Furacão Noel

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Furacão Noel
Categoria 1 (EFSS)
O furacão Noel perto de seu pico de intensidade
Formação 28 de outubro de 2007
Dissipação 2 de novembro de 2007
data do começo da transição para um ciclone extratropical. O sistema dissipou-se totalmente em 6 de novembro
Vento mais forte (1 min) 70 nós (130 km/h, 81 mph)
Pressão mais baixa 980 hPa (mbar) ou 735 mmHg
Danos $580 milhões de dólares
Fatalidades 163 diretas, 5 indiretas
Áreas afetadas Pequenas Antilhas, Porto Rico, Jamaica, Haiti, República Dominicana, Cuba, Turks e Caicos, Bahamas, Estados Unidos (sul da Flórida, leste da Carolina do Norte e região da Nova Inglaterra) e Canadá (Nova Escócia, Nova Brunswick, leste de Quebec e Terra Nova e Labrador)
Parte da
Temporada de furacões no Atlântico de 2007

O furacão Noel foi o décimo sexto ciclone tropical e o quinto furacão da temporada de furacões no Atlântico de 2007. Noel desenvolveu-se em 27 de outubro de uma interação entre uma onda tropical e uma área de baixa pressão de altos níveis na porção centro-norte do Mar do Caribe. Noel fortaleceu-se pouco antes de atingir o Haiti, com ventos de 95 km/h. Noel também atingiu Cuba no seu caminho. O sistema tomou rumo para norte e em 1º de novembro tornou-se um furacão. O furacão acelerou para nordeste depois de passar sobre Bahamas. Em 2 de novembro, Noel começou a se tornar um ciclone extratropical. O Centro Canadense de Furacões classificou o sistema no mesmo dia como pós-tempestade tropical Noel até 22:00 UTC de 4 de novembro, momento em que Noel tornou-se totalmente um ciclone extratropical.

A tempestade causou 163 mortes ao longo de seu caminho, principalmente em Hispaniola, devido às enchentes e deslizamentos de terra. Atualmente, Noel é a tempestade mais mortífera desta temporada de furacões. Depois que Noel tornou-se totalmente um ciclone extratropical, causou enchentes e ventos fortes sobre Maine, Estados Unidos, e sobre o leste de Quebec e Labrador, Canadá. De fato, depois que Noel tornou-se um ciclone extratropical, ele tornou-se uma tempestade de neve. Mas a maioria dos danos e mortes causados por Noel foi durante a sua fase tropical. Como ciclone tropical, a menor pressão atmosférica central do sistema foi 980 mbar e os ventos constantes máximos foram 130 km/h. Como ciclone extratropical, a menor pressão atmosférica central do sistema foi 969 mbar e ventos constantes de 140 km/h.

História meteorológica[editar | editar código-fonte]

O caminho de Noel

Em 16 de outubro, a onda tropical que participou na formação de Noel deixou a costa ocidental da África.[1] [2] Por vários dias, a onda seguiu para oeste sem mostrar sinais de organização. Assim que a onda se aproximava das Pequenas Antilhas em 22 de outubro com atividade ciclônica e convecção de ar dispersa, começou a interagir com um cavado de superfície ao norte das Pequenas Antilhas e também com um cavado de altos níveis que se estendia para sudoeste, entre o Oceano Atlântico e o Mar do Caribe.[1] [3] A interação da onda com estes dois sistemas produziu uma grande área de baixa pressão formou-se a cerca de 275 km/h a leste-nordeste da porção norte das Pequenas Antilhas no final da noite de 23 de Outubro.[4] Nos dois dias seguintes, a nova área de baixa pressão de superfície deslocou para oeste lentamente, produzindo áreas de tempestades isoladas ao mesmo tempo em que ventos de cisalhamento atuavam sobre o sistema e inibiram um maior desenvolvimento. Em 25 de Outubro, a área de baixa pressão começou a se deslocar para oeste-sudoeste.[5] Apesar dos ventos de altos níveis, a convecção de ar intensificou-se assim que a pressão atmosférica no centro do sistema já organizado caiu.[6] A área de baixa pressão causou chuvas fortes enquanto seguia para oeste-sudoeste, passando sobre a porção norte das Pequenas Antilhas e leste de Porto Rico.[7] A sua convecção de ar inicialmente continuou desorganizada[8] A atividade de temporais organizou-se ainda mais, com uma área de convecção de ar muito intensa à leste do centro da circulação de ar, que estava parcialmente exposto. Baseada nesta organização, o NHC classificou o sistema como depressão tropical Dezesseis na madrugada de 28 de outubro. Neste momento, o centro da depressão estava localizado a cerca de 310 km a sul-sudeste de Porto Príncipe, Haiti. Inicialmente, foi previsto que a depressão seguiria para oeste-noroeste, varrendo a Hispaniola com suas bandas de tempestade exteriores antes de atingir a costa sul-central de Cuba.[9]

