Lineamento Transbrasiliano

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O lineamento transbrasiliano (LTB) é uma estrutura geológica na forma de sutura pré-cambriana que se desenvolveu devido ao processo de fechamento do Oceano Goiás Farusiano cerca de 600 milhões de anos atrás e separa o Brasil no Domínio Amazônico e Brasiliano. Alguns pesquisadores se referem ao lineamento como corredor tectônico pelo fato da estrutura ser uma “faixa” de até 350 km de largura contendo diversos lineamentos menores. O lineamento transbrasiliano inicia-se no nordeste brasileiro e segue até o Paraguai. Após o fechamento do Oceano Goiás Farusiano, essa sutura, que é uma zona de fraqueza translitosférica, passou a apresentar movimento dextral, porém há diversos indícios de reativação com movimento sinistral e essas reativações são uns dos motivos de terremotos de pequena magnitude no centro do Brasil, como o terremoto de Mara Rosa.

Formação e localização[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o lineamento tranbrasiliano está localizado, principalmente, entre o Cráton do São Francisco e o Cráton Amazônico. O Oceano Goiás Farusiano se localizava entre o continente do Oeste de Gondwana e o continente do Leste de Gondwana e foi criado no processo de amalgamação do supercontinente Rodínia. O fechamento desse oceano teve início com o processo de subducção interoceânica e posteriormente subducção entre placa oceânica e continental, e por último, colisão continental. Esses processos levaram a criação do Orógeno do Oeste de Gondwana. Diversos pesquisadores afirmam, com base em dados de paletomagnetismo, que o Lineamento Hoggar-Kandi, na África, seria uma continuidade do LTB relacionado também ao mesmo evento de fechamento do Oceano Goiás Farusiano.

Períodos de reativação[editar | editar código-fonte]

A Placa Sul Americana está submetida a uma série de tensões vindas tanto do meio do Oceano Atlântico, devido ao espalhamento do assoalho oceânico, quanto da Cordilheira dos Andes, relacionado as processos de subducção lá existentes. Muitas dessas tensões propagam-se pela crosta e acabam se dissipando ao longo do Lineamento Transbrasiliano, causando terremotos de baixa magnitude e movimentos entre as duas grandes províncias as quais separa.

Bacias sedimentares[editar | editar código-fonte]

O lineamento transbrasiliano possui uma relação com a origem e evolução de algumas bacias sedimentares brasileiras. Zonas de fraqueza litosférica na Plataforma Sulamericana, no período Pré-cambriano foram importantes para a origem e evolução de bacias intracratônicas (Neves et al, 1984). Estruturas translitosféricas como é o caso do Lineamento Transbrasiliano, tem a capacidade de dissipar tensões que vem das bordas das placas, afetando assim a parte estrutural de bacias sedimentares. Feições deformacionais ligadas a abalos sísmicos encontrados em rochas sedimentares são denominados de sismitos. Os sismitos são feições deformacionais geradas por um sismo enquanto o sedimento estava incosolidado, afetando assim a morfologia deposional. Essas estruturas são utilizadas para obter informações importantes a respeito da magnitude e duração de determinados abalos sísmicos que ocorreram na história de determinada região.

Bacia do Parnaíba[editar | editar código-fonte]

O lineamento transbrasiliano corta a Bacia do Paraíba. Trata-se de uma bacia intracratônica, formada por subsidência termal e preenchida por depósitos Paleozóicos. O desenvolvimento da Bacia do Parnaíba é relacionado a um sistema de riftes instalado sobre o LTB, tendo assim uma relação espacial e temporal com eixo deposicional da Bacia. O preenchimento nas áreas próximas do LTB são condicionadas pelo lineamento e por estruturas adjacentes, sendo o seu depocentro originado e marcado por estruturas paralelas ao LTB.

Bacia do Paraná[editar | editar código-fonte]

A Bacia do Paraná é uma das maiores bacias intracratônicas da América do Sul, e é afetada também pelo lineamento transbrasiliano. Possui depocentros desenvolvidos em estruturas de orientação NE-SW, correlacionadas ao LTB. Estruturas do embasamento com orientação NE e NW reativadas, gerando soerguimentos de blocos e subsidência. Ao longo da sua evolução como bacia, duas reativações principais afetaram sequências carboníferas da Bacia do Paraná, formando novos centros deposicionais que foram preenchidas posteriormente por sedimentos do Cretáceo, fomando-se assim um novo ciclo deposicional da Bacia.

Referências

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  • SANTOS, Rafael D. et al. Influência do Lineamento Transbrasiliano na formação do arcabouço estrutural da Bacia Parnaíba. In: 13th International Congress of the Brazilian Geophysical Society & EXPOGEF, Rio de Janeiro, Brazil, 26–29 August 2013. Society of Exploration Geophysicists and Brazilian Geophysical Society, 2013. p. 361-366.
  • CORDANI, Umberto Giuseppe et al. THE SIGNIFICANCE OF THE TRANSBRASILIANO-KANDI TECTONIC CORRIDOR FOR THE AMALGAMATION OF WEST GONDWANA. Brazilian Journal of Geology, v. 43, n. 3, p. 583-597, 2013.
  • BARROS, Lucas V. et al. The Mara Rosa 2010 GT-5 earthquake and its possible relationship with the continental-scale Transbrasiliano lineament. Journal of South American Earth Sciences, v. 60, p. 1-9, 2015.
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  • GANADE, Carlos E. et al. Tightening-up NE Brazil and NW Africa connections: New U–Pb/Lu–Hf zircon data of a complete plate tectonic cycle in the Dahomey belt of the West Gondwana Orogen in Togo and Benin. Precambrian Research, v. 276, p. 24-42, 2016.
  • Curto, J.B.; Vidotti, R.M.; Fuck, R.A.; Blakely, R.J; Alvarenga, C. J.S.; Dantas, E.L. “The tectonic evolution of the Transbrasiliano Lineament in northern Paraná Basin, Brazil, as inferred from aeromagnetic data.”
  • Rafael D. Santos¹; David L. de Castro¹; Francisco H. R. Bezerra¹; Roberta M. Vidotti²; Reinhardt A. Fuck²; Elton L. Dantas²; Thuany Patrícia C. de Lima¹. Influência do Lineamento Transbrasiliano na formação do arcabouço estrutural da Bacia Parnaíba.
  • Chamani, M.A.C. “Tectônica intraplaca e deformação sinsedimentar induzida por abalos sísmicos: O Lineamento Transbrasiliano e estruturas relacionadas na Província Parnaíba, Brasil.