Imigração em Pernambuco

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O Estado de Pernambuco conviveu ao longo de sua história com variadas levas de imigração branca. A presença destes imigrantes, por vezes subestimada, construiu a história do Estado junto com os escravos negros africanos e os nativos ameríndios. Pernambuco foi, junto com a então São Vicente, um dos núcleos sociais mais importantes do Brasil quando o país foi dividido em capitanias hereditárias, em 1534, o que faz com que o Estado tenha uma população relativamente heterogênea com relação a outros Estados do Nordeste.

Etnias[editar | editar código-fonte]

Africanos[editar | editar código-fonte]

A Capitania de Pernambuco contou com a presença do negro desde o final do século XVI. Naquele período, os portugueses introduziram a cultura da cana-de-açúcar na região, utilizando-se da mão-de-obra escrava de origem indígena e africana. Os engenhos multiplicaram-se rapidamente e a produção de açúcar tornou-se a principal atividade econômica da colônia. O número de cativos de origem africana também cresceu bastante naquela Capitania. Em 1584, 15 mil escravos labutavam em pelo menos 50 engenhos. Este número subiu para 20 mil escravos em 1600. Já na metade do século XVII a população escrava somava entre 33 e 50 mil pessoas.[1]

Índios[editar | editar código-fonte]

Há os seguintes grupos indígenas: Fulniô, Xukuru e Kapinawá, que se encontram respectivamente nos municípios de Águas Belas, Pesqueira e Buíque, no agreste do estado; e os Kambiwá, Pankararu, Atikum e Truká, que se encontram respectivamente nos municípios de Ibimirim, Tacaratu, Floresta e Cabrobó, no sertão do estado.[2]

A presença autóctone no estado data de mais 10 mil anos. Pinturas rupestres são encontradas em várias áreas do sertão e agreste do estado, sendo as mais conhecidas as do Vale do Catimbau no município de Buíque, agreste pernambucano.

Segundo dados da (FUNAI), Pernambuco possui cerca de 40 mil índios.[3]

Portugueses[editar | editar código-fonte]

Duarte Coelho trouxe consigo, para sua capitania, em 1535, o cunhado Jerônimo de Albuquerque, alguns nobres, como Vasco Fernandes de Lucena, e personagens de origens não muito claras, como Brites Mendes de Vasconcelos, a velha, um bebê. Logo em seguida vieram membros de famílias de Viana do Castelo, chegados ao Brasil em sucessivas levas, e que foram o núcleo da nobreza da terra pernambucana, todos aparentados entre si, Rego Barros, Regos Barretos, Velhos Barretos, Salgados de Castro, Marinhos Falcões, Barros Pimentéis, Pais Barretos, Carneiros [da Cunha], Bezerras, Albuquerques, Melos. São comerciantes com foros de nobreza e ascendências conhecidas até o século XIV. Interesses comerciais levaram a Pernambuco, também, Filippo Cavalcanti, patriarca da família Cavalcanti, a qual se entrelaçou com as famílias luso-brasileiras, tendo vários ramos, como a família Suassuna.[4][5]

Além do legado genético, arquitetônico, musical e dialectual, Portugal se faz presente, em Pernambuco, com o Clube Português do Recife, o Real Hospital Português de Beneficência, o Gabinete Português de Leitura e o Consulado de Portugal. O surgimento do tradicional hóquei sobre patins em Pernambuco, na década de 1950, por exemplo, é conseqüência da imigração portuguesa.[6]

No sertão do estado, um grupo de 38 famílias portuguesas que vieram do Entre Douro e Minho em Portugal se estabeleceram nas proximidades da Fazenda Panela D'água de Manoel Lopes Diniz,[7][8] e de lá se espalharam principalmente pelas microrregiões de Itaparica, Salgueiro e Vale do Pajeú. Entre essas famílias estão: Aguiar, Alencar, Alves, Araújo, Barros, Brito, Brandão, Campos, Carvalho, Coelho, Cruz, Fernandes, Ferraz, Ferreira, Fonseca, Gomes de Sá, Guimarães, Gonçalves, Lima, Lira, Lustosa, Lopes Diniz, Machado, Magalhães, Matos, Melo, Medeiros, Mendonça, Menezes, Miranda, Neves, Nogueira, Novaes, Oliveira, Sá, Sampaio, Silva, Silveira, Soares, Torres e Uchôa. Essas famílias se juntaram a outras que foram para a região trabalhar na abertura de estradas, construções de açudes e na agricultura: Albuquerque, Belfort, Cantarelli, Caribé, Cavalcanti, Candeia, Freire, Leal, Luz, Marques, Moura, Ramalho, Roriz e Trapiá. [9]