Noel aproximando-se de Hispaniola

Depois de se tornar um ciclone tropical, a onda tropical estava se movendo para oeste-noroeste, localizado ao sul de uma crista que estava sobre a porção oeste do Oceano Atlântico norte.[9] Seis horas após a sua formação, o centro do sistema ficou difícil de ser localizado.[10] Pouco depois, a depressão ficou mais bem organizado; uma grande área de convecção de ar desenvolveu-se sobre seu centro, com algumas bandas de tempestade ao seu sul.[11] Baseado em registros de aviões "caçadores de furacões", o NHC designou o sistema como tempestade tropical Noel às 18:15 UTC de 28 de outubro. Neste momento, seu centro estava localizado a 235 km a sul-sudeste de Porto Príncipe, Haiti.[12] A tempestade rapidamente se fortaleceu depois que seu centro recuperou-se sob a convecção de ar.[13] Por várias horas, Noel seguia em direção a Hispaniola. Em 29 de Outubro, por volta das 07:00 UTC, Noel atingiu a costa sul do Haiti, perto de Jacmel, cerca de 40 km a sul-sudoeste de Porto Príncipe, com ventos constantes de 85 km/h.[1] A tempestade começou a perder organização assim que uma área de baixa pressão de altos níveis próxima a ele começou a aumentar os ventos de cisalhamento.[14] A circulação de ar de superfície ficou pouco definido assim que ele interagia com o terreno montanhoso do Haiti.[15] A tempestade cruzou o oeste do Haiti como uma tempestade tropical desorganizada na manhã de 29 de outubro[1] [16] e logo depois começou a se mover paralelamente à costa nordeste de Cuba enquanto movia-se em volta de uma crista em enfraquecimento.[17] No dia seguinte, a tempestade tropical Noel atingiu a costa de Cuba, perto de Guardalavaca, com ventos sustentados de 95 km/h. Poucas horas depois, o centro de Noel passou perto de La Jiquima, Cuba, onde foi registrado uma pressão atmosférica de 997,9 mbar.[1] [18] [19]

O centro de Noel continuava bem organizado, embora seus ventos sustentados diminuíram rapidamente, para 65 km/h.[20] Na madrugada de 31 de outubro, Noel começou a seguir para norte-noroeste, devido à aproximação de um cavado do oeste e também ao deslocamento para leste de uma crista de médios níveis.[21] Uma grande área de convecção de ar persistia ao seu leste, embora devido aos ventos de cisalhamento, havia pouca convecção perto do seu centro.[22] Pouco depois do meio-dia de 31 de outubro, Noel emergiu no mar, deixando a costa de Cuba, perto de Cayo Coco, por volta do meio-dia[1] [23] e logo após, o ciclone ficou mais bem organizado assim que a circulação de ar ficou mais bem organizado em associação com a convecção de ar.[24] Enquanto o centro de Noel estava localizado relativamente perto da costa norte de Cuba, a tempestade manteve-se praticamente estacionária. Meteorologistas indicavam que Noel poderia executar uma pequena volta ciclônica.[25] O Centro Canadense de Furacões começou a monitorar Noel em 31 de outubro[26]

