Sarah Afonso

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Sarah Afonso
Nascimento 1899
Lisboa
Morte 1983 (84 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal português(a)
Cônjuge Almada Negreiros (2 filhos)
Ocupação Artista plástica.
Família, 1937, óleo sobre tela, 103 x 86 cm
Procissão, 1934, óleo sobre tela, 110 x 70 cm

Sarah Afonso (Lisboa, 1899 — Lisboa, 1983) foi uma pintora portuguesa.[1]

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Nascida em Lisboa no seio de uma família relativamente modesta, viveu em Viana do Castelo entre os 5 e os 15 anos de idade. "Estes primeiros anos da sua vida marcariam indelevelmente a sua obra, desenvolvida nos trilhos dessa memória das paisagens minhotas, dos azuis, dos pinhais e das praias, do seu quotidiano e das tradições".[2]

Estudou pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluna de Columbano Bordalo Pinheiro. Esteve em Paris em 1923-1924 e, de novo, em 1928-1929 (sobrevive trabalhando num atelier de costura). Expõe no Salon d'Automne de 1928.

De regresso a Lisboa, integra-se no ambiente artístico e intelectual lisboeta. Pertencente à segunda geração de pintores modernistas portugueses, contemporânea de Bernardo Marques, Mário Eloy ou Carlos Botelho, expõe no I Salão dos Independentes (SNBA, 1930) e em outras mostras coletivas; expõe individualmente; frequenta as tertúlias de A Brasileira (até então um território tipicamente masculino).

Em 1934 casa-se com Almada Negreiros, tentando a partir daí conciliar a vida de mãe de família e de pintora. Nos primeiros anos de casamento desenvolve o que será a parte mais importante da sua obra pictórica. "Dos retratos de meninas e mulheres e das paisagens urbanas passa para composições que incorporam motivos antes utilizados nos bordados, oriundos da cultura e imaginário populares. Evoca, a partir da memória da infância passada no Minho, costumes (procissões, festas, alminhas) e mitologias populares".[3]

Celebraria também a sua vida pessoal em pinturas como Família, 1937, um dos seus trabalhos mais emblemáticos, onde se figura com o marido e o primeiro filho. Neste auto-retrato alargado à sua família e que funciona também como metáfora para a lenda do "menino-deus", Sarah Afonso faz uma síntese de vários aspectos da sua obra: "a qualidade do traço, o cromatismo, o desenho implícito na composição narrativa – como se tratasse de um sonho acordado – elementos tradicionais da cultura popular, como os bordados, os brinquedos e as lendas. É comum verificarmos esta associação lírica sobre a realidade, em que o tema se funde com a vivência dos retratados".[4]

Foram várias as razões que a levaram a abandonar a pintura em finais dos anos de 1940. "Às razões pessoais juntavam-se a insegurança profissional e a falta de condições de trabalho. Continuou, no entanto, com um trabalho menos visível nas artes decorativas e de apoio a Almada Negreiros [...]. Em finais dos anos 50, retomou algumas das direções interrompidas, como a ilustração infantil (entre outros de A Menina do Mar, 1958, de Sophia de Mello Breyner Andresen) e o desenho".[5]

Expôs individualmente em 1932 e 1939. Participou na Exposição do Mundo Português, 1940. Em 1944 recebeu o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (8ª Exposição de Arte Moderna, SPN). Em 1953 participou na Bienal de S. Paulo, Brasil.[6]

Foram realizadas mostras retrospetivas da sua obra em 1953 e 1962 (Galeria de Março, Lisboa, e Academia Dominguez Alvarez, Porto respetivamente).[7] Encontra-se colaboração sua na revista Sudoeste [8] (1935).

Por ocasião do centenário do seu nascimento, em 1999, realizaram-se exposições comemorativas em Viana do Castelo e Porto.

Referências

  1. GV - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. «Sarah Afonso». Consultado em 1 de maio de 2013 
  2. GV - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. «Sarah Afonso». Consultado em 1 de maio de 2013 
  3. GV - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. «Sarah Afonso». Consultado em 1 de maio de 2013 
  4. SP - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. «Sarah Afonso, Família, 1937». Consultado em 3 de maio de 2013 
  5. GV - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. «Sarah Afonso». Consultado em 1 de maio de 2013 
  6. GV - Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. «Sarah Afonso». Consultado em 1 de maio de 2013 
  7. França, José Augusto – A arte em Portugal no século XX (1974). Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 303, 574
  8. Rita Correia (18 de maio de 2011). «Ficha histórica: Sudoeste : cadernos de Almada Negreiros (1935)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 05 de novembro de 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
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