Do Começo ao Fim

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Do Começo ao Fim
 Brasil Argentina
2009 •  cor •  90 min 
Direção Aluizio Abranches
Codireção Roberto Rais
Produção Fernando Libonati
Aluizio Abranches
Marco Nanini
Produção executiva Olívia Guimarães
Roteiro Aluizio Abranches
Elenco Rafael Cardoso
João Gabriel Vasconcellos
Júlia Lemmertz
Fábio Assunção
Jean Pierre Noher
Gênero Drama
Romance
Música André Abujamra
Direção de arte Bruno Schmidt
Lulu Continentino
Direção de fotografia Ueli Steiger
Companhia(s) produtora(s) Pequena Central
Distribuição Downtown Filmes
Riofilme
Lançamento 27 de novembro de 2009
Idioma Português
Orçamento R$ 2.061.696,64[1]
Receita R$ 775.401,23[2]
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Do Começo ao Fim é um filme brasileiro, dos gêneros drama e romance, lançado em 2009. Foi dirigido por Aluizio Abranches, escrito e co-produzido por Abranches em conjunto com Fernando Libonati e Marco Nanini, e estrelado por João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso, com a participação de Fábio Assunção, Júlia Lemmertz e Jean Pierre Noher. O enredo gira em torno de dois meio-irmãos que desenvolvem uma relação muito estreita enquanto crescem em uma família idílica e feliz, aflorando o relacionamento quando tornam-se adultos.

Abranches concebeu e idealizou o filme como uma história de amor e optou por tratar o incesto e a homossexualidade de uma forma diferente.

Estreou nos cinemas brasileiros no dia 27 de novembro de 2009.[3][4][5] O lançamento do filme nos cinemas no Brasil, com apenas 9 cópias, atingiu 100 mil espectadores, levando o longa à lista dos 10 filmes brasileiros mais vistos de 2009. Foi exibido em mais de 30 festivais nacionais e internacionais, e comercialmente, estreou nos cinemas também em mais de 30 países, sempre com grande repercussão. Em 2010 foi lançado em DVD com muito êxito. Na França, após uma estreia bem sucedida nos cinemas, a primeira tiragem do DVD esgotou em duas semanas. Até hoje, seu DVD e Blu ray figuram entre os mais vendidos em vários sites internacionais de venda, como na amazon.com.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.
  • 1986 - Tomaz nasce com os olhos fechados e assim permanece durante várias semanas. Julieta, sua mãe, não se preocupa e diz que quando o filho estiver pronto, que quando ele quiser, ele abrirá os olhos. Foi assim, nos primeiros dias de vida que Tomaz aprendeu o que era livre arbítrio. Um dia, sem mais nem menos, Tomaz abre os olhos e olha direto para Francisco, seu irmão de 5 anos.
  • 1992 - Julieta é uma mulher e uma mãe amorosa. É médica de um hospital e trabalha no setor de emergência. É casada pela segunda vez com Alexandre, pai de Tomaz. Pedro, seu primeiro marido e pai de Francisco, mora na Argentina. Julieta e ele continuam bons amigos. Durante a infância, os irmãos são muito próximos, talvez próximos demais, segundo Pedro, que passa uma temporada com eles em Buenos Aires.
  • 2008 - Anos mais tarde, quando Francisco tem 27 anos e Tomaz 22, Julieta morre. Os irmãos se tornam amantes e vivem uma extraordinária história de amor.[6]
Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O conceito do filme é remoto, uma vez que o diretor Aluízio Abranches já o tinha em sua cabeça há muito tempo. Era de seu interesse abordar dois temas polêmicos – incesto e homossexualidade – por um outro viés, um pouco mais natural, fazendo do amor, acima de tudo, o protagonista da história. O cineasta sempre desejou falar da família e do amor sendo este a questão mais recorrente em seus filmes. No momento em que realizava seu primeiro longa-metragem, Um Copo de Cólera (1999), baseado na novela homônima de Raduan Nassar, este lhe propôs uma troca por Lavoura Arcaica, que trata do incesto. No entanto, pelo fato de que Abranches estava atraído pelo longa, ele recusou a proposta pela forma como o livro tratava o assunto, apesar de ter considerado a obra linda.[7]

Após inúmeras recusas no momento de captar recursos orçamentários com empresas, o cineasta angariou 1,8 milhão de reais, advindos de apenas dois patrocínios que optaram por ficar no anonimato. As outras declaravam que a obra não tinha a ver com a política de patrocínios, o que fez com que Abranches notasse um certo preconceito, como, por exemplo, numa altura em que vários empresários sugeriram que ele mudasse a história de dois irmãos para primos ou irmãs. Contudo, como não era isso que ele almejava fazer, preferiu arriscar de outras maneiras, "investir dinheiro do meu bolso, mas filmar como imaginava".[7]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

O vídeo promocional do filme foi colocado no YouTube e atingiu mais de 1 milhão de visualizações, gerando comentários variados, desde a indignação até o entusiasmo.

