Moisés ben Esdras

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Moisés ben Esdras
Nascimento 1060
Granada
Morte 1138 (77–78 anos)
Granada
Cidadania Taifa de Granada
Ocupação poeta, rabino
Religião Judaísmo

Moisés ben Jacó ben Esdras (em árabe, أبو هارون موسى بن يعقوب ابن عزرا; n. Granada, entre 1055-1060 — m. após 1138) (em hebraico, משה בן יעקב הסלח אבן עזרא) conhecido como ha-Sallah ("escritor de penitências") foi um rabino, filósofo, linguista e poeta judeu do Alandalus.

Família[editar | editar código-fonte]

Vinculado com Abraão ibne Esdras, e discípulo de Isaque ibne Guiate, ibne Esdras pertencia a uma das famílias proeminentes do Alandalus. De acordo com Isaque Israeli, tinha três irmãos, Isaque, José e Zacarias, que foram distintos eruditos.

Obras[editar | editar código-fonte]

A sua "Arugat ha-Bosem" tem em sete capítulos:

  1. observações gerais a respeito de Deus, o homem e a filosofia;
  2. a unidade de Deus;
  3. o inadmissível de aplicar atributos a Deus;
  4. o inapropriado de dar nomes a Deus;
  5. movimento;
  6. natureza;
  7. intelecto.

As figuras citadas por ben Esdras na sua obra são Hermes (identificado com Enoch), Pitágoras, Sócrates, Aristóteles, Platão, (pseudo-)Empédocles, Alfarábi, Saadia Gaon, e ibne Gabirol.

A sua retórica[editar | editar código-fonte]

A sua obra "Kitab al-Muḥaḍarah wal-Mudhakarah" chegou a ser muito mais famosa. Trata-se de um tratado de retórica e poesia, composto segundo as bases do adabe árabe, sendo o único do seu tipo na literatura hebraica. Foi escrito a pedido de um amigo, o qual lhe fizera oito perguntas a respeito da poesia hebraica, as quais correspondem com cada um dos oito capítulos da obra.

Os quatro primeiros tratam da prosa e dos seus escritores, da poesia e dos seus poetas, e do dom natural para a poesia que têm os árabes, o qual ele atribui ao clima da Arábia. Conclui o quarto capítulo dizendo que, salvo raras exceções, as partes poéticas da Bíblia não têm métrica nem ritmo.

O quinto capítulo começa com a história do estabelecimento dos judeus no Alandalus, o qual, de acordo com o autor, começa durante o Êxodo, pois a palavra "Sefarad", usada pelo profeta Obadias (verso 20), significa "Hispânia". A seguir, a descrição da atividade literária dos judeus espanhóis, nomeando os autores mais importantes e as suas obras.

No sexto capítulo, o autor cita várias máximas e descreve a condição intelectual geral da sua época. Desprecia a indiferença mostrada pelo público para os eruditos. Esta indiferença, declara, não afeta a sua personalidade; embora não se conte entre aqueles mal tratados pelo destino, experimentou a boa e a má fortuna. Por outro lado, não possui pretensão alguma de reconhecimento público graças a que foi dotado com a virtude da contenção e da moderação.

No capítulo sete, o autor discute a questão de se é possível compor poesia em sonhos, como alguns autores dignos de confiança fizeram.

O oitavo capítulo é dividido em duas partes, a primeira relacionada com todo o que tem a ver com a poesia e os poetas, e, a segunda, descreve em vinte párrafos, aquilo que tem a ver com os tropos, as figuras, e outra formas poéticas.

A sua poesia[editar | editar código-fonte]

Ben Esdras é considerado por muitos judeus como o melhor poeta hebraico. Os seus poemas seculares são recolhidos em duas obras: em Tarshish, e na primeira parte do seu Divã (cancioneiro).

O "Tarshish" é dividido em dez capítulos, cada um dos quais se divide seguindo uma ordem alfabética. Está escrito seguindo o estilo árabe de poesia chamado "tajnis," o qual consiste na repetição de palavras em cada estrofe, mas com um significado diferente em cada repetição. O primeiro capítulo é dedicado a certo Abraão (com toda segurança, não se trata de Abraão ibne Esdras), cujos méritos são exaltados seguindo um estilo oriental. Nos nove capítulos que restam discerne-se a respeito de: (cap. ii.) o vinho, o amor e as canções; (iii.) a beleza da vida no campo; (iv., v.) o mal de amores e a separação dos amantes; (vi.) amigos infiéis; (vii.) a velhice; (viii.) vicissitudes da fortuna, e a morte; (ix.) a fé em Deus; (x.) a glória da poesia.

Poesia sacra[editar | editar código-fonte]

A maior parte das 220 composições sacras de ben Esdras encontram-se no machzor, o tradicional livro de orações judeu para o Yamim Noraim, o Rosh Hashaná (Ano Novo judeu) e o Iom Quipur (Dia do Perdão). Estes poemas de penitência, ou selichot, valeram-lhe o apelativo de HaSallach.

A sua intenção é convidar o homem a buscar no seu interior, representando a vaidade da glória mundana, a desilusão que deve ser experimentada pelos hedonistas, e o inevitável juízo divino.

Avodah, que faz parte da obra, foi habilmente elaborada, e, a sua introdução, é parte do machzor português. Ao contrário dos seus predecessores, ben Esdras começa a sua narração da história bíblica com a entrega da Torá, não com a criação de Adão.

O piyyuttim que segue ao texto da mishná do serviço do Templo, especialmente o piyyut, "Feliz é o olho que o contemplou", são considerados como peças de considerável beleza.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Encyclopedia Judaica, Tomo 8, S. 1170-1174

Referências

  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano, cujo título é «Moses ibn Ezra».