Museu Field de História Natural

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Museu Field de História Natural
Tipo museu
Inauguração 1893 (124 anos)
Visitantes 1 385 255
Administração
Website http://www.fieldmuseum.org
Geografia
Coordenadas 41° 51′ N 87° 37′ W
Cidade Chicago
País Estados Unidos

O Museu Field de História Natural (Field Museum of Natural History, em inglês) é um museu de história natural situado na cidade de Chicago, Illinois, nos Estados Unidos, que está localizado no Grant Park e às margens do Lago Michigan. O museu abriga mais de 20 milhões de espécies em coleção e foi incluído no Registro Nacional de Lugares Históricos em 1975.[1], sendo considerado um dos maiores museus do mundo.

Ele mantém o seu status de museu de história natural devido ao seu tamanho, à qualidade de seus programas educacionais e científicos[2][3], assim como à sua extensa coleção de espécimes e artefatos.[4] A diversidade e alta qualidade de suas exibições permanentes[5], que chegam a atrair mais de 2 milhões de visitantes anualmente, variam de conteúdo - desde os primeiros fósseis até culturas passadas e atuais do mundo todo – e traz uma programação interativa para demonstrar as necessidades urgentes de conservação nos dias de hoje.[6][7]

Além disso, o Museu Field mantém uma exibição temporária de shows itinerantes, bem como uma exibição produzida internamente.[8] Coleções de mais de 24 milhões de espécimes e objetos também podem ser encontradas, e servem como base para os programas de pesquisa científica do museu[9][4][1]. Essas coleções incluem um grande leque de biodiversidade, gemas, meteoritos, fósseis, assim como ricas coleções antropológicas e artefatos culturais do mundo todo[10][11][4]

A biblioteca do museu, por sua vez, reúne mais de 275 mil livros, diários e arquivos de fotos focados na sistemática biológica, biologia evolutiva, geologia, arqueologia, etnologia e cultura material, que auxiliam a equipe de pesquisa acadêmica do museu e desenvolvimento de exibições.[12]

O corpo docente e a equipe científica do Museu Field se envolvem em expedições de campo, em pesquisas de biodiversidade e cultura em todos os continentes, em treinamento de estudantes locais e estrangeiros, na administração das coleções ricas em espécimes e artefatos, e trabalha em estreita colaboração na programação de exibições públicas e iniciativas educacionais.[13][14][9] [15]

O Museu Field foi incorporado pelo Estado de Illinois em 1893, passando a chamar-se Columbian Museum e estava localizado no complexo que serviu como sede da Exposição Mundial de 1893. Em 1905, o nome da instituição foi trocado para Museu Field, em homenagem a Marshall Field, que doou cerca de 1 milhão de dólares à instituição.

História[editar | editar código-fonte]

Stanley Field, Presidente do Museu Field, 1906

O Museu Field e suas coleções surgiram da “Feira Mundial: Exposição Colombiana”, também conhecida como Feira Mundial de Chicago, de 1893. Para poder hospedar as exposições e as coleções expostas na Feira para as futuras gerações, Edward Ayer convenceu o comerciante Marshall Field a financiar a construção de um museu[16]. Originalmente intitulado “Museu Colombiano de Chicago”, em homenagem às suas origens, o Museu Field foi incorporado pelo estado de Illinois em 16 de setembro de 1893, para “acumular e disseminar conhecimento, e preservar e exibir artefatos que ilustram arte, arqueologia, ciência e história”[17]. O Museu Colombiano de Chicago ocupou o único prédio restante da Exposição Colombiana Mundial em Jackson Park, o Palácio Belas Artes, que agora abriga o Museu da Ciência e da Indústria[6]

Em 1905, o nome do museu mudou de Museu Colombiano de Chicago para Museu Field de História Natural, em homenagem ao seu primeiro grande benfeitor, Marshall Field, e para refletir o seu foco nas ciências naturais.[18] Durante o período de 1943[19][20] a 1966[21], o museu ficou conhecido como Museu de História Natural de Chicago. Em 1921, o museu saiu de sua localização original, em Jackson Park, para o seu local atual: Chicago Park District, situado próximo ao centro da cidade[22]. No fim dos anos 1930, o Field se destacou como um dos três principais museus dos Estados Unidos, os outros dois sendo o Museu Natural de História Americana, em Nova Iorque, e o Museu Nacional de História Natural, em Washington DC[3]

O Museu Field tem mantido a sua reputação através de um crescimento contínuo, expandindo o seu leque de coleções e o resultado de suas pesquisas científicas, além de suas exposições premiadas, publicações divulgadas e programas.[23][14][9][2] O Field Museu faz parte do Campus Museu, em Chicago, que inclui o Aquário John G. Shedd e o Planetário Adler[7]

Coleções Científicas[editar | editar código-fonte]

