Digitonthophagus gazella

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaDigitonthophagus gazella
CSIRO ScienceImage 11207 Dung beetle Onthophagus gazella side view.jpg

Classificação científica
Reino: Animal
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Coleoptera
Família: Scarabaeidae
Género: Ontofago
Espécie: D. gazella

O Digitonthophagus gazella (=Onthophagus gazella) que pertence à família Scarabaeidae, é um besouro coprófago conhecido usualmente como rola bosta. Esse inseto foi introduzido no Brasil pela Embrapa em 1989 como controle biológico da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans). Este besouro é inimigo natural da mosca-dos-chifres, pois enterra e desestrutura as fezes bovinas, destruindo o habitat de suas larvas. O rola bosta cumpre um papel muito importante nas fazendas, além de enterrar as fezes, amplia a área de forragem disponível para o gado, diminuindo assim gradativamente a proliferação da mosca do chifre e descompactando o solo. Equiparado com às espécies encontradas no Brasil, o besouro africano é muito mais eficiente, consumindo mais fezes bovinas, além de multiplicar-se rapidamente.O desempenho desse besouro coprófagos é o meio mais prático, natural e econômico da retirada de fezes em pastagens, assim como o manejo correto de parasitos e controle na multiplicação da mosca-dos-chifres.[1] [2]

Classificação[editar | editar código-fonte]

O besouro Digitonthophagus gazella, vulgarmente conhecido como rola-bosta, pertence à família Scarabaeidae, a quinta maior em número de espécies dentro do grupo dos besouros, com mais ou menos 35 mil indivíduos descritos. O inseto faz parte da ordem Coleóptera, cuja principal característica é a apresentação de metamorfose completa, com quatro fases bem distintas: ovo, larva, pupa e adulto.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Inseto de hábitos noturnos, o besouro africano é coprófago, alimenta-se de fezes. É robusto e tem asas bastante duras. Sua cor varia entre marrom escuro e bege. Pode chegar a 11 milímetros de comprimento. Possui três pares de pernas, sendo que as anteriores são escavadoras.Os machos possuem na cabeça um par de chifres bem desenvolvidos. Reproduzem-se melhor no período chuvoso, quente e úmido, que vai de outubro a maio. Durante a seca, diminuem a população. Voam bem, contudo não a grandes distâncias. Os picos de voo acontecem entre 8 e 11 horas da noite e de 6 a 7 horas da manhã. Têm como principais predadores sapos e aves.[1]

História[editar | editar código-fonte]

O besouro rola-bosta africano, Digitonthophagus gazella (Fabricius, 1787) (Coleoptera: Scarabaeidae), começou a ser utilizado aqui no Brasil a partir de 1989, quando o Centro Nacional de Pesquisas de Gado de Corte da Embrapa importou o besouro do Texas, nos Estados Unidos, como uma estratégia para o controle biológico da mosca-dos-chifres.Este besouro é inimigo natural da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans), pois enterra e desestrutura as fezes bovinas, destruindo o habitat de suas larvas.[3] Numa fazenda sustentável, o besouro rola bosta africano cumpre um papel interessante. Enterra o esterco, amplia a área de forragem disponível para o gado, diminui a proliferação da mosca do chifre e descompacta o solo. As fezes são o principal meio proliferador das larvas das moscas que ao chuparem o sangue do boi provoca um grande estresse, fazendo-o perder peso e podendo levá-lo à morte.Uma grande quantidade dessas moscas podem comprometer a produção de leite, carne e couro, fazendo esse animal perde até 40 quilos. A ação do besouro ajuda a controlar essa praga, mesmo não sendo uma solução definitiva para resolver completamente o problema. Ao se alimentar das fezes do boi, destrói o local onde cada fêmea da mosca-dos-chifres pode depositar até 400 ovos.Esse besouro é conhecido popularmente entre os pecuaristas por rola-bosta. Ele ganhou este apelido porque enterra no solo pequenas bolas de fezes a 30 centímetros de profundidade, depositando nelas seus ovos, que irão se desenvolver até a fase adulta. Essa característica também ajudou ao besouro torna-se uma ferramenta importante para os pecuaristas, pois ele contribui para aeração do solo, ao cavar os buracos para enterrar as fezes. Dessa forma o solo fica fertilizado incorporado com matéria orgânica e reciclagem de nitrogênio e fósforo, e assim diminui infestação das pastagens por larvas de helmintos gastrintestinais.[1] Na epidemiologia de ecto e endoparasitos bovinos, os coleópteros coprófagos são importantes aliados em programas de controle e/ou manejo integrado dos organismos de interesse médico veterinário associados às fezes bovinas, em especial a mosca-dos chifres.Comparado às espécies encontradas no Brasil, o besouro africano é muito mais eficiente. Consome mais excrementos bovinos, além de se multiplicar rapidamente. São de 8 a 10 gerações por ano, sendo que uma fêmea pode colocar de 60 a 90 ovos por mês. Já os besouros brasileiros têm, em geral, um ciclo por ano, além de desaparecer no período de seca.Daí a importância desse besouro na remoção e/ou na degradação das fezes bovinas, na diminuição da área afetada pelas massas fecais (MF). Esses coprófagos exercem um controle parcial dos parasitos bovinos e demais insetos ali presentes, aceleram o processo de ciclagem das MF com melhor aproveitamento de nutrientes, auxiliando na infiltração e retenção da água da chuva, assim como a melhora das características físico-químicas do solo. A atuação desse besouros coprófagos estabelece o meio mais prático, natural e econômico de remoção de massas fecais em pastagens, controle ambientalmente correto dos parasitos bovinos a elas associados, assim como controle na propagação da mosca-dos-chifres.[2]

Referências

  1. a b c d Bianchin, Ivo (2004). «O melhor amigo do boi». Globo Rural. Consultado em 11 de janeiro de 2018 
  2. a b Koller, Wilson Werner; Gomes, Alberto; Rodrigues, Sérgio Roberto (2006). «Perspectivas de Degradação de Fezes Bovinas pelo Besouro Coprófago Africano, Digitonthophagus gazella, e Espécies Sul-Americanas (Coleoptera; Scarabaeidae e Aphodiidae)» (PDF). Embrapa Gado de Corte. Consultado em 11 de janeiro de 2018 
  3. Domingues, L. N.; Mendes, J. (2009). «Susceptibilidade do besouro rola-bosta africano a reguladores de crescimento de insetos». Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. 61 (5): 1077–1084. ISSN 0102-0935. doi:10.1590/S0102-09352009000500010 


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