Marketing de conteúdo

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Marketing de conteúdo é um método de marketing que se baseia na formação de um público fiel por meio da criação e compartilhamento de conteúdo. A definição mais utilizada em âmbito global é a de autoria do estadunidense Joe Pulizzi, fundador do Content Marketing Institute:

“Marketing de conteúdo é uma abordagem estratégica de marketing focada em criar e distribuir conteúdo valioso, relevante e consistente para atrair e reter um público-alvo claramente definido — e, em última análise, conduzi-los a ações rentáveis como consumidores.”[1]

O conceito se baseia em gerar fidelização dos clientes ao entregar informações valiosas, de maneira consistente. O conteúdo é produzido pelas marcas visando se aproximar do cliente e sanar suas dúvidas/objeções e dicas ao longo do funil de vendas, mas sem intenção comercial direta, e sim educacional.[2] Pode ser publicado em diferentes formatos tanto off-line (revistas impressas, eventos presenciais etc.) como on-line (vídeos, white papers, ebooks, posts, guias, artigos, webinars etc.). Não é focado exclusivamente em vendas, em compartilhamento de conteúdo relevante e útil.[3]

O objetivo central é a formação de um público fiel. Uma marca utiliza todos os mecanismos para reunir pessoas interessadas, tornando-se referência para elas. Uma vez que essa plateia esteja consolidada — o que leva meses ou anos para acontecer —, a marca colhe os benefícios. Em um de seus livros, intitulado Epic Content Marketing,[4] Joe Pulizzi lista os objetivos frequentes das empresas. São eles:

  • Consciência da marca;
  • Geração de leads;
  • Conversão em clientes;
  • Serviço ao cliente;
  • Retenção do cliente;
  • Geração de fidelidade;
  • Upsell do cliente;
  • Geração de defensores da marca.

O marketing de conteúdo é um dos grandes motores para atrair clientes de qualidade, frente ao marketing digital. entre os principais objetivos do marketing de conteúdo em uma empresa podem ser destacados o o aumento de vendas, do engajamento com os clientes e potenciais clientes e geração de leads.[5]

Diferença entre marketing de conteúdo e inbound marketing[editar | editar código-fonte]

O marketing de conteúdo também é frequentemente confundido com inbound marketing, que também é conhecido por "marketing de atração" em português.[6]

A diferença está no fato de que marketing de conteúdo tem uma abordagem mais ampla, podendo gerar resultados financeiros ou não. O inbound marketing, por sua vez, é focado exclusivamente na geração de leads comerciais, quase sempre por meio de ferramentas de automação de marketing. Portanto, o inbound marketing é um braço do marketing de conteúdo, que inclui entre suas táticas também elementos de SEO, mídias sociais, marketing de influência e outras formas de comunicação de marca.

Há diversos modelos para o processo de marketing de conteúdo. Um dos mais utilizados engloba cinco fases de implantação:

  1. Definição de objetivos: nesta fase, são alinhados os objetivos específicos do conteúdo aos objetivos globais da empresa, muitas vezes definidos no planejamento estratégico.
  2. Construção de personas,com especial atenção à identificação de necessidades e "pain points" dos potenciais clientes.
  3. Produção de conteúdo relevante e útil, seguindo uma linha editorial definida pela marca. Empresas mais avançadas utilizam alguma forma de storytelling para definir os objetivos do conteúdo.
  4. Táticas de distribuição de conteúdo por diversos canais on e off-line. É nesta etapa que se enquadra o inbound marketing.
  5. Mensuração de resultados, com especial atenção ao retorno sobre investimento (ROI).

Já o processo do inbound marketing segue em linhas gerais os seguintes passos:

  • Atrair - Produção de conteúdo em ebooks, artigos, infográficos, vídeos, palestras e atrair leitores por meio das ações de SEO, investimentos nos links patrocinados, divulgação em redes sociais e e-mails.
  • Converter - Produção de conteúdo mais aprofundado para quem deixou contatos para receber os conteúdos (geração de leads). Envio de promoções por landing pages, contatos por e-mail.
  • Relacionar: manter a comunicação com os usuários já obtidos, como e-mail marketing, conteúdos adicionais, interações nas redes sociais.
  • Vender: alinhamento do departamento de marketing e geração de conteúdos, contatos diretos para ofertas, promoções e vendas com os contatos obtidos e educados por meio dos conteúdos e relacionamentos.
  • Monitorar: logo após o processo de venda é importante monitorar a relação do comprador com a marca, nunca deixando de alimentar com conteúdo relevante para seguir cautivando o usuário e gerar novos impulsos de venda.