Espanhóis e italianos[editar | editar código-fonte]

No final de 2012, 685 espanhóis tinham registro no Consulado Honorário da Espanha no Recife como radicados na capital pernambucana.[10]

Em Pernambuco também há um número significativo de descendentes de italianos: cerca de 200 mil.[11]

Alemães[editar | editar código-fonte]

Deutscher Klub Pernambuco, no Recife.

Presença marcante também foi dos alemães.[carece de fontes?] Os primeiros registros datam do século 17, com a chegada da corte holandesa no Estado, que trouxe alguns alemães. As duas guerras mundiais também impulsionaram a colônia alemã no Recife, que já contou com 1,2 mil imigrantes.[12] Esta presença alemã pode ser observada no Deutscher Klub Pernambuco, fundado em 1920, e que antes era restrito apenas à colônia alemã e seus descendentes. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Deutscher Klub Pernambuco, que tinha ligação com o Partido Nazista,[13][14][15][16] foi considerado propriedade alemã e sofreu uma desapropriação pelo Governo Federal, sendo reavido à colônia alemã pernambucana com o fim do conflito. A partir de 1960, o clube passou a organizar a sua Oktoberfest, a tradicional festa da cerveja do Sul da Alemanha.[17] Outra Oktoberfest menor é realizada em Olinda, conhecida como Oktoberfest in der Altstadt von Olinda (Oktoberfest na cidade velha de Olinda).

Outras instituições que marcam a história alemã no Recife são o Instituto de Cultura Germânica, que era a escola para os filhos de imigrantes alemães e ingleses, e a Associação Cultural Alemanha-Recife (ACAR) que na década de 1990 se tornou Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA), centro que difunde a língua e cultura alemãs na cidade, sendo reconhecido pelo Consulado Geral da República Federal da Alemanha no Recife e pelo Instituto Goethe. A presença alemã na cidade é também responsável pelo fato de o único consulado alemão que tem jurisdição sobre todo o Norte/Nordeste do país estar na capital pernambucana. Hoje pernambuco conta com uma populaçao significante de 7.500 alemães por todo estado. recife tem em cerca de 2.500 alemães

Holandeses[editar | editar código-fonte]

A Ponte Buarque de Macedo, uma das quase 50 pontes da capital pernambucana, é uma das ligações entre o Bairro do Recife e a Ilha de Antônio Vaz.

Os holandeses, apesar de terem quase majoritariamente partido do Estado, deixaram algumas famílias na capital. Gilberto Freyre, uma das maiores figuras públicas da história do Estado, certa vez escreveu: "Sou, aliás, descendente de espanhóis, tendo também sangue nórdico, holandês, português e, na quarta geração de antepassados, sangue ameríndio, e nenhum africano, admitindo ainda possível raiz árabe e judia."[18]

Na época da invasão holandesa – embora a miscigenação não tenha sido oficialmente estimulada – há relatos de muitas uniões interraciais. A ausência de mulheres holandesas estimulou a união e mesmo o casamento de oficiais e colonos holandeses com filhas de abastados senhores de engenho luso-brasileiros[19] e, mais informalmente, destes com índias, negras, caboclas e mulatas locais. Esses colonizadores eram divididos em dois grupos: os Dienaaren ("servidores", sobretudo soldados à serviço da Coroa Holandesa) e os Vrijburghers ("homens livres", os colonos que vieram exercer a função de comerciantes).

Quartel do Derby, antigo Mercado Modelo Coelho Cintra.

