Grupo Santa Helena

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Grupo Santa Helena foi o nome atribuido,a partir de meados da década de 1930, aos pintores que se reuniam nos atelies de Francisco Rebolo e Mario Zanini. Os atelies estavam situados em um edifício da Praça da Sé, na cidade de São Paulo, denominado "Palacete Santa Helena".[1] Esse prédio foi demolido em 1971, quando da construção da estação do Metrô da Sé.

O Grupo Santa Helena formou-se de maneira espontânea, sem maiores pretensões e nenhum compromisso conceitual.[1] A maioria era de origem italiana: Alfredo Volpi e Fúlvio Penacchi (imigrantes italianos); Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, Mario Zanini, Clóvis Graciano e Humberto Rosa (filhos de imigrantes italianos). O grupo ainda contava com paulistas de outras origens como: Francisco Rebolo (filho de espanhóis) e Manuel Martins (filho de portugueses). Todos de origem humilde, para sobreviver, exerciam atividades artesanais e proletárias.

A pintura era praticada nos finais de semana ou nos momentos de folga. A origem social humilde e as afinidades profissionais levaram à Mario de Andrade nomeá-los de “Artistas Proletários” , alcunha que perdurou e os caracterizou dentro do movimento modernista.[2]

A maior parte deles frequentou o Liceu de Artes e Ofícios ou a "Escola Profissional Masculina do Brás".[1] Porém, conscientemente ou não, reduziam esse aprendizado às técnicas de pintura e desenho e não às orientações acadêmicas de ordem formal.

Nessa época, algumas associações de pintores foram constituídas em São Paulo, como a Sociedade Pró-Arte Moderna (Spam) e o "Clube dos Artistas Modernos" (CAM), englobando os participantes da Semana de 22. Esses grupos eram formados por intelectuais e membros da Elite paulista, que mantinham enorme distância em relação aos integrantes do Santa Helena e de outros núcleos proletários, dos quais se tinham pouco ou nenhum conhecimento.

A união do grupo, que perdurou por muitos anos, pode ser explicada como reação ao enorme preconceito existente em relação aos imigrantes pobres e os seus descendentes, por parte não só das elites, formadas por famílias brasileiras, mas também por parte dos imigrantes e seus descendentes, que já tinham feito fortuna no Brasil. Esse preconceito ficou evidente em inúmeras críticas que surgiram ao trabalho do Grupo, principalmente quando eles começaram a despertar a atenção e a ameaçar posições já definidas.

Com exceção dos que já tinham estudado na Europa, como Pennacchi, Rizzotti e Bonadei, o contato dos integrantes do Grupo com a produção artística de lá era bastante precário e obtido com professores no Brasil. Bonadei estudou com Pedro Alexandrino, Antonio Rocco e Amedeo Scavone; Graciano foi aluno de Waldemar da Costa e Zanini estudou com Georg Elpons.[3]

A perseverança do Grupo, que continuava na luta pela sobrevivência, despertava o interesse e acolhia novos amigos e parceiros. Assim, com o tempo, o local passou a ser o ponto de encontro de muitos outros artistas.

O mérito maior do Grupo Santa Helena foi ter revelado alguns dos mais importantes artistas plásticos brasileiros do século XX.

Exposições[editar | editar código-fonte]

Em 1937 foi realizada uma exposição da chamada "Família Artística Paulista", agregando um conjunto de artistas e incluindo todo o Grupo Santa Helena que, desse modo, apresentaram seus trabalhos ao público pela primeira vez. A partir daí, o Grupo tornou-se conhecido e despertou o interesse de Mário de Andrade, que neles identificou uma "escola paulista".

Em 1940, a "Exposição de Pintores Franceses", apresentando Cézanne, Picasso, Braque e Gris, dentre outros, causou enorme impacto e começou a redirecionar os caminhos de vários integrantes do Grupo, e a distanciá-los na temática ou nos aspectos formais.

Referências

  1. a b c «Grupo Santa Helena». Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais do Itaú Cultural. Consultado em 22 jan 2013 
  2. ANDRADE, Mário. Esta paulista família. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 2 jul. 1939
  3. Georg Elpons Itaú Cultural