Regência Augusta

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Regência Augusta ou Vila de Regência é uma vila situada na foz do Rio Doce no distrito de Regência, no município de Linhares, no estado do Espírito Santo, Brasil. Regência possui 818 habitantes.[1]

O principal acesso se dá pela BR-101 norte, através do distrito de Bebedouro e da rodovia ES-010 que margeia o litoral. Apenas 10 dos 38 quilômetros que separam as rodovias da vila são asfaltados. Boa parte do caminho até a vila é marcado por longos pastos rasteiros, pontuados por pequenos arbustos e dedicados à produção de gado de corte. Do lado esquerdo da estrada, as antigas fazendas conservam suas barcaças para a secagem da pequena produção de cacau, plantado em matas brocadas às margens do rio. A estrada torna-se vermelha quando termina o trecho asfaltado. A depender da época a cor estará em forma de poeira ou de lama e estampada em carros e casas.

O principais atrativos da vila são as ondas propícias à prática de surfe, a "Festa de Caboclo Bernardo", onde há o encontro das bandas de congo do Espírito Santo, a tradicional "Festa dos Pescadores de Regência" e a principal base do Projeto TAMAR do estado.

O filme A Onda da Vida dos diretores José Augusto Muleta e Raphael Gasparini foi gravado na vila com a colaboração dos moradores da vila como atores coadjuvante e figurantes. A atriz local Thalena Pereira faz par romântico com um dos protagonistas. Durante o desenrolar da história, pode-se perceber várias peculiaridades da cultura capixaba, como o congo, a "Festa do Caboclo Bernardo", a moqueca capixaba e suas gírias.[2][3]

Prática do surfe[editar | editar código-fonte]

A Boca do Rio[editar | editar código-fonte]

A onda da boca do rio é conhecida por sua extensão e por sua forte correnteza. Vento nordeste e ondulação sul fornecem condições favoráveis para a prática de surf na boca. Em condições perfeitas, as ondas são longas e tubulares e quebram em sua maioria para a esquerda, na bancada de areia que se acumula pela ação continua do rio.

Nos dias chamados clássicos uma onda, em sua extensão, pode se conectar continuamente nas várias bancadas de areia que se alternam ao longo da praia, permitindo que elas sejam surfadas por cerca de oitocentos metros. Terminando de surfar uma onda como esta o surfista caminhará de volta até a foz do rio para novamente entrar no mar, o que pode ser considerado um grande esforço físico. Pegar quatro ou cinco ondas durante a sessão nestas condições já pode ser considerado um bom dia de surf.

Nos dias com ondas acima de 6 pés, a depender intensidade da ondulação e da força da correnteza, as ondas exigirão um certo grau de habilidade técnica e conhecimento específico da localidade, para que as ondas sejam surfadas. A qualidade da onda faz com que ela seja comparada às ondas mexicanas e às ondas balinesas.

O Point e os Tambores[editar | editar código-fonte]

A estrada que margeia o mar da base do Projeto TAMAR até a vila possui três pequenas entradas onde ficam estacionados os carros dos visitantes e surfistas. A primeira é majoritariamente frequentada por pescadores de arremesso, onde passam, muitos deles com famílias inteiras, todo o dia. Pescam principalmente cação, arraia, robalo, pescada, bagre e outros tipos de peixe. A segunda e a terceira entrada é mais frequentada por surfistas e em menor número banhistas. A vegetação do caminho percorrido do estacionamento até a praia é bem rasteira e encontra-se em abundância a rama florada da ipomoea, a salsinha da praia, que pontiaguda fura levemente os pés desavisados que caminham fora da trilha. As raízes destas plantas são fundamentais para manterem fixas a areia das pequenas dunas e se constituem como os únicos obstáculos entre os surfistas e a visão das ondas.

As ondas que quebram nesta área são mais curtas em comparação com as encontradas na boca do rio, porém são consideradas pelos surfistas também longas, em relação àquelas que quebram ao longo da orla capixaba. Ali as ondas quando perfeitas quebram "para os dois lados", isto é, para a direita e para a esquerda, proporcionando que o surfista escolha a direção que mais lhe agrada. Entretanto, o principal atrativo desta onda consiste em proporcionar ao surfista o que é considerado como o momento mágico do surf: o tubo. Devido aspectos relacionados a direção da ondulação, ao vento e a formação do fundo (lugar onde as ondas quebram) a onda formará um cone ao lancar a parte superior de sua formação (comumente chamada de crista). Estar dentro do tubo (cone), enquanto a onda quebra, significa estar em um lugar privilegiado e muito apreciado pelos surfistas. O fundo de areia da praia suporta ondulaçõs com até 9 pés.

