Mico-leão

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Como ler uma caixa taxonómicaLeontopithecus [1][2]
Mico-leão-de-cara-dourada

Mico-leão-de-cara-dourada
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Primates
Família: Cebidae
Subfamília: Callitrichinae
Género: Leontopithecus
Lesson, 1840
Espécie-tipo
Leontopithecus makikina
Lesson, 1840
= Simia rosalia Linnaeus, 1766
Espécies
Leontopithecus caissara
Leontopithecus chrysomelas
Leontopithecus chrysopygus
Leontopithecus rosalia
Sinónimos
  • Leontideus Cabrera, 1956
  • Leontocebus Elliot, 1913

Mico-leão é uma denominação comum a macacos do Novo Mundo, do gênero Leontopithecus, subfamília Callitrichinae. São endêmicos da Mata Atlântica brasileira, sendo encontrados nos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Também chamados de micos, são animais de hábitos diurnos, arborícolas e gregários, vivendo em grupos familiares.

Taxonomia e evolução[editar | editar código-fonte]

Estudos moleculares corroboram a hipótese de que o gênero é monofilético, onde o gênero aparece como grupo irmão do clado formado por Callimico e os saguis pequenos (gêneros Callithrix, Cebuella e Mico)[3][4][5][6][7]. A maioria das filogenias com base em morfologia recupera Leontopithecus como grupo irmão do clado dos saguis (gêneros Callithrix, Cebuella e Mico)[8][9]. Alguns dados moleculares sugerem uma possível ancestralidade comum entre o gênero Callimico e Leontopithecus.[10] A diversificação das espécies de mico-leões ocorreu provavelmente a partir dos refúgios do Quaternário, sendo que o mico-leão-preto e o mico-leão-dourado compartilham um ancestral comum exclusivo, que provavelmente possuía pelagem escura.[3][11][12] Já o mico-leão-de-cara-dourada é considerada a primeira espécie a divergir no gênero.[13]

O mico-leão-de-cara-preta, a última espécie a ser descrita, é morfologicamente mais aparentada ao mico-leão-preto, e também é válida como espécie propriamente dita, e não subespécie do mico-leão-preto, como já havia sido sugerido por Coimbra-Filho em 1990.[13][2][14][15]

Relações filogenéticas de Leontopithecus.[13]


Callithrix jacchus



Cebuella pygmaea




Leontopithecus chrysomelas




Leontopithecus caissara




Leontopithecus rosalia



Leontopithecus chrysopygus






Filogenia baseada em análise de DNA mitocondrial.

Espécies[editar | editar código-fonte]

Distribuição Geográfica e Hábitat[editar | editar código-fonte]

Os mico-leões são endêmicos do Brasil, do bioma da Mata Atlântica, sendo originalmente encontrados do sul da Bahia até o litoral norte do Paraná e interior de São Paulo, ao sul do rio Tietê.[16][17] Atualmente são encontrados apenas em algumas poucas unidades de conservação porque apresentam distribuição geográfica muito restrita.[16] Habitam os estratos médios das copas das árvores, habitando principalmente as florestas costeiras sempre úmidas, embora Leontopithecus chrysopygus habite a floresta estacional semidecidual.[17]

Descrição[editar | editar código-fonte]

A "juba" é uma característica típica dos mico-leões

Caracterizam-se por possuir uma pelagem abundante e brilhante, principalmente ao redor da cabeça, formando uma espécie de "juba".[18] A face é quase nua, e as mãos pés são compridos com dedos muito longos e com garras.[18] São os maiores representantes dos Callitrichinae, chegando a pesar até 800 g e medir 76 cm de comprimento, contando com a cauda.[18][19] Não apresentam dimorfismo sexual, apesar das fêmeas chegarem a pesar mais que os machos durante o período de gestação.[19]

