Papagaio-de-bico-largo

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Como ler uma caixa taxonómicaLophopsittacus mauritianus
Gelderland1601-1603 Lophopsittacus mauritianus.jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 EX pt.svg
Extinta  (1680) (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
Género: Lophopsittacus
Espécie: L. mauritianus
Nome binomial
Lophopsittacus mauritianus
(Owen, 1866)

O papagaio-de-bico-largo (nome científico: Lophopsittacus mauritianus) é uma espécie extinta de ave da família Psittacidae.[2] Nativa da ilha Maurícia, foi extinta no século XVII. A espécie nunca foi documentada em vida por cientistas e é conhecida apenas de desenhos feitos pelos primeiros exploradores a chegar às ilhas, e de ossos.

O papagaio-de-bico-largo tinha uma cauda longa e asas atrofiadas que muito provavelmente impediam o voo. A sua plumagem era azul-acinzentada e tinha uma crista na cabeça. Uma espécie semelhante, o papagaio-cinzento-das-maurícias (Lophopsittacus bensoni), de menores dimensões e plumagem cinzenta, igualmente extinto e identificado apenas através de alguns ossos, corresponderá provavelmente às fêmeas do papagaio-de-bico-largo, tratando-se de uma manifestação de dimorfismo sexual.

A característica mais distintiva desta espécie é o seu bico, muito largo mas relativamente frágil, adaptado para esmagar a polpa de frutos de grandes dimensões e engolindo o fruto todo incluindo o caroço. Tendo em conta estas estruturas morfológicas, é provável que tenha sido o papagaio-de-bico-largo, e não o dodó, o responsável pela propagação do tambalacoque (ou árvore-dodó).

A extinção do papagaio-de-bico-largo está associada à colonização do seu habitat pelo Homem e espécies invasoras como porcos, cães e ratos. Como não voava e provavelmente nidificava ao nível do chão, os adultos, juvenis e ovos transformaram-se numa presa fácil. O kakapo representa a última espécie de papagaio com estas características e encontra-se em perigo crítico de extinção por motivos semelhantes.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Desenho de 1601 com a primeira descrição de um papagaio-de-bico-largo, a legenda diz: "5 * é um pássaro que chamamos de corvo indiano, mais de duas vezes maior que os periquitos, de duas ou três cores".[3]

As primeiras descrições conhecidas do papagaio-de-bico-largo foram feitas por viajantes da Segunda Expedição Holandesa à Indonésia. Liderados pelo almirante Jacob van Neck, os exploradores deixaram a cidade de Texel, nos Países Baixos, em 1598, rumo ao sudeste asiático. Alguns navios pararam numa ilha a leste de Madagascar, a qual batizaram de Maurício, avistando ali uma grande diversidade de novas espécies de aves. Nos relatos da viagem, publicados em 1601, estão a mais antiga ilustração do papagaio, juntamente com o primeiro desenho de um dodô. Os marinheiros holandeses se referiam ao papagaio-de-bico-largo separadamente de outros papagaios, chamando-os de Indische ravens ("corvos da Índia"). Mas as menções não eram acompanhadas de descrições úteis, o que gerou confusão quando seus diários de bordo foram analisados mais tarde.[4]

O naturalista inglês Hugh Edwin Strickland classificou os "corvos indianos" dentro do gênero Buceros, que agrupa algumas espécies de calaus, pois interpretou que a projeção da testa, retratada num desenho da ave, era um chifre.[4] Durante o século XVII, holandeses e franceses também chamavam as araras sul-americanas de "corvos indianos" , termo usado inclusive para designar as calaus das Índias Orientais por falantes das línguas holandesa, francesa e inglesa.[5] O historiador Thomas Herbert se referiu ao papagaio-de-bico-largo como cacatoes (cacatua) em 1634, descrevendo-o como "pássaros semelhantes a papagaios, ferozes e indomáveis", mas os especialistas não têm certeza se ele estava se referindo a esta ave.[4] Mesmo após o achado de subfósseis de um papagaio combinando com as descrições, o zoólogo francês Émile Oustalet argumentou que o "corvo indiano" era um calau cujos resquícios aguardavam ser descobertos. O renomado ornitólogo France Staub ainda defendia essa ideia em 1993. Contudo, nenhum resquício de calau jamais foi achado na ilha, e, exceto por uma espécie extinta da Nova Caledônia, aves desse tipo não são encontradas em ilhas oceânicas remotas.[5]

