Datação absoluta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portal A Wikipédia possui o portal:


Definição:[editar | editar código-fonte]

A datação absoluta consiste na determinação da idade em milhões de anos (M.a.) ou noutra unidade temporal, tomando como referência o tempo presente. Essa é a unidade de tempo que se usa em Geocronologia, que é o estudo da idade da Terra e das rochas que formam sua crosta.

Técnicas:[editar | editar código-fonte]

As técnicas mais comuns de datação absoluta são: a datação pelo conteúdo fossilífero, isto é, se a rocha contém fósseis, sua idade será a idade desses fósseis; porém, é um método com enormes limitações; e a datação radiométrica, baseada se na desintegração radioativa de determinados elementos químicos instáveis encontrados na natureza, isso graças a descoberta da radioatividade, feita a cerca de 100 anos.

Datação radiométrica:[editar | editar código-fonte]

Os elementos químicos radioativos emitem uma radiação que pode ser de três tipos: radiação alfa – o núcleo perde dois prótons e dois nêutrons (como o do elemento Hélio); radiação beta – um nêutron se transforma em um próton pela liberação de um elétron; e radiação eletromagnética - semelhante aos raios X (radiação gama). Com a emissão dessas radiações, os átomos originais, radioativos, transformam-se em átomos de outro elemento, estáveis, isso é, não radioativos. Sabendo-se a velocidade com que esse processo ocorre, determina-se a quantidade do elemento formado pela radioatividade e, assim, calcula-se há quanto tempo o processo está ocorrendo naquela rocha. Esse tempo será sua idade. Esse é um resumo da datação radiométrica.

A matéria é constituída por átomos que apresentam um núcleo (contendo prótons e nêutrons) e elétrons (na eletrosfera) girando em torno desse núcleo. Todo elemento químico tem um número atômico (número de prótons) e um número de massa (soma de seus prótons e nêutrons). O número atômico não varia, mas o número de massa pode mudar. O carbono, por exemplo, tem número atômico 6, mas número de massa que pode ser 12, 13 ou 14. O número de massa do carbono 12 (12C) é invariável, mas o carbono 14 (14C) é radioativo e seus átomos podem sofrer alteração no número de massa transformando-se em outro elemento químico – o Nitrogênio (14N7). Átomos que têm mesmo número atômico, mas diferentes números de massa são chamados de isótopos. O 12C e o 14C são isótopos do carbono.

O decaimento radioativo pode acontecer numa só etapa como, por exemplo, a transformação de rubídio em estrôncio (87Rb – 87Sr) por um decaimento do tipo beta, ou envolver várias etapas como a transformação de urânio em chumbo por sete decaimentos alfa e seis beta (235U – 207Pb). Esse decaimento ocorre com diferentes velocidades em cada um desses pares de elementos e teoricamente nunca termina. Por isso, na datação radiométrica trabalha-se com o conceito de meia-vida, que é o tempo necessário para que metade dos isótopos instáveis se transformem nos correspondentes isótopos estáveis. Numa rocha são necessários, por exemplo, 106 bilhões de anos para que metade do Samário (147Sm) se transforme em neodímio. Portanto, a meia-vida do samário é de 106 bilhões de anos (106 Ga ou 106.000 milhões de anos).

Os elementos químicos a serem usados na datação radiométrica são escolhidos conforme a geologia indique ser a rocha muito antiga ou pouco antiga. A meia-vida do 14C é tão curta (5.730 anos) que não pode ser usado para determinar a idade de rochas. Mas é útil na arqueologia, por exemplo, para calcular a idade de materiais com até 70.000 anos, como madeira, carvão, cerâmica, ossos, roupas etc.

Um equipamento chamado espectrômetro de massa é fundamental para isso tudo, porque mede as razões isotópicas, isso é, a quantidade relativa dos diferentes isótopos existentes na rocha. Essas análises exigem laboratórios extremamente limpos para evitar contaminações.

Outro grande cuidado que se deve ter é o de examinar amostras de rochas inalteradas e, obviamente, representativas do corpo de rocha cuja idade se quer determinar. A quantidade de material necessária para análise vai depender do método a ser utilizado. Pode-se usar toda a rocha, só alguns minerais dela ou as duas opções.

Referências:[editar | editar código-fonte]

FAIRCHILD, T. et al. Em busca do passado do planeta: tempo geológico. In: TEIXEIRA, Wilson et al. org.

Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. 568p. il. p. 320-326.

Ícone de esboço Este artigo sobre Geologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.