Tromboangiite obliterante

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Doença de Buerger ou Tromboangeíte obliterans
Fenômeno de Raynaud: a circulação sanguínea insuficiente deixou sua pele pálida, fria e dormente. Com o retorno do sangue se torna vermelha, dolorosa e formigando.
Especialidade cardiologia, reumatologia
Classificação e recursos externos
CID-10 I73.1
CID-9 443.1
OMIM 212480
DiseasesDB 1762
MedlinePlus 000172
MeSH D013919
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Tromboangeíte obliterante (TAO), também conhecida como doença de Buerger, é uma doença vascular inflamatória oclusiva. Caracterizada pela inflamação e trombose das artérias e veias de pequeno e médio calibre, geralmente dos pés ou das mãos. Atinge mais homens, menores de 40 anos e tem uma forte relação com o tabagismo. [1] Afeta 1 em cada 10.000 adultos americanos, sendo duas a três vezes mais comum em árabes e asiáticos.[2]

Causas[editar | editar código-fonte]

A causa é desconhecida, mas existe uma associação já descrita com os HLAs A9 e B5. Nesta doença vascular inflamatória oclusiva há infiltração de leucócitos polimorfonucleares nas paredes dos pequenos e médios vasos, que atraem outras células inflamatórias e fibroblastos que a longo prazo acabam por conduzir à fibrose e trombose dos vasos.[3] O tabaco pode causar inflamação e aumentar a formação de trombos nos vasos sanguíneos, a falta de irrigação é mais perceptível nas extremidades vulneráveis a isquemia.[4]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas incluem alteração de coloração, temperatura, formigamento, dormência (parestesias), sensações desagradáveis como frio ou calor (disestesias) e dor nos membros afetados que pioram com o movimento e melhoram com o esforço (claudicação intermitente).[5] Os pulsos das extremidades afetadas também podem estar diminuídos enquanto outros pulsos são normais. Ainda pode apresentar fenômeno de Raynaud[6]. A pele do membro pode ficar frágil e fina.

Por exemplo, um pé afetado pode-se sentir frio, dormência, dor e ficar azulado após uma caminhada e melhorar com dez minutos de repouso.

Complicações

Ulcerações e gangrena nas extremidades são possíveis complicações e pode ser necessário a amputação da extremidade envolvida.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito com critérios clínico, e excluindo outras doenças, sendo útil pedir perfil de coagulação, ecocardiograma, arteriografia para confirmação.

Diagnóstico Diferencial[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico diferencial tem de ser feito com doenças do tecido conjuntivo, tais como:

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O melhor tratamento disponível é a cessação completa do tabagismo imediatamente. Mesmo uma quantidade mínima de cigarros pode disparar novos episódios dolorosos de isquemia e trombose. Além disto, é importante tratar infecções com antibióticos e debridar úlceras e zonas necróticas. O tratamento com AAS (aspirina) reduz a dor e inflamação, mas não reduz muito o risco de amputação. Corticoides, prostaglandinas, anestésicos, oxigênio a 100% e anticoagulantes também melhoram os sintomas, mas não são eficientes em prevenir uma amputação.[7]

Para romper os trombos durante uma crise, o medicamento trombolítico estreptoquinase, foi proposto como uma opção de terapia, que ainda necessita mais estudos.[8]

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O prognóstico é reservado, sendo por vezes necessário amputar o membro afetado. A chance de amputar um membro é duas vezes maior nos que seguem fumando. Mesmo após amputar um membro, segue afetando outros membros. O prognóstico é consideravelmente melhor em mulheres.

Casos notáveis[editar | editar código-fonte]

O rei George VI foi diagnosticado com Buerger em 1948. [9] O presidente filipino Rodrigo Duterte revelou em 2015 que tem doença de Buerger. [10]

Referências

  1. Joyce JW (May 1990). "Buerger's disease (thromboangiitis obliterans)". Rheumatic Diseases Clinics of North America. 16 (2): 463–70. PMID 2189162.
  2. Piazza G, Creager MA (April 2010). "Thromboangiitis obliterans". Circulation. 121 (16): 1858–61. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.110.942383. PMC 2880529. PMID 20421527.
  3. Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger) por Alan Niemies, Medsimples.com
  4. Tanaka K (October 1998). "Pathology and pathogenesis of Buerger's disease". International Journal of Cardiology. 66 Suppl 1: S237-42. doi:10.1016/s0167-5273(98)00174-0. PMID 9951825.
  5. Ferri FF (2003). Ferri's Clinical Advisor 2004: Instant Diagnosis and Treatment. 6th edition. p. 840. ISBN 978-0323026680.
  6. Células Tronco: Uma nova opção de tratamento para Portadores de Tromboangiíte Obliterante – Por Cristiano Cardoso, Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.
  7. Cacione DG, Macedo CR, Baptista-Silva JC, et al. (Cochrane Vascular Group) (March 2016). "Pharmacological treatment for Buerger's disease". The Cochrane Database of Systematic Reviews. 3: CD011033. doi:10.1002/14651858.CD011033.pub3. PMC 7104255. PMID 26967103.
  8. Hussein EA, el Dorri A (1993). "Intra-arterial streptokinase as adjuvant therapy for complicated Buerger's disease: early trials". International Surgery. 78 (1): 54–8. PMID 8473086.
  9. McBeth 2011, pp. 254-264.
  10. Frialde M (December 10, 2015). "Duterte: I may not last 6 years in office". The Philippine Star. Retrieved December 17, 2015.