Ricardo Garcia

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Ricardo Garcia
Informações pessoais
Nome completo Ricardo Bermudez Garcia
Apelido Ricardinho
Modalidade Voleibol
Nascimento 19 de novembro de 1975 (42 anos)
São Paulo,  São Paulo
Nacionalidade Brasil brasileira
Clube Maringá Volei
Medalhas
Jogos Olímpicos
Ouro Atenas 2004 Equipe
Prata Londres 2012 Equipe

Ricardo Bermudez Garcia (São Paulo, 19 de novembro de 1975), conhecido como Ricardinho, é um ex-voleibolista brasileiro. Atuava como levantador e foi capitão da seleção brasileira de vôlei masculina[1]. Atualmente é presidente da Equipe Maringá Volei.

Ricardinho foi escolhido o melhor levantador da Copa dos Campeões de 2005[2] e foi eleito o melhor jogador da Liga Mundial de 2007.[3]

Em 14 de agosto de 2007, Ricardinho lançou sua autobiografia, intitulada Levantando a vida - A história de um campeão chamado Ricardinho, escrita pelo jornalista Luiz Carlos Ramos, ex-editor de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo.[4]

Os principais títulos de Ricardinho foram a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, seis medalhas de ouro na Liga Mundial (2001, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007), duas medalhas de ouro no Campeonato Mundial (2002 e 2006) e os títulos: quatro vezes campeão Sul-Americano (1997, 1999, 2001 e 2003), três vezes campeão da Copa América (1998, 1999 e 2001), duas vezes campeão da Copa dos Campeões (1997 e 2005) e campeão da Copa do Mundo (2003).

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Seu início no vôlei se deve a uma história de superação. Após retirar um tumor benigno na perna esquerda, aos sete anos de idade, Ricardinho foi orientado pelo médico a praticar esportes para melhorar sua recuperação. Seu irmão que jogava no Banespa o levou para participar dos treinamentos do time, e dali ele nunca mais saiu.[5]

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

Sua trajetória na Seleção iniciou-se em 1997, quando foi convocado pela primeira vez. Foi reserva de Marcelinho na equipe que conquistou o Campeonato Mundial daquele ano.[5]

A seleção brasileira de vôlei masculina, treinada por Bernardinho, foi apontada como uma das melhores da história mundial.[6] A equipe conseguiu esse reconhecimento com as jogadas geniais de Ricardinho, que abusava da variação de jogadas e da velocidade. O treinador apontou o jogador como um dos principais responsáveis pela conquista da medalha de ouro em Atenas 2004.[7]

O ex-levantador da seleção brasileira William apontou Ricardinho como um dos responsáveis pelas conquistas do vôlei brasileiro.[8]

O Polêmico Corte às Vésperas do Pan de 2007[editar | editar código-fonte]

A dois dias da estréia da seleção brasileira de vôlei masculina nos jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em julho de 2007, Ricardinho foi cortado do elenco.[9] Bruninho foi escalado para a vaga do ex-capitão e Marcelinho tornou-se o levantador titular. A seleção conquistou invicta a medalha de ouro e a equipe fez uma homenagem a Ricardinho no pódio.

À época, Bernardinho disse: "Quando você tem que dar uma bronca, ou punir o seu filho, você vai contar para os outros o que o seu filho fez? Então não tem o porquê de externar isso".[10]

Por conta disso, durante 10 anos, muito foi-se especulado a respeito do porquê Ricardinho havia sido cortado. O ponteiro Giba e o líbero Serginho, em suas biografias, trazem a mesma versão: Indisciplina[11]. Conforme relatado na biografia de Giba, "Giba Neles" (Globo Livros, 2015), o ponteiro diz: "Criou-se um tabu a respeito da situação. E nós, jogadores, resolvemos o problema como sempre fizemos: entre a gente. O corte de Ricardinho passou a ser tratado como "o maior segredo do vôlei brasileiro". Nunca houve segredo. Houve, sim, preservação de um grupo. Roupa suja se lava em casa. E foi assim que fizemos durante todos esses anos. Éramos, de fato, uma família, na qual todos brigavam por todos. Até chegar o momento em que um companheiro não brigou pelos outros."[12]

Em sua biografia, “Levantando a Vida”, Ricardinho confirma o que foi dito por eles[11].

Tentativas de "Reconciliação"[editar | editar código-fonte]

Sentindo-se traído pelos demais atletas, Ricardinho cortou relações com eles e passou a distribuir declarações polêmicas[11].

