Batistas reformados

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Calvinismo
John Calvin.jpg
João Calvino
Bases históricas:

Cristianismo
Agostinho de Hipona
Reforma

Marcos:

A Institutio Christianæ Religionis de Calvino
Os Cinco Solas
Cinco Pontos (TULIP)
Princípio regulador
Confissões de fé
Bíblia de Genebra

Influências:

Teodoro de Beza
John Knox
Ulrico Zuínglio
Jonathan Edwards
Teologia puritana

Igrejas:

Reformadas
Presbiterianas
Congregacionais
Batistas Reformadas

Os Batistas Reformados são batistas que dão mais ênfase as doutrinas reformadas calvinista e luterana do que os Batistas comuns ou que se intitulam assim. Normalmente aderem à Confissão de Fé Batista de 1644 ou 1689. Eles podem traçar a sua história através do início da era moderna dos batistas particulares da Inglaterra. Os nomes Batista Particular, Batista Calvinista e Batista Reformado são essencialmente a mesma coisa.

Influências teológicas[editar | editar código-fonte]

As Igrejas Batistas Reformadas muitas vezes aderem à primeira ou a segunda Confissão de Fé Batista de Londres (alterada em 1646 e novamente em 1651 e 1689), respectivamente. Essas duas Confissões não são consideradas exaustivas ou de autoridade infalível; os batistas reformados tendem a dar menos importância as Confissões do que os outros calvinistas históricos. Os Batistas Reformados tradicionalmente direcionam toda a sua doutrina diretamente da Bíblia, que vêem como a única autoridade de fé e prática; por isso são muito cautelosos acerca da adoção de "normas" e "escritos iluminados" por causa da cultura de "apenas as Escrituras" que é comum em todas as vertentes batistas. Entrementes, as Confissões são estabelecidas como um consenso comum e uma declaração pública do que as igrejas batistas reformadas crêem e ensinam.

Aderem a soteriologia definida por João Calvino, baseada nas chamadas Doutrinas da Graça, historicamente sistematizadas pelos cinco pontos do calvinismo (conhecida pela sigla TULIP) desenvolvidos nos Cânones de Dort. A soteriologia calvinista constituí o eixo da Fé Reformada e por isso os Batistas que adotam a chamada TULIP são caracterizados como Reformados. Porém os Batistas Reformados discordam em alguns pontos da teologia calvinista como o Batismo Infantil (pois a Teologia do Pacto, a luz de Calvino e da maioria dos Reformados, pressupõe que os filhos de cristãos com certeza são predestinados, por isso devem ser batizados na infância; os Batistas Reformados não levam isso em consideração), Batismo por Aspersão (o batismo por submersão é um ponto inegociável da tradição batista), simbiose entre Igreja e Estado (Calvino considerava o Estado como algo espiritual e controlado por Deus, enquanto os batistas tem como tradição a indiferença em relação ao Estado), liturgia (os Batistas tem uma visão "puritana" de culto, se atendo apenas o que as Escrituras dizem sobre culto; enquanto a maioria dos reformados como os Anglicanos e Presbiterianos do Brasil se atam a certos padrões litúrgicos históricos) dentre outros pontos. Por este motivo, alguns ramos das igrejas reformadas que são mais fiéis a doutrina desenvolvida por Calvino, questionam se os chamados Batistas Reformados são de fato Reformados. No entanto, os Batistas Reformados afirmam ser claramente e genuinamente reformados, declarando que são adeptos do Pacto da Graça como feito somente com os eleitos.

O batismo é visto como um sinal da administração de Nova Aliança — feitas com aqueles que foram regenerados por ter a lei escrita em seus corações, seus pecados perdoados e que a salvação vem ao conhecer o Senhor (Jeremias 31:31-4). Batistas Reformados acreditam que somente aqueles que podem professar esta credibilidade devem ser batizados. Candidatos ao batismo são consideradas credíveis após a congregação e os anciãos examinarem cuidadosamente seus testemunhos e estilos de vida. Esse aspecto distinto desta igreja Reformada é uma tradição batista inegociável que sustenta o diferencial e razão histórica dos Batistas se manterem como uma vertente distinta do Protestantismo.

