Poro (arte urbana)

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Poro
Pseudónimo(s) Grupo Poro, Coletivo Poro
Nacionalidade Brasileiro
Principais trabalhos Jardim;
Perca Tempo;
Cozinhar é um ato revolucionário;
Outros Setores para uma cidade planejada.
Prémios Brasil Arte Contemporânea 2011 (Fundação Bienal de São Paulo e Ministério da Cultura);
Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2012.
Área Arte visual
Intervenção urbana
Livro de artista.
Publicações "Manifesto";
"Intervalo Respiro Pequenos deslocamentos";
"Brasília (Cidade) [Estacionamento] (Parque) [Condomínio]".
Página oficial
https://poro.redezero.org/

O Poro é um coletivo de arte fundado em 2002 em Belo Horizonte, Brasil[1]. Também conhecido como Grupo Poro[2] ou Coletivo Poro[3], é formado pela dupla de artistas Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada[2].

História[editar | editar código-fonte]

Com suas obras de intervenções urbanas e ações efêmeras, o Poro "ora cria situações com explícito discurso político engajado, como no trabalho Imagine, ora faz intervenções urbanas sutis para despertar um sentimento poético no transeunte" [4]. O trabalho Imagine foi realizado no Fórum Social Mundial de 2004 em Mumbai na Índia[5]

Os trabalhos do Poro buscam levantar questões sobre os problemas das cidades através de uma ocupação poética dos espaços. Seus integrantes acreditam que a cidade deve ser cada vez mais reivindicada como espaço para a arte[6]. Através de suas ações, tentam problematizar a relação das pessoas com a arte, a relação das pessoas com a cidade e a relação da arte com a vida[6].

O Poro "age por meio de diferentes linguagens, focalizando seus trabalhos, principalmente, no questionamento do ambiente urbano, em críticas políticas ou em ações poéticas. Com um discurso de ironia ácida (ou acidez irônica), o Poro interfere aproximando a política da arte, no contexto rotineiro: fazendo intervenções em canteiros abandonados, distribuindo panfletos no centro de grandes cidades, pregando letras na sarjeta…" [3]

Entre os aspectos de se fazer trabalhos nas ruas, esses são alguns pontos destacados pelo Poro[6]:

  • o fato de que as pessoas podem se relacionar diretamente com o trabalho sem que nenhum aparato esteja o definindo como arte;
  • o trabalho, ao estar na rua, ganha autonomia e passa a estar sujeito a interferências e apropriações dos passantes;
  • poder fazer os trabalhos de forma autogestionada, sem depender do aval de nenhuma instituição que conceda espaço para a veiculação dos trabalhos – basta definir a proposta, se organizar, dividir os custos e… fazê-lo.

A partir do ano de 2004, aumentou-se o interesse acadêmico em pesquisar os temas intervenção urbana, produção coletiva, relações entre arte e cidade; e os trabalhos do Poro foram abordados como exemplo desses campos no Brasil em artigos[2], dissertações[7][8][9][10] e teses[11].

Referências

  1. «Poro». Prêmio Pipa. 2015. Consultado em 17 de novembro de 2019 
  2. a b c Amarante, Joana Aparecida da Silveira. «Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência: Grupo Poro». Estúdio vol.3 no.5 Lisboa. 2012. Consultado em 17 de novembro de 2019 
  3. a b Rosa, Sergio. Coletivo Poro - Guia do Overmundo. Acesso em 13 de Março de 2006.
  4. Labra, Daniela, "Inconsciente Coletivo", publicado na Revista Simples nº32 Maio/Junho 2005 (Páginas 62 a 67). Editora Wilde Cross Media: São Paulo.
  5. Site do Poro ( https://poro.redezero.org/camiseta/imagine/ ). Acesso em 8 de maio de 2010.
  6. a b c Terça-Nada, Marcelo. "Poro: anotações diversas ou intervenções por uma cidade sensível" (2005). Acesso em 17 de Março de 2006.
  7. Mazetti, Henrique Moreira. Ativismo de Mídia: Arte, política e tecnologias digitais. (Arquivo .zip). Dissertação de Mestrado em Comunicação e Cultura defendida em 2008 na Escola de Comunicação da UFRJ.
  8. Albuquerque, Fernanda. Troca, soma de esforços, atitude crítica e proposição: Uma reflexão sobre os coletivos de artistas no Brasil (1995 a 2005). Dissertação de Mestrado defendida em 2006 no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA - UFRGS).
  9. Campbell, Brígida. Canteiro de Obras – deriva sobre uma cidade-pesquisa habitada por práticas artísticas no espaço público - Dissertação de Mestrado defendida em 2007 na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA - UFMG). Trechos ou citações sobre o Poro nas páginas 4, 43, 101 a 125 e 140.
  10. Mesquita, André. Insurgências Poéticas: Arte Ativista e Ação Coletiva (1990-2000). Dissertação de Mestrado defendida em 2008 no Departamento de História da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).
  11. Britto, Ludmila. Arte Colaborativa na Cidade: Um Estudo de Caso dos Coletivos PORO, GIA e OPAVIVARÁ!. Tese de Doutorado defendida em 2007 na Escola de Belas Artes da UFBA.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Judith van Meeuwen & Julia Moreira. “Soft Power: Arte Brasil”. Holanda/Amersfoort : Kunsthal KAdE, 2016. ISBN 9789490153243
  • André Mesquita. “Insurgências poéticas: arte e ação coletiva”. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2011. ISBN 9788539102099
  • Brígida Campbell & Marcelo Terça-Nada (Org.). “Intervalo, Respiro, Pequenos Deslocamentos: ações poéticas do Poro”. São Paulo: Radical Livros, 2011. ISBN 9788598600147
  • Cláudia Tavares & Mônica Mansur (Org.). “Ser artista: entrevistas”. Rio de Janeiro: Binóculo Editora, 2013. ISBN 9788564108042
  • Eduardo de Jesus (Org.). “Arte e Novas Espacialidades: Relações Contemporâneas”. Rio de Janeiro: F10 Editora, 2011. ISBN 9788564609006
  • Claudia Tavares & Monica Mansur (Org.). “VAIEVEM: ensaios visuais sobre a rede ferroviária de Minas Gerais”. Rio de Janeiro: Binóculo Editora, 2012. ISBN 9788564108035

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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