A primeira evidência concreta do animal foi uma mandíbula subfóssil coletada junto com o primeiro lote de ossos de dodô encontrado no pântano Mare aux Songes, situado próximo ao litoral no sudeste da ilha Maurício.[2] Richard Owen descreveu a mandíbula em 1866 e identificou-a como pertencente a um grande espécie de psitacídeo, a qual deu o nome binomial Psittacus mauritianus e o nome comum broad-billed parrot (papagaio-de-bico-largo).[4] [6] Este espécime-tipo foi perdido depois.[5] Em 1868, logo após a redescoberta do diário de bordo (datado de 1601) do navio holandês Gelderland, o ornitólogo alemão Hermann Schlegel examinou uma imagem esboçada a pena e tinta e sem nenhuma legenda. Percebendo que o desenho, atribuído ao artista Joris Joostensz Laerle, representava o papagaio descrito por Owen, Schlegel fez a conexão com as descrições de relatos antigos. Em 1875, devido ao fato de ossos e cristas serem significativamente diferentes das espécies Psittacus, Alfred Newton categorizou a ave num novo gênero, batizado por ele de Lophopsittacus.[7] Lophos é a palavra do grego antigo para crista, uma referência à crista frontal da ave, e psittakos significa papagaio nesse mesmo idioma.[5] [8]

Em 1973, com base em ossos subfósseis coletados por Louis Etienne Thirioux no início do século XX, Holyoak descreveu uma nova espécie. A ave, um pequeno papagaio, foi classificada no mesmo gênero do papagaio-de-bico-largo e batizada como Lophopsittacus bensoni.[9] Em 2007, a partir da comparação de subfósseis e descrições dos séculos XVII e XVIII, o paleontólogo inglês Julian Hume moveu a espécie para o gênero Psittacula, chamando-a de Thirioux’s grey parrot ("papagaio-cinzento-de-thirioux", em tradução livre) e formando assim seu nome científico aceito hoje: Psittacula bensoni.[5] Anteriormente, James Greenway especulou que os relatos desse papagaio cinzento referiam-se, na verdade, ao papagaio-de-bico-largo.[10]

Evolução[editar | editar código-fonte]

Desenho da mandíbula subfóssil usada para descrever a espécie (1866).

As afinidades taxonômicas do papagaio-de-bico-largo ainda não estão bem definidas. Considerando sua grande mandíbula e outras características osteológicas, Edward Newton e Hans Gadow propuseram que a ave era estreitamente relacionada com o papagaio-de-rodrigues (Necropsittacus rodricanus), mas foram incapazes de determinar se ambos pertenciam ao mesmo gênero, pois a única parte que conheciam do papagaio-de-bico-largo era uma crista.[11] Graham S. Cowles, por sua vez, achou os crânios das espécies muito diferentes para que fossem parentes próximos.[12]

