Chacina de Acari

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A Chacina de Acari ocorreu em 26 de julho de 1990, quando 11 jovens, sendo 7 menores, da favela do Acari no Rio de Janeiro, foram retirados de um sítio em Suruí, bairro de Magé, onde passavam o dia, por um grupo que se identificava como sendo policiais.[1]

Os sequestradores queriam joias e dinheiro, e após supostamente negociarem a libertação por meio de pagamento, durante cerca de uma hora, segundo a única testemunha do caso, Dona Laudicena, já falecida, os sequestradores levaram as 11 vítimas a um local abandonado. Nem seus corpos, até hoje, foram encontrados.[1]

As mães dos desaparecidos começaram uma busca pelos filhos e por justiça, e ficaram conhecidas como Mães de Acari. Em 1993, Edméa da Silva Euzébio, uma das mães, foi assassinada quando buscava informações sobre o paradeiro do filho, Luiz Henrique da Silva Euzébio.[1] O inquérito policial, sob o número 07/98, na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, foi encerrado por falta de provas em 2010, e ninguém foi indiciado.[1]

Na luta por justiça, as mães sofreram perseguições, calúnias e ameaças. Uma das mães, Edméa da Silva, foi assassinada em 20 de julho de 1993, supostamente por vingança. Marilene Lima de Souza, de 58 anos, mãe de Rosana de Souza Santos, desaparecida aos 18 anos, solicita hoje à Anistia Internacional que pressione o MP para desarquivar o inquérito sobre a morte de Edméa da Silva Euzébio, mãe de uma das vítimas, assassinada em 1993, na Praça Onze, em circunstâncias misteriosas. Nele, além de afirmar quem matou Edméa e o motivo, a testemunha desvendaria o mistério em torno do desaparecimento dos 11 jovens de Acari, cujo crime prescreveu em 25 de julho de 2010. Segundo o coronel Valmir Alves Brum, da reserva da Polícia Militar, o conteúdo do depoimento tem riqueza de detalhes que poderiam elucidar o caso de Acari.

A revelação de que uma testemunha depôs no Ministério Público Estadual, contando detalhes de quem participou e como foi a Chacina de Acari, há 20 anos, deu mais um estímulo às mães dos 11 desaparecidos. O inquérito está na Delegacia de Acervo Cartorário da 6ª DP (Cidade Nova), e contém o relato da testemunha.

A exibição do filme "Luto como mãe", em 24 de julho de 2010, na quadra da Escola de Samba Favo de Acari, marcou os 20 anos da chacina e trouxe de São Paulo as Mães de Maio, cujos filhos sumiram em circunstâncias semelhantes. O promotor Rogério Scatamburlo, coordenador do Centro Integrado de Apurações Criminais (Ciac), disse que vai checar a existência do inquérito na Deac da 6ª DP e o depoimento da testemunha sobre o caso de Acari.[2]

Sequestrados[editar | editar código-fonte]

Os onze sequestrados (e suas idades, à época):

  • Viviane Rocha, 13 anos
  • Cristiane Souza Leite, 16 anos
  • Wudson de Souza, 16 anos
  • Wallace do Nascimento, 17 anos
  • Antônio Carlos da Silva, 17 anos
  • Luiz Henrique Euzébio, 17 anos
  • Edson de Souza, 17 anos
  • Rosana Lima de Souza, 18 anos
  • Moisés dos Santos Cruz, 31 anos
  • Luiz Carlos Vasconcelos de Deus (vulgo Lula), 37 anos
  • Edio do Nascimento, 41 anos

Referências

  1. a b c d Gandra, Alana. "Chacina de Acari completa 25 anos em meio à discussão sobre impunidade". Empresa Brasil de Comunicação. 26 de julho de 2015. Página visitada em 4 de agosto de 2015.
  2. «Mães de Acari pedirão ajuda internacional». Jornal O Globo. 25 de julho de 2010. Consultado em 9 de maio de 2011 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]