O filme atraiu mais de 10 mil espectadores em seu fim de semana de estreia. Em cartaz em apenas nove salas, o filme mostrou fôlego ao estrear em sexto lugar.[8]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
CineClick 2 de 5 estrelas.[9]
CinePop 5 de 5 estrelas.[10]
CinePop 3.5 de 5 estrelas.[11]
Cinema com Rapadura 1 de 10 estrelas.[12]
Omelete 2 de 5 estrelas.[13]
Cine Players 3 de 10 estrelas.[14]
O Globo 4.5 de 5 estrelas.[15][16]

O filme recebeu, mesmo antes de seu lançamento, algumas críticas, tanto de críticos quanto do público.

O site CinePop, por sua vez, lançou duas críticas ao fime, ambas positivas. A primeira, feita por Rodrigo Soares, ressalva que o filme traz uma verossimilhança, e "busca inserir no espectador a esperança de que o mundo real pode ser complicado, mas ainda há como tudo dar certo". Soares defende o filme argumentando que é injusto falar que ele é distante da realidade de dos temas tão "espinhosos". Ele diz que em Do Começo Ao Fim, o "tratamento é dado quase como em tom de conselho: "as adversidades existem, mas há como dar certo". Rodrigo diz que questões como "Como pode uma família aceitar tão bem o relacionamento dos dois?" e "Como podem os dois irmãos não se questionarem quanto ao que sentem um pelo outro?" são respondidas nitidamente na infância, quando em vários momentos vemos a angústia e dor dos pais ao perceber a proximidade dos filhos, além disso, Rodrigo Soares diz que o maior conflito está entre a projeção e o espectador, que por sua vez, pode estranhar um relacionamento afetivo entre dois irmãos, que é posto como um "tabu" vivido "naturalmente", o grande trunfo da película[10].

Leonardo Campos, escreveu, no mesmo site, que "filmes onde homens se beijam e dançam nus ainda causam risinhos e cutucadas de constrangimento no cinema, vide que as pessoas ainda não estão preparadas para tal", defendendo que não há nenhum tipo de problema na narrativa do filme, mas, critica a parte em que os dois se despem, além disso, ele diz que o filme poderia ser muito mais interessante, se tivesse uma abordagem mais realista do que romântica[11].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Deliberação nº 222 de 24 de novembro de 2010». Ancine. Consultado em 14 de julho de 2013 
  2. «Filmes Brasileiros Lançados - 1995 a 2012» (PDF). Ancine. p. 12. Consultado em 11 de julho de 2013 
  3. «DO COMEÇO AO FIM - Filme - Cineclick». Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  4. Samora, Guilherme (7 de maio de 2009). «Fábio Assunção estrela filme sobre incesto e homossexualidade». Consultado em 21 de maio de 2009 
  5. «Do começo ao fim, um filme feito para impactar». JC Online. 10 de maio de 2009. Consultado em 21 de maio de 2009 
  6. «Site oficial do filme» 
  7. a b «Amor e polêmicas permeiam a produção nacional "Do Começo ao Fim"». Cinema com Rapadura. 10 de dezembro de 2009 
  8. «'Lua nova' ultrapassa 3 milhões de espectadores e já é o sétimo filme mais visto do ano no Brasil». 1 de dezembro de 2009. Consultado em 2 de dezembro de 2009 
  9. «Crítica: DO COMEÇO AO FIM por Heitor Augusto - Cineclick». Heitor Augusto, para o Cineclick. 13 de Novembro de 2009. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  10. a b «CRÍTICA: Do Começo ao Fim: CinePop». Rodrigo Soares, para o site CinePop. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  11. a b «CRÍTICA: Do Começo ao Fim: CinePop». Leonardo Campos, para o site CinePop. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  12. «Do Começo Ao Fim: Cinema Com Rapadura». Túlio Moreira. 19 de Dezembro de 2009. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  13. «Omelete - Crítica: Do Começo ao Fim». Marcelo Hessel, para o site Omelete, do IG. 26 de Novembro de 2009. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  14. «Cine Players - Críticas - Do Começo ao Fim (2009)». Emilio Franco Jr. 11 de Novembro de 2009. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  15. «'Do começo ao fim', de Aluizio Abranches, causa polêmica antes mesmo da estreia - O Globo». Mauro Ventura, para o jornal 'O Globo'. 13 de Maio de 2009. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 
  16. «Amor, estranho amor - O Globo» (PDF). Mauro Ventura, para o jornal 'O Globo'. 13 de Maio de 2009. Consultado em 19 de Fevereiro de 2010 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]