Coleções de espécies e artefatos gerenciadas e mantidas de forma profissional, como as presentes no Museu Field de História Natural, são fonte principal de pesquisa para as comunidades científicas nacionais e internacionais, incentivando o acompanhamento das mudanças ambientais, beneficiando a segurança nacional, a saúde e segurança públicas e servindo ainda, às pesquisas de sistemática e taxonomia[24]

Muitas das coleções do Museu Field estão entre as presentes no top 10 do mundo, como a coleção de passarinhos, que ocupa a quarta posição no ranking mundial[25][26]; a coleção de moluscos, uma das cinco maiores da América do Norte[27]; e a coleção de peixes, que é uma das maiores do mundo[28]

A maior parte das coleções científicas do museu foram originadas de espécies e artefatos agregados entre 1891 e 1893 para a Exposição Mundial Colombiana[29][17].[9] Desde sua fundação, o museu tem uma grande coleção antropológica, e grande parte das primeiras espécies da história natural foram compradas do Ward’s Natural History Establishment, em Rochester, Nova Iorque. É válido apontar, que o programa de extensa aquisição de novos artefatos, incluindo grandes expedições conduzidas pela curadoria do museu, resultaram em um crescimento substancial do arquivo da instituição.  

Desde sua fundação, há 50 anos, o museu adquiriu mais de 440 espécies do mundo todo por meio de expedições. Além disso, materiais foram comprados ao longo do tempo, como a coleção de borboletas Strecker, adquirida em 1908[30]. O museu também construiu seu portfólio com doações: artefatos e espécies foram doados por colecionadores e doadores, como a coleção Boone, que possui mais de 3.500 artefatos do sudeste asiático, entre livros, retratos e objetos diversos. Além do mais, “coleções órfãs” foram e ainda são adquiridas de outras instituições, como universidades, que mudam seus programas acadêmicos, retirando aulas de pesquisa baseadas nas coleções. Um exemplo disso foram as coleções botânicas recebidas, em 1907, de universidades como Universidade de Chicago, Universidade Northwestern e Universidade de Illinois. Essas espécies são mantidas e disponíveis a pesquisadores de todo o mundo.[9]

Manutenção das coleções e preservação[editar | editar código-fonte]

As coleções do Museu Field são administradas por profissionais e curadores altamente capacitados[31] em técnicas de preparo e preservação. Na verdade, grande parte das ferramentas e métodos utilizados para a manutenção dos arquivos foi e é desenvolvida lá mesmo. Carl Akeley, estudioso da taxonomia, por exemplo, foi o primeiro a desenvolver espécies de mamíferos e pássaros com aparência natural, utilizados mais tarde para exibição e estudo[32]. Os curadores do Museu Field desenvolveram ainda, normas e melhores práticas de cuidado com as coleções, realizando contribuições notáveis para preservar os artefatos.[33] Em uma instituição moderna que abrange diversas coleções, como o Museu Field, a grande maioria das espécies científicas e artefatos são armazenados em gabinetes desenvolvidos especialmente para aquelas coleções, colocados em containers de arquivos, etiquetados com papeis sem ácido, e situados longe da luz natural, para evitar desbotamento.  Além disso, fluidos de preservação são monitorados continuamente e, em muitas coleções, a humidade e a temperatura também são monitoradas para assegurar uma preservação de longo prazo das espécies e dos artefatos. O Museu Field foi um dos primeiros museus a adotar abordagens para manter um controle de ambiente em vitrines[34], de forma a controlar a umidade em diversas galerias em que a umidificação no nível da sala não era algo prático.  [35]

O museu também adotou uma abordagem de baixa energia para manter uma umidade reduzida, prevenindo uma corrosão em metais arqueológicos e criando microambientes fechados e bem selados[36]. Outras contribuições notáveis incluem métodos para tingir papéis japoneses[37], para colorir restaurações correspondentes em substratos orgânicos; testes em coleções para resíduos de pesticidas com metais pesados[38]; efeito de produtos sulfurosos em vitrines; a remoção de montagens em exibição de objetos históricos[39] e o uso de tubos de luz em vitrines[40].

