Al-Jahiz

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Al-Jahiz (em árabe: الجاحظ; nome real Abu Uthman Amr ibn Bahr al-Kinani al-Fuqaimi al-Basri, Basra, c. 781868 ou 869) foi um famoso estudioso árabe.

Estudou em Basra, um centro intelectual importante, com vários sábios islâmicos. Al Jahiz pertencia a uma família de classe média e durante sua juventude, continuou seus estudos e ajudou seu pai no mercado de peixes.

Reconhecendo seus talentos mais produtivos, um dia sua mãe apresentou-se a ele com uma bandeja de cadernos de papel e sugeriu que ganha-se sua vida por meio da escrita. Isto ajudou a lançar-se naquilo que se transformaria em uma carreira ilustre que durou mais sessenta anos. Al Jahiz inscreveu-se mais tarde na instituição do Califa aonde foi bem recebido na coorte de Bagdá. Por volta de 815, Al Jahiz mudou-se para Bagdá, uma cidade fundada aproximadamente quinze anos antes de seu nascimento como centro do Califado Abássida e a capital do império islâmico (exceto Andaluzia, isto é, Espanha, Portugal e França do sul). Continuou a escrever sobre vários assuntos e era bem respeitado na coorte de Califa, embora fosse admirado por oficiais da coorte, nunca trabalhou para eles nem exigiu qualquer posição oficial. Al Jahiz escreveu mais de 200 trabalhos mas somente trinta deles existem até os dias de hoje. Em seu trabalho está incluído zoologia, a gramática árabe, a poesia, o retórica e a lexicografia, é considerado como um dos poucos cientistas muçulmanos que escreveram assuntos científicos e complexos para pessoas não especializadas. Seus escritos contêm muitas anedotas indiferentes ao assunto do qual ele está discutindo, para mostrar o seu ponto de vista, e para trazer a luz ambos os lados de um argumento. Alguns de seus livros mais famosos são:

  • O livro dos animais,
  • A arte de manter-se uma boca fechada,
  • encontro com empregados civis,
  • alimento árabe,
  • Um elogio aos comerciantes ,
  • Leveza e Serenidade.

Seu livro mais famoso ' Kitab Al Hayawan ' (livro dos animais) é uma enciclopédia de sete volumes. Foi recompensado com 5.000 dinares de ouro por um oficial da coorte a quem dedicou o livro dos animais . Kitab al-Hayawan contem uma disposição surpreendente de informações científicas que não plenamente desenvolvidas até a primeira metade do século 20. AlJahiz discute sua observação em detalhe na organização social de uma comunidade de formigas, da comunicação animal e da psicologia , e dos efeitos da dieta e do clima . Descreveu como as formigas armazenam e preservam os grão em seus ninhos durante a estação chuvosa. Sugeriu uma maneira engenhosa de expelir mosquitos e moscas de um quarto baseado em sua observação de que alguns insetos são atraídos pela luz. Al Jahiz pesquisou o grau de inteligência da espécie animal e dos insetos. Observou também que determinados parasitas se adaptam à cor de seu hospedeiro, e realizou uma pesquisa sobre os efeitos da dieta e do clima não somente em homens, mas também em animais e plantas. As 87 páginas do livro dos animais (aproximadamente um décimo do texto original de Al Jahiz) estão preservados na Biblioteca Ambrosiana em Milão. Esta coleção (uma cópia do original) data do 10º século e carrega o nome do último proprietário Abd Al Rahman Al Maghribi e o ano de 1615. Estas páginas do livro dos animais contêm mais de 30 ilustrações em miniatura. Como era comum nas escritas dos cientistas muçulmanos da idade dourada (8º ao 10º século), Al Jahiz reconheceu os sinais de Deus, na criação. Al Jahiz retornou a Basra após ter ficado mais de cinqüenta anos em Bagdá, morreu em Basra em 868 em conseqüência de um acidente em que foi esmagado e morto por uma pilha livros que desmorou de uma das prateleiras de sua biblioteca confidencial. [1] [2] [3]

Outros Trabalhos[editar | editar código-fonte]


Kitab al Jawari Moufakharat wal Ghilman (Livro do ditirambo das concubinas e efebos)[editar | editar código-fonte]

