Mico (gênero)

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Sagui-branco (Mico argentatus)

Sagui-branco (Mico argentatus)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Primates
Família: Cebidae
Subfamília: Callitrichinae
Género: Mico
Lesson, 1840
Espécie-tipo
Simia argentata
Linnaeus, 1766
Espécies
Sinónimos
  • Liocephalus Wagner, 1840
  • Micoella Gray, 1870

O gênero Mico é um táxon da subfamília Callitrichinae, família Cebidae. No passado, foi considerado sinônimo de Callithrix ou classificado como subgênero deste.[3]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

As espécies de Mico eram tradicionalmente classificadas em Callithrix ("grupo Argentata"), mas filogenias com base em sequencias de DNA evidenciaram que o "grupo Argentata" de Callithrix era mais proximamente relacionado a Cebuella pygmaea do que dos Callithrix do leste do Brasil.[4] Frente a um Callithrix parafilético, optou-se por revalidar o nome Mico, para se referir aos saguis amazônicos previamente incluídos em Callithrix.[5] Estudos subsequentes, utilizando dados de pelagem, morfologia dentária e craniana, e genética evidenciaram inúmeras diferenças entre Mico e Callithrix.[6] Ambos gêneros também diferem na distribuição geográfica: as espécies de Mico são encontradas principalmente na Amazônia, enquanto que as do gênero Callithrix são encontradas predominantemente na Mata Atlântica do leste brasileiro.[7] Alguns autores classificam o sagui-anão, Callibella humilis,no gênero Mico, com base em evidências morfológicas e genéticas.[8][6][9][10]

Várias subespécies de Mico argentatus e Mico humeralifer agora são consideradas espécies distintas.[3][1][2][7] Ademais, 6 espécies das 14 conhecidas foram descritas após 1990.[1][11]

Espécies[editar | editar código-fonte]

Nome(s) popular(es) Nome científico Autor e data
sauim Mico acariensis (Roosmalen et al., 2000)
sauim-branco Mico argentatus (Linnaeus, 1766)
sauim-branco Mico chrysoleucos (Wagner, 1842)
sauim Mico emiliae (Thomas, 1920)
sagui-de-santarém Mico humeralifer (É. Geoffroy in Humboldt, 1812)
sauim, mico-leãozinho, jeitinho Mico humilis (Roosmalen et al., 1998)
sauim Mico intermedius (Hershkovitz, 1977)
sauim-branco Mico leucippe Thomas, 1922
sauim, branquinho Mico marcai (Alperin, 1993)
sauim Mico mauesi (Mittermeier, Schwarz & Ayres, 1992)
sagui-de-rabo-preto Mico melanurus (É. Geoffroy in Humboldt, 1812)
sagui-de-cabeça-preta Mico nigriceps (Ferrari & Lopes, 1992)
mico-cinza, sauim-branco Mico rondoni Ferrari et al., 2010
mico-leão, sauim-de-cara-branca Mico saterei (Silva Júnior & Noronha, 1998)

Distribuição Geográfica e Habitat[editar | editar código-fonte]

As espécies do gênero são endêmicas da Amazônia brasileira, a sul do Rio Madeira e Rio Amazonas, exceto por Mico melanurus, que ocorre em formações savânicas como o Cerrado no Brasil e o Chaco, na Bolívia e Paraguai.[2][12][13] Os saguis do gênero Mico ocorrem nos estados brasileiros do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Embora Mico melanurus apresente uma distribuição ampla no Cerrado, Chaco e em áreas limítrofes da Amazônia, a maioria das espécies amazônicas possuem distribuição mais restrita e frequentemente delimitada por rios. Mico intermedius, por exemplo, só é encontrado entre os rios Aripuanã e Roosevelt, nos estados do Amazonas e de Mato Grosso, e Mico rondoni só ocorre em Rondônia, com sua distribuição delimitada pelos rios Madeira, Mamoré e Ji-Paraná.[14] Como exceção, Mico emiliae atinge a área de transição Cerrado/Amazônia no sudeste de Mato Grosso.[15]

Descrição[editar | editar código-fonte]

As espécies de Mico possuem um porte médio, se comparado a outros saguis (300–470 g - excluindo Mico humilis).[16] Três espécies possuem tufos auriculares constituídos por pelos em ambos os lados do pavilhão auditivo: Mico chrysoleucos, Mico humeralifer, Mico mauesi. Mico intermedius possui tufos apenas na face externa do pavilhão auditivo, e as demais espécies possuem a orelha praticamente nua. A cauda geralmente é negra, contrastando com a coloração ventral e dorsal do animal, mas pode ser anelada.