Para os especialistas do marketing, o Marketing de Conteúdo "é o novo SEO e o coração do sucesso online". Ao produzir conteúdo, a empresa permite que as pessoas leiam ou assistam, compartilhem, tirem dúvidas e aprendam. Uma estratégia de conteúdo que gera resultados demanda uma série de fatores, como: conhecimento profundo das características, perfis, gostos e preferências do públicoalvo; alinhamento com os objetivos de negócio; métricas bem definidas; diversidade de produtos, para contemplar mais possibilidades de aprendizado, via texto, imagem e som.

Marketing de conteúdo não é só atração de leads[editar | editar código-fonte]

As empresas perceberam que os usuários da internet se interessam primeiramente por conteúdos informativos a respeito de produtos e serviços antes de decidirem uma ação. Essa é o caminho adotado pelo novo conceito de marketing, oferecer conteúdos para depois angariar vendas.

Entretanto, buscadores como Google, Bing e Yahoo perceberam essa tendência dos usuários e não demorou muito para que as companhias priorizassem a qualidade dos conteúdos publicados pelos sites de todos os gêneros.

E a qualidade não fica só na produção do conteúdo em si, mas também tanto na adequação ao tipo e perfil do cliente que deve ser o foco da empresa, quanto no momento da compra em que aquele cliente se encontra (a conhecida jornada de compra). As empresas também perceberam que essa produção adequada ao momento da compra aumentava o fechamento em vendas, maximizando a receita. Portanto fica evidente a preocupação do mercado em ir além da busca por leads.[7]

Diversos profissionais do marketing digital afirmam que SEO (Search Engine Optimization) ou Otimização de Sites será cada vez mais atrelado ao conteúdo e menos detalhes técnicos de uma página HTML.[8]

Segundo Edgar Correa, da Conteúdo sob Demanda,[9] "a ascensão deste tipo de marketing se deve a uma conjuntura de fatores que, enquanto independentes entre si, convergem para esta solução única de marketing".

História[editar | editar código-fonte]

Os exemplos abaixo demonstram o uso de conteúdo focado em aumentar o conhecimento das pessoas e criar uma maior reputação para marcas:

  • 1895: a John Deere lançou a revista The Furrow, que desde então ensina fazendeiros a tornarem suas fazendas mais lucrativas. A revista circula até hoje em mais de 40 países e possui um público de aproximadamente 1,5 milhões de leitores.[10]
  • 1900: a empresa de pneus Michelin criou o "Guia Michelin" que oferece dicas de manutenção veicular para motoristas. [11]
  • 1904: a marca de geletinas Jell-O começou a distribuir seu guia de receitas porta a porta gratuitamente. O guia promovia o produto da empresa como um alimento versátil e que poderia acompanhar várias outras receitas, logo em 1906 a empresa atingiu US$ 1 milhão em vendas. [12]
  • 1913: a consultoria Burns & McDonnell lançou em 1913 a revista BenchMark, voltada para engenheiros.[10]
  • 1932: a Procter & Gamble lançou um programa de radionovelas com o nome de soap opera (algo como "ópera do sabonete" em português). O sucesso foi enorme. Para se ter uma ideia, até hoje as novelas estadunidenses são chamadas de soap opera.[10]
  • 1954: no Brasil, a farmacêutica Tortuga, hoje pertencente à DSM, lançou o Noticiário Tortuga com informações para fazendeiros e veterinários.[10]
  • 1987: a marca de brinquedos Lego lançou a revista Brick Kicks, hoje chamada de LEGO Magazine.[10]
  • 2004: a Microsoft lançou o canal de vídeo online Channel 9 para se comunicar diretamente com programadores.[10]
  • 2012: a Coca-Cola transformou seu site em uma revista digital. Contratou uma equipe de 40 redatores para publicar conteúdo baseado em curadoria.[10]

Marcas reconhecidas[editar | editar código-fonte]

O principal evento de marketing de conteúdo no mundo é o Content Marketing World, realizado anualmente desde 2011 em Cleveland, nos Estados Unidos, sempre na primeira quinzena de setembro. Os diretores de marketing de marcas que se destacam são frequentemente convidados para atuar como keynotes (palestrantes principais), diante de uma plateia de 4 a 5 mil participantes. Nos últimos anos, essas marcas foram:

