Maurina Borges da Silveira

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Maurina Borges da Silveira, mais conhecida como Irmã Maurina, (Perdizes, 1926São Paulo, 2011) foi uma freira católica brasileira, pertencente à Ordem dos Franciscanos. Foi a única freira presa e torturada durante a ditadura militar no Brasil (1964–1985).[1]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 1969, aos 43 anos, a irmã Maurina, então diretora do Orfanato Lar Santana foi presa em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. Ela cedia, sem saber, uma sala para reuniões de estudantes pertencentes ao grupo guerrilheiro Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN).[2] A freira, presa com vários militantes da FALN pela Operação Bandeirantes (Oban), foi torturada durante cinco meses. Levou choques elétricos, duvidaram da sua virgindade e ameaçaram fazer um exame ginecológico, e a fizeram assinar uma confissão admitindo ser amante de um militante da FALN.[3] A tortura que sofreu era mais produto da selvageria dos interrogadores do que da funcionalidade do suplício.[3]

O episódio foi vexatório para o governo e abalou parte da hierarquia da igreja católica.[3] O bispo de Ribeirão Preto, Felício da Cunha excomungou dois delegados de polícia,[3] Renato Ribeiro Soares e Miguel Lamano. Lamano, em 1998, foi apontado num 'ranking' da revista Veja como o 12º maior torturador da época da ditadura militar.[4]

De acordo com o ex-arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, foi a prisão da irmã Maurina que lhe motivou a iniciar sua "luta pela justiça social".[1][5]

Alguns autores, como Jacob Gorender, no livro Combate nas Trevas, argumentam que irmã Maurina teria sido estuprada na prisão. A freira, entretanto, nega ter sido vítima de violência sexual; de acordo com ela, foi vítima de violência moral. Na prisão foi obrigada a assinar confissão dizendo que era amante de um militante comunista.[5]

Em 1970, a irmã Maurina foi trocada pelo cônsul japonês Nobuo Okuchi, sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e foi forçada a se exilar no México, onde viveu por 14 anos.

Suposta gravidez[editar | editar código-fonte]

Após a ditadura, jornais sensacionalistas afirmaram que irmã Maurina teria abortado após ter engravidado do delegado Sérgio Paranhos Fleury, que a teria estuprado. Dom Paulo Evaristo Arns e a própria freira desmentiram tanto o estupro quanto a gravidez. O tema foi utilizado pelo dramaturgo Jorge Andrade na peça Milagre na Cela, de 1977.[2]

O episódio que gerou a alegação de que Maurina teria engravidado na prisão foi, de acordo com a mesma, quando um militar alto e loiro começou a abraçá-la, dizendo que estava longe da esposa. De acordo com a irmã Maurina, ela pediu para ele se afastar e então ele sacou uma pistola, insistindo para que ela a segurasse, a fim de que suas impressões digitais ficassem na arma.

Referências

  1. a b YAMADA, Gabriela e CASTRO, Danielle. "Madre não teve filho". Gazeta de Ribeirão, 11 de março de 2008. Acessado em 6 de abril de 2009.
  2. a b ARBEX, José, et al. Coleções Caros Amigos. A ditadura militar no Brasil. Página 230. São Paulo: Caros Amigos Editora, 2008.
  3. a b c d Gaspari, Elio (2014). A Ditadura Escancarada 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca. p. 269. 526 páginas. ISBN 978-85-8057-408-1 
  4. "Este maldito passado", Veja 1998
  5. a b [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]