A fórmula dentária é I 2/2 C 1/1 P 3/3 M 2/2 = 32. Os incisivos inferiores são da mesma altura dos caninos, e a face interna desses dentes apresenta uma camada mais fina de esmalte.[17] Os primeiros molares superiores possuem um aspecto triangular em vista oclusal, ocasionado pela perda do hipocone e pelo deslocamento do protocone para o nível da centrocrista.[18]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Os saguis amazônicos do gênero Mico possuem uma área de vida entre 5 e 28 hectares.[19][20] Os grupos podem conter até 15 indivíduos e são geralmente compostos por uma fêmea reprodutiva dominante e um ou dois machos adultos reprodutivos, mas grupos grandes podem ter mais fêmeas em idade reprodutiva. São frugívoros-insetívoros, e usam sua mandíbula e incisivos especializados para abrir buracos em troncos de árvore em busca de exsudatos. Alguns autores sugeriram que os saguis do gêneros Callithrix, Mico e Saguinus têm preferência por florestas com algum grau de distúrbio, devido à esse ambiente proporcionar uma maior disponibilidade de frutos e insetos.[19]

Geralmente onde ocorrem são os únicos primatas de pequeno porte (< 400 gramas), porém Mico emiliae e Saguinus weddelli são sintópicos em Rondônia, assim Mico argentatus e Saguinus niger no Pará. Existe apenas um caso conhecido de sintopia entre duas espécies de Mico: entre Mico humilis e Mico marcai.

