Cécile Chaminade

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Cécile Chaminade, c. 1900

Cécile Louise Stéphanie Chaminade (Paris, 8 de agosto de 1857Monte Carlo, 13 de abril de 1944) foi uma compositora e pianista francesa.

De família abastada, estudou primeiramente com a mãe e depois com Félix Le Couppey, Savart, Martin Pierre Joseph Marsick e Benjamin Godard, mas não "oficialmente", pois seu pai desaprovava sua educação musical.[1][2]

Seus primeiros experimentos em composição acontecem na infância, e, por volta dos seus oito anos, tocou algumas de suas peças para Georges Bizet, amigo da família, que ficou muito impressionado com seu talento. Chaminade deu seu primeiro concerto aos dezoito anos e, desde então, seu trabalho como compositora ganhou espaço. Escreveu principalmente peças sérias para piano mas também música de salão, sendo que quase todas as suas composições foram publicadas.[3]

Realizou várias tournées pela França desde a juventude e, em 1892, fez sua estreia na Inglaterra, onde seu trabalho se tornou muito popular.[1] Ela voltaria várias vezes à Inglaterra durante os anos 1890, tocando também ao lado de importantes cantores da época, como Blanche Marchesi e Pol Plançon, mas essa atividade foi reduzida depois de 1899, em razão de críticas desfavoráveis.[2] Isidor Philipp, chefe do departamento de piano do Conservatório de Paris, defendeu o trabalho de Chaminade

Chaminade casou-se, em 1901, com um editor musical de Marseille, Louis-Mathieu Carbonel, bem mais velho do que ela, o que, na época, suscitou rumores sobre um possível casamento de conveniência. Carbonel morreu em 1907, e Chaminade não voltou a se casar.[2]

Em 1908, ela visitou os Estados Unidos, onde foi calorosamente recebida.[3] Suas composições eram extremamente apreciadas pelo público americano, e várias delas eram então encontradas nas bibliotecas dos apreciadores da música para piano. A propósito dela, Ambroise Thomas disse: "Não se trata de uma mulher que compõe mas de um compositor que é uma mulher."[4]

Em Londres (1903), fez gravações, para gramofone, de sete das suas composições, através da Gramophone and Typewriter Company. Essas gravações estão entre as mais procuradas por colecionadores, embora tenham sido relançadas em compact disk.[2] Antes e depois da Primeira Guerra Mundial, Chaminade gravou muitos rolos para pianola.

Ela conseguiu publicar, em vida, a maior parte de suas composições, o que também lhe rendeu sucesso financeiro.[3][1]

Em 1913, tornou-se a primeira musicista a ser incluída na Legião de Honra.[1][2]

Mas à medida que envelhecia, ela foi deixando de compor. Relegada à obscuridade durante as últimas décadas de sua vida, suas canções e peças para piano foram quase todas esquecidas por muito tempo, inclusive sua obra mais popular atualmente, o Concertino para Flauta em ré maior, Op. 107, composto para Concurso de Flauta do Conservatório de Paris, em 1902.[3]

Cécile Chaminade morreu em Monte Carlo, aos 86 anos.

Sua irmã mais nova, Henriette Chaminade, era casada com Moritz Moszkowski, um conhecido pianista e compositor, tal como Cécile.

Crítica[editar | editar código-fonte]

Seu estilo composicional tem sido descrito como melodioso, muito acessível e suavemente cromático, seguindo os padrões típicos da música francesa do romantismo tardio.[3]

Embora muitas das suas composições tenham sido bem recebidas pelos críticos, grande parte do seu trabalho mais sério e de maior fôlego não teve a mesma sorte, o que tem sido atribuído ao preconceito de gênero, ainda muito forte nos meios da música erudita da sua época.[1]

Obra[editar | editar código-fonte]

Peças com número de opus[editar | editar código-fonte]