Em outubro de 2007, Bernardinho fez a primeira tentativa de reaproximação com Ricardinho, relacionando o nome dele entre os pré-convocados para a Copa do Mundo. Mas, com condições: que fizesse uma retratação com o grupo e seguisse as regras e rotinas planejadas. O jogador ignorou a tentativa[11].

Em 2010, uma nova investida com Ricardinho sendo inscrito entre os 22 atletas da Liga Mundial. Na ocasião, o pedido foi melhor recebido, mas o levantador preferiu ficar de fora do torneio, pois queria resolver questões particulares. Pediu para começar a se preparar visando à disputa do Campeonato Mundial daquele ano, mas desta vez quem não aceitou foi Bernardinho.[11]

Retorno à Seleção[editar | editar código-fonte]

Em 2012, quando Ricardinho jogava no Brasil, Ricardinho e Bernardinho se encontraram em uma partida e finalmente se acertaram. O levantador participou da Liga Mundial daquele ano, mas como reserva[11].

Também permaneceu na equipe durante a campanha do vice em Londres 2012, encerrou sua trajetória no time nacional[11].

Aposentadoria[editar | editar código-fonte]

Em julho de 2018, aos 42 anos, Ricardinho anunciou sua aposentadoria das quadras. "Foi uma decisão tomada. Não foi de última hora, já vinha pensando. O corpo está 100%, estou voando, a cabeça está voando. Mas foi uma decisão que tive de tomar. E tomei. É o que tem de ser feito. Não tem muito o que questionar", disse, comunicando sua aposentadoria.[1]

Estilo de Jogo[editar | editar código-fonte]

Ricardinho é considerado por muitos o melhor levantador da história do voleibol. Com jogadas rápidas e imprevisíveis, o levantador se tornou o principal jogador do mundo em sua posição. A rapidez de suas jogadas diminuía o tempo para a defesa e bloqueios reagirem, e as maiores potências mundiais simplesmente não conseguiam acompanhar o ritmo implementado pelo levantador.[13]

Desde o juvenil, Ricardinho era apontado como um prodígio. Mas seu talento foi moldado a base de muito treinamento, e de erros também. Ainda adolescente, ele já acelerava os levantamentos. Mas muitas vezes a bola ia na antena ou na quadra adversária. Ouvia que tinha talento, mas que faltava cabeça. Nestes dias moldava sua técnica de contato com a bola. Para isto, passava horas na frente da televisão vendo gravações de partidas de vôlei de seleções internacionais. Estudava como agiam os levantadores das principais seleções do mundo. Escolheu o melhor de cada escola: não segurar a bola na mão como fazem os asiáticos; atacar de segunda bola ao melhor estilo americano; ou fingir atacar como faziam os franceses.[14]

Segundo Doug Beal, treinador americano que revolucionou o vôlei ao introduzir a especialização nos anos 1980, “O Brasil (de 2006) tem um time excepcional, mas Ricardo faz a diferença. Ele consegue sempre, mais do que qualquer outro levantador no mundo, deixar o time em condição de matar a jogada, distribui a bola como ninguém, numa velocidade incrível”.[13]

Ricardinho chegou ao requinte de nem precisar de um bom passe para acelerar, e muito, uma bola[15]. Uma amostra do que ele era capaz pode ser resumida em um lance, que ocorreu no Mundial de 2006. Na semifinal, contra a Sérvia e Montenegro, o levantador pegou de costas uma bola após a linha de saque e, com uma levantada incrivelmente velocíssima, jogou-a na saída da rede, para um ataque certeiro de André Nascimento[16].

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Altura: 1,92 m[17]
  • Peso: 94 kg
  • Lateralidade: Canhoto
  • Ataque:
  • Bloqueio:
  • Posição: levantador
  • Camisa: 17
  • Data de nascimento: 19 de novembro de 1975
  • Clubes em que jogou: Banespa, Cocamar, Interclínicas, Philco, Unicor, Suzano, Ulbra, Minas, Modena, Sisley Treviso e Volei Futuro.
  • Clube atual: - ModaMaringá

Títulos conquistados[editar | editar código-fonte]

Títulos nacionais em equipe[editar | editar código-fonte]

  • 1991: Campeão do XX Jogos Estudantis Brasileiros
  • 1991: Campeão do Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil
  • 1992: Campeão do Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil
  • 1992: Campeão do XXI Jogos Estudantis Brasileiros
  • 1993: Campeão do Campeonato Brasileiro Juvenil
  • 1995: Campeão da Copa Brasil
  • 1995: Campeão Brasileiro Juvenil
  • 2002: Campeão da Superliga (Ulbra - Porto Alegre)
  • 2003: Campeão da Superliga (Ulbra - Porto Alegre)
  • 2010: Campeão dos Jogos Abertos do Interior, Santos 2010 (Volei Futuro)
  • 2010: Campeão Paulista (Volei Futuro)
  • 2012: Vice-Campeão da Super Liga (Volei Futuro)

