August von Mackensen

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August von Mackensen
Nome completo Anton Ludwig August von Mackensen
Apelido "O último hussardo"
Nascimento 6 de dezembro de 1849 Haus Leipnitz, Província da Saxônia, Reino da Prússia
Morte 18 de junho de 1916 (68 anos) Habighorst, Província de Hanover, Zonas ocupadas pelos Aliados na Alemanha
País Flag of Prussia (1892-1918).svg Reino da Prússia
Império Alemão Império Alemão
Flag of Germany (3-2 aspect ratio).svg República de Weimar
Flag of the NSDAP (1920–1945).svgTerceiro Reich
Merchant Flag of Germany (1946-1949).svgZonas ocupadas pelos Aliados na Alemanha
Força Exército Imperial Alemão
Anos de serviço 1869-1920
Hierarquia Generalfeldmarschall do Império AlemãoImpério Alemão
Batalhas Guerra Franco-Prussiana
Primeira Guerra Mundial
Honrarias Ordem da Águia Negra
Pour le Mérite com folhas de carvalho
Grande Cruz da Cruz de Ferro

Anton Ludwig August von Mackensen (6 de dezembro de 18498 de novembro de 1945) foi um marechal-de-campo da Prússia, e comandou com sucesso as tropas alemãs durante a Primeira Guerra Mundial na frente oriental, tornando-se um respeitado líder militar ao término do conflito. Após o armistício, Mackensen se aposentou do exército em 1920 e virou um conselheiro do estado prussiano em 1933. Durante a era nazista, Mackensen permaneceu comprometido com a monarquia e foi usado para fins de propaganda pelos seguidores de Hitler. Em eventos oficiais, Mackensen continuava a usar seu uniforme da Primeira Guerra Mundial e foi suspeito de deslealdade ao Terceiro Reich, embora nada fosse provado contra ele.

Primeiros anos de vida[editar | editar código-fonte]

August Mackensen nasceu em Haus Leipnitz, perto da aldeia de Dahlenberg (hoje parte de Trossin) na Província da Saxônia, filho de Ludwig Mackensen e Marie Rink. Seu pai, um administrador de empresas agrícolas, enviou-o para um Realgymnasium em Halle em 1865, aparentemente na esperança de que seu filho mais velho fosse segui-lo em sua profissão.

Mackensen começou o serviço militar em 1869 como um voluntário com o 2º regimento prussiano dos Hussardos (Leib-Husaren-Regiment Nr. 2). Durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871 foi promovido a segundo-tenente e ganhou a segunda classe da cruz de ferro após conduzir uma carga quando estava em uma patrulha de reconhecimento ao norte de Orleans. Depois da guerra, deixou o serviço militar e estudou na Universidade de Halle-Wittenberg, mas voltou ao exército em 1873 com seu antigo regimento.

Mackensen se casou com Dorothea von Horn, irmã de um companheiro morto, em 1879. O pai de Dorothea era o influente Karl von Horn, Oberpräsident da Prússia Oriental. O casal teve duas filhas e três filhos. Em 1891, Mackensen foi encaminhado ao Estado-Maior em Berlim, contornando a preparação usual de três anos na Academia de Guerra. Seu chefe, o respeitado Helmuth von Moltke, O Velho, o achou um "personagem adorável". Logo após, Mackensen foi promovido a ajudante do seu próximo chefe, Alfred von Schlieffen, a quem considerava um grande instrutor sobre como liderar exércitos de milhões.

August Mackensen em torno de 1880

Mackensen impressionou o imperador Guilherme II, que ordenou que o militar recebesse o comando do 1º Regimento dos Hussardos (Leib-Husaren-Regiment Nr. 1) em 17 de junho de 1893, ao qual ele se tornou à la suite quando deixou seu comando em 27 de janeiro de 1898. Desde então, Mackensen frequentemente usava o símbolo da morte totenkopf no seu colbaque. Logo após, Mackensen foi promovido a ajudante do imperador Guilherme II, título que o surpreendeu, pois foi o primeiro plebeu a chegar a essa posição. Durante os anos nessa função, Mackensen chegou a ofuscar o imperador, encontrando-se com personagens poderosos da Alemanha, Europa e Oriente Médio. Ganhou o título de nobreza no aniversário de 40 anos de Guilherme II em 27 de janeiro de 1899, quando passou a se chamar August von Mackensen. Ele se tornou viúvo em 1905 e, dois anos depois, casou-se com Leonie von der Osten, que tinha 22 anos na época. Quando Schlieffen se aposentou em 1906, Mackensen foi considerado como um possível sucessor, mas o cargo foi para Helmuth von Moltke, o Jovem. Em 1908, Mackensen foi o comando do XVII corpo do exército alemão, sediado em Gdańsk. O Príncipe Herdeiro foi colocado sob seu comando, e o imperador pediu pessoalmente a Mackensen para supervisionar o jovem e ensiná-lo a montar cavalo.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Primeira Guerra Mundial, lutou primeiramente contra a invasão russa da Prússia Oriental comandando o XVII Corpo do VIII Exército Alemão, sendo um dos responsáveis pela derrota alemã na Batalha de Gumbinnen. Porém, recuperou-se logo após, ao participar ativamente da vitória alemã da Batalha de Tannenberg (1914).

