Arábia pré-islâmica
A história da Arábia pré-islâmica, ou seja, anterior à ascensão do islamismo ocorrida na década de 630 naquela região, não é conhecida com grande riqueza de detalhes. As explorações arqueológicas na Península Arábica foram esparsas, e as fontes escritas indígenas estão limitadas às diversas inscrições e moedas encontradas no Iêmen. O material existente consiste primordialmente de fontes escritas de outras tradições vizinhas (como os egípcios, gregos, persas, romanos, etc.) e das tradições orais que foram registradas posteriormente pelos acadêmicos islâmicos.
O estudo da Arábia pré-islâmica é importante para os estudos islâmicos na medida em que fornece o contexto no qual se deu o desenvolvimento do próprio islã. Existem fontes epigráficas no antigo árabe meridional desde por volta do século IX a.C., e do antigo árabe setentrional desde por volta do século VI a.C.. A partir do século III d.C. a história árabe se torna mais tangível, com a ascensão do Reino Himiarita e com o surgimento dos catanitas, no Levante, e a gradual assimilação dos nabateus por aqueles, ocorrida nos primeiros séculos da era cristã, uma tendência expansionista que finalmente culminou com as explosivas conquistas muçulmanas do século VII.
Índice |
Idade do Bronze [editar]
- Período ubaidita (possivelmente originado da Arábia oriental)
- Cultura de Umm an-Nar
Migrações semíticas arcaicas [editar]
Os primeiros eventos conhecidos na história árabe são as migrações feitas a partir da península para as áreas vizinhas.1 No terceiro milênio a.C. povos que falavam idiomas semitas migraram para a Península Arábica para a Mesopotâmia e se fixaram na Suméria, onde eventualmente fundaram o Império Acádio, sob o comando de Sargão da Acádia (c. 2300 a.C.).2
Os semitas orientais se estabeleceram em Ebla, enquanto os amoritas, semitas ocidentais que haviam abandonado a Arábia no fim do terceiro milênio a.C., se fixaram ao longo do Levante. Alguns destes migrantes acabaram formando posteriormente os arameus e cananeus de períodos posteriores.3
Magan e A'ad [editar]
Magan foi evidenciada como o nome de um parceiro comercial dos sumérios na região; presume-se que estivesse localizada no atual Omã. Os aditas se estabeleceram na Arábia Meridional (atual Iêmen), fixando-se a leste da tribo dos catanitas, onde fundaram o reino de A'ad, que perdurou do século X a.C. ao século III a.C..
A nação A'ad era conhecida pelos antigos gregos e egípcios; a obra Geographia, de Ptolomeu, do século II d.C., se refere ao local ao falar de uma versão helenizada dos habitantes de sua capital, Ubar.
Tamudeus [editar]
Os tamudeus (em árabe: ثمود) foram um povo da antiga Arábia - uma tribo ou um grupo de tribos - que criou um grande reino, que floresceu de 3000 a.C. a 200 d.C.. Recentes investigações arqueológicas indicaram diversas inscrições e figuras deste povo feitas em rocha, não apenas no Iêmen mas por toda a Arábia central.
Foram mencionadas por diversas fontes, como o Corão, a antiga poesia árabe, os anais assírios (Tamudi), numa inscrição feita num templo grego no noroeste do Hejaz de 169 d.C., numa fonte bizantina do século V e em diversos grafitos no árabe setentrional em torno de Tayma.
Foram mencionados nos anais de vitória do rei neo-assírio Sargão II (século VIII a.C.), que os derrotou numa campanha na Arábia setentrional. Os gregos também se referiram a este povo como "Tamudaei", designação encontrada nos escritos de Aristóteles, Ptolomeu e Plínio, o Velho. Antes da ascensão do islamismo, aproximadamente entre 400 e 600 d.C., o povo havia desaparecido totalmente das fontes históricas.
Sul da Arábia na Idade do Ferro [editar]
Reino de Ma'in (século VII a.C. – século I a.C.) [editar]
Durante o domínio mineu a capital foi sediada em Karna (atualmente conhecida como Sa'dah), e outra cidade importante eram Yathill (atual Baraqish). O Reino Mineu tinha seu centro no noroeste do Iêmen, e a maior parte de suas cidades se localizada ao longo do Wadi Madhab. Inscrições mineias foram encontradas até mesmo no Reino de Ma'in, em locais tão distantes quanto al-`Ula, no noroeste da Arábia Saudita, e mesmo na ilha de Delos e no Egito. Foi o primeiro dos reinos iemenitas a sucumbir, e o idioma mineu se extinguiu por volta de 100 d.C..4
Reino de Sabá (século IX a.C. – 275 d.C.) [editar]
Durante o domínio sabeu, o comércio e a agricultura floresceram, gerando muita riqueza e prosperidade. O reino sabeu localizava-se no que atualmente é a região de Asir, no sudoeste do Iêmen, e sua capital, Ma'rib, localiza-se próximo à atual capital do país, Sana'a.5 De acordo com a tradição do Sul da Arába, o filho mais velho de Noé, Sem, teria fundado a cidade.
