Tramadol
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Tramadol | |
Nome IUPAC (sistemática) | |
| rac-(1R,2R)-2-(dimethylaminomethyl)-1-
(3-methoxyphenyl)-cyclohexanol | |
Identificadores | |
| 27203-92-5 | |
| N02AX02 | |
| 33741 | |
| APRD00028 | |
Informação química | |
| C16H25NO2 | |
| 263.4 g/mol | |
Farmacocinética | |
| 70–90%[1] | |
| 20% | |
| Hepático | |
| 5 a 7 horas | |
| Renal | |
Considerações terapêuticas | |
| Oral, Intravenosa, Intramuscular | |
Tramadol é um opioide, usado principalmente como analgésico de ação central, que alivia a dor atuando sobre células nervosas específicas da medula espinhal e do cérebro. O tramadol se combina com os receptores opioides do cérebro e bloqueia a transmissão de estímulos de dor. É indicado para o tratamento de dores de intensidade moderada a severa.[2]
O tramadol é amplamente aceito no tratamento de pacientes com dor aguda intensa, como a dor pós-operatória, dor pós-traumática e lombalgia, bem como dor crônica moderada a severa em casos de neuropatia, osteoartrose, e dor moderada em idosos que não podem ser tratados com analgésicos não esteroides, além de ser utilizado em pacientes com dor oncológica e fibromialgia. [3]
No entanto, ao contrário do que é recomendado, em alguns países o tramadol é frequentemente usado isoladamente, em vez de ser parte de uma abordagem terapêutica mais ampla para uma analgesia eficaz. Sua aceitação se deve a vários fatores, como menor incidência de depressão respiratória, menor risco de dependência e vício, e um efeito imunossupressor menos pronunciado em comparação com outros opioides. Além disso, o tramadol tem fácil ajuste de dose e está disponível em várias formulações, o que facilita seu acesso.[4]
Mecanismo de ação
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O mecanismo de ação do fármaco ainda não é muito conhecido. O que se sabe é que a substância tramadol pode ligar-se ao receptor µ-opioide, agindo como um agonista desse receptor. Parece inibir, também, a recaptação neuronal de noradrenalina e serotonina. Esses dois mecanismos de ação seriam, então, responsáveis por promoverem o efeito de analgesia.
Interações medicamentosas
[editar | editar código]O cloridrato de tramadol pode ter seu efeito analgésico diminuído ou potencializado, como também sofrer alterações em seu tempo de ação, pela via de administração utilizada[5] ou, ainda, quando consumido em conjunto com outras substâncias, como:
- Carbamazepina (anticonvulsivante);
- Ondansetrona (antiemético)
- Álcool[6]
Substâncias com ação depressora sobre o SNC (Sistema Nervoso Central), como as benzodiazepinas (por exemplo diazepam, clonazepam, lorazepam etc), analgésicos opiáceos (morfina; codeína) e álcool, podem ter seus efeitos potencializados pelo tramadol.
Deve-se evitar a administração concomitante com outros fármacos que também inibem a recaptação de noradrenalina e serotonina (como no caso de antidepressivos tricíclicos e ISRS) devido ao aumento do risco de convulsões e ocorrência de síndrome da serotonina.
Não deve ser administrado com inibidores da MAO.[7]
A coadministração de ondansetrona e tramadol é uma prática comum para mitigar as náuseas e vômitos induzidos pelo opioide. No entanto, evidências clínicas demonstram que essa associação é prejudicial à eficácia do tratamento analgésico [8]. O mecanismo de ação do tramadol envolve a inibição da recaptação de noradrenalina e serotonina, facilitando a liberação de 5-HT na medula espinhal [9]. Uma vez que os receptores 5-HT3 desempenham um papel crucial na modulação da dor em nível espinhal, o uso de antagonistas seletivos como a ondansetrona bloqueia essa via, resultando em uma redução significativa do efeito antinociceptivo do tramadol [10]. Estudos clínicos confirmam que pacientes que recebem ondansetrona necessitam de doses significativamente maiores de tramadol para atingir o controle da dor em comparação àqueles que recebem placebo [10][11]."
