Pela (Macedônia)

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Pela
Pella House atrium.jpg
Geografia
País
Decentralized administration of Greece
Decentralized Administration of Macedonia and Thrace (en)
Prefeituras
Periferias
Município
Pella Municipality (en)
Capital de
Altitude
38 m
Coordenadas
Funcionamento
Estatuto
cidade da Antiguidade (d)
sítio arqueológico
pólis
Estatudo patrimonial
listed archaeological site in Greece (d)
Identificadores
Website
Uma das ruínas em Pela.
Localização de Pela

Pela (em grego clássico: Πέλλα; romaniz.: Pélla) foi a capital do antigo reino grego da Macedônia, célebre por seus reis Filipe e seu filho, Alexandre, o Grande. Situa-se na planície central da região geográfica da Macedônia, entre o rio Ludias e o Áxio, sobre uma colina que dava, na Antiguidade, para um lago pantanoso, e foi povoada inicialmente por gregos e bárbaros.[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, a etimologia popular atribui o nome de Pela a uma variação do grego dórico Apela, que originalmente designava um lugar cerimonial, onde decisões eram tomadas.[2] No entanto, a forma local do grego antigo não era o dórico, e a palavra coincidiria com um termo grego, pélla, que designa "pedra", se referindo a um marco famoso existente na região quando da fundação da cidade.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Pela foi fundada por Arquelau (413–399 a.C.) como a capital de seu reino, substituindo a antiga cidade-palácio de Egas (Vergina). A cidade foi mencionada pela primeira vez por Heródoto de Halicarnasso[4] no contexto da campanha do xá aquemênida Xerxes I, e por Tucídides[5] no contexto da expansão macedônica e a guerra contra Sitalces, rei dos trácios.

De acordo com Xenofonte, no início do século IV a.C. Pela era a maior cidade da Macedônia. Atraiu diversos artistas gregos, como o pintor Zeuxis, o poeta Timóteo de Mileto e o dramaturgo Eurípides, que estreou na cidade sua célebre peça As Bacantes, em 408 a.C., e acabou por morrer na cidade, enquanto escrevia e produzia sua peça Arquelau. Pela foi o local de nascimento do rei Filipe II, cujo palácio foi recentemente descoberto por arqueólogos, e de seu célebre filho, Alexandre, o Grande, que recebeu na cidade a tutoria do filósofo Aristóteles.

Na Antiguidade, Pela era uma cidade portuária, ligada ao golfo Termaico por um pequeno canal navegável, que acabou sendo aterrado, o que deixou o sítio isolado do mar. O reinado de Antígono II provavelmente representou o auge da prosperidade da cidade, já que foi o seu período que deixou o maior número de restos arqueológicos.

Pela foi mencionada por Políbio e Tito Lívio como a capital real de Filipe V e de Perseu, durante as Guerras Macedônicas, travadas contra a República Romana. Nos escritos de Lívio pode ser encontrada a única descrição da aparência da cidade segundo Lúcio Emílio Paulo Macedônico, o general romano responsável por derrotar Perseu na batalha de Pidna:

…[Paulo] observou que não era sem motivo que a cidade havia sido escolhida como residência real. Situa-se na encosta sudoeste de um morro, numa área pantanosa, que se projeta como uma ilha, e está construída sobre uma gigantesca estrutura, forte o bastante para sustentar um muro e prevenir qualquer tipo de dano feito pelas infiltrações da água da lagoa. À distância, parece ser contígua à muralha da cidade, porém na realidade está separada por um canal que flui entre os dois muros e está ligado à cidade por uma ponte. Assim, pode isolar todos os meios de acesso de inimigos externos, e se o rei trancar qualquer um ali, não há qualquer possibilidade de fuga exceto pela ponte, que pode ser guardada bem facilmente..[6]

O famoso poeta Arato morreu em Pela, por volta de 240 a.C.. Pela foi saqueada pelos romanos em 168 a.C., e todo o seu tesouro foi levado para Roma.

Na província romana da Macedônia, Pela foi a capital do terceiro distrito, e possivelmente era a sede do governador romano. Por ser cruzada pela Via Egnácia[7] Pela continuou a ser um ponto importante na rota entre Dirráquio e Salonica. Cícero se hospedou na cidade em 58 a.C., porém a esta altura a sede do governo da província já havia sido transferida para Tessalônica.

Moedas cunhadas na cidade entre 45 e 30 a.C., marcadas como Colônia Júlia Augusta Pela (em latim: Colonia Iulia Augusta Pella) indicam uma possível redução ao status de colônia. O imperador Augusto assentou ali camponeses cujas terras ele havia usurpado para dar a seus veteranos de guerra.[8] Ao contrário, no entanto, de outras colônias macedônicas, como Filipos, Dion, e Cassandreia, Pela nunca esteve sob a jurisdição do ius Italicum ou Lei Romana. São conhecidos quatro pares de magistrados coloniais (IIvirs quinquennales) deste período.

No fim deste século a cidade foi destruída por um terremoto; lojas e oficinas que datam da época da catástrofe foram encontradas, ainda com restos de suas respectivas mercadorias. Uma nova cidade foi construída posteriormente, sobre as ruínas da antiga, o que preservou-as, porém nos arredores do ano de 180 d.C., Luciano de Samósata, ao passar por ela, descreveu-a como "insignificante, com pouquíssimos habitantes"[9] Dião Cristóstomo também atestou a ruína da antiga capital de Filipe e Alexandre.[10] Na realidade, a cidade romana localizava-se numa localização separada, a oeste da capital antiga, o que pode explicar algumas das contradições encontradas entre as evidências epigráficas e testimoniais. No período bizantino o sítio da cidade romana foi ocupado por uma vila fortificada.

Referências

  1. Hatzopoulos, M. Macedonian Institutions Under the Kings, Atenas, 1996, p. 107.
  2. Πέλλα / Pella, Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek–English Lexicon
  3. Mallory, J.P. and D.Q. Adams. Encyclopedia of Indo-European Culture. London: Fitzroy and Dearborn, 1997: 432
  4. Heródoto, Histórias, VII, 123
  5. Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, II, 99,4 e 100,4
  6. Tito Lívio, História de Roma, Vol. VI, XLIV, 46
  7. Estrabão, Geografia, VII, 323
  8. Dião Cássio, LI, 4
  9. "Luciano de Samósata: Alexandre, o falso profeta" (em inglês), The Tertullian Project
  10. Or. 33.27