Príncipe de Asturias (navio)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para o título real da Espanha, veja Príncipe das Astúrias.
Príncipe de Asturias
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Construção 1914
Estaleiro Russel & Co., Estaleiro Kingston, Glasgow[1]
Lançamento 30 de abril de 1914 [2]
Viagem inaugural 16 de agosto de 1914
Porto de registo Cádiz
Armador(es) Pinillos Izquierdo y Cia.
Período de serviço 19141916
Estado Naufragado
Destino Naufragou após colidir contra rochedos na Ilha de São Sebastião na costa brasileira em 5 de março de 1916
Características gerais
Tipo de navio Paquete
Deslocamento 16 500 t
Comprimento 150 m
Boca 18,7 m
Pontal 12 m
Calado 9,6 m
Propulsão Duas hélices movidas por um motor de expansão quádrupla, com potência nominal de 1134 HP
Velocidade 18 nós (33 km/h) em média
15 nós (27 km/h) totalmente carregado
Passageiros Primeira classe: 150[3]
Segunda classe: 120
Terceira classe: 120
Alojamentos: 1 500
Capacidade total: 1 890
Pintura de 1977 de Carlos Alfredo Hablitzel, que retrata o momento que a embarcação naufraga.

O Príncipe de Asturias foi um navio transatlântico operado pela companhia espanhola Pinillos Izquierdo y Cia., encomendado para fazer a linha regular de passageiros e cargas entre Barcelona e Buenos Aires, passando por Cádis, Las Palmas de Gran Canaria, Ilhas Canárias, Rio de Janeiro, Santos e Montevidéu. Após ser construído, em 1914, era considerado o transatlântico mais luxuoso da Espanha, junto a seu irmão gêmeo, o paquete Infanta Isabel.[4]

História[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, a Pinillos y Isquierdo era uma das maiores companhias de navegação da Espanha. Em 1910, a companhia lança o navio Infanta Isabel e 2 anos depois, seu irmão gêmeo, o Príncipe de Asturias, que era uma versão melhorada. Ambos foram construídos nos estaleiros Kingston, pela Russel & Co., sob supervisão da Pinillos. O Príncipe de Asturias tinha casco duplo em toda a sua extensão, com compartimentos estanques e compartimentos de lastro que podiam ser enchidos ou esvaziados facilmente, proporcionando uma estabilidade maior em qualquer situação.[5]

Além de ser um navio potente e moderno, o Príncipe de Asturias era luxuoso. Havia uma biblioteca para uso exclusivo dos passageiros, em estilo Luís XVI com estantes de mogno e assentos de couro. A cobertura superior servia como espaço de lazer, com bancos e cadeiras, e nela existiam vidraças coloridas que protegiam do vento. O restaurante era decorado com painéis de carvalho japonês e quadros com molduras de nogueira. Havia também com uma cúpula coberta com vitrais coloridos, pela qual se podia desfrutar da luz natural durante o dia. O navio contava com um salão de música que podia ser acessado pelo salão de entrada, onde havia uma grande escadaria com laterais e corrimãos trabalhados em madeira. O chão do salão de entrada era decorado com tapetes persas, que eram usados como pista de dança. Um piano havia sido construído especialmente para ser tocado a bordo.[5][2]

Naufrágio[editar | editar código-fonte]

Em 4 de março de 1916,[6] o navio se dirigia ao porto de Santos, fazendo sua sexta viagem à América do Sul. Levava oficialmente 588 pessoas entre passageiros e tripulantes. Entre as cargas importantes, o navio levava 12 estátuas de bronze (que fariam parte do monumento La Carta Magna y las Cuatro Regiones Argentinas, em Buenos Aires), um suposto Renault 35 HP e uma suposta quantia de 40 000 libras em ouro.[1] Foi realizado um baile no navio devido à festa de carnaval, tanto na Espanha (Carnaval de Cádis) quanto no Brasil. No entanto, uma forte tempestade afetava o navio, causando neblina e uma forte chuva, o que diminuiu a visibilidade. Por precaução, o capitão baixou a velocidade. O navio também alterou a sua rota, passando entre as ilhas de Vitória e Búzios (na rota original o navio passaria direto por Ilhabela, à uma certa distância).

Ninguém sabe o motivo exato da alteração na rota. Os oficiais disseram que era para organizar a carga que desceria em Santos. Outros, no entanto, acreditam que eles desceriam todo os dinheiro do navio em Búzios e afundar o navio propositalmente, já que ninguém encontrou o dinheiro nos destroços. A versão oficial é que a magnetização atípica da Ponta Pirabura teria mudado a direção da bússola.

Cerca das 4 horas, muitos já estavam dormindo, muitos por cansaço por causa do baile. Às 4h10 da noite, o capitão José Lotina tentou retomar a rota original, rumando à sul, porém devido neblina, ele não sabia que o navio estava se aproximando demais da terra, nem os oficiais sabiam, pois não enxergar o Farol da Ponta do Boi.

Às 4h15, a Proa bateu violentamente nos recifes submersos da Ponta da Pirabura e um buraco de cerca de 40 metros foi aberto no casco. Os porões se encheram de água rapidamente. A água logo inundou a casa das caldeiras, e ocorreu uma explosão, esta danificou o gerador e deixou o paquete no escuro. Sem eletricidade, o telegrafista não pôde mandar o pedido de socorro. Os passageiros são acordados com o impacto, mas poucos conseguiram subir ao convés de botes, na verdade, os passageiros que tinha cabines perto dos conveses inferiores morreram em suas cabines. Dois minutos depois da colisão, a proa já estava submersa. Com o navio quase todo "empinado" e adernando para estibordo, o trabalho de baixar os botes foi impossível (apesar do bote salva-vidas nº1 ter sido jogado no mar pelos passageiros). A proa bate no fundo do mar e depois o navio, já adernado, emborcou, afundando segundos depois. Toda a tragédia aconteceu em 5 minutos.

Oficialmente, 143 pessoas sobreviveram e 445 morreram.[7]

O Bote nº1, que foi jogado no mar pelos passageiros, partiu rumo à costa, com apenas 20 pessoas. No entanto, depois resgataram 123 passageiros e tripulantes, entre eles, o brasileiro José Martins Viana, que estudava Engenharia e fugia da Guerra na Europa. O cargueiro francês Vega resgatou os sobreviventes e os levou até Montevidéu).

O número real de passageiros[editar | editar código-fonte]

Apesar de na lista de passageiros ter 588 passageiros, há suspeitas de cerca de 800 imigrantes clandestinos espremidos nos porões do navio, fugindo da Guerra de 14. Assim o número iria subir para 1388 pessoas. Como não se sabem se algum desses imigrantes sobreviveram, o número seria elevado para 1245 mortos.

Como na época não era costume registrar a terceira classe e/ou os trabalhadores dos porões (como os foguistas, graxeiros, etc.) esses passageiros são desconhecidos.

Referências

  1. a b «Naufrágio Príncipe de Asturias». Naufágios do Brasil 
  2. a b «Príncipe de Asturias» (em espanhol). Vida Maritima 
  3. «Esqueleto no armário». naufrágio Príncipe de Astúrias 
  4. «Naufragio Príncipe de Asturias» (em espanhol). Muslera.com 
  5. a b Naufragio del transatlantico Principe de Asturias (em castelhano)
  6. Naufrágio do “Titanic brasileiro” completa 100 anos e inspira livro Gazeta do Povo - ed. 29/2/2016
  7. «PRINCIPE DE ASTURIAS | Vida Marítima». vidamaritima.com (em espanhol). Consultado em 1 de setembro de 2018 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Príncipe de Asturias (navio)