Muitas aves endêmicas das ilhas Mascarenhas, incluindo o dodô, são derivadas de ancestrais do sul da Ásia, e Julian Hume propôs que este pode ser o caso de todos os papagaios do arquipélago. O nível do mar era mais baixo durante o Pleistoceno, de modo que foi possível que algumas espécies colonizassem determinadas ilhas, menos isoladas na época.[13] Embora a maioria das espécies de papagaios extintos das Mascarenhas sejam pouco conhecidas, restos subfósseis mostram que elas compartilhavam características tais como cabeças e mandíbulas ampliadas, ossos peitorais reduzidos e ossos das pernas robustos. Hume sugeriu que esses papagaios têm uma origem comum na radiação da tribo Psittaculini, baseando essa teoria nas características morfológicas e no fato de que os papagaios Psittacula conseguiram colonizar muitas ilhas isoladas no Oceano Índico.[5] Os Psittaculini podem ter invadido a área várias vezes, visto que muitas das espécies estavam tão especializadas que podem ter evoluído significativamente em ilhas de pontos quentes antes das Mascarenhas terem emergido do mar.[13] Um estudo genético, publicado em 2011, descobriu que o papagaio-das-mascarenhas (Mascarinus mascarinus) da vizinha ilha da Reunião era mais intimamente relacionado com o Coracopsis nigra de Madagascar e ilhas próximas, e, portanto, sem relação com os papagaios Psittacula, minando a teoria da origem comum deles.[14]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Adaptação artística baseada no traçado do desenho do diário de bordo do Gelderland.

O papagaio-de-bico-largo possuía uma distintiva crista frontal de penas. Saliências do crânio indicam que esta crista era firmemente aderida, e que a ave, diferente das cacatuas, não podia movê-la para baixo ou para cima.[5] O desenho do diário de bordo do Gelderland feito em 1601 foi examinado em 2003 por Julian Hume, que comparou o acabamento de tinta com o lápis do rascunho subjacente e descobriu que este último apresentava vários detalhes adicionais. O esboço de lápis mostra a crista como um tufo de penas arredondadas afixadas na frente da cabeça, bem na base do bico; revela ainda penas longas tectrizes primárias, grandes rêmiges (penas secundárias), e uma cauda ligeiramente bifurcada.[15] A medição dos subfósseis descobertos em 1893 mostra que a mandíbula tinha de 6,5 a 7,8 cm de comprimento por 6,5 cm de largura; o fêmur media 5,8 a 6,3 cm de comprimento; a tíbia 8,8 a 9,9 cm; e o metatarso 3,5 cm.[11] Ao contrário de outros papagaios das ilhas Mascarenhas, o papagaio-de-bico-largo tinha um crânio achatado.[5]

Subfósseis mostram que os machos eram maiores: eles mediam 55 a 65 cm, enquanto que suas parceiras tinham 45 a 55 cm de altura. Ambos possuíam cabeças e bicos desproporcionalmente grandes. O dimorfismo sexual em relação ao tamanho dos crânios dos indivíduos do sexo masculino e feminino é o maior entre os papagaios.[5] As diferenças nos ossos do resto do corpo e dos membros são menos acentuadas; no entanto, havia um maior dimorfismo sexual no tamanho total do que em qualquer papagaio vivo. As diferenças de tamanho entre as duas aves no esboço 1601 pode ser devido a esta característica.[16] O relato de 1602 feito por Reyer Cornelisz tradicionalmente tem sido interpretado como a única menção contemporânea da diferença de tamanho entre os papagaios-de-bico-largo, listando "grandes e pequenos corvos indianos" entre os animais da ilha. Uma transcrição completa do texto original só foi publicado em 2003, e mostrou que uma vírgula tinha sido mal colocada na tradução para o inglês; "grandes e pequenos" se referia na verdade às "galinhas-do-campo", possivelmente a galinhola-vermelha (grande) e o Dryolimnas (pequeno).[17]

Há controvérsias sobre a coloração do papagaio-de-bico-largo.[18] O relatório de 1598 da viagem de van Neck, publicado três anos depois, continha a primeira ilustração do papagaio, com uma legenda dizendo que o pássaro tinha "duas ou três cores".[3] O último relato sobre ave, e a única menção de cores específicas, foi feita por Johann Christian Hoffman entre 1673 e 1675:

Há também gansos, flamingos, três espécies de pombos de variadas cores, papagaios sarapintados e verdes, corvos vermelhos com bicos recurvados e com cabeças azuis, que voam com dificuldade e receberam dos holandeses o nome de "corvo indiano".[3] [nota 1]

Imagem do papagaio-de-bico-largo no livro Extinct Birds (1907).