Há evidência de que essas uniões deixaram traços genéticos que podem ser vistos na atualidade.[20] Em recente levantamento genômico da população brasileira, observou-se entre os nordestinos um excesso de um haplogrupo comum na Europa (haplogrupo 2) que pode ser derivado das uniões entre holandeses e os luso-brasileiros.[21] No interior de Pernambuco, especialmente no Sertão do Araripe e em comunidades do Agreste, há algumas pessoas loiras de olhos claros que, segundo a tradição, seriam descendentes de holandeses que se esconderam durante a Insurreição Pernambucana.[22][23][24][25]

Ingleses[editar | editar código-fonte]

Na Rua do Bom Jesus funcionava o Town British Club, em cima do London Bank, fundado pelos ingleses. Em 1928 existiam no Recife cinco clubes de origem inglesa.[26]

No começo do século XIX, quando o príncipe regente D. João abriu os portos do país, os ingleses começaram a chegar ao Brasil - em especial, para Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, a cidade do Recife possuía aproximadamente 200.000 habitantes, e a colônia inglesa já se apresentava de forma bastante expressiva, com a presença das seguintes firmas, bancos e empresas concessionárias de serviços públicos: a Western Telegraph Company (que possibilitava o contato com o mundo, através do cabo submarino), Pernambuco Tramways and Power Company (que interligava o Recife, com os seus trens, às demais cidades de Pernambuco e do Nordeste), Huascar Purcell, Pernambuco Paper Mills, Western of Brazil Railway Company, Price Waterhouse, Machine Cotton, John A. Thom (negociante de algodão, borracha, açúcar, mamona, cera), Cory & Brothers, Bank of London & South America, London & River Plate Bank, Royal Bank of Canada, Boxwell & Cia. (o maior estabelecimento de enfardamento de algodão), Williams & Cia. (exportadores de açúcar e algodão), Conolly & Cia. (casa de câmbio), Ayres & Son (representante de várias firmas e fabricantes), e White Martins.[27]

Pernambuco recebeu número expressivo de imigrantes europeus entre os séculos XVI e XX. Na foto, o Parque de Esculturas Francisco Brennand, no Porto do Recife.

Já que a colônia inglesa não se fez massivamente presente no resto do Brasil, Recife é uma das poucas cidades brasileiras que tem um cemitério próprio para os imigrantes ingleses e seus descendentes, o Cemitério dos Ingleses. O cemitério encontra-se fechado a maior parte do tempo. Apresenta um portão de ferro datado de 1852 - obra dos ingleses da Fundição d'Aurora - e possui um administrador particular, não remunerado, que é eleito por ingleses e seus descendentes.

Também fazem parte das paisagens recifenses mais antigas os bondes que circulavam pela cidade. Ainda hoje, é possível ver os trilhos em ruas no bairro do Recife Antigo, bairro que ainda preserva um pouco da história da cidade com ruas de pedra e trilhos de bonde, além de prédios antigos onde hoje funcionam cervejarias, bares e cafés. O último bonde inglês a circular no Recife fazia o trajeto Boa Vista - Madalena, e funcionou até março de 1954. O bonde permanece exposto na Fundação Joaquim Nabuco.[28]

Na Rua do Bom Jesus funcionava o Town British Club, em cima do London Bank, fundado pelos ingleses. Em 1928 existiam no Recife cinco clubes de origem inglesa.[29]

Os ingleses influenciaram profundamente o Estado e principalmente sua capital. Já no começo do século 19, a presença inglesa no Recife podia ser constada pela presença de várias empresas, entre as quais estão Great Western, Western Telegraph Company, Pernambuco Tramways and Power Company, Huascar Purcell, Pernambuco Paper Mills, Western of Brazil Railway Company, Price Waterhouse, Machine Cotton, John A. Thom, Cory & Brothers, Bank of London & South America, London & River Plate Bank, Royal Bank of Canada, Boxwell & Cia., Williams & Cia., Conolly & Cia., Ayres & Son e White Martins.