Na madrugada de 1º de novembro, a convecção começou a se intensificar rapidamente, embora o centro inicialmente continuasse a sudoeste da grande área de temporais.[27] Às 18:00 UTC daquele dia, a tempestade passou sobre a ilha de Andros, Bahamas, perto de Nassau.[28] No final daquele dia, o centro da tempestade seguiu abaixo da convecção de ar[29] e Noel acelerou para nordeste, adentrando em correntes de ar próximas a um cavado; no momento em que Noel adentrou nestas correntes, seu centro ficou distorcido e alongado.[30] O ciclone manteve uma grande área de convecção de ar profunda que envolvia completamente seu centro, com correntes de ar bem definidos e um olho destacado em imagens de satélite. Baseado em registros de aviões "caçadores de furacões", o NHC designou a tempestade como um furacão na madrugada de 2 de novembro. Neste momento, o centro de Noel estava a 285 km a norte-nordeste de Nassau, Bahamas.[31] A sua convecção de ar começou a diminuir assim que Noel começou a se mover sobre águas frias. Devido a isto, o furacão perdeu suas características tropicais assim que o raio de ventos máximos expandiu-se significativamente.[32] No final de 2 de novembro, o núcleo interno de Noel diminuiu significativamente e a estrutura termodinâmica do ciclone tinha ficado assimétrico e frontal, indicando que Noel tinha começado a transição para um ciclone extratropical. Devido a isto, o NHC interrompeu seus avisos.[33] Na madrugada de 3 de novembro, o ciclone extratropical Noel contava com ventos máximos sustentados de 140 km/h e ele gradualmente tomou rumo para norte-nordeste.[34] Assim que o centro de Noel aproximava-se de Nova Escócia, Canadá, a sua grande circulação de ar produziu ventos fortes sobre a costa atlântica do Canadá e também sobre Nova Inglaterra, Estados Unidos.[35] Em 4 de novembro, o centro do ciclone extratropical Noel atingiu Nova Escócia perto de Chebogue Point e posteriormente atingiu New Brunswick.[1] [36] Sobre o Canadá, o ciclone extratropical remanescente de Noel se enfraqueceu e deixou a costa do Labrador por volta da meia-noite de 5 de Novembro. O sistema fundiu-se com outro ciclone extratropical por volta das 06:00 UTC de 6 de Novembro sobre a Groenlândia.[1]

Preparativos[editar | editar código-fonte]

O Serviço Nacional de Meteorologia em San Juan, Porto Rico, emitiu avisos e alertas de enchentes para várias localidades (incluindo avisos de enchentes de curta duração) sobre Porto Rico. Devido às condições incertas, as autoridades por lá avisaram os moradores para manterem-se afastados de estradas danificadas e de rodovias[37] Um aviso de enchente de curta duração também foi emitido para as Ilhas Virgens Americanas.[38]

Depois de Noel ser classificado como um ciclone tropical, o governo do Haiti emitiu um aviso de tempestade tropical para as áreas costeiras entre Porto Príncipe e a fronteira com a República Dominicana; ao mesmo tempo, o governo de Cuba emitiu um alerta de tempestade tropical para as províncias de Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo.[39] Depois, um alerta de tempestade tropical foi emitido para toda a Jamaica.[40] No momento em que Noel atingiu a costa de Haiti, um aviso de tempestade tropical foi recomendada para a República Dominicana, para as áreas costeiras entre Barahona e a fronteira com Haiti. Um aviso de tempestade tropical também emitido para a porção sudoeste das Bahamas, para Turks e Caicos. Um aviso de furacão foi emitido para o sudeste de Cuba e um alerta de tempestade tropical foi emitido para a parte central das Bahamas.[41]

Assim que a tempestade seguiu mais para o noroeste, um aviso de tempestade tropical foi emitido para as províncias cubanas de Guantánamo, Holguín, Las Tunas, Ciego de Ávila e Camagüey.[19] Soldados cubanos retiraram cerca de 20.000 pessoas de áreas de risco.[42] [43] O Instituto Cubano de Meteorologia avisou aos residentes que eles tivessem preparados, devido às prévias chuvas que já tinham saturado o solo de água.[44] Várias escolas foram fechadas durante a passagem de Noel.[45]

Um aviso de tempestade tropical também foi emitido para a parte noroeste das Bahamas.[19] Lá, a maioria dos escritórios governamentais foram fechados durante a passagem da tempestade.[46] No final de 31 de outubro, um alerta de tempestade tropical foi emitido para o sudeste da Flórida, devido às expectativas que os ventos fortes de Noel poderiam chegar ao estado.[25] O escritório de Miami do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA emitiu um aviso de tempestade tropical para as áreas costeiras entre Ocean Reef e Jupiter. Um aviso de enchente na costa foi emitido para o Condado de Palm Beach e um aviso de ressaca foi emitido para os condados de Broward e Miami-Dade.[47]