Apesar da menção de várias cores, autores como Walter Rothschild alegaram que o diário de bordo do Gelderland descreveu a ave como inteiramente azul-acinzentado, e foi retratado com esta coloração no livro Extinct Birds, escrito por Rothschild em 1907.[19] Uma análise posterior do diário de bordo, feita por Julian Hume, revelou apenas uma descrição do dodô. Ele sugeriu que a máscara facial distintamente desenhado pode representar uma cor diferente.[15] A cabeça era, evidentemente, azul, e, em 2007, Hume sugeriu que o bico pode ter sido vermelho, e o resto da plumagem acinzentada ou enegrecida, o que também ocorre em outras espécies da tribo Psittaculini.[5]

Em 2015, uma tradução do relatório de 1660 de Johannes Pretorius sobre sua estadia em Maurício foi publicado, no qual ele descreveu o pássaro como "muito belamente colorido". Hume conformidade reinterpretado conta de Hoffman, e sugeriu que o pássaro pode ter sido colorido com um corpo vermelho, azul cabeça e bico vermelho; o pássaro foi ilustrado como tal no papel por Ria Winters. Possíveis penas iridescentes lustrosas ou que mudaram a aparência de acordo com o ângulo de luz também pode ter dado a impressão de que tinha ainda mais cores.[20] Também foi sugerido que, além de tamanho dimorfismo, os sexos podem ter tido diferentes cores, que poderia explicar algumas das discrepâncias nas descrições de idade.[21]

Comportamento e ecologia[editar | editar código-fonte]

Johannes Pretorius manteve em cativeiro várias aves de Maurício que hoje estão extintas. Ele descreveu o comportamento do papagaio-de-bico-largo da seguinte maneira:

Os corvos indianos são maravilhosamente coloridos. Eles não conseguem voar e não são facilmente encontrados. É uma espécie de ave muito mau temperada. Quando cativo, se recusa a comer. Prefere morrer do que viver em cativeiro.[20] [nota 2]

Ainda que o papagaio-de-bico-largo pudesse se alimentar no chão e não fosse muito habilidoso na arte de voar, seu tarsometatarso era curto e robusto, o que indica algumas características arbóreas. Os irmãos Newton e muitos especialistas depois deles inferiram que a espécie era incapaz de voar devido às asas curtas e ao seu grande tamanho, conforme mostrado no desenho do diário de bordo no navio Gelderland (1601). De acordo com Hume, o desenho a lápis subjacente realmente mostra que as asas não são particularmente curtas. Elas aparecem amplas, pois eles comumente são de espécies adaptadas a floresta, e o alula parece grande, uma característica de pássaros de voo lento. Sua quilha esternal foi reduzida, mas não o suficiente para impedir a fuga, como os que voam adepto papagaios Cyanoramphus também reduziram quilhas, e até mesmo o kakapo, com sua quilha vestigial, é capaz de planar.[5] Além disso, os estados de conta de Hoffman que podia voar, embora com dificuldade, e a primeira ilustração publicada mostra o pássaro no topo de uma árvore, uma posição improvável para uma ave que não voa.[15] O papagaio-de-bico-largo pode ter sido comportamentalmente quase incapaz de voar, como o já extinto Nestor productus.[20]

O dimorfismo sexual no tamanho do bico pode ter comportamento afetado. Tal dimorfismo é comum em outros papagaios, por exemplo, no cacatua palma e a Nova Zelândia kaka, e em espécies onde ela ocorre, os sexos preferem alimentos de diferentes tamanhos, os machos usam seus bicos em rituais, ou os sexos têm-se especializado em papéis nidificação e criação. Da mesma forma, a grande diferença entre o masculino e o tamanho da cabeça da fêmea pode ter sido refletida na ecologia de cada sexo, embora seja impossível determinar como.[5] [22]