  • Op. 3, Scherzo-étude
  • Op. 4, Caprice-étude
  • Op. 5, Menuet
  • Op. 6, Berceuse
  • Op. 7, Barcarolle
  • Op. 8, Chaconne (1879)
  • Op. 9, 2 pièces : 1 (sol majeur) Pièce romantique (1880), 2 Gavotte
  • Op. 10, Scherzando
  • Op. 11, Trio avec piano #1 (sol mineur) : 1 allegro ; 2 andante ; 3 presto leggiero ; 4 allegro molto agitato (1881)
  • Op. 12, Pastorale enfantine (1881)
  • Op. 18, Capriccio pour violon et piano (1881)
  • Op. 19, La Sévillane, ouverture
  • Op. 21, Sonate (ut mineur): 1 allegro appassionato ; 2 andante ; 3 allegro (1881)
  • Op. 22, Orientale
  • Op. 23, Menuet (si mineur) (1881)
  • Op. 24, Libellules (1881)
  • Op. 25, Deux morceaux : 1 Duetto ; 2 Zingara ;
  • Op. 28, Étude symphonique (si bémol majeur) (1883)
  • Op. 29, Sérénade (ré majeur) (1884)
  • Op. 30, Air de ballet (sol majeur) (1884)
  • Op. 32, Guitare (1885) - disponível em versão midi, por Terry SMYTHE, no site Early women masters.
  • Op. 33, Valse caprice (1885)
  • Op. 35, 6 études de concert : 1 (ut majeur) Scherzo ; 2 (ré bémol majeur) Automne ; 3 Fileuse ; 4 Appassionato 5 (fa majeur) Impromptu ; 6 (ré majeur) Tarantelle (1886)
  • Op. 34, Trio avec piano #2 (ut mineur) : 1 allegro moderato ; 2 lento ; 3 allegro energico (1887)
  • Op. 36, 2 pièces : 1 ; 2 Pas des cymbales (1887)
  • Op. 37, Airs de Ballet : 1 ; 2 Pas des amphores ; 3 Pas des écharpes ; 4 Callirhöe ; 5 Danse pastorale (1888)
  • Op. 38, Marine (1887)
  • Op. 39, Toccata (1887)
  • Op. 40, Concertstück pour piano et orchestre
  • Op. 41, Air de ballet. Pierrette (mi bémol majeur) (1889)
  • Op. 42, Les Willis, caprice (1889)
  • Op. 43, Gigue (ré majeur) (1889)
  • Op. 50, La lisonjera (sol bémol majeur) (1890)
  • Op. 51, La livry, air de ballet (1890?)
  • Op. 52, Capriccio appassionato (1890)
  • Op. 53, Arlequine (fa majeur) (1890)
  • Op. 54, Caprice espagnol. Lolita (ré bémol majeur) (1890)
  • Op. 55, 6 pièces romantiques: 6 rigaudon (1890)
  • Op. 56, Scaramouche (1890)
  • Op. 57, Havanaise (1891)
  • Op. 58, Mazurk suédoise (1891)
  • Op. 60, Les sylvains (1892)
  • Op. 61, Arabesque (1892)
  • Op. 66, Studio (1892)
  • Op. 67, Caprice espagnol. La morena (1892)
  • Op. 73, Valse carnavalesque (1894)
  • Op. 74, Pièce dans le style ancien (1893)
  • Op. 75, Danse ancienne (1893)
  • Op. 76, 6 romances sans paroles : 1 souvenance ; 2 (mi majeur) élévation ; 3 idylle ; 4 églogue ; 5 chanson bretonne ; 6 méditation (1894)
  • Op. 77, Deuxième valse(1895)
  • Op. 78, Prélude (1895)
  • Op. 80, Troisième valse brillante (1898)
  • Op. 81, Terpsichore, sixième air de ballet (1896)
  • Op. 82, Chanson napolitaine (1896)
  • Op. 83, Ritournelle (1896)
  • Op. 84, Trois préludes mélodiques (1896)
  • Op. 85, Vert-Galant (1896)
  • Op. 86, Romances sans paroles: 1 souvenance ; 2 élévation ;
  • Op. 87, 6 pièces humoristiques: 2 sous bois ; 3 inquiétude ; 4 autrefois ; 5 consolation ; 6 norvégienne (1897)
  • Op. 88, Rimembranza (1898)
  • Op. 89, thème varié (la majeur) (1898)
  • Op. 90, Légende (1898)
  • Op. 91, Valse #4 (ré dièse mineur) (1898)
  • Op. 92, Deuxième arabesque (1898)
  • Op. 93, Valse humoristique (1906)
  • Op. 94, Havanaise #2 danse créole (1898)
  • Op. 95, Trois danses anciennes : 1 passepied ; 2 pavane ; 3 courante (1899)
  • Op. 97, Rondeaux pour violon et piano (1899)
  • Op. 98, 6 feuillets d’album: 1 promenade ; 2 scherzetto ; 3 (ré bémol majeur) élégie ; 4 valse arabesque ; 5 chanson russe ; 6 rondo allègre (1900)
  • Op. 101, L’ondine (1900) - disponible en version midi par Terry SMYTHE sur Early women masters.
  • Op. 103, Moment musical (1900)
  • Op. 104, Tristesse (ut dièse mineur) (1901)
  • Op. 105, Divertissement (1901)
  • Op. 106, Expansion (1901)
  • Op. 107, Concertino pour flûte et orchestre en ré majeur (1902)
  • Op. 108, Agitato (1902)
  • Op. 109, Cinquième valse (1903)
  • Op. 110, Novelette (1902)
  • Op. 111, Souvenir lointains (1911)
  • Op. 112, Sixième valse, valse-ballet (1904)
  • Op. 113, Caprice humoristique (1904)
  • Op. 114, pastorale (1904)
  • Op. 115, Valse #7 valse romantique (1905)
  • Op. 116, Sous le masque (1905)
  • Op. 118, Étude mélodique (sol bémol majeur) (1906)
  • Op. 119, Valse tendre (fa majeur) (1906)
  • Op. 120, Variations sur un thème original(1906)
  • Op. 122, 3 contes bleus : 2 (1906)
  • Op. 123, Album d’enfants : 2 intermezzo. pas de sylphes ; 4 rondeau ; 5 gavotte ; 9 orientale ; 10) tarantelle (1906)
  • Op. 124, Étude pathétique (si mineur) (1906)
  • Op. 126, Album d’enfants : 1 idylle ; 2 aubade ; 3 rigaudon ; 4 Églogue ; 5 ballade ; 6 scherzo-valse ; 7 élégie ; 8 novelette ; 9 patrouille ; 10 villanelle ; 11 conte de fées ; 12 valse mignonne (1907)
  • Op. 127, 4 Poèmes provençaux : 1 dans la lande ; 2 solitude ; 3 le passé ; 4 pêcheurs de nuit (1908)
  • Op. 130, Passacaille (mi majeur) (1909)
  • Op. 131, Marche américaine (1921), disponível em versão midi, por Terry Smythe, no site Early women masters.
  • Op. 134, Le retour (1909)
  • Op. 137, Romance (ré majeur) (1910)
  • Op. 139, Étude scolastique (1910)
  • Op. 142, Sérénade aux étoiles (1911)
  • Op. 143, Cortège (1911)
  • Op. 148, Scherzo-valse (1913)
  • Op. 155, Au pays dévasté (1919)
  • Op. 158, Danse païenne (1919)
  • Op. 160, Les Sirènes (1920)
  • Op. 164, Air à danser (1923)
  • Op. 150, Sérénade espagnole (1925)
  • Op. 165, Nocturne (1925)
  • Op. 167, Messe pour deux voix égales