Pontos em comum[editar | editar código-fonte]

As igrejas batistas reformadas se identificam entre sim por determinados pontos em comum:

  • A centralidade das Escrituras Sagradas: a chamada "Bíblia Sagrada", composta por 66 textos divididos em duas alianças (isto é, Antigo e Novo Testamento), é considerada pelos batistas como "única regra de fé e prática", portanto — na teoria — absolutamente nenhuma doutrina, liturgia ou prática pode ser estabelecida numa igreja batista reformada se não houver antecedente bíblico sólido. Este é um princípio batista universal adotado por todas as vertentes batistas; contudo, o batista reformado considera que deve haver, junto ao respeito pela Escritura, uma interpretação bíblica ortodoxa dentro da Teologia Reformada.
  • Credalismo: os credos antigos (apostólico, niceno-constantinopolitano, calcedônio, atanasiano...), confissões de fé como a batista de 1689, bem como catecismos tais quais o ortodoxo de 1680 e o de Londres de 1689, são considerados resumos dos ensinamentos da igreja, instrumentos para instrução teológica e compêndios de interpretação ortodoxa. Nenhuma é colocada na mesma posição de regra das Escrituras Sagradas, tendo que serem subordinados a doutrinas expostas na Bíblia, não podendo ser geradores independentes de doutrinas ou liturgia. Este é um princípio restrito à vertente reformada.
  • Princípio regulador do culto: a crença de que "O modo aceitável de adorar o Deus verdadeiro é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua própria vontade revelada, que não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou o sugestões de Satanás, sob qualquer representação visível, ou qualquer outra forma, não prescrita nas Sagradas Escrituras" (a partir do capítulo 22, nº 1 da Confissão de Fé Batista de 1689). Cada elemento da liturgia semanal regular deve ser expressamente ordenado da Escritura. Tudo o que é expressamente ordenado deve ser incluído, o que não é expressamente ordenado deve ser excluído. As circunstâncias do culto podem variar duma igreja para outra (isto é, adoradores se sentar em cadeiras ou de pé, o tempo que o culto é realizado, etc.) Este é um princípio batista universal adotado por todas as igrejas batistas, havendo divergências como estilos musicais.
  • Soteriologia Calvinista: ensina-se a depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, vocação eficaz (ou graça irresistível) e a perseverança dos santos; isto é, os cinco pontos do calvinismo. Trata-se de um princípio restrito à vertente reformada.
  • Congregacional e Associativa: não há nenhuma autoridade eclesiástica acima da equipe de anciãos da igreja local (incluindo o pastor presidente) além do próprio Jesus Cristo. As igrejas batistas entendem que a igreja local deve ser autônoma, e portanto são contra as estruturas episcopal (de bispos, como adotado pela Igreja Metodista) ou presbiteriana (presbitérios e sínodos, como adotado pela Igreja Presbiteriana do Brasil). No entanto, tradicionalmente as Igrejas Batistas (e reformadas) se reúnem em convenções associativas para comungarem com outras igrejas de doutrina em comum e promover um suporte comum como seminários, gráficas, faculdades teológicas etc. Temos, como exemplo, a Comunhão batista reformada do Brasil. Este é um princípio batista muito disseminado, porém hoje não é universal, havendo várias divergências. Há igrejas batistas que levam com mais rigidez este aspecto e se recusam a se associar a quaisquer convenção. E há também igrejas que se chamam batistas e se formam como verdadeiras denominações, tendo várias ‘filiais’ e uma administração unificada, como a Igreja Batista Nova Filadélfia; outros batistas rejeitam que igrejas assim se continuem a chamar de batistas.
  • Eclesiástica: nas igrejas batistas a igreja local tem como líderes dois tipos de obreiros: pastor (ancião, presbítero, reverendo) e diácono. Cada igreja local tem um determinado número de pastores, variando de igreja a igreja. Este grupo de pastores é responsável pela liderança espiritual (oração, pregação, aconselhamento...) enquanto o diaconato é responsável pela tesouraria da igreja, serviço da ceia, recepção de visitantes e outras questões administrativas. Há certas variações; por exemplo, há igrejas onde há apenas diáconos que acumulam a administração e o serviço pastoral, tendo pastores como funcionários da igreja.
  • Domingo como dia sagrado cristão: alguns batistas reformados consideram o domingo, geralmente chamado de "dia do Senhor", o único santo dia da fé cristã. Crêem que os domingos são para participar do culto púplico (chamado de "reunião sabática" ou "reunião" pelos tradicionais) e a prática de boas obras, sendo para descansar de todos os trabalhos "terrenos" e negócios. Há divergências acerca da proibição estrita de trabalhos "terrenos".

