Mário Viegas

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Mário Viegas
Nome completo António Mário Lopes Pereira Viegas
Nascimento 10 de novembro de 1948
Nacionalidade  Portugal
Morte 1 de abril de 1996 (47 anos)
Ocupação Actor, encenador e recitador
Outros prémios
Primeiro prémio de interpretação masculina em O Rei das Berlengas
IMDb: (inglês)

António Mário Lopes Pereira Viegas Com IH (Santarém, 10 de Novembro de 1948Lisboa, 1 de Abril de 1996) foi um actor, encenador e recitador português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

António Mário Lopes Pereira Viegas (1948-1996) é considerado um dos melhores atores da sua geração. Criado no seio de uma família dedicada à exploração de farmácias e originária de Santarém, e de tradição republicana, Mário Viegas despertou para o teatro numa altura em que era estudante de História, na Faculdade de Letras de Lisboa. Posteriormente, depois de um período em que viveu no Porto, inscreveu-se na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, tendo a sua estreia profissional ocorrido no Teatro Experimental de Cascais, com Carlos Avilez.

Ator muito ligado ao teatro, foi fundador de três companhias teatrais — a última das quais a Companhia Teatral do Chiado — e foi, enquanto encenador e/ou diretor artístico, responsável pela adaptação e encenação de obras clássicas de autores como Samuel Beckett, Eduardo De Filippo, Anton Tchekov, August Strindberg, Luigi Pirandello ou Peter Shaffer. Pela sua atividade foi distinguido, diversas vezes, pela Casa da Imprensa, pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela Secretaria de Estado da Cultura, que lhe atribuiu o Prémio Garrett (1987). No estrangeiro foi premiado no Festival de Teatro de Sitges (1979), com a peça D. João VI de Hélder Costa, e no Festival Europeu de Cinema Humorístico da Corunha (1978), com filme O Rei das Berlengas de Artur Semedo. O seu último êxito teatral foi a peça Europa Não! Portugal Nunca (1995).

A sua carreira no cinema começou com o filme O Funeral do Patrão, de Eduardo Geada (1975). Participaria em seguida em mais de 15 películas, entre elas O Rei das Berlengas de Artur Semedo (1978), Azul, Azul de José de Sá Caetano (1986), Repórter X de José Nascimento (1987), A Divina Comédia de Manoel de Oliveira (1991), Rosa Negra de Margarida Gil (1992), Sostiene Pereira de Roberto Faenza (1996), onde contracenou com Marcello Mastroianni. Teve uma colaboração regular com José Fonseca e CostaKilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991).

Mário Viegas deu-se também a conhecer também pela sua admirável forma de dizer poesia, gravando uma extensa discografia, com poemas de Fernando Pessoa, Luís de Camões, Cesário Verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, entre outros. Através da televisão contribuiu igualmente para a divulgação da poesia portuguesa, editando os programas Palavras Ditas (1984) e Palavras Vivas (1991), onde além dos poetas clássicos divulgou junto do grande público autores como Pedro Oom ou Mário-Henrique Leiria.

Do seu percurso fazem parte também as suas incursões na política. Em 1995 candidatou-se a deputado, como independente, nas listas da União Democrática Popular. Em 1996, contando também com o apoio da UDP foi candidato à Presidência da República Portuguesa, adotando o slogan O sonho ao poder, e buscando apoio no meio universitário lisboeta.

