Rola-bosta-africano

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaRola-bosta-africano
CSIRO ScienceImage 11207 Dung beetle Onthophagus gazella side view.jpg
Classificação científica
Reino: Animal
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Coleoptera
Família: Scarabaeidae
Género: Digitonthophagus
Espécie: D. gazella

O rola-bosta-africano (nome científico: Digitonthophagus gazella é um besouro coprófago que pertence à família Scarabaeidae. Esta espécie tem grande importância econômica, pois foi introduzida em todo o mundo para controle biológico de mosca-dos-chifres e melhoria de pastagens.[1]

É nativo da África, Arábia, Índia e Sri Lanka[2] e foi introduzido no Brasil pela Embrapa em 1989,[3][4][5] onde é reconhecido como espécie invasora e as pesquisas iniciais indicam alterações nas comunidades de espécies nativas de besouros coprófagos.[6][7]

Classificação[editar | editar código-fonte]

O besouro Digitonthophagus gazella, vulgarmente conhecido no Brasil como rola-bosta-africano, pertence à família Scarabaeidae,[1] a quinta maior em número de espécies dentre os besouros, com mais ou menos 35 mil espécies descritas, fazendo parte da ordem Coleoptera, cuja principal característica é o primeiro par de asas modificado, denominado élitros.[8]

Estudos taxonômicos tem levado a discussão sobre o modo correto de identificação dessa espécie nos países em que foi introduzida, pois sabe-se que tem origem na África e foi introduzida primeiro no Havaí e, posteriormente, na Australásia, América do Norte e América do Sul.[9][10][11] Uma solicitação foi submetida à Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica para conservar o nome Scarabaeus gazella Fabricius para as espécies amplamente introduzidas e uma decisão positiva é esperada, em breve, com amplo apoio da comunidade científica.[12]

Características[editar | editar código-fonte]

Apresenta metamorfose completa, com quatro fases bem distintas: ovo, larva, pupa e adulto. O besouro africano é coprófago, ou seja, adultos e larvas se alimentam de fezes. Sua cor varia entre marrom escuro e bege e tem asas externas bastante duras, chamadas de élitros. O tamanho do corpo varia entre 7-13 mm de comprimento. Possui três pares de pernas, sendo que as anteriores são escavadoras. Os machos possuem na cabeça um par de chifres bem desenvolvidos. Reproduzem-se melhor no período chuvoso, quente e úmido. São insetos de hábito crepuscular/noturno e os picos de voo acontecem entre 20 e 23 horas e têm como principais predadores sapos e aves.[13][5][14][15]

Histórico no Brasil[editar | editar código-fonte]

O rola-bosta-africano foi introduzido no Brasil a partir de 1989, quando o Centro Nacional de Pesquisas de Gado de Corte da Embrapa importou o besouro do Texas, nos Estados Unidos, como uma estratégia para o controle biológico da mosca-dos-chifres e descompactação do solo. As fezes de gado são o principal meio proliferador das larvas da mosca-dos-chifres. As picadas dolorosas e incessantes durante todo o dia sobre os bovinos, conduz o animal a um estado crítico de estresse. Dessa forma, uma grande quantidade dessas moscas pode comprometer a produção de leite, carne e couro, pois faz o animal perder peso e pode até levá-lo à morte.[16][17]

Comparado com às demais espécies de rola-bostas encontradas no Brasil, o rola-bosta-africano é bem eficiente, pois está adaptado à áreas abertas, consome mais fezes bovinas em um intervalo menor de tempo, multiplica-se rapidamente e apresenta um ciclo de vida curto[18][19][20]. Ele desestrutura e enterra as fezes bovinas, destruindo o habitat das larvas da mosca e amplia a área de forragem disponível para o gado, diminuindo assim gradativamente a proliferação da mosca do chifre e descompactando o solo. O desempenho desse besouro coprófago é o meio mais prático, natural e econômico da retirada de fezes em pastagens, assim como o manejo correto de parasitos e controle na multiplicação da mosca-dos-chifres.[18][19]

Espécie invasora[editar | editar código-fonte]

D. gazella está incluída na lista oficial de espécies exóticas invasoras do Brasil[21][22] e o efeito dessa invasão sobre as espécies nativas de Scarabaeidae ainda é pouco pesquisado, apesar de haver indícios de redução populacional das espécies nativas e também de resistência dessas espécies à sua presença.[6][7]