Com o desenvolvimento das pesquisas, novos tipos de coleções, como coleções de tecidos congelados, que requerem novas técnicas de coleta e preservação, por exemplo, estão sendo incluídos nos arquivos já existentes. [41]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Bardoe, Cheryl (2011). The Field Museum. [S.l.]: Beckon Books 
  2. a b Williams, PM (1973). Museums of Natural History and the people who work in them. New York: St. Martin’s Press 
  3. a b Coleman, LV (1939). The Museums in America: A critical study, Volumes 1-3. [S.l.]: The American Association of Museums 
  4. a b c Boyer, BH (1993). The Natural History of the Field Museum: Exploring the Earth and its People. Chicago: Field Museum 
  5. Metzler, S (2007). Theatres of Nature Dioramas at the Field Museum. Chicago: Field Museum of Natural History 
  6. a b Alexander, EP (1979). Museums in Motion: An Introduction to the History and Functions of Museums. Nashville: American Association for State and Local History 
  7. a b «Museums in the park» 
  8. «Traveling Exhibitions» 
  9. a b c d e Nitecki, M (1980). Field Museum of Natural History. [S.l.]: ASC Newsletter. pp. 61–70 
  10. Resetar, A; HK Voris (1997). Herpetology at the Field Museum of Natural History. Lawrence, Kansas: American Society of Ichthyologists and Herpetologists 
  11. Shopland, JM; L Breslauer (1998). The Anthropology Collections of the Field Museum. Chicago: The Field Museum 
  12. Williams, Benjamin W; Fawcett, W. Peyton (1985). «Field Museum of Natural History Library». Science and Technology Libraries. doi:10.1300/J122v06n01_04 
  13. «CEB, Committee on Evolutionary Biology, University of Chicago Faculty (Field Museum)» 
  14. a b Nash, S.E; GM Feinman (2003). Curators, collections, and contexts: Anthropology at the Field Museum. Chicago: Field Museum of Natural History 
  15. «University at Illinois at Chicago, Department of Anthropology, Associated Field Museum Faculty» 
  16. Lockwood, F.C. (1929). The life of Edward E. Ayer. Chicago, IL: AC McClurg 
  17. a b Farrington, OC (1930). «A Brief History of Field Museum from 1893 to 1930». Field Museum News 
  18. «Annual Report of the Director to the Board of Trustees for the year 1906». Field Museum of Natural History. 1907 
  19. Field, S (1943). Fifty years of progress. [S.l.]: Field Museum News. pp. 3–10 
  20. Field, S (1943). Address of Mr. Stanley Field, president of the Museum. Chicago: Field Museum Press. pp. 3–5 
  21. Webber, EL (1966). «Field Museum Again: name change honors Field Family». Field Museum of Natural History Bulletin 
  22. «Field Museum Changes Locations» 
  23. Ward, L (1998). An explorer's guide to the Field Museum. Chicago: The Field Museum 
  24. Shaffer, HB; RN Fisher; C Davidson (1998). «The role of natural history collections in documenting species declines». Trends in Ecology and Evolution: 27-30. doi:10.1016/S0169-5347(97)01177-4 
  25. Lowther, P (1995). «Ornithology at the Field Museum». Memoirs of the Nuttall Ornithological Club. Contributions to the History of North American Ornithology 
  26. Banks, RC; MH, Clench; Barlow JC (1973). Bird collections in the United States and Canada. [S.l.]: Auk. pp. 136–170 
  27. Sturm, CF; Pearce; Valdés (2006). The Mollusks. A guide to their study, collection and preservation. Boca Raton, Flórida: American Malacological Society, Universal Publishers. 445 páginas 
  28. Poss, SG (1995). «Second survey of fish collections in the United States and Canada». Copeia: 48-70. doi:10.2307/1446799 
  29. Collier, D (1969). Chicago Comes of Age: The World's Columbian Exposition and the Birth of Field Museum. [S.l.]: Field Museum of Natural History Bulletin. pp. 2–7 
  30. «Butterfly and Moth Collection: Herman Strecker Collection». The Field Museum. 2007 
  31. «Conserving Our Collections». The Field Museum 
  32. Bodry-Sanders, P (1990). Carl Akeley: Africa’s collector, Africa’s savior. Nova Iorque: Paragon House. pp. 289– 
  33. Solem, A (1980). «Standards for malacological collections». Curator: 19-28. doi:10.1111/j.2151-6952.1981.tb00568.x 
  34. Michalski, S (1985). A relative humidity control module. [S.l.]: Museum (UNESCO). pp. 85–88 
  35. Sease, C. A new means of controlling relative humidity in exhibit cases. [S.l.]: Collection forum. pp. 12–20 
  36. Brown, JP (2010). «The Field Museum Archaeological Metals Project: Distributed, In Situ Micro-Environments for the Preservation of Unstable Archaeological Metals Using Escal® Barrier Film». Object Speciality Group Postprints 
  37. RE, Norton (2003). «Dyeing Japanese paper with Fibre Reactive Dyes». The Paper Conservator. doi:10.1080/03094227.2002.9638621 
  38. Klaus, M; J Plitnikas; RE Norton; T Almazan; S Coleman, M (2005). «Poster abstract: Preliminary results from a survey for residual arsenic on the North American collections at The Field Museum, Chicago». Paris: ICOM: Preprints of the 14th Triennial Meeting The Hague 
  39. Minderop, J; C Podsiki; RE Norton (2007). «Deinstallation and cleaning of the 1950s galleries of ethnographical and archaeological material from the Americas at the Field Museum, Chicago». Objects Specialty Group Postprints 
  40. Sease, C (1993). «Light piping: a new lighting system for museum cases». ournal of the American Institute for Conservation. doi:10.1179/019713693806124884 
  41. Bates, JM; RCK Bowie; DE Willard; G Voelker; C Kahindo (2004). «A need for continued collecting of avian voucher specimens in Africa: Why blood is not enough». Ostrich. doi:10.2989/00306520409485442 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]