Arqueologia da América

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A arqueologia da América é o estudo dos povos antigos da América através dos restos por eles deixados, como documentos, monumentos e objetos.[1]

Hipóteses Sobre o Início da Ocupação Humana das Américas[editar | editar código-fonte]

Até recentemente, a interpretação mais largamente aceita baseada nos achados arqueológicos era a de que os primeiros humanos nas Américas teriam vindo numa série de migrações da Sibéria para o Alasca através de uma língua de terra chamada Beríngia, que se formou com a queda do nível dos mares durante a última idade do gelo, entre 24 000 e 9 000 anos atrás.

No entanto, achados na América do Sul mudaram o pensamento dos arqueólogos. O fóssil de uma mulher com 11 mil anos foi encontrado pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire na década de 1970. O fóssil recebeu o nome de Luzia, apelido dado carinhosamente pelo biólogo Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.

Ao estudar a morfologia craniana de Luzia, Neves encontrou traços que lembram os atuais aborígenes da Austrália e os negros da África. Ao lado do seu colega argentino Héctor Pucciarelli, do Museu de La Plata, Neves formulou a teoria de que o povoamento das Américas teria sido feito por duas correntes migratórias de caçadores e coletores, ambas vindas da Ásia, provavelmente pelo estreito de Bering, mas cada uma delas composta por grupos biológicos distintos. A primeira teria ocorrido 14 mil anos atrás e seus membros teriam aparência semelhante à de Luzia. O segundo grupo teria sido o dos povos mongoloides, há uns 11 mil anos, dos quais descendem atualmente todas as tribos indígenas das Américas.

Há várias interpretações para estes achados (e para a pré-história das Américas):

A maioria dos antropólogos e arqueólogos considera que a genética, linguística e cultura dos índios da América do Norte mostram uma origem predominantemente siberiana. Por esta razão, pensa-se que pode ter havido pelo menos três migrações separadas da Sibéria para a América:

Uma das possíveis rotas de entrada do homem nas Américas através da Beríngia.

Os achados mais recentes no Brasil, permitem afirmar que a entrada do Homo sapiens no continente americano pode ter-se iniciado entre 150 000 e 100 000 anos atrás. Um continente tão vasto deve ter sido ocupado a partir de diversos pontos de penetração, que incluem também a via marítima, uma vez que o nível do mar variou durante as diferentes épocas e, em certos momentos, chegou até a 150 metros abaixo do nível atual, o que significa que um maior número de ilhas existia, a plataforma continental era mais ampla, tornando essas viagens mais fáceis para os meios tecnológicos dessa altura do que se poderia supor.

Uma consequência destas sucessivas vagas de migrantes é que grandes populações com línguas e provavelmente características físicas semelhantes se espalharam por várias áreas geográficas das Américas do Norte, Central e Sul. Uma vez que os nativos americanos tradicionalmente mantêm-se leais às suas tribos, os etnólogos têm tentado agrupar a miríade de tribos atuais em agrupamentos que reflitam as suas origens geográficas comuns, similaridades linguísticas e modo de vida (ver: Classificação dos nativos americanos).

Apesar de muitos grupos terem uma vida nómada ou seminómada na época da ocupação europeia do Novo Mundo, em algumas regiões, especificamente no vale do rio Mississippi, nos Estados Unidos, no México, na América Central e nos Andes da América do Sul eles formaram civilizações avançadas com arquitetura monumental e organizadas em cidades e estados, como foram os maias e os incas.

Existem outras teorias sobre a origem dos nativos americanos:

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Arqueologia da América

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 167.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bones, Discovering the First Americans, por Elaine Dewar, Carroll & Graf Publishers, New York, 2002, hardcover, 628 pages, ISBN 0-7867-0979-0
  • KRONE, Ricardo. O Ídolo antropomorfo de Iguape: sua relação com os sambaquis e pré-história brasileira, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XVI, pp. 227-233, 1911.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]