Antes da chegada de Noel à costa atlântica do Canadá, avisos de chuvas e ventos fortes foram emitidas para muitas localidades no sudeste do Canadá. O Centro Canadense de Furacões emitiu avisos de ventos com intensidade de furacão para as províncias marítimas do Canadá (Nova Escócia, Nova Brunswick e Ilha do Príncipe Eduardo) e avisos de ventos fortes para todo o sudeste canadense.[34] Os centros de previsões de tempestade de Montreal e Halifax, Canadá, ambos pertencentes ao Serviço Meteorológico do Canadá, emitiram avisos de chuvas e ventos fortes para a Nova Escócia, Nova Brunswick, Ilha do Príncipe Eduardo, Terra Nova e Labrador e leste de Quebec, assim como avisos de fortes nevascas para algumas regiões.

Impactos[editar | editar código-fonte]

Mortes por área
Área Fatalidades
República Dominicana 87[48]
Haiti 73[49]
Jamaica 1[50]
Porto Rico 5[51]
Bahamas 1[52]
Cuba 1[1]
Total 168

Pequenas Antilhas[editar | editar código-fonte]

Chuvas fortes caíram sobre a porção norte das Pequenas Antilhas por vários dias em associação com a perturbação precursora, alcançando não oficialmente 150 mm em Saint Croix[38] e Saint Thomas.[53] Em Santa Lúcia, a chuva causou o transbordamento do Rio Castries. Na capital, Castries, enchentes foram registradas e alguns deslizamentos de terra ocorreram em algumas localidades.[54] O sistema deixou grandes porções de Dominica[55] e algumas localidades em Saint Croix, Ilhas Virgens Americanas, sem eletricidade.[56] Vários acidentes de trânsito foram registrados devido às condições adversas provocadas pelas chuvas fortes.[38]

Porto Rico[editar | editar código-fonte]

Sumário da precipitação total em Porto Rico

O distúrbio tropical precursor de Noel causou chuvas fortes sobre Porto Rico por vários dias, levando à saturação do solo com água que geralmente levava a formação de enxurradas.[37] Em todos os pontos de Porto Rico choveu; em Gate Tower, a precipitação de chuva alcançou 437,6 mm de água.[1] [57] Enchentes de curta duração foram registrados em Carolina e deslizamentos de terra foram registrados em Utuado. Enchentes ocorreram ao longo de vários rios. No final de 27 de outubro, o Río de la Plata ficou 2,7 m acima do normal em Toa Baja.[37] Devido aos altos níveis de água nos rios, autoridades abriram barragens ao longo do Río de la Plata e do Río Carraízo[58] Há registros não oficiais que cinco pessoas morreram na ilha, devido a deslizamentos de terra e acidentes de trânsito causados pela enchente.[51]

Haiti e República Dominicana[editar | editar código-fonte]

Chuvas fortes caíram sobre Hispaniola. O NHC alertou que em algumas localidades da ilha poderiam registrar até 760 mm de chuva.[19] Vários dias de chuva causaram enchentes severas, que, de acordo com o registrado, o nível da água alcançou 1,5 m de altura.[50]

Na República Dominicana, 905 mm de chuva foram registrados em Angelina. A precipitação pode ser maior, já que os pluviômetros da localidade transbordaram, impossibilitando a medida exata da precipitação acumulada, que pode ter passado de 1.000 mm.[1] Pessoas afetadas pelas enchentes subiram nos telhados de suas casas ou em árvores.[44] Mais de 62.000 pessoas deixaram suas residências. Além do mais, cerca de 1.000 prisioneiros foram retirados devido à enchente.[46] A enxurrada arrastou várias casas em Santo Domingo e 39 cidades ao sul do país ficaram isolados.[44] A chuva causou enchentes ao longo de vários rios; dez pessoas desapareceram em Piedra Blanca depois que o Rio Maimon transbordou e três pessoas foram mortas em San José de Ocoa, a sudoeste de Santo Domingo, também devido às enchentes.[59] No mínimo 21 pontes foram arrastados pelas enxurradas ou entraram em colapso.[60] Pouco depois que a tempestade passou sobre Hispaniola, a República Dominicana inteira ficou sem eletricidade por cerca de duas horas.[59] dois dias depois, um terço da população ainda estava sem eletricidade.[44] Os danos na agricultura foram estimados em $30 milhões de dólares.[43] no total, mais de 12.000 casas foram danificadas pela passagem de Noel.[46] A tempestade causou a morte de pelo menos 84 pessoas na República Dominicana.[61]