Em árabe a palavra jawari é o plural de sentido jariya (serva) que, pelo padrão de hoje poderíamos chamar de amante, concubina ou dama havia realmente dois tipos de jariyas que administravam a casa e encaminhava recados diários e o segundo tipo usado de serva era a Qina chamado também de qaenawas a jariya que tinha a habilidade de cantar que a destacava acima (em valor de mercado) de qualquer jariya comum, muitas vezes este tipo de jawari valia muito dinheiro, em conseqüência, elas se tornaram um privilégio para príncipes e comerciantes ricos, e a palavra ghilman é o plural de ghoulam (servos jovens do sexo masculino), também referido como eunuco, castrado ou efebo. Para a maioria dos estudiosos do livro do ditirambo das concubinas e efebos é um livro da sensualidade desenfreada, neste livro Al Jahiz cativa-nos com histórias de natureza erótica que lida com a percepção árabe da sexualidade.

Risalat mufakharat al-sudan 'ala al-bidan (Tratado dos Negros)[editar | editar código-fonte]

Todos concordam que não há pessoas na terra em que a generosidade é tão universalmente bem desenvolvidos como o Zanj. Essas pessoas têm um talento natural para dançar ao ritmo de qualquer instrumento, sem a necessidade de aprender. Não há cantores melhores em qualquer lugar do mundo, ninguém é mais polido e eloqüente, e não são pessoas dadas a linguagens insultuosas. Nenhuma outra nação pode ultrapassá-los na força física e resistência física. Um deles pode levantar enormes blocos e transportar cargas pesadas que seria além da força da maioria dos beduínos ou membros de outras raças. Eles são corajosos, enérgicos, e generosos, são os virtudiosos da nobreza, e também bem-humorados e com pouca propensão para a maldade. Eles estão sempre alegres, sorrindo, e desprovido de malícia, que é um sinal de caráter nobre. Nós conquistamos o país dos árabes, tanto quanto Meca e governamo-los. Nós derrotamos Dhu Nowas (Rei judeu do Iémen) e matamos todos os príncipes himyaritas, mas você, as pessoas brancas, nunca conquistaram o nosso país. Nosso povo, os Zanjs revoltaram-se quarenta vezes no Eufrates, conduzindo os habitantes das suas casas e fazendo de Oballah um banho de sangue.

O Zanj diz ao árabe: Você é tão ignorante que durante o jahiliyya(referindo-se à condição na qual os árabes se encontraram na Arábia pré-islâmica, no politeísmo) você nos considerava seus iguais quando se tratava de casar com mulheres árabes, mas com o advento da justiça do Islã que você decidiu esta prática era ruim. No entanto, o deserto está cheio de Zanjs casando com mulheres árabes, e eles foram príncipes e reis e têm os seus direitos salvaguardados e protegidos contra os vossos inimigos.


O Zanj diz que Deus não fez os negros, a fim de desfigurar-los, mas foi o ambiente que os fez assim. A melhor evidência disso é que existem tribos negras entre os árabes, como o Sulaim Banu bin Mansur, e que todos os povos que se instalaram em Harra, além da Sulaim Banu, são negros. Essas tribos tomam escravos entre os Ashban para manusear seus rebanhos nos trabalhos de irrigação, trabalho manual, e no serviço doméstico, enquanto suas esposas, dentre os bizantinos; e ainda leva menos de três gerações em Harra para dar-lhes todas as complexões de um Sulaim Banu.

Em Harra todas as gazelas, avestruzes, insetos, lobos, raposas, ovelhas, burros, cavalos e pássaros que vivem lá são todas pretos. Brancos e negros são os resultados do meio ambiente, as propriedades naturais da água e do solo, distância do sol, e a intensidade do calor. Não há sobre de metamorfose, ou desfiguração de punição, ou desfavorecimento por Allah. Além disso, a terra dos Banu Sulaim tem muito em comum com a terra dos turcos, onde os camelos, animais de carga, e tudo o que pertence a essas pessoas é similar na aparência: Tudo deles nos parece turco.[4]

Referências

  1. http://www.islam.org.br/al_jahiz.htm
  2. James E. Lindsay, Daily Life in the Medieval Islamic World (2005), p. 72.
  3. Al-Jahiz: INTRODUCTION." Classical and Medieval Literature Criticism. Ed. Daniel G. Marowski. Vol. 25. Gale Group, Inc., 1998. eNotes.com. 2006. 13 Sep, 2007
  4. http://www.fordham.edu/halsall/source/860jahiz.asp

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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