Raimundo Lúlio

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Beato Raimundo Lúlio, O.T.S.F.
Estátua de Ramon Llull na Universidade de Barcelona
Doctor Illuminatus
Nascimento ca. 1232 em Palma de Maiorca, Reino de Maiorca
Morte 29 de junho de 1315 (83 anos) em Palma de Maiorca, Reino de Maiorca
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 1847 por Papa Pio IX
Festa litúrgica 30 de junho
Gloriole.svg Portal dos Santos

Raimundo Lúlio (em catalão Ramon Llull; em espanhol, Raimundo Lulio; em latim, Raimundus ou Raymundus Lullus; em árabe, رامون لیول ) foi o mais importante escritor, filósofo, poeta, missionário e teólogo da língua catalã. Foi um prolífico autor também em árabe e latim, bem como em langue d'oc (occitano). É beato da Igreja Católica.

História[editar | editar código-fonte]

Foi um leigo próximo aos franciscanos. Talvez tenha pertencido à Ordem Terceira dos Frades Menores. Foi discípulo do renomado médico, alquimista e astrólogo Arnaldo de Vilanova e ficou conhecido como Doctor Illuminatus, embora não seja um dos 33 Doutores da Igreja Católica.

Nasceu em Palma de Maiorca, pouco tempo após a conquista de Maiorca pelo rei dom Jaime I de Aragão. Não se sabe a data exata do seu nascimento, mas calcula-se que ocorreu entre fins de 1232 e começos de 1233. Ramon era filho de uma família de boa situação financeira: seus eram pais Ramon Amat Llull e Isabel d'Erill.

Dedicou-se ao apostolado entre os muçulmanos. Casou-se com 22 anos com Blanca Picany, da qual teve dois filhos: Domingos e Madalena. Mais tarde, após converter-se em 1262, tornou-se terciário franciscano. Em 1275, depois de uma experiência mística, da qual saiu com o duplo propósito de preparar-se para o magistério e para dedicar-se à conversão dos infiéis e em vista das insistentes queixas de sua esposa, abandonou definitivamente a família.[1]

Segundo Umberto Eco, o lugar do nascimento foi determinante para Llull, pois Maiorca era uma encruzilhada, na época, das três culturas: cristã, islâmica e judaica, até o ponto de que a maior parte de suas 280 obras conhecidas terem sido escritas inicialmente em árabe e catalão.[2]

Além de ser o primeiro autor a utilizar uma língua neolatina para expressar conhecimentos filosóficos, científicos e técnicos, destacou-se por uma aguda percepção que o permitiu antecipar muitos conceitos e descobrimentos. Lúlio foi o criador do catalão literário, possuindo um elevado domínio da língua e tendo sido seu primeiro novelista.

Raimundo Lúlio

De família cristã, Lúlio conviveu com muçulmanos e judeus em Maiorca. Converteu-se definitivamente ao cristianismo em 1263 - ano da famosa Disputa de Barcelona entre o rabino Mosé ben Nahman de Girona, notável teólogo judeu, e o dominicano Pau Cristià, um judeu convertido. Nessa disputa, foi utilizado o procedimento de partir das argumentações do livro revelado do opositor. A partir dessa época, os apologetas cristãos passaram a estudar em profundidade os textos islâmicos e judeus.

Mas Lúlio seguiu uma outra vertente. Em seu diálogo inter-religioso, motivado pela tentativa missionária de conversão do "infiel", preferia partir do que chamava de "razões necessárias". É o que desenvolve, por exemplo, em O Livro do Gentio e dos Três Sábios (1274-1276).

Posteriormente, criaria uma forma de argumentação baseada na automatização do pensamento. Por volta de 1275, ele concebeu um método, publicado pela primeira vez, na sua totalidade, em Ars generalis ultima ou Ars magna ("Grande Arte"), de 1305). Tal método resultava da combinação de atributos religiosos e filosóficos selecionados de várias listas. Acredita-se que, para escrever essa obra, Lúlio se tenha inspirado em um dispositivo denominado zairja, usado pelos astrólogos árabes.

Conhecido em seu tempo pelos apelidos de Arabicus Christianus (árabe cristiano), Doctor Inspiratus (Doutor Inspirado) ou Doctor Illuminatus (Doutor Iluminado), Llull é uma das figuras mais fascinantes e avançadas dos campos espiritual, teológico e literário da Idade Média. Em alguns de seus trabalhos, propôs métodos de escolha que foram redescobertos, séculos mais tarde, por Condorcet (século XVIII).

Citações[editar | editar código-fonte]

Natal
Adoro o Menino abençoado, Deus e homem, a sua divindade, a sua humanidade e todo o bem que há nele, já que a ele toda adoração objetiva e, finalmente, deve ser endereçada. Adoro nele a soberana bondade, a soberana grandeza e todas as demais qualidades incriadas; e, sendo ele homem, adoro também essas mesmas qualidades tal como foram criadas; e como todas as coisas foram feitas por ele, adoro o seu entendimento, e a sua boa vontade adoro, e qualquer outra ação sua; e a ele ofereço toda a minha inteligência, todo o meu poder e todo o meu agir, e, se mais pudesse, mais diria para a sua glória e a sua honra. Adoro o Menino que há de sofrer a paixão, há de ser sepultado e há de ressuscitar no terceiro dia, e com toda a glória dele adoro também a bem-aventurada Virgem sua sacratíssima Mãe.
 
Raimundo Lúlio, Do nascimento do Menino Jesus[3] .

Referências

  1. ZILLES, U. Fé e Razão no Pensamento Medieval. Porto Alegre: EdiPUCRS, 1993. p. 106ss
  2. ECO, U. La búsqueda de la lengua perfecta. Barcelona: Editorial Crítica, 1994. p. 55
  3. LLULL, R. Do nascimento do Menino Jesus, Escritos antiaverroístas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001. p. 64

Ligações externas[editar | editar código-fonte]