Masauji Hachisuka sugeriu que o papagaio-de-bico-largo era noturno, tal como o kakapo e o Pezoporus occidentalis, dois papagaios da terra-moradia existentes. Relatos contemporâneos não corroboram isto, e as órbitas são de tamanho similar aos de outros grandes papagaios diurnos.[5] O papagaio-de-bico largo foi gravado no lado de sotavento seca de Maurício, que foi o mais acessível para as pessoas, e Notou-se que as aves foram mais abundantes nas proximidades da costa, o que pode indicar que a fauna de tais áreas era mais diversificada. Pode ter aninhado em cavidades de árvores ou pedras, como a Amazônia cubano. Os termos corvo ou corvo pode ter sido sugerida pela dura chamada do pássaro, as suas características comportamentais, ou apenas sua plumagem escura.[5] A seguinte descrição por Jacob Granaet de 1666 menciona alguns dos co-habitantes do papagaio de largo faturado das florestas e pode indicar o seu comportamento:

Este desenho de 1634 mostra o papagaio-de-bico-largo junto da galinhola-vermelha-de-maurício e do famoso dodô. Todos eles endêmicos de Maurício e já extintos.

Dentro da floresta habitam papagaios, tartarugas e outros pombas selvagens, corvos perniciosos e invulgarmente grandes [papagaios-de-bico-largo], falcões, morcegos e outras aves cujo nome eu não sei, pois nunca as vi antes.[3] [nota 3]

Muitas outras espécies endêmicas de Maurício tornaram-se extintas após a chegada dos seres humanos, de modo que o ecossistema da ilha é muito danificado e difícil de reconstruir. Antes da chegada dos humanos, Maurício era inteiramente coberta por florestas, mas muito pouco resta hoje devido ao desmatamento.[23] A fauna endêmica sobrevivente ainda está seriamente ameaçada.[24] O papagaio-de-bico-largo viveu ao lado de outras aves da ilha Maurício recentemente extintas, como a galinhola-vermelha-de-maurício, dodô, papagaio-cinzento-de-maurício, pombo-azul-de-maurício, coruja-de-maurício, Fulica newtonii (uma carqueja), Alopochen mauritiana (um ganso), Anas theodori (um pato), e Nycticorax mauritianus (um socó). Répteis extintos de Maurício incluem as duas espécies de tartarugas-gigantes endêmicas (Cylindraspis inepta e C. triserrata), o lagarto Leiolopisma mauritiana, e a jiboia-da-ilha-round. A Pteropus subniger e o caracol Tropidophora carinata viveram na ilha Maurício e ilha da Reunião, mas desapareceram de ambas as ilhas. Algumas plantas, como a Casearia tinifolia e a Angraecum palmiforme, também se tornaram extintas.[25]

Dieta[editar | editar código-fonte]

As sementes de Latania loddigesii podem ter feito parte da dieta do papagaio.

Espécies morfologicamente semelhantes ao papagaio-de-bico-largo, como a arara-azul e a cacatua-das-palmeiras, podem fornecer informações sobre sua ecologia. Araras Anodorhynchus, que são moradores da terra habituais, comer sementes de palmeira muito duros.[5] Carlos Yamashita sugeriu que estas araras uma vez dependia agora extinta megafauna sul-americano a comer frutas e excretar as sementes, e que mais tarde contou com gado domesticado para fazer isso. Da mesma forma, em Australasia a cacatua de palmeira se alimenta de sementes não digeridas de fezes cassowary.[5] Yamashita sugeriu que as abundantes tartarugas Cylindraspis e dodôs executaram a mesma função em Maurício, e que o largo faturado papagaio, arara com o bico-like, dependia sobre eles para obter sementes limpas.[26] Muitos tipos de palmeiras e plantas de palma-como sobre Mauritius produzir sementes duras que o papagaio-de-bico largo pode ter comido, incluindo Latania loddigesii, Mimusops maxima, Sideroxylon grandiflorum, Diospyros egrettorium, e Pandanus utilis.[5]