As Direitinhas[editar | editar código-fonte]

"As Direitinhas" quebram no entroncamento do Rio Doce com o mar, quando não percorrem muitos metros rio a dentro, em água salobra ou doce. A descoberta da onda se deve ao desejo extremado (“fissura”) dos atletas locais de surfarem mesmo nos dias com ondulações muito pequenas, quando geralmente não quebram ondas nos lugares tradicionais para a prática do surf na vila. Apesar de pequenas as ondas não são consideradas fáceis de surfar, embora grande parte dos surfistas locais sejam ali iniciados.

As condições favoráveis para surfar a “direitinha” são resultado da combinação do movimento continuo do Rio Doce com ação de grandes ondulações que deposita no fundo do mar um banco de areia propício para a “ondinha quebrar perfeita”. Segundo o surfista Fabrício Fiorot, exímio conhecedor da onda, “as ondas quebram com constância com meio metro de altura, em três sessões: a primeira mais rápida, a segunda mais cavada e a terceira para efetuar manobras. Tendo uma ondulaçãozinha e vento leste, que entra de terral, a onda fica muito boa”, afirma Fiorot. No entanto, existem muitas divergências sobre a qualidade daquela onda para a prática do surf.

Por se tratar de uma onda que quebra na boca de um rio relativamente caudaloso, o surfista desatento (ou que não conhece bem o lugar) pode ser tomado pela forte correnteza e obrigando a remar por um bom tempo até alcançar a segurança da praia a muitos metros dali.

Farol de Regência[editar | editar código-fonte]

Atual farol de Regência

Medindo 47 metros de altura, o farol foi construído em 15 de novembro de 1895 no pontal norte da barra do Rio Doce, com o objetivo de auxiliar a navegação costeira devido aos bancos de areia próximos a foz do rio. No início sua iluminação era feita de gás, passando depois a funcionar através de baterias e luz elétrica. Depois de 12 anos, por estar instalado em lugar inadequado, pelo fato de oferecer maior perigo aos navegantes, o farol foi transferido para o pontal sul, para melhor navegação bem próxima a foz onde uma bela lagoa o cercava.

Com o passar do tempo e a regressão do mar o farol ficou distante da barra. Em 1998 a marinha construiu em seu lugar um moderno farol de concreto, este monumento centenário, sendo sua cúpula, foi montado em frente ao museu da história de regência, e no mesmo ano a Associação de Moradores de Regência solicita o tombamento do farol, alegando ser o representante de toda transformação geográfica, histórica, cultural e econômica, tendo o pedido atendido pelo Governo do Espírito Santo. Segundo o secretário municipal de Cultura Roberto Cordeiro, foram investidos R$ 52 mil para a realização de serviços de remoção de ferrugem, troca de peças danificadas pela ação do tempo e aplicação de anti-ferrugem. “Além de melhorar as condições do farol, a reforma contribui para a manutenção da história do município tendo em vista que o farol está diretamente ligado a história do próprio Caboclo Bernardo”, afirma o secretário. A entrega do farol reformado foi realizada no dia 5 de junho de de 2014, durante a festa de Caboclo Bernardo e o Encontro das Bandas de Congo.

Antiga cúpula do farol

A importância do Farol se dá pela segurança que presta aos navegantes amadores e profissionais, por sinalizar a existência de elevações rochosas e bancos de areia e que só podem ser observados bem de perto.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • VALIM, Hauley Silva. Religião E Etnicidade: O Herói Caboclo Bernardo E A Construção Da Identidade Étnica Na Vila De Regência Augusta – ES. Dissertação de Mestrado apresentada a Universidade Metodista de São Paulo, Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião. São Bernardo do Campo, 2008. 163p
  • Texto: Farol de Regência pesquisa de alunos do primeiro período de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Pitágoras de Linhares (Ana Maria de Souza, André Santos, Kamila Ferreira, Lorena Monteiro, Thamiris Bolsoni Fornaciari)

História do Museu e o velho farol de Regência. Disponível em: http://www.regenciaecotur.com.br/novidades.asp?id=215. Acesso em: 28 Set 2014

O cartão postal de Regência sofre com a ação do tempo e com o descaso. Disponível em: http://www.regenciasurf.com.br/noticia120.html. Acesso em: 25 Set 2014

Referências

  1. «Distribuição da População no Litoral de Linhares-ES». Consultado em 2 de setembro de 2015. 
  2. «TV Gazeta apoia filme 'A Onda da Vida', dirigido por capixaba». globo.com/tvgazetaes. 10 de maio de 2014. Consultado em 28 de outubro de 2017. 
  3. «Filme rodado em Regência chega ao circuito nacional de cinema». gazetaonline.com.br. 3 de julho de 2014. Consultado em 28 de outubro de 2017. 
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