Referências
- ↑ Klotz, Ulrich (25 de dezembro de 2011). «Tramadol — the Impact of its Pharmacokinetic and Pharmacodynamic Properties on the Clinical Management of Pain». Arzneimittelforschung (em alemão) (10): 681–687. ISSN 0004-4172. doi:10.1055/s-0031-1299812. Consultado em 14 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 3 de junho de 2018
- ↑ Leppert, W (novembro–dezembro de 2009). «Tramadol as an analgesic for mild to moderate cancer pain.» (PDF). Pharmacological reports. 61 (6): 978–92. PMID 20081232. doi:10.1016/s1734-1140(09)70159-8. Cópia arquivada (PDF) em 19 de abril de 2026
- ↑ Piovezan, Marcelo; Sousa, Breno Magalhães; e-Silva, Camila de Andrade; de-Assis, Catarina Cassago; Bonin, João Pedro Pessiqueli; Capobianco, João Gabriel Pacetti (6 de janeiro de 2023). «Uso e prescrição de opioides no Brasil: revisão integrativa». BrJP: 395–400. ISSN 2595-0118. doi:10.5935/2595-0118.20220051-pt. Consultado em 1 de julho de 2024. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2025
- ↑ Piovezan, Marcelo; Sousa, Breno Magalhães; e-Silva, Camila de Andrade; de-Assis, Catarina Cassago; Bonin, João Pedro Pessiqueli; Capobianco, João Gabriel Pacetti (6 de janeiro de 2023). «Uso e prescrição de opioides no Brasil: revisão integrativa». BrJP: 395–400. ISSN 2595-0118. doi:10.5935/2595-0118.20220051-pt. Consultado em 1 de julho de 2024. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2025
- ↑ Zhang, Hua; Zhao, Youyou; Wang, Xueqing; Zhang, Qiang (dezembro de 2014). «Bioavailability of tramadol hydrochloride after administration via different routes in rats: BIOAVAILABILITY OF TRAMADOL ADMINISTRATION VIA DIFFERENT ROUTES». Biopharmaceutics & Drug Disposition (em inglês) (9): 525–531. doi:10.1002/bdd.1916. Consultado em 14 de janeiro de 2022
- ↑ Lintz, W.; Barth, H.; Becker, R.; Frankus, E.; Schmidt-Böthelt, E. (maio de 1998). «Pharmacokinetics of tramadol and bioavailability of enteral tramadol formulations. 2nd communication: drops with ethanol». Arzneimittel-Forschung (5): 436–445. ISSN 0004-4172. PMID 9638309. Consultado em 14 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2025
- ↑ «CLORIDRATO DE TRAMADOL DA MEDLEY». www.bulas.med.br. Consultado em 24 de junho de 2017[ligação inativa]
- ↑ Vale, C.; Oliveira, F.; Assunção, J.; Fontes-Ribeiro, C.; Pereira, F. (2011). «Co-Administration of Ondansetron Decreases the Analgesic Efficacy of Tramadol in Humans». Pharmacology (em inglês). 88 (3-4): 182–187. ISSN 0031-7012. doi:10.1159/000330740
- ↑ De Witte, Jan L.; Schoenmaekers, Bart; Sessler, Daniel I.; Deloof, Thierry (maio de 2001). «The Analgesic Efficacy of Tramadol is Impaired by Concurrent Administration of Ondansetron». Anesthesia & Analgesia (em inglês). 92 (5): 1319–1321. ISSN 0003-2999. doi:10.1097/00000539-200105000-00045
- 1 2 Arcioni, Roberto; della Rocca, Marco; Romanò, Sarah; Romano, Rocco; Pietropaoli, Paolo; Gasparetto, Alessandro (junho de 2002). «Ondansetron Inhibits the Analgesic Effects of Tramadol: A Possible 5-HT3 Spinal Receptor Involvement in Acute Pain in Humans». Anesthesia & Analgesia (em inglês). 94 (6): 1553–1557. ISSN 0003-2999. doi:10.1213/00000539-200206000-00033
- ↑ Arcioni, Roberto; della Rocca, Marco; Romanò, Sarah; Romano, Rocco; Pietropaoli, Paolo; Gasparetto, Alessandro (junho de 2002). «Ondansetron Inhibits the Analgesic Effects of Tramadol: A Possible 5-HT3 Spinal Receptor Involvement in Acute Pain in Humans:». Anesthesia & Analgesia (em inglês). 94 (6): 1553–1557. ISSN 0003-2999. doi:10.1097/00000539-200206000-00033