Durate o período o Iêmen foi chamado de "Arabia Felix" ("Arábia Feliz"), pelos romanos, que ficaram impressionados por sua riqueza e prosperidade. O imperador romano Augusto enviou uma expedição militar para conquistar o território, sob o comando do general Élio Galo. Após um sítio malsucedido a Ma'rib, o general romano recuou para o Egito, enquanto sua frota destruiu o porto de Áden para assegurar o controle romano da rota de mercadorias para a Índia.
O sucesso do reino teve como base o cultivo e comércio de especiarias, incluindo o incenso e a mirra; exportadas para todo o Mediterrâneo, Índia e Abissínia, tanto por meio de caravanas de camelos pela Arábia ou pelo mar.
Durante os séculos VII e VIII havia um contato próximo entre as culturas do Reino de Dʿmt, no norte da Etiópia e Eritreia, e Sabá. Embora as civilizações fossem indígenas e suas inscrições reais tenham sido escritas numa espécie de proto-etiosemita, existiam alguns imigrantes sabeus no reino, como evidenciam algumas inscrições dos Dʿmt.6 7
A agricultura floresceu no Iêmen neste período, devido a um avançado sistema de irrigação que consistia de grandes túneis que conduziam água, escavados em montanhas, e represas. A mais impressionante destas obras de engenharia, conhecida como Represa de Marib, foi erguida por volta de 700 a.C., e irrigava cerca de 101 quilômetros quadrados de terra,8 tendo permanecido em uso por mais de um milênio até ruir em 570 d.C., após séculos de abandono.
Referências
- ↑ Philip Khuri Hitti (2002), History of the Arabs, 10ª edição
- ↑ Akkadians Study, Washington State University
- ↑ The Amorites – Encyclopædia Britannica
- ↑ Nebes, Norbert. "Epigraphic South Arabian", Encyclopaedia: D-Happ.334; Leonid Kogan and Andrey Korotayev: Sayhadic Languages (Epigraphic South Arabian) // Semitic Languages. Londres: Routledge, 1997, p. 157-183.
- ↑ [1][ligação inativa]
- ↑ Sima, Alexander. "Dʿmt" in Siegbert von Uhlig, ed., Encyclopaedia Aethiopica: D-Ha (Wiesbaden:Harrassowitz Verlag, 2005), pp.185.
- ↑ Munro-Hay, Stuart. Aksum: A Civilization of Late Antiquity, (Edimburgo: University Press, 1991), pp.58.
- ↑ Culture of Yemen - History and ethnic relations, Urbanism, architecture, and the use of space
Bibliografia [editar]
- Berkey, Jonathan P. (2003), The Formation of Islam, Cambridge University Press, ISBN 978-0-521-58813-3
- Bulliet, Richard W. (1975), The Camel and the Wheel, Harvard University Press, ISBN 0-674-09130-2
- Crone, Patricia (2004) [1987], Meccan Trade and the Rise of Islam, Blackwell Publishing, republished by Gorgias Press, ISBN 1-59333-102-9
- Donner, Fred (1981), The Early Islamic Conquests, Princeton University Press, ISBN 0-691-10182-5
- Hawting, G. R. (1999), The Idea of Idolatry and the Emergence of Islam: From Polemic to History, Cambridge University Press, ISBN 978-0521651653
- Hoyland, Robert G. (2001), Arabia and the Arabs: From the Bronze Age to the Coming of Islam, Routledge, ISBN 978-0415195355
- Korotayev, Andrey (1995), Ancient Yemen, Oxford: Oxford University Press, ISBN 0-19-922237-1
- Korotayev, Andrey (1996), Pre-Islamic Yemen, Wiesbaden: Harrassowitz Verlag, ISBN 3-447-03679-6
- Yule, Paul Alan (2007), Himyar–Die Spätantike im Jemen/Himyar Late Antique Yemen, Aichwald: Linden, ISBN 978-3-929290-35-6