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

A primeira igreja batista nasceu com um grupo de refugiados ingleses na Holanda em busca de liberdade religiosa em 1608. Liderados por John Smyth, clérigo, e Thomas Helwys, advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609, uma igreja congregacional. John Smyth, puritano, discordava da política e de alguns pontos da doutrina da igreja anglicana, da qual era pastor, após uma aproximação com os menonitas e, examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se conscientemente, em seguida batizando os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim a primeira igreja batista organizada.

Até então os batistas não batizavam por imersão, e sim por aspersão; o único diferencial em seu batismo era a necessidade ser batizado em idade consciente.

Batistas particulares[editar | editar código-fonte]

Os batistas particulares eram assim chamados por acreditarem na expiação limitada, ou particular. A visão particular da expiação é que Cristo, na Sua morte, se comprometeu em salvar indivíduos particulares, os eleitos. Esta é a posição calvinista. Alguns dos primeiros líderes batistas particulares foram Benjamin Keach, Hanserd Knollys, William Kiffin, e Isaac Backus. Os batistas da Inglaterra descendem dos batistas particulares. Os batistas particulares eram muito rígidos e exclusivistas; uma notável exceção foi o autor de O Peregrino, John Bunyan.

Ao longo do século 18, os batistas gerais aderiram ao liberalismo teológico e praticamente desapareceram de cena na Inglaterra. Nesse período, os batistas particulares tiveram uma posição teológica super-conservadora, que alguns classificavam como hiper-calvinismo e antimonianismo. Em 1785, Andrew Fuller (1754-1815) publicou o livro "O Evangelho Digno de toda a aceitação", que ajudou muitos batistas particulares a tomarem uma posição mais aberta e sociável com e ao estilo do evangelicalismo; esse fenômeno foi apelidado de "Fullerismo" e levaria a uma divisão entre os batistas particulares, entre aqueles que adotaram a abertura e aqueles que se mantiveram conservadores. Essa vertente batista mais aberta tem como expoentes históricos o próprio Andrew Fuller. O principal porta-voz do calvinismo no meio batista foi John Gill (1696-1771), talvez mais conhecido pela sua pregação expositiva da Bíblia, sendo o primeiro pregador a comentar sobre cada versículo da Bíblia. Com o tempo a teologia super-conservadora perdeu sua força, a ponto de os batistas gerais se fundirem aos batistas particulares na União Batista da Grã-Bretanha (1813).

Batistas calvinistas[editar | editar código-fonte]

O termo "reformado" geralmente é visto, por aqueles que confessam serem reformados, como uma descrição restrita de alguém ou alguma igreja que:

  • Confessionalidade: adota uma das confissões de fé reformadas, como a Confissão de Fé de Westminster e a Confissão de Fé Batista de Londres (no caso dos próprios batistas). No caso dos batistas reformados, adotam-se outras confissões como a "Primeira Confissão Batista de Londres (1644/46), A Confissão de Fé Batista de New Hampshire (1833) e a Fé e Mensagem Batista (1925). Isso caracteriza as igrejas batistas que adotam tais confissões, como igrejas reformadas a partir do momento que acompanham o outro aspecto abaixo.
  • TULIP: cinco pontos do calvinismo: adere aos cinco pontos do calvinismo, desenvolvidos por Calvino e sistematizados pelo Sínodo de Dordrecht. Esse é um aspecto fundamental que diferencia os batistas calvinistas (ou reformados) dos demais Batistas.

As igrejas hoje chamadas de "batistas reformadas" ou "calvinistas" são as que tem os aspectos acima: confessionalidade escrita, cinco pontos da Reforma e os cinco pontos do calvinismo. Porém, as igrejas batistas não consideradas reformadas, aceitam dourinas calvinistas, como a doutrina da eleição.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]