Referências

  1. a b c Groves, C.P. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. pp. 129–13. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  2. a b c Rylands AB e Mittermeier RA (2009). «The Diversity of the New World Primates (Platyrrhini): An Annotated Taxonomy». In: Garber PA, Estrada A, Bicca-Marques JC, Heymann EW, Strier KB (eds). South American Primates: Comparative Perspectives in the Study of Behavior, Ecology, and Conservation 3rd edition ed. Nova Iorque: Springer. pp. 23–54. ISBN 978-0-387-78704-6 
  3. a b Groves, C. (2001). Primate Taxonomy. Smithsonian Institution Press. ISBN 1-56098-872-X
  4. Barroso, C. M. L.; Schneider, H.; Schneider, M. P. C.; Sampaio, I.; Harada, M. L.; Czelusniak, J.; Goodman, M. (1 de agosto de 1997). «Update on the Phylogenetic Systematics of New World Monkeys: Further DNA Evidence for Placing the Pygmy Marmoset (Cebuella) within the Genus Callithrix». International Journal of Primatology (em inglês). 18 (4): 651–674. ISSN 0164-0291. doi:10.1023/A:1026371408379 
  5. Rylands, Anthony B. (1 de janeiro de 2000). An assessment of the diversity of New World primates (em English). [S.l.]: Conservation International 
  6. a b Garbino, Guilherme S. T. (1 de dezembro de 2015). «How many marmoset (Primates: Cebidae: Callitrichinae) genera are there? A phylogenetic analysis based on multiple morphological systems». Cladistics (em inglês). 31 (6): 652–678. ISSN 1096-0031. doi:10.1111/cla.12106 
  7. a b Rylands, Mittermeier, Coimbra-Filho, Heymann, de la Torre, Silva Jr., Kierulff, Noronha and Röhe (2008). Marmosets and Tamarins: Pocket Identification Guide. Conservation International. ISBN 978-1-934151-20-4
  8. Schneider, Horacio; Bernardi, Jose Antonio R.; Da Cunha, Divino B.; Tagliaro, Claudia H.; Vallinoto, Marcelo; Ferrari, Steve F.; Sampaio, Iracilda (1 de janeiro de 2012). «A molecular analysis of the evolutionary relationships in the Callitrichinae, with emphasis on the position of the dwarf marmoset». Zoologica Scripta (em inglês). 41 (1): 1–10. ISSN 1463-6409. doi:10.1111/j.1463-6409.2011.00502.x 
  9. Digby, L., Ferari, S. & Saltzman, W. (2007). «Callitrchines». In: Campbell, C.; et al. Primates in Perspective. Oxford: Oxford University Press. pp. 85–106. ISBN 978-0-19-517133-4 
  10. van Roosmalen, M G. M., and van Roosmalen, T. (2003). The description of a new marmoset genus, Callibella (Callitrichinae, Primates), including its molecular phylogenetic status. Neotropical Primates 11(1): 1–10.
  11. Ferrari, S.F.; Sena, L.; Schneider, M.P. and Silva Júnior, J.S. (2010). «Rondon's Marmoset, Mico rondoni sp. n., from Southwestern Brazilian Amazonia». International Journal of Primatology. 31 (5): 693–714. doi:10.1007/s10764-010-9422-6 
  12. Rylands, A.B.; Coimbra-Filho, A.F. e Mittermeier, R.A. (2009). «The Sistematics and Distribution of the Marmosets (Callithrix, Calibella, Cebuella, and Mico) and Callimico (Callimico) (Callitrichidae, Primates)». In: Ford, S.M.; Porter, L.M. e Davis, L.L.C. (eds). The Smallest Anthropoids: The Marmoset/callimico Radiation (PDF). Nova Iorque: Springer. pp. 25–63. ISBN 978-1-4419-0292-4  Parâmetro desconhecido |edção= ignorado (ajuda)
  13. Rylands, Anthony B.; Coimbra-Filho, Adelmar F.; Mittermeier, Russell A. (1 de janeiro de 2009). «The Systematics and Distributions of the Marmosets (Callithrix, Callibella, Cebuella, and Mico) and Callimico (Callimico) (Callitrichidae, Primates)». Springer US. The Smallest Anthropoids (em inglês): 25–61. doi:10.1007/978-1-4419-0293-1_2 
  14. Wilson, Don E.; Mittermeier, Russell A. (1 de janeiro de 2012). Handbook of the Mammals of the World, Volume 3: Primates (em English) 1 edition ed. [S.l.]: Lynx Edicions. ISBN 9788496553897 
  15. Garbino, Guilherme Siniciato Terra. «The Southernmost Record ofMico emiliae(Thomas, 1920) for the State of Mato Grosso, Northern Brazil». Neotropical Primates. 18 (2): 53–55. doi:10.1896/044.018.0204 
  16. Silva Jr. & Noronha, José de Souza (1998). «On a new species of Bare-Eared Marmoset, Genus Callithrix Erxleben, 1977, from Central Amazonia, Brazil (Primates: Callitrichidae)». Goeldiana Zoologia 
  17. Rosenberger, A. L. (17 de fevereiro de 1978). «Loss of Incisor Enamel in Marmosets». Journal of Mammalogy (em inglês). 59 (1): 207–208. ISSN 0022-2372. doi:10.2307/1379899 
  18. Natori, Masahito (1 de julho de 1986). «Interspecific relationships ofCallithrix based on the dental characters». Primates (em inglês). 27 (3): 321–336. ISSN 0032-8332. doi:10.1007/BF02382074 
  19. a b Rylands, Anthony B. (1 de dezembro de 1986). «Ranging behaviour and habitat preference of a wild marmoset group, Callithrix humeralifer (Callitrichidae, Primates)». Journal of Zoology (em inglês). 210 (4): 489–514. ISSN 1469-7998. doi:10.1111/j.1469-7998.1986.tb03652.x 
  20. Albernaz, Ana Luisa; Magnusson, William E. (1 de outubro de 1999). «Home-Range Size of the Bare-ear Marmoset (Callithrix argentata) at Alter do Chão, Central Amazonia, Brazil». International Journal of Primatology (em inglês). 20 (5): 665–677. ISSN 0164-0291. doi:10.1023/A:1020748601620 


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