Com base em radiografias, DT Holyoak alegou que a mandíbula do Lophopsittacus mauritianus foi fracamente construída e sugeriu que teria alimentados com frutos vermelhos em vez de sementes duras.[27] Como prova, ele apontou que o trabeculado interno foram espaçadas, que o projeto de lei superior era largo passo que as palatines eram estreitas, eo fato de que nenhuma tribuna superior preservada tinha sido descoberto, que ele atribuiu à sua delicadeza.[28] GA Smith, no entanto, ressaltou que os quatro gêneros Holyoak usado como exemplos de "fortes mandíbulas" papagaios com base em radiografias, Cyanorhamphus, Melopsittacus, Neophema e Psephotus, na verdade, têm mandíbulas fracas na vida, e que as morfologias citados por Holyoak não indicam força.[29] Hume, desde então, apontou que a mandíbula morfologia do Lophopsittacus mauritianus é comparável à da maior papagaio de estar, a arara azul, que rachaduras porcas palma da mão aberta com facilidade. É, portanto, provável que o Lophopsittacus mauritianus alimentados da mesma forma.[30]

Extinção[editar | editar código-fonte]

Estátuas do periquito-de-rodrigues e do papagaio-bico-largo no Zoológico do Parque Cultural de Miskolc, na Hungria.

Maurício já havia sido visitado por embarcações árabes na Idade Média e navios portugueses entre 1507 e 1513, mas nenhum deles se estabeleceu efetivamente na região.[31] O Império Holandês se apossou de Maurício em 1598, batizando-o em homenagem a Maurício de Nassau, e daí em diante a ilha foi utilizada para o abastecimento de navios mercantes da Companhia Holandesa das Índias Orientais.[32] Para os marinheiros que visitavam Maurício, em viagem no mar durante muito tempo, a fauna local era interessante especialmente do ponto de vista culinário.[18] Das oito ou mais espécies de psitacídeos endêmicos das ilhas Mascarenhas, apenas o periquito-de-maurício conseguiu sobreviver até os dias atuais. Todos os outros foram extintos possivelmente pela combinação de dois fatores: caça excessiva e desmatamento.[5]

Devido à sua fraca habilidade de voo, tamanho grande e possível destemor insular, o papagaio-de-bico-largo era uma presa fácil para os marinheiros. Seus ninhos podem ter sido extremamente vulneráveis ​​à predação por ratos e macacos-caranguejeiros, animais introduzidos pelos europeus. Várias fontes indicam que o pássaro era agressivo, o que pode explicar a razão de ter sobrevivido por tanto tempo apesar das espécies invasoras trazidas nos navios. Acredita-se que o papagaio tenha sido extinto por volta da década de 1680, quando as palmeiras que os sustentavam foram derrubadas em larga escala. Ao contrário de outras espécies de papagaios, que foram muitas vezes tomadas como animais de estimação por marinheiros, não há registros de papagaios-bico-largo sendo transportados, vivos ou mortos, de Maurício, talvez por causa do estigma associado aos corvos.[5] [20] De qualquer maneira, as aves poderiam nem ter sobrevivido a uma longa viagem marítima, se acaso recusassem a comer outras coisas senão sementes.[26]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Tradução livre de: "There are also geese, flamingos, three species of pigeon of varied colours, mottled and green perroquets, red crows with recurved beaks and with blue heads, which fly with difficulty and have received from the Dutch the name of 'Indian crow'."
  2. Tradução livre de: "The Indian ravens are very beautifully coloured. They cannot fly and are not often found. This kind is a very bad tempered bird. When captive it refuses to eat. It would prefer to die rather than to live in captivity."
  3. Tradução livre de: "Within the forest dwell parrots, turtle and other wild doves, mischievous and unusually large ravens [broad-billed parrots], falcons, bats and other birds whose name I do not know, never having seen before."

Referências

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  4. a b c d Cheke 2008, pp. 23-5
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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