Marketing de conteúdo no Brasil[editar | editar código-fonte]

É possível que, assim como em outros lugares do mundo, o marketing de conteúdo tenha começado de forma empírica no Brasil há muitas décadas. No entanto, o registro mais antigo dessa atividade é datado de 1954, quando a farmacêutica Tortuga, hoje pertencente à DSM, lançou o Noticiário Tortuga.[10] Em 2015, a agência brasileira New Content, que publica revistas customizadas para marcas como TAM e O Boticário, foi eleita a melhor agência de content marketing do mundo no Content Marketing Awards.[18]

Estudos[editar | editar código-fonte]

Em 2014, o Content Marketing Institute estendeu para o Brasil o estudo Content Marketing no Brasil – Benchmarks, Orçamentos e Tendências, realizado a cada dois anos no País. Em 2015, foi feito o Primeiro Estudo de Content Marketing da América Latina, com os primeiros dados concretos sobre como as empresas trabalham a estratégia na região. O relatório mostrou que 98% usavam o Marketing de Conteúdo para promover seus produtos e que 56% das empresas entrevistadas preferem as redes sociais como meio para fazer suas divulgações.[19] Em 2016, foram feitos estudos comparativos realizados no sul do país sobre marketing digital.[20]

Premiações[editar | editar código-fonte]

Em 2015, o evento Digitalks criou a categoria "content marketing" para premiar os melhores profissionais de marketing de conteúdo do ano no Brasil. Por votação popular, os eleitos foram:[21]

Referências

  1. Politi, Cassio (20 de abril de 2017). «O que é content marketing?». Tracto Content Marketing. Consultado em 23 de junho de 2017 
  2. «Como usar marketing de conteúdo no funil de vendas». Marketingdeconteudo.com. Consultado em 6 de novembro de 2013 
  3. «Marketing de Conteúdo». Marketing de conteúdo. Consultado em 28 de setembro de 2014 
  4. PULIZZI, Joe (2013). Epic Content Marketing. Cleveland: Mc Graw Hill 
  5. «Como usar marketing de conteúdo para geração de leads». Resultados digitais. Consultado em 9 de junho de 2013 
  6. Politi, Cassio (2 de maio de 2016). «Marketing de conteúdo e inbound marketing: qual a diferença?». Tracto Content Marketing. Consultado em 23 de junho de 2017 
  7. «Marketing de Conteúdo orientado à Vendas». Meetime. Consultado em 9 de abril de 2016 
  8. K2 Comunicação (5 de janeiro de 2016). «Marketing de Conteúdo e SEO - tendências 2016». Consultado em 12 de janeiro de 2016 
  9. Correa, Edgar (1 de fevereiro de 2016). «Conteúdo sob Demanda». Edgar Correa 
  10. a b c d e f g h «Content marketing: alguns exemplos com mais de um século de idade - Tracto Content Marketing». Tracto Content Marketing. 24 de novembro de 2014 
  11. «The Michelin Guide: 100 Editions and Over a Century of History». Michelin. Consultado em 9 de junho de 2013 
  12. Lewtan, Lexi. «The History of Content Marketing [INFOGRAPHIC]». The Content Strategist. Consultado em 9 de junho de 2013 
  13. «Content Marketing World 2012: Keynotes». Content Marketing Institute (em inglês) 
  14. «Content Marketing World 2013: 30 Keynote Speaker Insights». The Content Standard by Skyword (em inglês). 1 de outubro de 2013 
  15. Institute, Content Marketing. «Content Marketing Institute announces Content Marketing World 2014». www.prnewswire.com (em inglês). Consultado em 24 de junho de 2017 
  16. «Content Marketing World 2015: Who Will Inspire Us This Year?». The Content Standard by Skyword (em inglês). 10 de setembro de 2015 
  17. «Conference Preview: Content Marketing World 2016». TechnologyAdvice (em inglês). 23 de agosto de 2016 
  18. «New Content, do Brasil, é eleita a melhor agência de content marketing do mundo - Tracto Content Marketing». Tracto Content Marketing. 10 de setembro de 2015 
  19. «Primeiro Estudo de Content Marketing da América Latina». Genwords. Consultado em 27 de março de 2017 
  20. «Pesquisa em marketing de conteúdo.». Content Trends. Consultado em 3 de março de 2016 
  21. «Prêmio Digitalks 2016 | Profissional do Mercado Digital» 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]