Já que a colônia inglesa não se fez massivamente presente no resto do Brasil, o Recife é uma das poucas cidades brasileiras que têm um cemitério próprio para os imigrantes ingleses e seus descendentes, o Cemitério dos Ingleses. O cemitério encontra-se fechado a maior parte do tempo. Apresenta um portão de ferro datado de 1852 - obra dos ingleses da Fundição d'Aurora - e possui um administrador particular, não remunerado, que é eleito por ingleses e seus descendentes.

A Igreja Anglicana já estava presente no Recife com a Holy Trinity Church, que ficava no bairro da Boa Vista. Hoje, a Igreja Anglicana se encontra no bairro do Espinheiro. Também na Boa Vista, no século 19, foi fundado o British Hospital, que era destinado aos súditos britânicos. Ainda na Boa Vista, havia uma rua que ganhou fama por hospedar ingleses, rua esta que recebeu o nome de Rua do Padre Inglês e assim o mantém até hoje.

Uma lenda que faz parte do folclore pernambucano é que a palavra "forró" surgiu quando a Great Western, para comemorar a inauguração de sua primeira estrada de ferro, promoveu um baile animado por sanfona e zabumba, colocando um cartaz escrito "for all" (para todos).

A influência inglesa se fez sentir, ainda, em certos hábitos: o uso do tecido tropical inglês, do linho diagonal branco - o Taylor & 120 - que não feria a pele do pescoço, da casimira, a gravatinha borboleta, os sapatos com polainas, os chapéus de palha e as bengalas.

Em 1928, George Litlle, funcionário graduado da Great Western, e alguns de seus amigos criaram um clube de golf, denominado Pernambuco Golf Club, que deu origem ao atual Caxangá Golf & Country Club. O Town British Club, na rua Bom Jesus, em cima do London Bank, e o The British Country Club, no bairro dos Aflitos, foram fundados também pelos ingleses.

Também fazem parte das paisagens recifenses mais antigas os bondes que circulavam pela cidade. Ainda hoje, é possível ver os trilhos em ruas no bairro do Recife Antigo, bairro que ainda preserva um pouco da história da cidade com ruas de pedra e trilhos de bonde, além de prédios antigos onde hoje funcionam cervejarias, bares e cafés. O último bonde inglês a circular no Recife fazia o trajeto Boa Vista - Madalena, e funcionou até março de 1954. O bonde permanece exposto na Fundação Joaquim Nabuco.[30]

Árabes[editar | editar código-fonte]

O imperador Dom Pedro II, que falava árabe,[31] visitou o Líbano e a Síria em 1876. Em Damasco, capital síria, o imperador escreveu um poema, que enviou ao Visconde de Taunay, onde lia-se: "Damasco dos milênios, berço da civilização, e quem a construiu ajudará a construir o Brasil".[31] O fluxo migratório árabe para o Brasil foi estimulado e intensificado no fim do século XIX. No Recife, uma das marcas dos imigrantes é o Clube Líbano Brasileiro, erguido pela colônia libanesa, no bairro do Pina. O primeiro contato árabe com o Estado, entretanto, se fez com missionários católicos sírios que chegaram a Pernambuco nas caravanas portuguesas.[32] O estado de Pernambuco abriga ainda a segunda maior comunidade palestina do Brasil, concentrada na cidade do Recife, que começou a receber os primeiros imigrantes em 1903. Hoje a comunidade tem cerca de 5 mil pessoas.

Observatório Astronômico do Alto da Sé de Olinda, onde foi realizada a descoberta do Cometa Olinda, primeiro cometa descoberto na América Latina e o único no Brasil.

Judeus (Hebreus)[editar | editar código-fonte]

O judaísmo em Pernambuco está presente desde o século XVI, quando os judeus convertidos ao cristianismo eram considerados cristãos-novos, sendo muitos deles senhores de engenho.[33] Porém, existia a suspeita de prática escondida da religião judaica. Obtiveram liberdade de professar a religião nos tempos de Maurício de Nassau, que logo foi combatida quando os portugueses voltaram ao domínio da economia açucareira. Com isso muitos imigraram para as Antilhas Holandesas ou para Nova Amsterdã, que viria a ser o bairro de Manhattan futuramente. No inicio do século XX, o estado recebeu judeus de origem russa, ucraniana e romena. A imigração eslava levou ao Recife famílias como a de Clarice Lispector, Leôncio Basbaum, Noel Nutels, entre outras.[34] No Recife há hoje uma comunidade de 1,6 mil judeus.[35]