São necessárias pesquisas que abordem a integração das atividades econômicas de ocupação da terra, e/ou que utilizarem espécies exóticas, com a conservação da biodiversidade, porque a a invasão de espécies exóticas, junto com a destruição de habitat, a poluição e a superexploração são os principais processos que alteram a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas e ameaçam a biodiversidade.[23][24][25]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Génier, F; Moretto, P (2017). «Digitonthophagus Balthasar, 1959: taxonomy, systematics, and morphological phylogeny of the genus revealing an African species complex (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae).». Zootaxa. doi:10.11646/zootaxa.4248.1.1 
  2. Barbero, E.; López-Guerrero, Y. (1992). «Some considerations on the dispersal power ofDigitonthophagus gazella(Fabricius 1787) in the New World (Coleoptera Scarabaeidae Scarabaeinae)». Tropical Zoology. 5 (1): 115–120. ISSN 0394-6975. doi:10.1080/03946975.1992.10539184 
  3. Honer, M; Bianchin, I; Gomes, A (1988). «Desenvolvimento de um programa integrado de controle dos nematódeos e a mosca dos chifres na região dos Cerrados. Fase 2: Observações sobre a dinâmica populacional dos besouros coprófagos autóctones.». EMBRAPA - CNPGC 
  4. Bianchin, I; Honer, M; Gomes, A (1992). «Controle integrado da mosca-dos-chifres na região Centro-Oeste.». A Hora Veterinária 
  5. a b Nascimento, Y; Bianchin, I; Honer, M (1990). «Instruções para a criação do besouro africano Onthophagus gazella em laboratório». EMBRAPA-CNPGC Comuncado técnico 
  6. a b Matavelli, R (2008). «Invasão de áreas de savana intra-amazônicas por Digitonthophagus gazella (Fabricius, 1787) (Insecta: Coleoptera: Scarabaeidae).». Acta Amazonica. ISSN 0044-5967. doi:10.1590/S0044-59672008000100017 
  7. a b Angotti, M (2014). «Invasão e estabelecimento de Digitonthophagus gazella (Fabricius) (Coleoptera: Scarabaeidae) em fragmento de transição Cerrado-Mata Atlântica». Dissertação de Mestrado 
  8. Cranston, P; Gullan, P (2012). Os insetos - Um resumo de Entomologia. [S.l.]: ROCA 
  9. Fincher, G (1986). «Importation, colonization, and release of dung-burying scarabs». Miscellaneous Publications of the Entomological Society of America, 
  10. Edwards, P (2007). Introduced dung beetles in Australia 1967–2007 current status and future directions. Sydney: Landcare Australia 
  11. Noriega, J; Horgan, F; Larsen, T; Valencia, G (2010). «Records of an invasive dung beetle species, Digitonthophagus gazella (Fabricius, 1787) (Coleoptera: Scarabaeidae), in Peru». Acta Zoológica Mexicana 
  12. Génier, F; Davis, A (2017). «Digitonthophagus gazella auctorum: an unfortunate case of mistaken identity for a widely introduced species (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae: Onthophagini)». Zootaxa 
  13. Koller, W; Gomes, A; Rodrigues, S; Alves, R (1999). «Coprophagous beetles (Coleoptera: Scarabaeidae) collected in Campo Grande, MS, Brazil.». Anais da Sociedade Entomológica do Brasil 
  14. Halffter, G; Edmonds, W (1982). The nesting behavior of dung beetles (Scarabaeinae). México: Instituto de Ecología. 176 páginas 
  15. Génier, F (2017). «Digitonthophagus Balthasar, 1959: taxonomy, systematics, and morphological phylogeny of the genus revealing an African species complex (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae)». Zootaxa. doi:10.11646/zootaxa.4248.1.1 
  16. Brito, L; Borja, G; Oliveira, M; Netto, F (2005). «Mosca-dos-chifres: aspectos bio-ecológicos, importância econômica, interações parasito-hospedeiro e controle.». EMBRAPA - Comunicado Técnico 
  17. Bianchin, I; Koller, W; Alves, R; Detmann, E (2004). «Efeito da mosca-dos-chifres, Haematobia irritans (L.) (Diptera: Muscidae), no ganho de peso de bovinos Nelore». Ciência Rural 
  18. a b Honer, M; Bianchi, I; Gomes, A (1992). Manual de controle biológico - Com besouro africano, controle rápido e eficiente. Rio de Janiero: Sociedade Nacional de Agricultura 
  19. a b Koller, Wilson Werner; Gomes, Alberto; Rodrigues, Sérgio Roberto (2006). «Perspectivas de Degradação de Fezes Bovinas pelo Besouro Coprófago Africano, Digitonthophagus gazella, e Espécies Sul-Americanas (Coleoptera; Scarabaeidae e Aphodiidae)» (PDF). Embrapa Gado de Corte. Consultado em 11 de janeiro de 2018. 
  20. Koller, W (2007). «Scarabaeidae e Aphodiidae coprófagos em pastagens cultivadas em área do cerrado sul-mato-grossense.». Revista Brasileira de Zoociências 
  21. Leão, T; Almeida, W; Dechoum, M; Ziller, S (2011). «Espécies exóticas invasoras no Nordeste do Brasil: Contextualização, Manejo e Políticas Públicas». Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) 
  22. «Base de Dados sobre Espécies Exóticas Invasoras em I3N–Brasil». Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental / The Nature Conservancy. Consultado em 25 de junho de 2018. 
  23. Farigh, L (2003). «Effects of habitat fragmentation on biodiversity». Annual Review of Ecology, Evolution, and Systematics 
  24. Levine, J; Vilà, M; Antonio, C; Dukes, J; Grigulis, K; Lavorel, S (2003). «Mechanisms underlying the impacts of exotic plant invasions». Proceedings of the Royal Society of London Series B-Biological Sciences 
  25. MacDougall, A; Turkington, R (2005). «Are invasive species the drivers or passengers of change in degraded ecosystems?». Ecology 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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