Títulos internacionais em equipe[editar | editar código-fonte]

  • Seleções de base:
    • 1992: Campeão do Campeonato Sul-Americano Infanto-Juvenil
    • 1992: Campeão do II Juegos Estudiantiles Del Cono Sul
    • 1994: Campeão do do XII Campeonato Sul-Americano de Voleibol Juvenil
  • Seleção adulta:
    • 1997: Campeão do Campeonato Sul-Americano
    • 1997: Campeão do Campeonato Mundial
    • 1997: Campeão da Copa dos Campeões
    • 1998: Campeão da Copa América
    • 1999: Campeão da Copa América
    • 1999: Campeão do Campeonato Sul-Americano
    • 2001: Medalha de ouro na Liga Mundial
    • 2001: Campeão da Copa América
    • 2001: Campeão do Campeonato Sul-Americano
    • 2002: Medalha de ouro no Campeonato Mundial
    • 2003: Medalha de ouro na Liga Mundial
    • 2003: Campeão do Campeonato Sul-Americano
    • 2003: Campeão da Copa do Mundo
    • 2004: Medalha de ouro na Liga Mundial
    • 2004: Medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas
    • 2005: Medalha de ouro na Liga Mundial
    • 2005: Campeão da Copa dos Campeões
    • 2006: Medalha de ouro na Liga Mundial
    • 2006: Medalha de ouro no Campeonato Mundial
    • 2007: Medalha de ouro na Liga Mundial
    • 2012: Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de Londres

Títulos individuais[editar | editar código-fonte]

  • 1992: Considerado "All Star" do Campeonato Sul-Americano de Voleibol Infanto-Juvenil
  • 1992: Melhor Levantador do Jeb's
  • 1993: Melhor Levantador do Torneio de Natal da Bélgica
  • 1994: Melhor Levantador do XII Campeonato Sul-Americano de Voleibol Juvenil
  • 1994: Melhor Levantador nos Amistosos da seleção brasileira "B" Adulto
  • 1995: "Best Setter" (melhor levantador) no VIII Men's Junior World Volleyball Championship
  • 2005: Melhor levantador da Copa América
  • 2005: Melhor levantador da Copa dos Campeões
  • 2007: Melhor jogador da Liga Mundial

Referências

  1. a b globoesporte.globo.com/ Campeão olímpico e um dos maiores da história, Ricardinho dá adeus às quadras
  2. CBV. «Copa dos Campeões: Ricardinho dedica o prêmio de melhor levantador à família». Consultado em 22 de agosto de 2008. 
  3. Terra Esportes. «Ricardinho é eleito o melhor jogador da Liga». Consultado em 23 de agosto de 2008. 
  4. Último segundo. «Ricardinho lança livro e comenta o corte da seleção». Consultado em 22 de agosto de 2008. 
  5. a b terceirotempo.bol.uol.com.br/ Que Fim Levou? - Ricardinho, do Volei
  6. Terra Esportes. «Vôlei faz Brasil quebrar recorde de ouros». Consultado em 22 de agosto de 2008. 
  7. Gazeta Esportiva.Net. «Ídolos Ricardinho». Consultado em 22 de agosto de 2008. 
  8. Revista Época. «O vôlei arrebenta...». Consultado em 22 de outubro de 2008. 
  9. Globo.com. «Ricardinho do vôlei fora do Pan-Americano». Consultado em 22 de agosto de 2008. 
  10. esportes.yahoo.com/ Exclusivo: Rodrigão revela os motivos do corte de Ricardinho
  11. a b c d e f g saidaderede.blogosfera.uol.com.br/ Dez anos depois, entenda a briga com Bernardinho que fez Ricardinho ser cortado da seleção
  12. folha.uol.com.br/ Em livro, Giba diz que Ricardinho foi cortado da seleção por indisciplina
  13. a b saidaderede.blogosfera.uol.com.br/ Ricardinho exalta seleção campeã de 2006: “Ganhava já no aquecimento”
  14. esporte.uol.com.br/ Obcecado pela vitória, Ricardinho revolucionou o vôlei por acaso
  15. folha.uol.com.br/ Revolução e lenda em quadra
  16. pan.uol.com.br/ Ricardinho
  17. Revista Volei Total. «Ricardinho 17». Consultado em 22 de agosto de 2008. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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