No Haiti, a maior precipitação acumulada foi registrada em Foret des Pins: 405,9 mm de chuva em 48 horas.[1] Cerca de 400 casas foram destruídas e 3.400 pessoas tiveram que recorrer a abrigos por pelo menos dois dias.[50] Pelo menos 57 mortes foram causadas pela passagem de Noel no Haiti.[52]

Cuba[editar | editar código-fonte]

Em Cuba, caiu cerca de 150 mm de chuva em seis horas em Baracoa. Na região, reservatórios transbordaram.[50] O pico de precipitação em 48 horas foi registrado em Loynaz Hechavarria, onde choveu 309,9 mm entre 28 e 30 de outubro.[62] Ventos fortes e ressacas foram registradas ao longo da costa norte de Cuba.[50] A passagem da tempestade destruiu ou danificou no mínimo 22.000 casas e forçou mais de 80.000 residentes a fugirem para abrigos.[1] 120 casas foram destruídas na Província de Camagüey.[42] Enchentes isolaram algumas áreas, pois danificaram mais de 13.000 km de rodovias.[1] [46] Os danos na agricultura no país foram estimados em $305 milhões de dólares; o pais perdeu cerca de 10% da produção de café e pelo menos 50% da produção de cana de açúcar foi afetada.[1] A precipitação de chuva foi três vezes maior do que a média esperada para o mês inteiro na Província de Guantánamo; uma barragem na província transbordou.[60] O governo diz que as enchentes foram as piores em 45 anos. Uma pessoa morreu quando tentou atravessar um rio que estava transbordado.[1]

Jamaica e Bahamas[editar | editar código-fonte]

A tempestade tropical Noel sobre as Bahamas

Chuvas fortes caíram sobre porções da Jamaica; as chuvas causaram o desmoronamento de uma casa. Este desmoronamento causou a morte de uma pessoa.[50] A chuva também causou no mínimo 20 deslizamentos de terra na ilha.[60]

Noel causou fortes chuvas também sobre porções das Bahamas,[50] alcançando o pico de precipitação de 747,5 mm em Long Island.[1] Enchentes foram registradas, especialmente na Ilha Abaco. 400 pessoas tiveram que ser retiradas. No país, uma pessoa morreu devido à passagem de Noel.[63]

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Sumário de precipitação de chuva associado a Noel

A interação entre Noel e uma crista ao seu norte produziu fortes rajadas de ventos e ressacas ao longo da costa leste da Flórida; no sul da Flórida, foram registrados ventos constantes de 68 km/h, com rajadas de 87 km/h.[1] [21] [50] Ressacas severas foram registradas que resultaram no fechamento do píer[64] Os danos causados pela ressaca totalizaram mais de $3 milhões de dólares.[65] bandas de tempestade exteriores de Noel alcançaram a Flórida; em algumas localidades do estado choveu mais de 15 mm de água.[47]

Já como um ciclone extratropical, Noel produziu ventos moderados ao longo de Outer Banks, na Carolina do Norte; ventos constantes de 47 km/h com rajadas de 80 km/h foram registradas em Duck. Os ventos derrubaram linhas de transmissão de eletricidade. 6.000 pessoas ficaram sem energia elétrica em Hatteras e Ocracoke. Apesar dos ventos, caiu pouca chuva; em Morehead City caiu 13 mm de chuva. A tempestade também gerou ondas fortes que deixou a rodovia estadual 12 da Carolina do Norte parcialmente coberto com água e areia.[66]

A parte oeste do ciclone extratropical Noel atingiu a região da Nova Inglaterra, nordeste dos Estados Unidos, principalmente a costa dos estados de Massachusetts e Maine, em 3 de novembro. Em Nantucket Island, Massachusetts, foram registrados ventos constantes de 94 km/h com rajadas de 116 km/h.[1] Estes ventos causaram a queda de árvores e de torres de linha de transmissão de energia elétrica, que deixou cerca de 80.000 pessoas sem eletricidade.[67] A rajada de vento mais forte registrado em território americano foi de 143 km/h em Barnstable, Massachusetts.[68] embora rajadas mais fortes fossem registradas em águas bem próximas à costa. No estado de Maine, foram registrados ventos de 105 km/h.[1]

