Leite de Rosas

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Leite de Rosas
A bailarina Olenewa, num anúncio de 1934.
Slogan O preparado que dá 'it'
Atividade Cuidados Pessoais
Fundação 1929 (92 anos)
Fundador(es)  Brasil Francisco Olympio de Oliveira
Sede Rio de Janeiro
Área(s) servida(s) Brasil
Produtos Cosméticos e Perfumaria
Website oficial lr.com.br

Leite de Rosas Tradicional é um cosmético em produção no Brasil desde a década de 1920.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1929, o seringalista Francisco Olympio de Oliveira mudou-se do Amazonas para o Rio de Janeiro e, aos 52 anos de idade, decidiu criar um cosmético feminino. Um amigo farmacêutico ajuda-o no desenvolvimento de uma fórmula, que foi batizada como Leite de Rosas. Em sua própria casa, no bairro de Laranjeiras, Zona Sul da cidade, Francisco e a esposa produzem e envasam as primeiras unidades do novo produto. Para não incomodar a vizinhança, ele fecha as caixas de madeira usadas para despachar a mercadoria, martelando-as somente na hora em que o bonde passava. O primeiro registro, datado de 1929, confere à empresa F. O. de Oliveira o direito de produzir e comercializar o Leite de Rosas.[1]

Cinco anos mais tarde, a família muda-se para o Jardim Botânico e instala a empresa na garagem da casa, contratando então seu primeiro funcionário. Francisco Olympio passa a divulgar o Leite de Rosas, colando cartazes de propaganda nos postes das ruas do Rio de Janeiro durante as madrugadas, apesar da proibição existente; usa o rádio - um poderoso meio de comunicação que acabara de surgir - para anunciar o produto, patrocinando astros como Orlando Silva e Elza Marzulo. Também anuncia o produto nas revistas mais famosas da época, como Fon-Fon[2], Jornal das Moças[3] e O Cruzeiro[4]. Sua primeira garota propaganda foi Maria Olenewa, primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Na vanguarda do seu tempo, o Leite de Rosas foi o primeiro anunciante a mostrar moças de biquíni em suas peças de publicidade. Como patrocinador de grandes eventos que marcaram época, patrocinou a vinda da orquestra de Tommy Dorsey ao Brasil. Introduziu o conceito de grandes promoções com consumidores no país, com "Escreva uma carta para Judy Garland", promoção que teve enorme repercussão. Com o slogan "O preparado que dá it"[5], a marca Leite de Rosas se solidifica. A propaganda estabelece a ligação entre Leite de Rosas e as musas da época: até Carmem Miranda e sua irmã, Aurora, passam a serem garotas-propaganda do produto[6]. É o primeiro produto a usar anúncios coloridos e a ter homens como protagonistas de suas peças publicitárias. Inicialmente concebido como produto para a limpeza da pele, passa a ser utilizado também como removedor de maquiagem, desodorante para as axilas e loção pós-barba.

Na década de 1940, é construída a fábrica de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Nos anos 1950, Assis Chateaubriand, o poderoso chefe dos Diários Associados, convida Francisco Olympio para patrocinar, com a marca Leite de Rosas, o concurso de Miss Brasil, quando a televisão estava apenas engatinhando no Brasil.[1]

Em 1961, Henrique Ribas, genro e sucessor de Francisco Olympio, assume o comando da empresa da família, após o falecimento do seu fundador. Grande empreendedor, Henrique adota estratégias que multiplicam o potencial do Leite de Rosas, tornando-o acessível a novos consumidores.[1] Como exemplo, cita-se a troca da tradicional embalagem de vidro, facilmente quebrável e que encarecia o produto, pela embalagem de plástico.

Na década de 1980, calcado nas mudanças estratégicas ocorridas, a empresa investe em novos mercados, mais especificamente no Norte e Nordeste do Brasil, e no Grande Rio. Com uma política de vendas direcionada para as classes de menor poder aquisitivo, torna-se a marca mais vendida de desodorante nessas regiões. Em 1995 a empresa passa a usar a atual razão social - L.R. Cia. Brasileira de Produtos de Higiene e Toucador.[1]

Em 1999, a empresa ganha o Prêmio Top de Marketing, graças ao seu novo posicionamento na publicidade, que consegue rejuvenescer a imagem do produto. Com a chegada do novo milênio, a empresa dá início à extensão de marca, com o lançamento de um sabonete hidratante, seguido por novas linhas de desodorantes, cremes hidratantes e novas fragrâncias de seu tradicional produto. O Leite de Rosas era líder de vendas nas regiões Norte e Nordeste e, para consolidar sua presença nesses mercados, a empresa inaugurou, em 2006, uma nova fábrica em Aracaju.[1]

Em 2011, depois da trágica passagem de uma gerência profissional, quando a Leite de Rosas quase entrou em concordata, a família retorna à administração, com projeto de renovar a marca. Junto com o ano de 2012 veio, então, o primeiro lucro em 6 anos.

Linha do tempo[editar | editar código-fonte]

1976 - Lançamento do Talco Barla. O produto é perfumado, contendo Ácido Bórico, Óxido de Zinco, Subnitrato de Bismuto, Subgalato de Bismuto e Silicato de Magnésio, nos tamanhos de 80g e 140g.

2002 - Lançamento do sabonete Leite de Rosas. O produto, com fórmula hidratante, tinha perfume floral suave, era branco e vinha acondicionado em caixinha de papel cartão com formato ovalado de 90 gramas.

2003 - Lançamento de uma linha de hidratantes (corporal e facial). Todas as fórmulas contêm extrato de rosas brancas, vitamina E e um perfume floral. Lançamento de desodorantes na forma aerossol, spray e roll-on.

2007 - Lançamento de duas novas fragrâncias do tradicional produto: Fresh e Pétalas. A primeira é também voltada ao público masculino. Já a segunda, tem aroma de rosas, porém mais suave, e é um pouco mais feminina.

2008 - Lançamento dos novos desodorantes desenvolvidos com base na mesma fórmula, com a adição do chamado "Complexo Biorregulador da Transpiração", além de extratos de rosas brancas e Citrus nobilis Lour..

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Site oficial. [https://web.archive.org/web/20120409125603/http://www.leitederosas.com.br/empresa-historia.php Arquivado em 9 de abril de 2012, no Wayback Machine. História da empresa.
  2. «Anúncio de Leite de Rosas». Fon-fon. 11 de junho de 1932. Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  3. «Anúncio do Leite de Rosas». Jornal das Moças. 30 de novembro de 1933. Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  4. «O preparado que dá it! Mais do que it..."Yampf"». 27 de maio de 1938. Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  5. «O preparado que dá "it"». O Cruzeiro. 15 de novembro de 1941. Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  6. «O que as mulheres bonitas dizem do Leite de Rosas». Fon-fon. 26 de agosto de 1939. Consultado em 3 de dezembro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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