Bīja

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Translation arrow.svg
Este artigo foi traduzido de uma versão noutra língua (versão original). Você pode continuar traduzindo ou colaborar em outras traduções.
NoFonti.svg
Este artigo cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde junho de 2012).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.

No Hinduísmo e Budismo, o termo sânscrito बीज (bīja) (em japonês: shuji (種子? literalmente "semente")), é usado como metáfora para a origem ou causa das coisas e é cognato ao bindu.

A metáfora é consideravelmente estendida nos ensinamentos somente perceptivos da escola Yogacara do Budismo. De acordo com essa teoria, todas as experiências e ações produzem bīja como impressões, armazenados na consciência alaya (armazém). O mundo externo é produzido quando as sementes "perfumam" essa consciência. Esta visão do bīja tem sido equiparada a memes, com a própria teoria postulando uma forma extrema de memética (por exemplo: realidade e existência constituídas puramente por memes).

No Budismo Vajrayana e no Hinduísmo, o termo bīja é usado para "sílabas semente" místicas contidas em mantras. Essas sementes não têm significados precisos, mas são consideradas por carregar conexões com princípios espirituais. A sílaba bīja mais conhecida é Om, primeiramente encontrada nas escrituras hindus dos Upanixades.

Madhu Khanna, estudioso das filosofias ocidental e oriental, liga mantras e yantras à formas pensadas:

Mantras, as sílabas em sânscrito inscritas em yantras, são essencialmente 'formas pensadas' representando divindades ou poderes cósmicos, que exercem suas influências por meio de vibrações sonoras.[1]

Em algumas tradições tântricas, os bīja do Varnamala (em sânscrito: वर्णमाला Varṇamālā, "guirlanda de letras", que pode ser representada como "alfabeto") são entendidos como representações icônicas e materializações sonoras das matrikas (um grupo de deusas).

No budismo tibetano as sílabas semente correspondentes aos Três Vajras são: um oṃ branco (corpo iluminado), um āḥ vermelho (fala iluminada) e um hūṃ azul (mente iluminada).[2] Na tradição Bön do Tibete é um pouco diferente: um āḥ branco, um oṃ vermelho e um hūṃ azul.

Bījas são frequentemente os veículos da transmissão esotérica da Terma para um tertön (em tibetano: གཏེར་སྟོན་, "revelador da terma"), como a vivida por Dudjom Lingpa.[3]

Correlatos transculturais[editar | editar código-fonte]

Guruwari, dos povos indígenas da Austrália, é um interessante correlato transcultural e pode ser cognato. O gyankil da tradição Vajrayana que é cognato com bindu. No respeitado trabalho de campo publicado em Aboriginal Men of High Degree, A. P. Elkin cita que ele, em dua opinião profissional, é evidência que negociantes da Indonésia trouxeram contatos fugazes do Budismo e Hinduísmo para áreas próximas da atual Dampier.[4] Tradições da Mantrayana também foram evidentes na Indonésia, por exemplo, Candi Sukuh. E é nas tradições Vajrayana e Mantrayana da transmissão esotérica onde bīja prevalece. De fato, bīja define a Mantrayana. Elkin interpretou uma ligação entre a cultura aborígene australiana e as ideias budistas como a reencarnação.[4] Ele argumentou que esta ligação poderia ter sido trazida através do contato com comerciantes macáçares.[4] Houve também especulação devido a relatos de relíquias chinesas aparecem no norte da Austrália, datadas do século XV, embora possam ter sido trazidas muito mais tarde através do comércio, em invés de exploração anterior. Elkin citou semelhanças linguísticas de certas palavras e itens lexicais indígenas do extremo norte da Austrália e antigas línguas dravídicas do sul da Índia. Há também semelhanças análogas documentadas e marcadas em seus sistemas de parentesco.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Khanna, Madhu. Yantra: The Tantric Symbol of Cosmic Unity (em inglês). [S.l.]: Inner Traditions, 2003. p. 21. ISBN 0892811323 e ISBN 978-0892811328
  2. Rinpoche, Pabongka. Liberation in the Palm of Your Hand: A Concise Discourse on the Path to Enlightenment (em inglês). [S.l.]: Wisdom Books, 1997. p. 196.
  3. LINGPA, Dudjom; TULKU, Chagdud; NORBU, Padma Drimed; BARRON, Richard (Lama Chökyi Nyima, tradutor); FAIRCLOUGH, Susanne (tradutora). Buddhahood without meditation: a visionary account known as 'Refining one's perception' (Nang-jang) (em inglês). Junction City: Padma Publishing, 1994. ISBN 1-881847-33-0 (Versão revisada em 2002. O título original da obra em tibetano é Ran bźin rdzogs pa chen po'i ranźal mnon du byed pa'i gdams pa zab gsan sñin po.)
  4. a b c Elkin, A. P.. Aboriginal Men of High Degree: Initiation and Sorcery in the World's Oldest Tradition (em inglês). [S.l.]: Inner Traditions, 1994.