Foi, então, promovido ao comando do IX Exército, na Polônia, o qual dirigiu na Batalha de Lodz. Durante esta operação, seu IX Exército realizou uma ousada manobra, deslocando-se por trem da região do rio Pilitza para Posen e dali atacando a junção do I e do II Exércitos russos. Como consequência, abriu-se uma brecha entre estes dois exércitos, com a conquista da cidade de Kutno. Todavia, uma ação combinada do II Exército e do V Exército russos, trazido em marchas forçadas, por 110 Km e em dois dias - durante as quais perdeu a metade de seus efetivos - resultou numa virada da situação e no quase cerco do IX Exército, que lutou uma batalha desesperada a leste de Lodz e apenas escapou graças a mistura de sorte com incompetência do comandante do I Exército russo, gen. Rennenkampff. Como resultado da batalha, porém, os russos decidiram recuar suas linhas, cedendo Lodz voluntariamente para ser ocupada pelos alemães em dezembro de 1914.

Transferido para o comando do XI Exército, foi seu comandante na ruptura de Görlice-Tarnow, na Galícia, quando a partir de um ataque lançado em 6 de maio de 1915, as forças austro-alemãs conseguiram romper a frente do III Exército russo. Já no dia 8 de maio, o XI Exército se aproximava do rio San, a 130 km de suas posições originais. O sucesso do ataque motivou uma divergência entre os comandantes von Hindenburg e Ludendorff, de um lado, e o Chefe do Estado-Maior Geral, general Erich von Falkenhayn, de outro, que desaprovou uma nova ofensiva a partir da costa báltica, ao norte, ao invés ordenando que von Mackensen continuasse com sua ofensiva no centro. Como resultado, os alemães tomaram Varsóvia, em 5 de agosto, Brest-Litovsk, em 26 de agosto e Grodno, em 2 de setembro, expulsando os russos para fora da Polônia e para além do Rio Neman, nos pântanos do Pripet. Na operação de ruptura entre Görlice e Tarnow, von Mackensen enfatizou a combinação entre ataques de artilharia e um rápido avanço da infantaria, de modo a não permitir que o adversário se recuperasse. Seu chefe de estado-maior, nesta operação, foi o General Hans von Seeckt, que seria o responsável por reorganizar o Exército Alemão no pós-guerra.

Promovido a Marechal-de-Campo, em setembro do mesmo ano comandou a invasão e derrota da Sérvia e, já no outono de 1916, comandou as tropas alemãs, búlgaras e austro-húngaras que invadiram e derrotaram a Romênia, cuja ocupação supervisionou durante o restante da guerra.

Pós-guerra[editar | editar código-fonte]

Em 1920, Mackensen se retirou do exército. Apesar de se opor ao sistema republicano recém-estabelecido, evitou campanhas públicas. Por volta de 1924, mudou de ideia e começou a usar sua imagem de herói de guerra para apoiar grupos monárquicos conservadores. Mackensen costumava aparecer com seu antigo uniforme de Hussardo e se tornou muito ativo em organizações conservadoras pró-militares, particularmente o Stahlhelm, Bund der Frontsoldaten e a Sociedade Schlieffen.

Durante a eleição presidencial alemã de 1932, Mackensen apoiou Paul von Hindenburg contra Hitler, mas depois que Hitler ganhou o poder em 1933, Mackensen tornou-se um visível, talvez apenas simbólico, apoiante do regime nazista.