Também foi colunista do Diário Económico, onde escreveu sobre teatro e humor, e publicou uma autobiografia, intitulada Auto-Photo Biografia (1995). Recebeu a Medalha de Mérito do Município de Santarém (1993) e o título de comendador da Ordem do Infante D. Henrique (1994), das mãos de Mário Soares Soares. O seu corpo esta em campa raza, talhão dos artistas,Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Em 2001 o Museu Nacional do Teatro dedicou-lhe a exposição Um Rapaz Chamado Mário Viegas.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Gravações áudio[editar | editar código-fonte]

  • Palavras Ditas, 1972, LP Orfeu STAT 011.
  • O Operário em Construção e 3 Poemas de Brecht, 1975, EP Orfeu ATEP 6593.
  • O Operário em Construção, 1975, LP Orfeu STAT 091.
  • País de Abril, 1974, LP, Estúdios Polysom, Lisboa, Edição Orfeu, STAT 021.
  • 3 Poemas de Amor, Ódio e Alguma Amargura, 1976, Edição Arnaldo Trindade Lda., Orfeu, STAT 037.
  • Pretextos Para Dizer..., 1978, LP Orfeu STAT 066.
  • Humores, 1980, 2 LP Orfeu STAT 100.
  • O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro - Fernando Pessoa, 1983, 2 Vinyl Sassetti DIAP 070/2.
  • Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos, (Com Manuela de Freitas), 1990, UPAV, U-90005-LP.
  • No Centenário de Almada Negreiros, 1993, CD Orfeu 35001.
  • O Operário em Construção / País de Abril, Abril 2011, 2 CD Orfeu.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • 1976, O Funeral do Patrão
  • 1978, O Rei das Berlengas (D. Lucas Telmo de Midões).
  • 1979, D. João VI (Série televisiva).
  • 1980, Kilas, o Mau da Fita (Rui Tadeu - aliás Kilas).
  • 1980, A Culpa (Adriano).
  • 1983, Sem Sombra de Pecado (Aspirante Henrique Sousa Andrade).
  • 1985, A Boa Pessoa de Setzuan (Telefilme).
  • 1986, 2002 Odisseia no Terreiro do Paço (Telefilme).
  • 1986, Filmezinhos de Sam (Telefilmes).
  • 1986, Azul, Azul (Mário).
  • 1987, Repórter X (Sete Línguas).
  • 1987, Balada da Praia dos Cães (Voz do Capitão Dantas).
  • 1988, A Mulher do Próximo (Henrique).
  • 1989, Rua Sésamo (Série televisiva).
  • 1990, Segno di Fuoco (usurário).
  • 1991, O Suicidário (Telefilme).
  • 1991, Napoléon et l'Europe (Série televisiva).
  • 1991, Os Cornos de Cronos (Professor Álvaro).
  • 1991, A Divina Comédia (Filósofo).
  • 1992, Contradições (Série televisiva).
  • 1992, Rosa Negra (Barriga d'Água).
  • 1994, Fado Lusitano (Narrador).
  • 1995, Afirma Pereira (Editor).
  • 1996, O Judeu (D. João VI) (Telefilme).

Televisão[editar | editar código-fonte]

  • 1984, Palavras Ditas.
  • 1991, Palavras Vivas.

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1973, Oh papá, pobre papá, a mamã pendurou-te no armário e eu estou tão triste, de Arthur Kopit, Casa da Comédia

Prémios e condecorações[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Mário Viegas, (coord.) Rita Azevedo Gomes, Francisco Grave, Lisboa, Cinemateca Portuguesa: Museu do Cinema, 1997. ISBN 972-619-115-7.
  • Mário Viegas: Actor: 1948-1996, [org.] Comissão Municipal de Toponímia; textos Paula Machado; coord. António Trindade, Álvaro Albuquerque, Lisboa, C.M.L., 1999.
  • Um rapaz chamado Mário Viegas, [org.] Museu Nacional do Teatro; coord. José Carlos Alvarez; textos e depoimentos Raquel Henriques da Silva [et al.]; fot. originais J. Marques [et al.]. 1ª ed., Lisboa, M.N.T., 2001. ISBN 972-776-096-1.
  • Auto-photo biografia (não autorizada), Mário Viegas; pref. António d'Orey Capucho, Ana Clara Justino, Cascais, Câmara Municipal de Cascais, 2003. ISBN 972-637-106-6.
  • Mário Viegas: O sonho ao poder: 1948-1996, Paulo Marques, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 2008. ISBN 978-972-8645-58-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]