Outras etnias[editar | editar código-fonte]

O estado tem a terceira maior comunidade nipônica do país, concentrada no Recife, em Bonito e em Petrolina. Alguns vieram do Japão ainda em 1908, outros de São Paulo e do Pará, por falta de espaço no mercado de trabalho, após a segunda Guerra Mundial. Hoje há aproximadamente 25.000 famílias nipônicas no estado.[36]

Os chineses estão presentes desde meados de 1920: uma pequena leva vinda da Guiana inglesa. A partir de 1970 migraram chinenes de Taiwan. Havia cerca de 200 pessoas no fim dos anos 1980. Só na década de 1990 a comunidade começou a ganhar o tamanho que apresenta hoje, com a vinda de chineses da fronteira do Brasil com o Paraguai. Hoje a comunidade chinesa conta com aproximadamente 8 mil pessoas.[37]

Praça do Entroncamento, uma das praças recifenses projetadas pelo renomado paisagista, filho de pernambucana, Burle Marx.[38]
Outras etnias

Houve, em menor escala, imigração de outros povos. Famílias de outros países germânicos além de Inglaterra e Alemanha marcaram presença em Pernambuco. Um exemplo é a influente família Lundgren, de origem sueca e dinamarquesa, que fundou a rede varejista Casas Pernambucanas e, entre outros feitos, construiu a Igreja de Santa Isabel, principal cartão-postal da cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.[39][40] Em pequeno número, encontram-se ainda descendentes russos, tendo o primeiro grupo da Rússia chegado ainda no século XIX, no porto do Recife nos navios Nadejda e Neva. Uma lenda pernambucana, aliás, diz que os passos de frevo teriam sido incorporados à música por influência dos passos da dança folclórica russa quando estes foram convidados pelos recifenses para uma festa. Em escala ainda pequena, existem os descendentes de franceses: as famílias Callou e Belfort, que se estabaleceram na região de Salgueiro, Serrita, Terra Nova e Serra Talhada; e a tradicional família Burle Dubeux, que se estabeleceu na capital do estado.[41]

Influências da imigração no futebol e outros esportes[editar | editar código-fonte]

Entretanto, uma das maiores influências inglesas está presente no futebol em Pernambuco, particularmente no Recife. O Clube Náutico Capibaribe, fundado em 1901, teve seu primeiro time formado por ingleses, alemães e seus descendentes, além de não permitir negros dentro do clube. O clube foi sendo gradativamente adotado pelos demais imigrantes alemães e espanhóis que chegavam à cidade.

Através de Guilherme de Aquino Fonseca, um estudante Pernambucano que após um longo período pela Inglaterra, resolveu trazer o futebol ao estado, nasceu o Sport Club do Recife, que também contava entre seus fundadores fucionários ingleses das empresas Great Western e da Western Telegraph e também ex-dirigentes do Clube Náutico, que não concordavam com a sua postura elistista. Nascia aí uma das maiores rivalidades do futebol nacional, o Clássico dos Clássicos, o terceiro mais antigo do país. O Sport formou, de fato, o primeiro time de futebol do Estado, em 1905, time também formado majoritariamente por ingleses, mas, ao contrário do Náutico, sem restrições sociais e raciais. Muitos ingleses adotaram, então, o Sport como seu time, apesar de a colônia inglesa também se fazer presente no clube rival, graças aos laços históricos entre os vizinhos Náutico e British Country Club.

Daí o Náutico ficar conhecido como "clube dos ricos" e "clube aristocrático", o que até hoje se manifesta pelo fato de o clube ter a grande maioria da elite do estado como parte importante de sua torcida. Não obstante, a partir da década de 60, o clube vem recebendo a adesão cada vez mais forte das classes populares do Recife e de Pernambuco, sendo hoje uma torcida popular e diversificada.