Mackensen e Hitler em 1935 durante o Heldengedenktag em Berlim

O distinto perfil público de Mackensen, com seu uniforme preto de Hussardo, inspirou a empresa Hausser-Elastolin a produzir bonecos de Mackensen em sua linha de soldadinhos de guerra. A fama e o uniforme de Mackensen também inpiraram duas unidades separadas do Terceiro Reich a adotar o uniforme preto com emblemas Totenkopf: a Panzerwaffe (que reivindicou a tradição da cavalaria imperial) e a Schutzstaffel.

Mackensen no funeral do imperador Guilherme II

Embora Mackensen aparecesse em seu uniforme preto nos eventos públicos organizados pelo governo alemão ou pelo partido nazista, fazia objeção ao assassinato do general Ferdinand von Bredow e do chanceler Kurt von Schleicher durante a Noite das Facas Longas em julho de 1934 e às atrocidades cometidas durante os combates na Polônia em setembro de 1939. No início dos anos 1940, Hitler e Joseph Goebbels suspeitaram de deslealdade por Mackensen, mas nada puderam fazer. Mackensen permaneceu um monarquista convicto e, em 1941, apareceu funeral de Guilherme II vestindo seu tradicional uniforme imperial.

De acordo com um noticiário de rádio datado de 15 de abril de 1945, arquivado pelo correspondente da CBS News Larry LeSueur para World News Today, Mackensen foi rapidamente capturado pelo Segundo Exército britânico em sua casa durante as últimas semanas da Segunda Guerra Mundial.

Mackensen morreu aos 95 anos e vivenciou o Reino da Prússia, o Império Alemão, a República de Weimar, o Terceiro Reich e ocupação aliada no pós-guerra.

Citação[editar | editar código-fonte]

Em 4 de fevereiro de 1940, Mackensen escreveu ao marechal de campo Walther von Brauchitsch:

"À medida em que o homem envelhece, ele tem que observar com cuidado que a idade não reduziu sua criatividade. Depois de completar 90 anos, decidi não me envolver mais com assuntos além da minha vida privada. Mas eu ainda sou o mais alto oficial alemão. Muitos se voltam a mim, às vezes com desejos, mas mais frequentemente com suas preocupações. E durante essas semanas, nossa preocupação é com o espírito do nosso único e bem sucedido Exército. A preocupação resulta dos crimes cometidos na Polônia, os saques e assassinatos que ocorreram diante dos olhos das nossas tropas, que pareceram incapazes de lhes pôr fim. Uma aparente indiferença que tem sérias consequências para a moral de nossos soldados e é prejudicial para a estima do nosso Exército e de toda a nossa nação. Estou certo de que você está ciente desses eventos e que você certamente condená-los. Estas linhas pretendem transmitir a minha crescente preocupação diária com os relatórios que constantemente vem até mim, e tenho que lhe pedir para assumir este assunto com a sua mais alta autoridade. As mensagens que recebo são tão numerosas, muitas vêm de pessoas de alto escalão e de testemunhas. Como sou o oficial mais antigo, não posso guardá-las para mim. Ao transmiti-las a você, cumpro o meu dever para com o Exército. A honra do Exército e a estima em que se encontra não devem ser postas em perigo pelas ações de subumanos e criminosos contratados. Sieg heil."

Honrarias[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cecil, Lamar (1970). The American Historical Review. The Creation of Nobles in Prussia, 1871-1918 (em inglês). 75. [S.l.: s.n.] p. 757-795 
  • Goda, Norman J. W (2000). Black Marks. Hitler's Bribery of His Senior Officers during World War II (em inglês). 72. [S.l.: s.n.] p. 413-452 
  • Hart, Basil-Liddel. Grandes Guerras da História. [S.l.]: Ibrasa 
  • Hedin, Sven (1953). Große Männer denen ich begegnete (em alemão). Wiesbaden: [s.n.] 
  • Keegan, John (2000). História Ilustrada da Primeira Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Ediouro 
  • Mombauer, Annika (2001). Helmuth von Moltke and the Origins of the First World War (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press 
  • Schwarzmüller, Theo (1995). Zwischen Kaiser und "Führer." Generalfeldmarschall August von Mackensen. Eine politische biographie (em alemão). Munich: Deutsche Taschenbuch Verlag 
  • Silberstein, Gerard E (1967). The Serbian Campaign of 1915. Its Diplomatic Background (em inglês). 73. [S.l.: s.n.] p. 51-69 
  • Wilmoth, H. P (2009). Primeira Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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