Vigna unguiculata

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaVigna unguiculata
feijão-fradinho, feijão-de-corda
Vigna unguiculata
Vigna unguiculata
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae
Subfamília: Faboideae
Género: Vigna
Espécie: V. unguiculata
Nome binomial
Vigna unguiculata
(L., Walp.)
Aspecto das sementes comestíveis (feijões).
Pormenores da planta.

Vigna unguiculata, popularmente conhecida como feijão-caupi[1], feijão-miúdo[2], feijão-de-corda[2], feijão-fradinho[2], feijão-frade ou feijão-macáçar, é uma planta da família das leguminosas (Fabaceae), subfamília papilionoídea (Faboideae).

A espécie apresenta muitas variedades cultivadas, podendo variar, por exemplo, o padrão de cores das sementes ou o tamanho das vagens, que podem ser curtas ou muito longas, dependo da variedade[1].

Descrição[editar | editar código-fonte]

São plantas geralmente anuais, erectas ou trepadoras, com caules estriados e glabrescentes, isto é, com tendência a perder os pelos que se dispõem na suas hastes.

As suas folhas são trifolioladas, com apêndices (estípulas) na base do pecíolo, sendo os dois folíolos laterais oblíquos em relação ao plano do folíolo central. As flores dispõem-se em pequenos grupos semelhantes a cachos, com poucas flores, que partem da base do pecíolo das folhas (ou seja, em pseudocachos paucifloros axilares).

As flores, completas, têm o cálice bilabiado (formando duas partes que se dispõem como dois lábios), apresentando o lábio superior dois lóbulos e o inferior três. A corola é papilionácea, isto é, com cinco pétalas com a seguinte disposição: uma maior, externa (o estandarte ou vexilo) sob a qual se dispõem duas pétalas laterais (as "asas") fechadas sobre duas pétalas internas, unidas em forma de quilha (ou carena) que, por sua vez, protegem os órgãos reprodutores da flor.

O estandarte é arredondado, geralmente de cor branca, esverdeada, amarela ou lilacínea, enquanto que as asas variam do azul ao púrpura. A quilha é esbranquiçada e não espiralada. Existe uma variedade de flores lilacíneas e outra de flores violáceas com vexilo amarelo. Cada flor tem dez estames, dos quais nove estão unidos uns aos outros e um é livre. O carpelo tem um estigma encurvado e húmido que facilita a aderência dos grãos de pólen. O ovário é estreito e alongado, com os óvulos distribuídos em linha, o que explica o comprimento invulgarmente extenso da vagem.

As flores abrem-se apenas nas primeiras horas da manhã, não permitindo que a polinização por parte de insectos ocorra frequentemente. De facto, a autopolinização é a regra nesta espécie.

As vagens são lisas, lineares e cilíndricas, com sementes numerosas. Estas apresentam-se de cor branca ou amarelada, geralmente com o hilo (o "olho" do feijão) com uma orla castanha ou negra, que permite facilmente a sua identificação.

Origem[editar | editar código-fonte]

A sua origem é obscura, ainda que se acredite que seja originária da África Tropical, de onde teria se dispersado para outras regiões com clima semelhante, como a Índia. Possui várias subespécies, como o feijão-chicote, que têm, por sua vez, inúmeras variedades, cultivadas pelas sementes comestíveis, de formas e cores diversas, utilizadas também como forragem especialmente nutritiva e como adubo verde.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Este tipo de feijão constitui a base alimentar de muitas populações rurais devido ao seu elevado valor nutritivo a nível proteico e energético e à sua fácil adaptação a solos de baixa fertilidade e com períodos de seca prolongada[1]. Na Região nordeste do Brasil, a colheita de suas vagens e o consumo de seus feijões ocorrem tanto na fase de plena maturação quanto antes, caso este em que o produto é denominado "feijão-verde", sendo largamente usado na culinária regional. O feijão maduro é ingrediente básico do acarajé, bolinho frito típico da culinária baiana.

Produção mundial[editar | editar código-fonte]

País Produção em 2018
(toneladas anuais)
Nigéria 2.606.912
Níger 2.376.727
 Burkina Faso 630.965
Gana 215.350
Tanzânia 202.865
Camarões 185.832
 Quênia 179.399
Mali 157.739
Mianmar 136.411
Sudão 104.667
Fonte: Food and Agriculture Organization[3]

Outras designações[editar | editar código-fonte]

Além dos nomes já referidos, esta espécie tem também os seguintes nomes populares:

Brasil[editar | editar código-fonte]

  • boca-preta
  • ervilha-de-vaca
  • favalinha
  • feijão-alfanje
  • feijão-besugo
  • feijão-careta
  • feijão-carita
  • feijão-carito
  • feijão-chicote
  • feijão-chícharo
  • feijão-chinês
  • feijão-congo
  • feijão-corda
  • feijão-da-china
  • feijão-de-boi
  • feijão-de-corda
  • feijão-de-frade
  • feijão-de-macáçar
  • feijão-de-olho-preto
  • feijão-de-vaca
  • feijão-de-vara
  • feijão-frade
  • feijão-frade-comprido
  • feijão-galego
  • feijão-gurutuba
  • feijão-lagartixa
  • feijão-macáçar
  • feijão-mancanha
  • feijão-mineiro
  • feijão-miúdo
  • feijão-miúdo-da-china
  • feijão-vinha
  • feijãozinho-da-índia
  • mebauene
  • mucunha
  • mulato-gelato

Angola[editar | editar código-fonte]

  • feijão-macundi
  • maconde
  • macunde
  • macundi

Cabo Verde[editar | editar código-fonte]

  • feijão mongolão
  • "bongolon" (Crioulo de Cabo Verde)

Moçambique[editar | editar código-fonte]

  • nhemba
  • namerrua
  • Ikhutye

Referências

  1. a b c Freire Filho, F. R. (2011). «Feijão-Caupi no Brasil: Produção, Melhoramento Genético, Avanços e Desafios» (PDF). EMBRAPA Meio-Norte. Teresina, PI. Consultado em 10 de setembro de 2018 
  2. a b c Julio Seabra Inglez Souza (1995). Enciclopédia agrícola brasileira: E-H. EdUSP. pp. 190 – 191. ISBN 978-85-314-0584-6
  3. fao.org (FAOSTAT). «Cowpea production in 2018, Crops/World regions/Production quantity (from pick lists)». Consultado em 29 de agosto de 2020 

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Houaiss, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa; Lisboa; Temas e Debates; 2005
  • Liberato, Maria Cândida. Feijão, in "Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira da Cultura, Edição Século XXI", Volume I, Editorial Verbo, Braga, Setembro de 1999
  • História e dados nutricionais do Feijão Frade [1][ligação inativa]
  • Teófilo , Elizita Maria; Paiva, José Braga; Filho, Sebastião Medeiros; http://www.editora.ufla.br/revista/25_1/art25.pdf[ligação inativa] Polinização artificial em feijão caupi (Vigna unguiculata ( L.) Walp) Ciênc. agrotec., Lavras, v.25, n.1, p. 220-223, jan./fev., 2001

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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