Entretanto, o Náutico ainda hoje é tido como um dos historicamente mais elitistas clubes brasileiros, ao lado do Fluminense e do Grêmio. O clube carioca, aliás, faz uma pequena homenagem ao Náutico que pode ser observada em sua sala de troféus. A Fanáutico, maior torcida organizada do clube e a primeira de Pernambuco, mantém de certa forma esse vínculo com o passado do clube ao manter laços de amizade com torcidas do Grêmio e do Palmeiras, por exemplo, e rivalizar com torcidas como a do Corinthians e Flamengo.

Mas a influência inglesa no futebol pernambucano não se restringiu a Náutico e Sport. Muitos funcionários da Great Western, da Western Telegraph e da Tramways praticavam o futebol e fundariam clubes que eventualmente se tornariam profissionais, como a Associação Atlética Great Western e o Tramways Sport Club. Este último chegou a ser bi-campeão estadual em 1936 e 1937.

Outro clube fundado por ingleses foi o Pernambuco British Club, cujo campo foi palco da primeira partida entre os ferozes e antagônicos rivais Náutico e Sport, vencida pelos alvirrubros por 4x1, em 1909. Além do Pernambuco British Club, foram fundados pela colônia inglesa o Pernambuco Cricket Club, o Lawn Tennis Club e o British Country Club, este último no bairro dos Aflitos, que pertencia ao Náutico. O clube foi criado com a finalidade de promover jogos atléticos e reuniões sociais e, em seus estatutos, ficou estabelecido que os sócios de nacionalidade diferentes da britânica não teriam direito a votar nas assembléias gerais nem tomar parte alguma nos negócios internos do clube.

Referências

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  2. http://www.rosanevolpatto.trd.br/indiosPernambuco.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. [2]
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  5. http://www.buratto.net/doria/Cavalcanti.pdf
  6. [3]
  7. «Genealogia Pernambucana. Famílias do Sertão de Pernambuco». Consultado em 29 de agosto de 2013 
  8. «Famílias Belemitas: Genealogia das famílias que contribuíram para o desenvolvimento econômico, sociocultural do município de Belém do São Francisco-PE». Consultado em 29 de agosto de 2013 
  9. http://www.araujo.eti.br/default.asp
  10. «Quase em casa: Fúria terá carinho de comunidade espanhola no Recife» 
  11. «Pernambuco tem Dia do Imigrante Italiano e de seus descendentes» 
  12. [4]
  13. [5]
  14. Aventuras na História, mar. de 2006.
  15. [6]
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  17. [8]
  18. http://www.bvgf.fgf.org.br/portugues/critica/artigos_imprensa/freyre_da_casagrande.htm  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  19. http://www.revistanordeste.com.br/nordeste_paraiba.php
  20. ICB - UFMG
  21. «Revista Ciência Hoje» (PDF) 
  22. [9]
  23. [10]
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  26. [13]
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  28. http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=306&textCode=833&date=currentDate  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  29. [14]
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  31. a b http://www.tendarabe.com/conteudo/arabes-encontram-paz-e-prosperidade-em-sao-paulo  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
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  33. http://www.arquivojudaicope.org.br/museu_virtual_autores_detalhe.php?id=6
  34. http://www.genealogiafreire.com.br/judeus_em_pernambuco.htm
  35. Judeus celebram 100 anos no estado, LEAL, Daniel, 31 de agosto de 2008, Folha de Pernambuco)
  36. Jornal do Commercio(http://jc.uol.com.br/2008/05/21/not_169340.php)
  37. Diário de Pernambuco (http://www.diariodePernambuco.com.br/2008/08/17/urbana5_0.asp)
  38. Passeio no Recife visita praças projetadas por Burle Marx
  39. «Descendentes da família Lundgren negam ligação com o nazismo». Consultado em 27 de junho de 2013 
  40. «Igreja de Santa Isabel, Paulista, PE». Consultado em 27 de junho de 2013 
  41. titulo=Burle Marx e suas origens http://revista.brasil-europa.eu/123/Burle_Marx.html titulo=Burle Marx e suas origens Verifique valor |URL= (ajuda). Consultado em 27 de junho de 2013  Em falta ou vazio |título= (ajuda)