Arthashastra
Arthashastra (Arthaśāstra) é um clássico tratado político da Índia, escrito entre os anos 321 e 300 a.C. pelo estadista e filósofo indiano Chanakya, que viveu por volta do século III a.C..
A obra foi escrita em sânscrito e reúne quase tudo o que já havia sido escrito na Índia, quanto à chamada "artha": economia, prosperidade material e riqueza. Segundo o seu tradutor para o português, Sérgio Bath, o trabalho é "um guia absolutamente prático e instrumental, que não teoriza nem desenvolve sobre premissas de filosofia política, mas ensina a organizar e a administrar a máquina estatal com notável frieza e objetividade".
Tendo desaparecido, após a redação, o tratado somente foi redescoberto em 1909, em manuscritos redigidos em sânscrito. Mas em 1910, outros manuscritos foram encontrados e um deles era uma mistura de de duas línguas dravidianas do sul do Industão: o tâmil e o malaiala [comparativamente, seria como encontrar uma versão de um original italiano, numa mistura de francês e espanhol).
Sumário da obra. [editar]
O título do livro tem sido traduzido ora como "Manual sobre as Receitas Governamentais", ora como "Princípios da Política". São 150 capítulos, reunidos em quinze livros.
O Estado a que o livro faz referência é de feição totalitária, assemelhando-se àqueles da primeira metade do século XX. A ambição totalizante do Estado é desmedida e sua interferência em qualquer assunto, inquestionável; a defesa da alta tributação é, portanto, natural, na essência do tratado. O objetivo do Governo seria tudo fiscalizar, de modo a obter a maior receita possível.
Para tal objetivo, a máquina estatal teria de ser imensa e a burocracia, sufocante; o corpo dos burocratas de mais alto nível teria de ser bem remunerado, para evitar corrupção e promover a retribuição justa pelo esforço administrativo.
Grade das matérias. [editar]
Da mais acessível tradução brasileira disponível {a dos "Conselhos aos Governantes" (Edições do Senado Federal, Volume 15)}, constam alguns dos livros da obra e apenas parte dos respectivos capítulos (selecionados pela importância), a saber:
- Livro primeiro
- Capítulo IV - A finalidade das ciências produtivas e da punição
- Capítulo VII - Os limites dos sentidos
- Capítulo VIII - A nomeação dos ministros
- Capítulo XI - A instituição de informantes
- Capítulo XIII - A proteção dentro do próprio estado
- Capítulo XV - As sessões do conselho de estado
- Capítulo XVI - A missão dos embaixadores
- Capítulo XVII - A proteção dos príncipes
- Capítulo XIX - Os deveres dos monarcas
- Capítulo XX - Os deveres do soberano com relação ao seu harém
- Livro segundo
- Capítulo VII - O ofício do contador
- Capítulo VIII - Descobrindo desvios de tributos por funcionários corruptos
- Capítulo IX - O exame da conduta dos servidores públicos
- Capítulo XVI - O superintendente do comércio
- Capítulo XXI - O superintendente aduaneiro
- Capítulo XXVII - O superintendente das prostitutas
- Capítulo XXXI - O superintendente dos elefantes
- Livro terceiro
- Capítulo II - O matrimônio e seus deveres. A propriedade da esposa e as compensações devidas
- Capítulo III - Os deveres da esposa
- Capítulo XVIII - A difamação
- Capítulo XIX - A agressão
- Livro quarto
- Capítulo VIII - O julgamento e a tortura para obter uma confissão
- Capítulo XI - A pena capital, com ou sem tortura
- Capítulo XII - Relações sexuais com as meninas
- Livro quinto
- Capítulo IV - A conduta do cortesão
- Livro sétimo
- Capítulo IX - A aquisição de ouro e de um amigo
- Livro oitavo
- Capítulo II - Considerações sobre as dificuldades enfrentadas pelo soberano e o seu reino