Sudeste do Canadá[editar | editar código-fonte]

A tempestade continuou sobre a costa atlântica do Canadá com força total no final de 3 de novembro e na madrugada de 4 de novembro. No país, foram registrados ventos constantes de 113 km/h e a mais forte rajada de vento foi de 179 km/h em Wreckhouse. Vários vôos foram cancelados e cerca de 150.000 pessoas em Nova Escócia e Nova Brunswick, devido aos ventos fortes e a "névoa de sal", que danificou várias linhas de transmissão. Enchentes foram registradas devido às chuvas fortes.[69] Na Ilha do Príncipe Eduardo, 10.000 pessoas ficaram sem eletricidade. A Terra Nova não foi afetada aparentemente, apesar de balsas terem sido canceladas naquele fim de semana e os ventos terem alcançado 180 km/h em Wreckhouse.[70] Mais de 70 mm de chuva caiu em algumas áreas e ondas de mais de 12 metros foram registrados próximo à costa de Nova Escócia. Várias rodovias próximas à costa foram "varridas" com a ressaca. Várias pedras foram arrastadas pelas ondas fortes para áreas relativamente distantes da costa. Uma área destinada à criação de peixes foi praticamente destruída; somente nesta área, os prejuízos foram calculados em um milhão de dólares.

Sumário de precipitação de chuvas e neve no Canadá

No leste de Quebec, mais de 130 mm de chuva caiu em Gaspérie, Anticosi e Côte-Nord, causando enchentes em várias áreas.[71] Nas regiões de Bas-Saint-Laurent, Sept-Iles e Baie-Comeau, caiu mais de 20 cm de neve. A neve causou um acidente envolvendo um ônibus, que deixou dez feridos.[71] As chuvas causaram o colapso da estação de tratamento de água em Percé, Quebec; a cidade decretou que toda a população deveria ferver a água antes do uso.[72] A cidade também ficou isolada devido a interrupção da rodovia estadual 132 de Quebec. Em Quebec, mais de 19.000 pessoas ficaram sem eletricidade. A queda de energia comprometeu a produção industrial em Côte-Nord, incluindo o setor de Alumínio.[73] Na região de Minganie, uma torre de transmissão de energia estratégica foi danificada pela queda de neve e chuva congelada, causando a suspensão do fornecimento de energia elétrica e a suspensão das atividades escolares.[74]

Conseqüências[editar | editar código-fonte]

O governo da República Dominicana distribuiu kits de emergência para 145.000 famílias logo após a passagem de Noel. Os kits incluíam alimentos, cobertores, colchões e redes de mosquitos.[50] A ajuda humanitária foi estimada em $3 milhões de dólares.[44] O governo dominicano requereu um empréstimo de $200 milhões de dólares do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial em 1º de novembro.[60] O governo do Haiti disponibilizou cerca de $1,5 milhões de dólares para as pessoas que foram afetadas pela tempestade.[44]

O Japão doou à República Dominicana várias toneladas de remédios. A Unicef doou alimentos e artigo de higiene para crianças menores de 5 anos. A Agência Espanhola de Cooperação internacional (Aeci) enviou uma doação em dinheiro de 200.000 euros para a aquisição de remédios, cobertores e alimentos. O Programa Mundial de Alimentos (PMA), das Nações Unidas enviou ao país cerca de 56 toneladas de bolachas fortificadas. Os Estados Unidos doou ao país cerca de $960.000 dólares em dinheiro.[75] A Cruz Vermelha enviou ao país um avião trazendo 42 toneladas de suprimentos. A entidade também doou cerca de $195.000 dólares à República Dominicana e cerca de $125.000 dólares ao Haiti.[76]

Retirada do nome[editar | editar código-fonte]

O nome Noel foi retirado oficialmente pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 13 de Maio de 2008 durante a sua reunião anual em Orlando, Flórida. O nome Noel foi substituído por Nestor na lista V da lista oficial de nomes de furacões atlânticos. Sendo assim, Nestor será usado pela primeira vez na temporada de furacões no Atlântico de 2013.[77]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Furacão Catrina Portal da
meteorologia
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Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ciclones tropicais da Temporada de furacões no Atlântico de 2007
N
Escala de Furacões de Saffir-Simpson
DT TS TT 1 2 3 4 5