Grande Retirada (Rússia)

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A Grande Retirada
Frente Oriental, Primeira Guerra Mundial
Bundesarchiv Bild 183-R42025, Warschau, Einmarsch deutscher Kavallerie.jpg
Tropas alemãs entrando em Varsóvia
Data 27 de junho – 14 de setembro de 1915
Local Galícia e Polónia
Desfecho Vitória tática alemã
Mudanças territoriais Forças russas se retiram do território galício e polonês
Beligerantes
Império Alemão Império Alemão
Áustria-Hungria Áustria-Hungria
Rússia Império Russo
Comandantes
Império Alemão Erich von Falkenhayn
Império Alemão Erich Ludendorff
Rússia Nicolau Nikolaevich
Rússia Mikhail Alekseyev
Rússia Nikolai Ivanov
Forças
1 136 000 soldados 1 200 000 soldados
6 000 canhões
Baixas
200 000 mortos, feridos ou desaparecidos 500 000 mortos, feridos ou desaparecidos
1 000 000 de prisioneiros

A Grande Retirada Russa ocorreu em 1915 durante a Primeira Guerra Mundial, onde as forças do Império Russo se retiram de Galícia e Polónia.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Em meados de 1915, houve um grande acumular de forças militares a favor dos Impérios Centrais. Quatro novos exércitos alemães, o 11°, o 12°, o Exército de Niemen e o de Bug foram formados, dramaticamente equilibrando o poder no leste europeu, com treze exércitos dos Centrais, contra nove russos. Sob pressão do Kaiser, o general Falkenhayn cedeu à insistência de Hindenburg e Ludendorff, para que a ofensiva continuasse.[1]

Stavka, o QG russo, decidiu empreender uma retirada estratégica da linha de frente até que as indústrias de guerra pudessem se recuperar.[2]

A ofensiva alemã e a retirada russa[editar | editar código-fonte]

Depois da Ofensiva Gorlice–Tarnów, no começo de junho de 1915, os exércitos do marechal Mackensen cruzaram o Rio San, e capturaram Przemyśl, na Polônia Russa. Em 22 do mesmo mês, forças russas se retiraram de Lvov, a capital da Galícia. Entre 23 e 27 de junho, os alemães cruzaram o rio Dniester. Em julho Mackensen teve que parar o ataque, para se proteger de contra-ataques inimigos.[2]

Em 13 de julho, os Impérios Centrais lançaram uma grande ofensiva em toda a frente de batalha. Em desvantagem e ainda fora de equilíbrio, o sudoeste das linhas russas entrou em colapso e começam a bater em retirada em Ivangorod-Lublin-Chełm. Em seguida, os alemães avançaram para a Letônia e a Lituânia e tomaram a importante fortaleza de Grodno (no oeste da atual Bielorrússia). Os russos, sem qualquer chance de esboçar uma resistência eficiente, tiveram de recuar novamente para além do Vístula.[2]

Em meados de julho, todo o exército alemão já havia avançado 160 km para o Rio Bug, deixando apenas uma pequena porção da Polônia nas mãos do inimigo, que estava fixado em Varsóvia e na fortaleza Ivangorov. Em 22 de julho, as forças dos Impérios Centrais atravessaram o Rio Vístula. Em agosto, o 4° Exército russo abandonou suas posições por lá.[2]

Com as tropas russas em retirada geral, Varsóvia ficou isolada. O 12° Exército Alemão (sob o general Max von Gallwitz), aproveitou a oportunidade e conquistou a cidade entre 4 e 5 de agosto. Novos ataques, empreendidos pelos alemães, aconteceram para o sul da Prússia, logo causando um colapso das forças russas nesta frente.[2]

Depois de receberem reforços, os alemães tomaram Brest-Litovsk em 25 de agosto. Em 19 de setembro as forças de Hindenburg capturaram Vilna.[2] Ao fim de setembro, os russos finalmente se reagruparam e contra-atacaram. Mesmo sem conseguir quebrar as linhas alemãs, o avanço dos Impérios Centrais foi por fim detido e uma nova linha de batalha foi formada, se estendendo do mar Báltico até a fronteira romena, seguindo pelas florestas bielorrussas e o pântano de Pripyet.

Uma das principais consequências das derrotas russas de julho-setembro de 1915 foram as mudanças no alto-comando militar russo. O czar Nicolau II dispensou seu tio, o duque Nicolau Nikolaevich, da liderança do exército e pessoalmente tomou o comando das tropas. Isso se provaria desastroso tanto para a Rússia quanto para a Dinastia Romanov já que cada derrota sofrida nos campos de batalha de agora em diante seriam atribuídas ao czar, o que contribuiria para sua queda na Revolução de fevereiro de 1917.[3]

Referências

  1. Norman Stone, The Eastern Front 1914-17 (London, 1975) pp. 165–193
  2. a b c d e f Johnson, Douglas Wilson (1916). «The Great Russian Retreat». American Geographical Society. Geographical Review. 1 (2): 85–109. JSTOR 207761. doi:10.2307/207761 
  3. Nicholas and Alexandra, The Last Imperial Family of Tsarist Russia, 1998, Booth-Clibborn, Londres.