Peças sem número de opus[editar | editar código-fonte]

  • Les Rêves (1876)
  • Te souviens-tu ? (1878)
  • Auprès de ma mie (1888)
  • Voisinage (1888)
  • Nice-la-belle (1889)
  • Rosemonde (1890)
  • L’Anneau d’argent (1891), sobre poema de Rosemonde Gérard
  • Plaintes d’amour (1891)
  • Viens, mon bien-aimé! (1892)
  • L’Amour captif (1893), sobre poema de Thérèse Maquet
  • Ma première lettre (1893)
  • Malgré nous! (1893)
  • Si j’étais jardinier (1893)
  • L’Été (1894)
  • Mignonne (1894), sobre poema de Ronsard
  • Sombrero (1894)
  • Villanelle (1894)
  • Espoir (1895)
  • Ronde d’amour (1895)
  • Chanson triste (1898)
  • Mots d’amour (1898)
  • Alleluia (1901)
  • Au firmament (1901)
  • Écrin ! (1902)
  • Bonne humeur! (1903)
  • Menuet (1904)
  • La Lune paresseuse (1905)
  • Je voudrais (1912)
  • Attente. au pays de Provence (1914)

Referências

  1. a b c d e «Cécile Chaminade». Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica 
  2. a b c d e Summers, Jonathan. «CECILE CHAMINADE». NAXOS. NAXos 
  3. a b c d e Ambache, Diana. «Cecile Chaminade». Women of Note 
  4. The Etude.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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