Referências

  1. Groves, C.P. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. 133 páginas. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  2. a b Rylands AB e Mittermeier RA (2009). «The Diversity of the New World Primates (Platyrrhini): An Annotated Taxonomy». In: Garber PA, Estrada A, Bicca-Marques JC, Heymann EW, Strier KB (eds). South American Primates: Comparative Perspectives in the Study of Behavior, Ecology, and Conservation 3rd edition ed. Nova Iorque: Springer. pp. 23–54. ISBN 978-0-387-78704-6 
  3. a b MUNDY,N.;KELLY, J. (2001). «Phylogeny of lion tamarins (Leontopithecus spp) based on interphotoreceptor retinol binding protein intron sequences». American Journal of Primatology. 54 (1): 33-40. doi:10.1002/ajp.1010 
  4. SCHNEIDER,H.; et al. (1993). «Molecular Phylogeny of the New World Monkeys (Platyrrhini, Primates)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 2 (3): 225-242 
  5. CANAVEZ, F.C.; et al. (1999). «Molecular phylogeny of new world primates (Platyrrhini) based on beta2-microglobulin DNA sequences.». Molecular Phylogenetics and Evolution. 12 (1): 74-82. doi:10.1006/mpev.1998.0589 
  6. HOROVITZ, I.; MEYER, A. (1995). «Systematics of New World Monkeys (Platyrrhini, Primates) Based on 16S Mitochondrial DNA Sequences: A Comparative Analysis of Different Weighting Methods in Cladistic Analysis» (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution. 4 (4): 448-456 
  7. CÓRTEZ-ORTIZ, L. (2009). «Molecular Phylogenetics of the Callitrichidae with an Emphasis on the Marmosets and Callimico». In: Ford, S.M.; Porter, L.M. e Davis, L.L.C. (eds). The Smallest Anthropoids. Nova Iorque: Springer. pp. 3–24. ISBN 978-1-4419-0292-4 
  8. Garbino, Guilherme S. T. (1 de dezembro de 2015). «How many marmoset (Primates: Cebidae: Callitrichinae) genera are there? A phylogenetic analysis based on multiple morphological systems». Cladistics (em inglês). 31 (6): 652–678. ISSN 1096-0031. doi:10.1111/cla.12106 
  9. Rosenberger, Alfred L.; Coimbra-Filho, Adelmar F. (1 de janeiro de 1984). «Morphology, Taxonomic Status and Affinities of the Lion Tamarins, Leontopithecus (Callitrichinae, Cebidae)». Folia Primatologica (em english). 42 (3-4): 149–179. ISSN 0015-5713. doi:10.1159/000156159 
  10. Barroso, C.M.L.; Schneider, H.; Schneider, M.P.C.; Sampaio, I.; Harada, M.L.; Czelusniak, J.; Goodman, M. (1997). «Update on the Phylogenetic Systematics of New World Monkeys: Further DNA Evidence for Placing the Pygmy Marmoset (Cebuella) within the Genus Callithrix». International Journal of Primatology. 18 (4): 651-674. ISSN 1573-8604. doi:10.1023/A:1026371408379 
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  13. a b c PEREZ-SWEENEY, B.M.; et al. (2008). «Examination of the Taxonomy and Diversification of Leontopithecus using the Mitochondrial Control Region». International Journal of Primatology. 29 (1): 245-263. doi:10.1007/s10764-007-9224-7  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "perez3" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  14. BURITY, C. H. F.; et al. (1999). «Cranial and mandibular morphometry in Leontopithecus lesson, 1840 (Callitrichidae, Primates)». American Journal of Primatology. 48 (3): 185-196. doi:10.1002/(SICI)1098-2345(1999)48:3<185::AID-AJP2>3.0.CO;2-7 
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  16. a b Rylands, A. B, Kierulff, M. C. M. and Pinto, L. P. de S. 2002. Distribution and status of the lion tamarins. In: D. G. Kleiman and A. B. Rylands (eds), Lion Tamarins: Biology and Conservation, pp. 42-70. Smithsonian Institution Press, Washington, DC, USA.
  17. a b COIMBRA-FILHO, A.C.; MITTERMEIER, R.A. (1973). «Distribution and Ecology of the Genus Leontopithecus Lesson, 1840 in Brazil.» (PDF). Primates. 14 (1): 47-66 
  18. a b c AURICCHIO, P. (1995). «Gênero Leontopithecus». Primatas do Brasil. São Paulo - Brasil: Terra Brasilis Comércio de Material didático e Editora LTda - ME. 168 páginas. ISBN 85-85712-01-5 
  19. a b Kleiman, D.G.; Hoage, R.J.; Green, K.M. (1988). The Lion Tamarins, Genus Leontopithecus. Em Mittermeier, R.A.(ed) Ecology and Behavior of Neotropical Primates - Volume 2. Washington D.C.: World Wildlife Fund. pp. 299–347 
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