Iguaçu no Paraná, possui a maior comunidade islâmica do Brasil.[9]

Sudeste[editar | editar código-fonte]

A grande maioria dos imigrantes árabes chegados ao Brasil rumou para São Paulo. Na capital do estado, os sírio-libaneses rapidamente formaram uma forte comunidade de comerciantes. Foram os árabes que criaram o comércio popular da rua 25 de Março, hoje o maior centro de comércio do Brasil.

Grandes parcelas de imigrantes também se fixaram nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Muitas cidades do sudeste foram construídas ou se desenvolveram com a presença árabe em seus territórios. Os árabes que se mudaram para o Brasil eram em sua maioria comerciantes, e ajudaram muitas localidades com um desenvolvimento ainda efêmero a mudar seu perfil socioeconômico, trazendo sua experiência com o comércio para as regiões onde se estabeleciam.[10]

Hospital Sírio-Libanês, na cidade de São Paulo

Norte e Nordeste[editar | editar código-fonte]

No nordeste brasileiro, se destacam com uma população significativa o Maranhão, Pernambuco e Ceará . Muitos dizem que a coalhada, que é alimento típico do Ceará, foi trazida pelos sírios para o estado. Um dos sinais da presença árabe no Ceará é a Igreja de Nossa Senhora do Líbano. Outro sinal da presença árabe é em Pernambuco onde há mesquita e um centro islâmico.

Michel Temer foi a primeira pessoa de origem árabe a assumir a presidência do Brasil.

No norte do Brasil, algumas cidades chegaram a ser fundadas por imigrantes árabes. Marabá, no sudeste do Pará, teria sido colonizada inicialmente por imigrantes transjordanianos (hoje parte da Palestina), sendo que muitas destas famílias se tornaram predominantes e oligarcas na região. Outros estados que receberam população significativa de árabes foram o Amazonas, o Acre, Rondônia e Tocantins.

Recente corrente imigratória[editar | editar código-fonte]

A Guerra Civil no Líbano, entre os anos de 1974 e 1991, formou uma nova corrente migratória em direção ao Brasil, agora incluindo um número considerável de muçulmanos. Por volta de 2015, significante numero de imigrantes sírios chegaram ao Brasil, com destaque para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, devido principalmente à Guerra Civil Síria e ao Estado Islâmico.

Integração dentro da sociedade brasileira[editar | editar código-fonte]

Grupo Folclórico Sírio da cidade de São Paulo

Os árabes foram um dos grupos de imigrantes que menos sofreram para se adaptar ao Brasil. Em sua maioria árabes-cristãos, os imigrantes não encontraram uma realidade religiosa divergente. Além disso, encontraram no Brasil uma sociedade extremamente miscigenada, e acostumada com a diversidade étnica.

Os árabes, agarrados ao costume da preservação familiar, formaram grandes famílias por todo o Brasil, incluindo-se casamentos dentro da colônia árabe e, também, diversos com não-árabes.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os primeiros árabes que imigraram ao Brasil eram, em sua grande maioria, pertencentes a igrejas cristãs, sendo a maioria católicos maronitas da Síria e Líbano. Porém, a leva mais recente de imigrantes sírio-libaneses é, consideravelmente, islâmica com uma minoria judaica.[11][12][13] O censo do IBGE contabilizou a existência de 27.239 islâmicos no Brasil, embora a Federação Islâmica Brasileira afirme a presença de 1,5 milhão de muçulmanos no País.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências